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As eleições e os meus amigos!



"Senhores amigos-eleitores, não se escandalizem; o avião eleitoral já vai decolar. Em caso de problemas técnicos, temos duas saídas de emergência: abraçar o amigo ou declarar guerra aos queridos. No caso de falta de ar, máscaras de oxigênio cairão sobre vossas cabeças. Caso precisem de alguma coisa, alguns velhos amigos não poderão lhe ajudar, busque por novos. Tenham uma boa viagem."

Em ano de eleições é bastante comum um fenômeno social dá o ar de sua graça na sociedade, a “inimizade eleitoral”. Os discursos, outrora bem quistos, agora geram desconfiança, desorientação, e claro, muita fofoca.

Os amigos de longas datas viram inimigos de infância, quando o assunto é política. “Discordar” torna-se palavra “no grata” e senha de ativar bombas. Muitos se vêm no dilema dramático de expor ou não expor seus ideais. E aí a pergunta: Eu posso votar em quem eu quero?

Em época de democracia, ela parece estar tão invisível que há de duvidar de sua integridade. O sistema democrático brasileiro já não é mais confiável (se é que algum dia foi), hoje não passa mais de uma mera ilusão proposta pelas classes dominantes de espírito individualista, e com isso muitos vivem oprimidos e sufocados com a tarefa amarga de esconder seus sentimentos. “Que liberdade temos, que liberdade queremos”- confesso que ainda não sei!

Para os apaixonados pela leitura, tantos leitores, quanto jornalistas, a doce tarefa de escrever torna-se, em alguns casos, uma guerra declarada (quase um atentado ao pudor) contra àqueles que discordam de nossos meros textos, frases, citações, enfim, qualquer coisa escrita.

É fácil imaginar (e não entender) o porquê de após a publicação de um artigo na imprensa, o Joãozinho já evita os meus cumprimentos. Muitas vezes o que se escreve desagrada mais ao amigo-eleitor do que o próprio candidato.

Já perdi a conta de quantos afetos, viraram desafetos, e quantos amigos, tornaram-se inimigos. Se isso me dói?Até dói, mas não me mata. Afinal eu continuo escrevendo o que penso e acredito, e talvez eu não pare nunca. Foi a profissão que escolhi!

Quanto aos dissabores, Ah, os dissabores! Se não puderam respeitar minha humilde opinião e aceitar-me como sou, dificilmente eu voltarei a sentir falta de suas companhias.

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