5.12.09

Não seria do jogo

Há alguns dias escrevi aqui sobre o tal lance no qual o jogador Thierry Henry arrumou a bola com a mão antes de cruzar para o zagueiro Gallas marcar o gol que classificou a França pra Copa do Mundo e tirou a coitada da Irlanda.

Disse naquela ocasião: "Sinceramente, isto é do futebol. Não é da vida, não é da política, não é nem exemplo pra ninguém, mas é do futebol. Na pelada, "pediu pra parar, parou". No futebol, o juiz apitou para o lance, não apitou segue o jogo. (...) A não ser quanto é uma questão de direito, não creio que o jogador deva ser obrigado a se acusar."

E mantenho minha posição.

Se um jogador marca um gol sabendo que está em posição de empedimento e o bandeirinha não marca a irregularidade ele deve avisar o juiz pra anular o gol? Não. É do jogo.

Mas e se o jogador chuta à meta adversária, a bola bate na rede pela lado de fora e o juiz assinala gol? Bem, isso não é o jogo.

Um time entregar uma partida, seja pelo motivo que for, não é do jogo.

A partida disputa logo mais entre Flamengo/TV Globo e o Grêmio entrará para história, isto é certo. Basta saber se lá na frente, quando lembrarmos desta parte o gremista poderá permanecer de cabeça erguida, com honra.

Podem dizer: "E os times que jogam com time reserva no meio do campeonato para poupar o titular para outras competições?".

Estes, meus caros, o fazem para "poupar o time titular para outras competições", não para entregar a partida, para bular o caminho natural do esporte e evitar que um terceiro time de beneficie.


Grêmio X Chapadinha

O caso do Chapadinha, que perdeu por 11 X 0 levando 9 gols nos últimos 10 minutos de jogo na segunda divisão do campeonato maranhense ficou famoso até no exterior. Não tem falta de iluminação que explique o fato, até porque se não havia refletores no estádio a falta de iluminação era para os dois times.

O Chapadinha entregou o jogo. Se houve alguma negociação envolvendo dinheiro ou se o clube queria apenas impedir que o Moto Clube, rebaixado no início desse ano, voltasse à primeira divisão do maranhense já no ano que vem eu não sei, mas o que importa é que o Chapadinha entregou o jogo.

Resultado: O Chapadinha foi banido do futebol!


Qual seria a diferença pra máfia do apito?

O ex-árbitro Edilson Pereira de Carvalho se envolveu com uma máfia que manipulava resultados de partidas de futebol para ganhar dinheiro com apostas. As manipulações de Edilson, inclusive, fizeram com que o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) anulasse as 11 partidas que ele havia apitado no Brasileirão de 2005. A remarcação das partidas foi decisiva para que o Corinthians fosse o campeão daquele ano.

Edilson, obviamente, foi banido do futebol.

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