1.6.16

Não pense no Estado de Direito! Comemore!

O poço institucional no qual o Brasil se meteu tem um fundo sempre disposto a descer mais um pouco. A nova descida é a notícia que o dono da OAS teve sua delação premiada negada por não envolver o presidente Lula em qualquer ilícito.

Quando não em silêncio, assistimos esses atropelos com aplausos. Réus sendo condenados confessadamente sem provas, penas sendo confessadamente infladas artificialmente, senador sendo preso sem flagrante nem crime inafiançável, afastamento de um presidente da Câmara sem nenhum dispositivo legal para tal, prisões por condenações em segundo grau mesmo que ainda caiba recurso. Tudo isso ao arrepio da lei e com anuência de um Supremo Tribunal Federal acovardado e julgando cada peça com a faca no pescoço.

Condução coercitiva de quem se dispor anteriormente a depor e intercepção telefônica entregue pelo juiz à Globo a tempo de sair no Jornal Nacional. Tudo impune, tudo em nome de uma guerra santa que se propõe "refundar a República", mas tem alvo certo desde o início: Lula e sua pré-candidatura à presidência da República.

Para isso, não pode homologar delação que não o incrimine. Pior, espera-se a delação de dois empresários (Léo Pinheiro e Marcelo Odebrecht) avisando que só um dos dois terá o benefício e não será tolerada versão que inocente o sapo barbudo. Quem colocar primeiro o nome dele na roda vence. Valendo!!!

Mas ninguém pode apontar o absurdo no exposto porque trata-se de algo acima de qualquer discussão. Para livrar o Brasil de Lula e do PT parece valer tudo. Rasgar as leis, a Constituição e qualquer noção de Estado moderno, democrático e de Direito.

Será que vale mesmo?

9.5.16

Carta aberta aos senadores do Maranhão

Aos senadores do Maranhão,

Edison Lobão,
João Alberto de Souza,
Roberto Coelho Rocha,


O Senado Federal decidirá nos próximos dias se afasta a presidente da República. O Brasil inteiro sabe que as razões deste processo não são pedaladas fiscais, decretos de suplementação orçamentária ou plano Safra. Se Dilma Rousseff for impedida de completar o seu mandato terá sido pelos seus erros políticos, mas a lei brasileira não diz que isso é motivo para cassar uma presidente.

Espera-se, portanto, que o Senado da Federal cumpra seu papel moderador, que pondere com equilíbrio e tome uma decisão de acordo com a Constituição que os senhores prometeram manter, defender e cumprir quando tomaram posse.

O maranhense tem bons motivos para acreditar que seus representantes votarão com a Constituição. Pela lealdade que marca a trajetória do senador Edson Lobão, pela firmeza com a qual o senador João Alberto tem se portado e pelo corajoso e técnico voto que o senador Roberto Rocha deu na prisão do senador Delcídio do Amaral.

Se ainda há alguma dúvida em Vossas Excelências, peço que não se contaminem pela campanha de ódio construída pela imprensa do Sul e se lembrem que, diferentemente do que eles dizem, não há pressão popular por esse impeachment.

Conforme foi ficando claro para o povo os interesses por trás desse processo, os institutos de pesquisa passaram a apontar uma queda no apoio popular ao impeachment e uma rejeição consolidada a Michel Temer e sua agenda de arrocho.

Se no resto do país há uma divisão sobre o impeachment, no Maranhão a maioria absoluta da população é contra. Nosso estado deu a maior votação proporcional para Dilma (78%) e ainda espera que ela faça, com a ajuda do Senado, o governo que nos prometeu. É o único caminho viável e legítimo para superar a crise.

Em momentos históricos como esse escrevemos as páginas mais importantes das nossas biografias e o povo lembrará de que lado cada um esteve. Michel Temer e sua “Ponte para o Futuro” jamais seriam aprovados pelas urnas e elas não aprovarão quem ajudá-los a chegar ao poder por qualquer atalho antidemocrático.

Assim, se ainda lhes restar alguma razão para votar pela condenação de uma mulher sem crime, o façam por conta própria. Não aumentem a vergonha maranhense, como fizeram alguns deputados, dizendo votar pelo povo do Maranhão. Não, nós temos nada a ver com esse golpe.

Luiz Eduardo Braga
Vereador de Chapadinha



26.4.16

Que união é essa?

Essa é a alternativa?
Depois de mandarem fazer algumas pesquisas de opinião e constatarem o que venho dizendo há algum tempo, os "cachorros grandes" da oposição municipal voltam a falar em união. Todos concordam acreditando que a união se dará em torno de si e de seus interesses, mas essa conta não fecha nem deve iludir os chapadinhenses. 

Uma união que conte com os dois deputados estaduais só faria sentido prático se um dos dois fosse o candidato a prefeito com o compromisso de apoiar a reeleição do outro. Se os dois apoiarem um terceiro nome, terão que dividir o apoio para renovar seus mandatos na Assembleia Legislativa, quando ambos terão mais dificuldades que tiveram em 2014. Levi se elegeu com poucos votos e agora foi para um partido grande e Paulo Neto deverá perder prefeituras que o apoiaram. Correr na mesma raia seria prejuízo para a dupla Coronel e Fantástico.

Se um dos deputados for o candidato a prefeito, como ficará Isaías Fortes que já avisou que não entrega mais cabeça? Isaías já foi expulso de dois governos que ajudou a eleger e sabe que quem fica do pescoço pra baixo não apita nada em governo dos outros. 

Nos bastidores se brinca que "Isaías no volante é um perigo constante. Isaías do lado é perigo dobrado". Quando foi prefeito, ele administrou com uma falta de responsabilidade que faz o município pagar contas da sua gestão até hoje, e quando elege algum aliado ele quer controlar o governo da mesma forma e acaba sendo colocado pra fora.

No meio dessa confusão toda, só há um nome que mete medo em Belezinha: Magno Bacelar. Esse, segundo as pesquisas, seria hoje eleito com ou sem união de oposição e todas as movimentações estão sendo feitas aguardando da sua condição de elegibilidade. Uma candidatura de Magno furaria as canoas e viraria a arca de cabeça pra baixo. 

Sem Magno no páreo, a oposição fica resumida a opções ainda piores do que Belezinha. Chapadinha não merece isso. 

Sem ódio, revanche ou vaidade, sem perseguição, funil ou mesquinhez, Chapadinha merece uma candidatura que vise recuperar os crimes que estão sendo cometidos contra a educação básica, que planeje o crescimento da cidade, que leve as políticas públicas para o homem do campo produzir e gerar riqueza, que dialogue com a sociedade e que tenha a transparência como primeiro princípio. 

Nada disso é colocado como preocupação dos "cachorros grandes" e, por isso, não podem ser considerados como alternativa ao que está aí.