29.7.10

Porque sou contra o "Ficha Limpa"

Talvez eu tenha dentro da caixola um bichinho trabalhando para que eu tenha sempre as posições mais polêmicas sobre determinados assuntos. Fui contra a tal "Lei Seca" e agora sou contra o "Ficha Limpa", mas me esforço para buscar argumentos para manter tais posições.


A existência deste projeto, agora já sancionado e transformado em lei, mostra o nível de falência no qual se encontra a política. São tantos escândalos que o cidadão passa a não apenas tolerar, mas desejar uma medida que passa por cima da Constituição e de preceitos básicos em nome de, supostamente, limpar a política.

Antes de debater o mérito da questão é importante fazer duas ressalvas. Antes de qualquer coisa, a lei "Ficha Limpa" é inconstitucional. Num Estado Democrático e de Direito quem pode ser inocente, inocente é. Ou seja, antes que um processo tenha transitado em julgado e o réu seja declarado inapelavelmente culpado, ele não pode ser tratado como tal.

Além disso, mesmo que constitucional, é uma ameaça à segurança jurídica que a lei valha para as eleições de outubro próximo já que foi sancionada com menos de um ano de antecedência para o pleito. É como mudar as regras do futebol com os times já naquela concentração final entre o vestiário e o gramado.

Outra distorção presente neste debate é a visão de que a lei "Ficha Limpa" é algo feito para pesar sobre "os políticos". Nana, nina, não. A suposta existência de uma "classe política" é algo que devemos refutar todos os dias. Todos nós, cidadãos, somos políticos com direitos e deveres. Assim, qualquer cidadão pode ficar inelegível ao ser condenado por um colegiado mesmo que, muitas vezes, isso não caracterize nenhum desabono para a sua atividade política.

Não estou aqui defendendo a impunidade, uma estrutura branda ou vacilante da lei, mas ressalto os riscos quando a pena é a inelegibilidade. Para não correr o risco de parecer parcial, utilizo como exemplo alguém que tenho como adversário político: Jackson Lago.

O ex-governador tem uma longa trajetória na política maranhense, foi eleito governador com a ajuda de uma série de irregularidades e terminou cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Ok. Sendo eleito com irregularidade deve ser cassado. Roubando o erário deve ressarcir os cofres públicos e ser preso. Porém, não ficar inelegível. Se, mesmo sabendo das irregularidades cometidas, o povo do Maranhão optar por Jackson como governador ele deve ser eleito.

Isto se chama democracia, respeitar a vontade popular. Criar um filtro para separar em quem o povo pode ou não votar é tutelar o eleitor e tirar-lhe a soberania do voto.

A democracia que nós vivemos é cheia de vícios e utiliza um sistema político-partidário que muitas vezes não dá conta de suprir a representatividade popular, mas a democracia, com todos seus equívocos, é melhor do que qualquer outro sistema.

O argumento de que o povo não sabe votar, muitas vezes utilizado neste debate, foi o que sustentou por muito tempo o colégio eleitoral e, portanto, a ditadura militar. Ditadura essa que cassou mandatos e tirou os direitos políticos daqueles que ela julgava "subversisvos", xingamento tão pesado na época que se equipara ao que hoje chamamos de ... (tirem as crianças da frente do computador) ficha suja.

Por defender a democracia e acreditar na capacidade do povo escolher os seus rumos eu sou contra a Lei Ficha Limpa ou qualquer outro instrumento que preveja a inelegibilidade de qualquer cidadão. Que todos sejam elegíveis e o povo, de quem emana o poder numa democracia, tome sua decisão soberana.

22.7.10

Sindsep/MA desmente blogueiro e reafirma independência política

O Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Maranhão (Sindsep-MA) realizou no último dia 16 de julho um debate sobre as eleições estaduais e o posicionamento da entidade frente à disputa eleitoral.

Durante o debate a maioria das falas defendeu a coligação formada por PT, PMDB e mais 15 partidos, mas, ao final da discussão, decidiu-se que o sindicato não formalizaria nenhum posição em respeito ao conjunto dos filiados, decisão defendida até pelo fundador e ex-presidente do sindicato Washington Luiz, candidato a vice-governador pela coligação "O Maranhão não pode parar", encabeçada pela governadora Roseana Sarney.

Paralelamente à realidade, o jornalista Ed Wilson noticiou o debate realizado com um racha do Sindicato e encerrou seu texto com um pequeno parágrafo, quase uma nota de rodapé, afirmando:"Oficialmente o sindicato está "neutro", mas a maioria dos dirigentes prefere Flávio Dino".

Em resposta ao jornalista, a diretoria do Sindsep lançou notadesmentindo a informação e afirmando: "Apesar da maioria dos diretores da capital e do interior terem se manifestado favoráveis ao apoio do Sindsep à Coligação PT/PMDB, a direção resolveu que em respeito à pluralidade político-partidária de seus filiados não deveria tomar uma posição institucional em favor de nem uma das duas candidaturas".


Mais uma resposta

Não é a primeira vez que Ed Wilson leva uma chamada dessas em público pelo que anda escrevendo em seu blog. Há algumas semanas ele publicou um texto muito bem escrito acusando o deputado federal Roberto Rocha (PSDB), candidato a senador na chapa de Jackson Lago (PDT) de estar em rota de aproximação com a governadora Roseana Sarney.

No decorrer do texto Ed Wilson atacou, sem citar nomes, o jornalista Robert Lobato chamando-o de "ventríloco do tucano na arena petista" e "acusando-o" de não ter sido incisivo na oposição à intervenção do PT Nacional no Maranhão e de ter deixado de combater ao grupo Sarney.

Labato respondeu a altura: "O jornalista Ed Wilson Araújo não teve a devida coragem se dirigir diretamente a mim (...) eu prefiro, nesses casos, ser cartesiano. E reafirmou seu posicionamento político numa discussão pública que mais pareceu uma disputa entre os candidatos ao Senado defendidos por cada uma das partes.

Pelo menos virtualmente, a eleição começa a esquentar no Maranhão.



10.7.10

As tais impugnações

Foi divulgada ontem a lista das 80 candidaturas que a procuradora regional eleitoral do Maranhão, Carolina da Hora, decidiu pedir a impugnação e o reboliço foi grande no estado.


A presença do nome do governador cassado Jackson Lago era dada como certa e foi confirmada. Pesa contra o "dotô" o fato de ter sido condenado por um colegiado, o Tribunal Superior Eleitoral, à perda do mandato por uma série de irregularidades cometidas nas eleições de 2006 sob a batuta do então governador José Reinaldo Tavares, que, apesar disso, será candidato a senador sem maiores aporrinhações.

Outro nome já esperado era o do atual vice-governador, João Alberto, por ter assinado documentos na condição de governador depois da data permitida pela legislação. Inscrito como candidato a senador, João Alberto deve ficar fora do processo eleitoral caso seja confirmada a impugnação. Teoricamente ele só poderia ser candidato a governador ou a vice governador, mas os postos já estão ocupados respectivamente pela governadora Roseana Sarney e pelo petista Washington Luiz, cuja indicação passou por acordo com a direção nacional do PT e com o presidente Lula. Washington, inclusive, também consta na lista por questão de documentação que, segundo o próprio, será resolvida até segunda-feira.

Quanto a João Alberto, para fazer do limão uma limonada, Roseana pode compensá-lo não apenas com o comando de uma importante secretaria num eventual futuro governo, mas também deixar seu cargo até a eleição, o que lhe daria mais liberdade pra fazer a campanha e ao vice a titularidade do governo até lá.

Na mesma situação de Washington Luiz e João Alberto, o candidato a senador Edson Vidigal avisou pelo twitter já ter entregue ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) a certidão da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) comprovando sua desincompatibilização no prazo devido do cargo de professor.

Entre os candidatos a deputado federal com boas chances de êxito estão presentes na lista Sarney Filho (PV), Cleber Verde (PRB), Ildon Marques (PSDB), Raimundo Monteiro (PT), Terezinha Fernandes (PT) e Telma Pinheiro (PSDB).

Porém, é importante frisar que NENHUM DESTES CANDIDATOS ESTÁ IMPUGNADO. As ações da procuradora devem ser protocoladas até quarta-feira e depois disso o TRE julgará cada caso.

7.7.10

Tucano mente e é acusado de desrespeito à legislação eleitoral

Parece que os aliados de Jackson Lago não aprenderam a lição. Mesmo depois de a Justiça ter cassado o “dotô” do cargo de governador por ter praticado uma série de crimes eleitorais graves na disputa de 2006, seus aliados cismam em ignorar o que me manda a legislação e, sedentos por poder, fazem de tudo para tentar vencer a eleição.

O deputado federal e pré-candidato a senador pelo PSDB, Roberto Rocha, por exemplo, instalou no mês de abril, em vários trechos da rodovia BR-230, outdoors com a frase: “Reconstrução da BR 230. Estreito – Carolina – Riachão – Balsas. Primeiro a gente faz. Depois a gente fala. Deputado Roberto Rocha”. Tal atitude não apenas pode ser considerada ilegal, mas também mentirosa.

Ilegal porque aparenta ser propaganda eleitoral antes do prazo permitido pela lei e o diretório estadual do PT já tratou de entrar com uma representação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para que a Justiça tome as medidas cabíveis. Mas o que pode ser considerado até mais grave é que a publicidade feita pelo tucano tem a intenção de levar os eleitores ao erro, já que as obras naquela rodovia, inseridas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, foram realizadas “sem qualquer ingerência, projeto ou emenda do parlamentar”, segundo a própria representação feita pelo PT.

Os tucanos querem o PAC pra eles?

Será que as recentes subidas das intenções de voto da candidata petista à presidência da República, Dilma Rousseff, que há até pouco tempo era quem coordenava o PAC, estão fazendo com que os tucanos também queiram tirar proveito do sucesso do programa?

11.6.10

Aprovada a aliança PMDB-PT no Maranhão

O Diretório Nacional do PT acaba de definir pela aliança do partido com o PMDB nas eleições estaduais do Maranhão!

Quase dois terços do membros votaram pela anulação do encontro realizado e pela repetição da aliança nacional.

Mais informações via twitter.

10.6.10

Duas notícias pró-aliança PT-PMDB no Maranhão

As dúvidas nas cabeças dos dirigentes nacionais do PT começam a dissipar com duas informações que chegaram a Brasília ontem.

A primeira, noticiada por O Globo, é a de que o deputado Domingos Dutra encampará greve de fome mesmo se a decisão do diretório nacional for pela neutralidade do PT-MA na disputa pelo governo estado. "Neutralidade é o pior dos mundos! A chapa camarão sem cabeça pode eleger Roseana, mas a intervenção vai acabar com a gente. (...) A greve de fome é a última tentativa de manter a democracia no PT", afirmou Dutra.

Se o desgaste ocorrerá com o apoio a Roseana ou com a neutralidade, a direção nacional deve aprovar logo a aliança.

Outra notícia importante é a de que, caso o PT-MA não firme a aliança com PMDB, o DEM terá a segunda vaga de senador da chapa de Roseana. A segunda prioridade do PT, logo depois de eleger Dilma presidente, é eleger uma forte bancada que vá dar apoio ao governo na Câmara Federal e principalmente no Senado. Contribuir com a eleição de um senador do DEM não está nos planos petistas.

A decisão será tomada amanhã em reunião do Diretório Nacional.

4.6.10

Solução sendo costurada

No próximo dia 11, antevéspera da convenção nacional que confirmará a candidatura de Dilma Rousseff, o PT reunirá para seu diretório nacional para acertar alguns detalhes e resolver os assuntos pendentes. Entre eles, claro, a confusão maranhense.

A cúpula nacional está buscando um caminho para que não chegue a ser votada no diretório a aliança do partido no Maranhão e para que o desgaste, interno e externo, seja o menor possível.

Sobre o assunto, conversei ontem com dois dirigentes do partido, um do PT-MA e outro do Diretório Nacional. Segundo o maranhense, o secretário-geral nacional, José Eduardo Cardoso, e o secretário nacional de organização, Paulo Frateschi, propuseram que o partido lançasse candidatura própria, mas nenhum dos lados da disputa aceitou a proposta.

Já o dirigente nacional com quem conversei afirma que o acordo que estão tentando articular é outro. Segundo ele, o acordo preveria o apoio formal do partido a reeleição da governadora Roseana Sarney com o suplente de deputado Washington Luiz ocupando a vaga de vice na chapa. Os opositores da aliança, por outro lado, seriam liberados para, dentro dos limites da lei, apoiarem Flávio Dino livres das punições que o estatuto do partido prevê para estes casos de desobediência partidária.

Caso vá a votação o assunto, segundo projeções, a aliança com o PMDB deverá ser aprovada por pequena margem.

31.5.10

Flávio é favorito... a coadjuvante


Escrevi aqui recentemente dois textos sobre a disputa política no Maranhão para esclarecer porque defendo aliança entre PT e PMDB naquele estado. E que não haja engano, eu defendo esta aliança.

Para reler clique aqui e aqui.

Ambos os textos são tautológicos entre si e têm conteúdo até óbvio, mas muitas vezes esta é a função da análise política, dizer aquilo que está em frente aos nossos olhos, mas que os interesses paralelos tentam esconder com discursos vazios e ações pirotécnica.

Sim, é óbvio que a construção política da oposição maranhense é arquitetada pelo ex-governador José Reinaldo Tavares (PSdB), aquele preso na Operação Navalha da Polícia Federal. É óbvio também que Zé Reinaldo, Jackson Lago (PDT) e os seus tucanos não visam fortalecer a candidatura presidencial de Dilma Rousseff. É óbvio que participar desta construção não interessa ao PT. Porém, causei espanto em alguns petistas ao dizer tudo isso.

Estes petistas acreditam ser possível construir um campo democrático e popular ao lado dessas figuras e que esta escolha tática pode fortalecer o partido. A única possibilidade disso fazer sentido seria na eventualidade de Flávio Dino (PCdoB) ser eleito governador, romper o acordo de cooperação com Jackson e Zé Reinaldo e o PT assumir a linha de frente do eventual governo Dino.

As chances disso tudo acontecer, contudo, são menores do que as chances do Vasco ser campeão brasileiro este ano. Antes de mais nada porque a carreira política de Flávio Dino está umbilicalmente ligada a Zé Reinaldo, a quem ele deve seu mandato de deputado federal. Segundo porque a candidatura de Dino não tem competitividade suficiente. Analisemos.

Além da inexplicável eleição de Flávio Dino a deputado federal em 2006 (ou explicável até demais?), o frenesi em torno do seu nome se dá pela votação que teve nas eleições municipais de 2008, quando disputou a prefeitura de São Luís, chegou ao segundo turno e foi derrotado pelo tucano João Castelo.

O fenômeno Flávio Dino naquela eleição (volto a ressaltar: com meu apoio e do PT petista) aconteceu da seguinte forma. A disputa pela prefeitura de São Luís nas três eleições anteriores (2004, 2000 e 1996) aconteceu polarizada entre os grupos de Jackson Lago e João Castelo. Em 2008, o pedetista, ocupando o Palácio dos Leões, apoiou o tucano e criou-se um espaço vago que Flávio, apesar do baixo nível de conhecimento, conseguiu ocupar graças a um único argumento: era o candidato de Lula.

Para se ter uma idéia, em agosto daquele ano, Castelo tinha 51% das intenções de voto e Flávio Dino apenas 7%, mas nas vésperas da eleição, o principal cabo eleitoral do comunista, o presidente Lula, tinha 77% de avaliação bom/ótimo e apenas 3% de ruim/péssimo na capital maranhense. Enquanto isso, o governo Jackson Lago sofria com apenas 17% de bom/ótimo e expressivos 47% de ruim/péssimo.

Resultado: João Castelo teve 43% dos votos válidos contra 34% de Flávio Dino no primeiro turno. No segundo turno, a candidatura do tucano Castelo, que chegou a distribuir adesivos com os dizeres "Sou Lula, voto Castelo", alcançou 55% dos votos válidos e foi vitoriosa.

Isto tudo, é bom lembrar, aconteceu no cenário político de São Luís, que é muito diferente do estadual. No Maranhão como um todo não há espaço vago a ser ocupado por Dino. A polarização se dá entre os grupos liderados por Jackson e pela governadora Roseana Sarney.

Mais importante do que isso, Flávio Dino não terá nesta campanha o argumento de ser "o candidato do Lula", muito pelo contrário. O presidente Lula já deixou claro que apoiará a reeleição de Roseana.


De promessa a decepção

A esperança criada nas eleições de 2008, quando Flávio Dino parecia surgir como uma alternativa para São Luís e para o Maranhão, acabou no momento ele voltou para os braços do seu criador político e passou a se utilizar e se deixar ser utilizado pelo esquema Jackson-Reinaldista.

Se ele optou por este caminho pensando que pode se viabilizar para eleições futuras, esta é uma questão dele e do partido dele.
O PT não pode ser coadjuvante do coadjuvante. O PT tem que se preocupar é em garantir a vitória de Dilma Rousseff e fortalecer o partido no Maranhão.


Roseana com a faca e o queijo na mão


No primeiro turno das eleições de 2006, com o governo do estado trabalhando criminosamente contra sua candidatura, Roseana teve 47,2% dos votos válidos.

Desta vez, não apenas ela disputará com a máquina do governo a seu favor, mas deverá ter o apoio de todos os partidos que estiveram com ela em 2006 e pode ampliar com o PRB e, provavelmente, o PT.


Na foto

Será que Bira do Pindaré tem orgulho de ser fotografado festejando ao lado de Zé Reinaldo?

20.5.10

O falso dilema do PT no Maranhão

Reunido em Congresso Nacional, instância máxima do partido, o PT decidiu que nenhuma aliança estadual pode contrariar os interesses do seu objetivo central nas eleições de 2010: eleger Dilma Rousseff presidenta da República.

Para chegar a este objetivo, a direção nacional do partido entende que é necessário construir palanques fortes em todos os estados e, de preferência, que reuna todos os partidos membros da coalizão que dá sustentação ao governo Lula, o que não é fácil.

Acostumado a lançar candidaturas próprias em todos os estados, o PT lançará apenas dois candidatos a governador no Nordeste, região de maior popularidade de Lula. Sendo que os dois, Jaques Wagner (BA) e Marcelo Déda (SE), são candidatos a reeleição. Até no Piauí, depois de dois mandatos petistas, o partido apoiará a candidatura do PSB em nome do seu projeto nacional.

O caso que mais vem criando problema para a construção nacional é o do Maranhão, assunto que já tratei aqui. Uma parte do partido insiste em vetar uma coligação com o PMDB, um dos principais partidos da coalizão nacional, e se aventurar pela candidatura encabeçada pelo deputado federal Flávio Dino (PCdoB).

Nada contra o comunista. Considero-o um político de futuro promissor e, inclusive, apoiei sua candidatura a prefeito de São Luís em 2008, quando os petistas que hoje andam de braços dados a ele apoiaram veladamente João Castelo (PSDB). Porém, a virtuosa figura comunista não esconde o que está ao seu redor.

O que vem sendo desenhado no Maranhão é uma reedição da auto-entitulada e malfadada "Frente de Libertação", uma cooperativa de candidatos montada em 2006 pelo então governador, o ex-sarneysista Zé Reinaldo Tavares, com o intuito de derrotar a candidatura de Roseana Sarney. Na sanha para alcançar seu objetivo, Zé Reinaldo acabou cometendo crimes eleitorais que mais tarde causaram a cassação do mandato de Jackson Lago (PDT).

Assim como em 2006, Jackson Lago disponta como o candidato mais forte da cooperativa. A diferença é que na outra eleição o também ex-sarneysista Edson Vidigal fez o papel de escada de Jackson forçando o segundo turno, desta vez a função foi reservada para Flávio Dino.

Zé Reinaldo, inclusive, já anunciou em seu blog que o pacto de apoio recíproco num eventual segundo turno, idêntico ao outrora firmado por Jackson e Vidigal se repete na dobradinha Jackson e Dino.

Este pacto demonstra que as costuras políticas da oposição maranhense não têm por objetivo fortalecer a candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff e, portanto, não interessa ao PT.

O governador cassado Jackson Lago (PDT), apesar de ser filiado a um partido da base lulista e que apoiará a candidatura de Dilma Rousseff, disputará o governo do Maranhão para dar palanque para José Serra. Como pode-se conferir aqui e aqui. Além disso, a chapa majoritária encabeçada pelo pedetista poderá ser completada por três tucanos: Luiz Porto, Roberto Rocha e Edson Vidigal.

Agora imaginem, meus caros, se eleição presidencial e a eleição estadual no Maranhão forem para o segundo. Roseana, apoiando Dilma, baterá chapa contra Jackson Lago e seus tucanos e, neste não distante cenário, Flávio Dino está comprometido a ficar do lado dos apoiadores de José Serra!


O discurso anti-sarneysista


Convenhamos, nem ao PCdoB de Flávio Dino, nem ao PT cabe o papel de trincheira para o discurso vazio do anti-sarneysismo.

O PCdoB, partido legalizado por José Sarney quando este era presidente da República, compôs os dois primeiros governos Roseana. Isso, ressalte-se, quando ela ainda apoiava o governo FHC. Por que não apoiaria agora, que Roseana e seu grupo apoiam o governo Lula e darão forte palanque para a candidatura de Dilma Rousseff no Maranhão?

O PT, por outro lado, construiu sua trajetória no Maranhão combatendo o grupo do ex-presidente José Sarney, mas desde 2001, quando José Serra fulminou a candidatura presidencial de Roseana, Sarney e seu grupo tem apoiado Lula. Apoiou na eleição de 2002, na de 2006 e apoiará Dilma em 2010. Sarney apoiou o governo Lula em todos os momentos, inclusive nos mais difíceis. Quando muitos petistas tituberam, quando vários foram oportunistas e saíram do PT para fundar outros partidos e outros ficaram afinados ao discurso da oposição udenista, José Sarney foi leal ao presidente Lula.


Fortalecer o PT e a coalizão


Dentro do PT, repete-se a polarização da política maranhense. O grupo majoritário, chamado "Construindo um Novo Brasil" e liderado pelo ex-deputado federal Washington Luiz (foto), segue a estratégica desenhada pelo presidente Lula e pela campanha de Dilma e apoia a aliança com o PMDB com três condições, já aceitadas pela governadora Roseana Sarney: Indicar o vice, compor a coordenação de campanha e participar da formulação do programa de governo.

Neste termos o PT-MA sairia fortalecido como um dos protagonistas da política maranhense, teria condições de ampliar sua bancada parlamentar, teria espaço no futuro governo para implementar uma política petista e garantiria uma grande vitória para Dilma Rousseff no estado.

O outro lado do partido, sob a batuta de Domingos Dutra, diz querer construir um campo democrático e popular ao lado de figuras como Zé Reinaldo Tavares. Parece até que não sabem o jogo que está sendo jogado.

Dutra, que gosta de dar uma de radical e se declara uma mistura de Osama Bin Laden com Lampião, não se incomoda com a companhia de tucanos, mas chegou a fazer ameaças públicas de morte se fosse derrotado na disputa interna e afirma que fará greve de fome se a direção nacional do PT, dentro das suas atribuições legais, decidir pela aliança PMDB-PT no Maranhão.


Acusação da revista Veja

A revista Veja, a mesma que disse que a campanha de Lula fora financiada com doláres vindos de Cuba em caixas de whisky, que Lula tinha contas secretas no exterior, que Zé Dirceu mandou matar Celso Daniel e de tantos outros factóides, acusa agora a ala petista do PT-MA de ter comprado delegados para apoiar a tese de aliança com o PMDB.

Sinceramente, se a Veja está plantando factóide contra a aliança ela só pode ser a melhor opção.

11.5.10

Convocação da Seleção do Braga

Torçam para o Dunga ler este blogue e seguir os meus conselhos. Segue a lista ideal:

Goleiros:
Júlio César (Internazionale)
Hélton (Porto)
Gomes (Tottenham)

Laterais:
Daniel Alves (Barcelona)
Maicon (Internazionale)
Gilberto (Cruzeiro)
Marcelo (Real Madrid)

Zagueiros:
Lúcio (Internazionale)
Juan (Roma)
Luisão (Benfica)
Alex (Chelsea)

Volantes:
Gilberto Silva (Panathinaikos)
Hernanes (São Paulo)
Felipe Melo (Juventus)
Thiago Motta (Internazionale)

Meias:
Paulo Henrique Ganso (Santos)
Kaká (Santos)
Ronaldinho (Milan)
Elano (Galatasaray)

Atacante:
Luís Fabiano (Sevilla)
Robinho (Santos)
Neymar (Santos)
Nilmar (Villareal)

19.4.10

Só resta a intervenção federal

A eleição de um ex-membro dos governos Arruda e Roriz com os votos dos pandoristas na eleição indireta realizada pela Câmara Legislativa esgotou qualquer possibilidade de saída política para a crise vivida no Distrito Federal.

Apenas uma medida institucional com a força de uma intervenção federal pode garantir o estancamento dos desamandos da política brasiliense.

A falta de uma intervenção federal agora pode custar a autonomia política do DF mais a frente.

13.4.10

29.3.10

PT-MA repete o erro


O Encontro de Definição de Tática Eleitoral do PT-MA decidiu, por por 87 votos a 85, que o partido apoiará a candidatura a governador do deputado federal Flávio Dino (PCdoB).

Nada contra a figura de Flávio Dino, mas a decisão tem tudo pra se mostrar equivocada.

Vamos lembrar algumas coisas.

Dino já foi petista há muitos anos e deixou o partido para exercer o cargo de juiz federal. Renunciou à magistratura para ser candidato a deputado federal em 2006, mas ao invés de voltar para um partido rachado como o PT, filiou-se ao PCdoB, um partido para chamar de seu.

O comunista surpreendeu ao conseguir mais de 120 mil votos e se tornar o quarto deputado federal mais bem votado nas terras maranhense perdendo apenas para dois filhos de ex-governadores, José Sarney Filho e Roberto Rocha, e o chefe da Casa Civil do governo da época, Carlos Brandão.

Aquela estranha eleição de 2006 no Maranhão foi vencida pela auto-entitulada "Frente da Libertação". A tal frente foi pensada pelo governador da época, Zé Reinaldo Tavares (PSB), que fora vice-governador de Roseana e eleito para o cargo depois de ter assumido o posto em decorrência à renúncia dela para disputar vaga no Senado, em 2002.

Durante o mandato, Zé Reinaldo, incentivado pela polêmica então primeira-dama Alexandra Tavares, rachou com o grupo da sarneysista e articulou a primeira derrota do grupo liderado por Sarney em 40 anos. Para tanto, a máquina do governo apoiou três candidaturas evitando assim a vitória de Roseana já no 1º turno:

  • Jackson Lago (PDT), três vezes prefeito de São Luís, candidato a governador em 2002. Era o escolhido pra vencer;
  • Edson Vidigal (PSB), ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça e ex-advogado da família Sarney. O escolhido para tirar votos de Roseana;
  • Aderson Lago (PSDB), então deputado estadual. O escolhido pra bater.
Levando a disputa para o 2º turno, todos se uniram em apoio a Jackson Lago, que foi eleito com menos de 100 mil votos de frente.

A vitória de um homem respeitável e respeitado como Jackson Lago deu esperança aos maranhenses. Esperança de que, como prometeram, libertariam o Maranhão, mas a verdade é que o velho assumiu rodeado de pessoas com índoles nada confiáveis.

O governo Jackson foi marcado pela ineficiência e pelas denúncias de corrupção e acabou sendo cassado. Jackson se utilizou no poder e para chegar a ele as mesmas práticas que sempre disse condenar no seu grupo rival.

E o PT nisso tudo? O PT indicou a vice da chapa de Edson Vidigal e compôs o governo Jackson sem destaque. O maior exemplo foi Bira do Pindaré, que venceu a eleição pra senador na capital, e foi nomeado "assessor especial" do governador, enquanto ao PSDB coube a Casa Civil, com Aderson Lago, e o apoio necessário para vencer as disputas pelas prefeituras de São Luís, com João Castelo, de Imperatriz, com Sebastião Madeira.

Parte do PT, a mais ligada ao deputado Domingos Dutra, fez parte da "resistência" contra a cassação do mandato de Jackson. Outra parte, a mais ligada ao deputado Washington Luiz, assistiu tudo calada. Calada, diga-se, como a sociedade maranhense.

Concretizada a cassação Roseana assumiu o mandato já se preparando para a reeleição e a oposição ainda meio que desorientada ensaia uma nova cooperativa de candidatos com o mesmo Jackson Lago, Flávio Dino e Roberto Rocha. Com uma diferença, a máquina do governo desta vez está nas mãos de Roseana, que a sabe usar muito bem.

Neste cenário o que faz o PT? Embarca na mesma canoa de novo. Decide apoiar Flávio Dino e se opor à candidatura de Roseana, mesmo ela apoiando a candidatura presidencial de Dilma Rousseff e tendo condições de aglutinar mais forças e formar um palanque mais forte pra ministra.

A candidatura de Flávio Dino não tem chances reais de vitória. O apoio do enrolado prefeito de Caxias Humberto Coutinho pode lhe ajudar a se eleger deputado federal, mas governador é outra história. Então pra que apoiar Dino e rachar o palanque de Dilma? Para marcar posição? Que posição? Priorizar os partidos tradicionalmente aliados? Ser contra a oligarquia Sarney?

Priorizar os partidos tradicionalmente aliados foi o que o PT fez em 2006 apoiando Vidigal. Onde está Vidigal hoje? Se preparando pra ser candidato a senador pelo PSDB.

Ser contra a oligarquia Sarney não é exatamente a melhor desculpa pra quem quer compor uma aliança que vai lançar Zé Reinaldo, ele mesmo, como candidato a senador.

Essa polarização entre sarneysistas e anti-sarneysistas é completamente falsa. Boa parte dos ex-membros da tal "Frente de Libertação" vieram de debaixo das asas do velho bigodudo. Vide João Castelo, Zé Reinaldo, Edson Vidigal e outros.

Por trás dessa cortina de fumaça está uma série de interesses e quem mais venceu foram aqueles cujos interesses não têm compromisso com o projeto nacional do PT, prioridade número 1 do partido.

E assim vai o PT, achando que todo mundo pode se aliar a ele, mas que ele não pode se aliar a ninguém.

28.3.10

Blogue do Braga não comentará pesquisas

O Blogue do Braga acompanhará a eleição presidencial e as disputas estaduais de 2010, principalmente no Distrito Federal, sem comentar nenhuma pesquisas de intenção de voto.

Nenhum instituto de pesquisa tem credibilidade suficiente para pautar este espaço.

Nardoni, um monstro apaixonado

[Texto escrito por um leigo em Direito]

Terminado o circo que se forçou em torno do julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, eu permaneço com uma pulga atrás da orelha.

Não quero aqui inocentá-los, nem condená-los. Isto o júri popular já fez e deu-me a liberdade para chamá-los de assassinos, mas, sinceramente, há algo de muito estranho nessa história.

Na noite da morte da menina Isabella foi criada uma tese: A madrasta matou a criança e o pai a jogou pela janela para acobertar a esposa. Esta tese foi comprada pela opinião pública, que desde então não aceita a hipótese de refletir sobre qualquer coisa que vá contra ou mesmo que apenas não se encaixe por completo nessa tese.

Todos os indícios apontam para a culpa do casal, mas não necessariamente para a autoria de homicídio doloso triplamente qualificado por parte de ambos. Se Anna Jatobá esganou Isabela, ela a matou. Se Alexandre jogou o corpo da criança, já morta, pela janela, ele não a assassinou.

Consideram isso, Alexandre, que é advogado por formação, poderia se livrar da acusação de homicídio, creio. Alegaria que, vendo que havia perdido sua filha, e pensando nas duas outras crianças, não queria ter o resto da família dilacerada e, num momento de extremo nervosismo, agiu de forma desesperada jogando o corpo de Isabela pela janela.

Por que Alexandre Nardoni insistiu numa tese que lhe deu uma pena maior? Por amor a Anna Carolina? Em nome da verdade? Por que tinha esperança de ser inocentado?

A certeza que tenho é de que nós nunca saberemos o que realmente aconteceu naquele apartamento naquela noite, assim como não sabemos o que de fato ocorreu com Paulo César Farias, por exemplo.


O julgamento das ruas

Quem fica na frente de um fórum esperando pela primeira oportunidade para linchar o casal, seu advogado, algum familiar ou qualquer pessoa que não defenda a sumária condenação dos réus só grita "justiça" da boca pra fora.

15.3.10

O tiro saiu pela culatra


As principais lideranças da mídia conservadora, neoliberal e de direita do país se reuniram no início do mês no fórum "Democracia e Liberdade de Expressão" realizado no Instituto Milenium.

O fórum contou com presenças como Hélio Costa, Roberto Civita, Demétrio Magnoli, Arnaldo Jabor, Marcelo Madureira (?), Reinaldo Azevedo, William Waack, Fernando Gabeira, Otávio Frias Filho, Carlos Alberto Sardenberg, entre outros. Só faltou o Bruno Kazuhiro. Foi mais ou menos como uma "Marcha da Família com Deus pela Liberdade", só que desta vez com todo mundo sentado.

Uma das principais falas foi a do bobo da corte, Arnaldo Jabor. O cineasta frustrado convocou os presentes para uma "guerra ideológica" e deu a linha: "Nossa atitude tem que agressiva", ordenou. Em outras palavras, o comando é porrada na Dilma, no PT e nos aliados todo dia até a eleição. O Lula? Bem, o Lula já é um caso perdido pra eles.

É nessa conjuntura que nós assistimos nas últimas semanas o surgimento do "caso Eletronet", dos ataques ao ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, ao tesoureiro nacional do PT, João Vaccari e, mais recentemente, ao ex-ministro Agnelo Queiroz.

As acusações contra Agnelo, além de inconsistentes e baseadas em fontes em off do tipo "amigos de Durval", "assessores de Roriz" e "integrantes da coordenação da campanha de Arruda em 2006", chamam a atenção por uma questão temporal. Foram publicadas a uma semana das prévias que o PT-DF promoverá dia 21 de março para escolher o candidato do partido ao governo do Distrito Federal.

Não é ncessário muito esforço psicológico para concluir que a matéria é plantada. Alguém, com interesse em prejudicar a pré-candidatura de Agnelo, abasteceu os jornalistas com informações suficientes para criar uma pauta. Um encontro com Roriz, um encontro com Durval e uma quadra de tênis construida no lugar errado. Era só isso.


O encontro com Roriz teria sido para firmar um pacto de não agressão que possibilitasse centrar fogo no adversário comum e mais forte: Arruda. O encontro com Durval é a mesma baboseira que os apoiadores do deputado Geraldo Magela, o outro concorrente nas prévias, vêem tentando usar como um grande pecado cometido por Agnelo desde o início do ano. A construção da quadra foi um erro que Agnelo admitiu, mandou desfazerem há meses e desfeito está.

Durante a conversa com os jornalistas outra questão surgiu: Agnelo teria renda suficiente para comprar a casa de R$ 400 mil que comprou no final de 2006? O ex-ministro mostrou seus extratos bancários e declarações de imposto de renda, que comprovam que sim, mas não soube explicar satisfatoriamente aos ouvidos dos jornalistas.

Vindas ao público, as denúncias não destruíram a pré-candidatura do ex-comunista, pelo contrário. A certeza de que a publicação da matéria foi uma vilania arquitetada para prejudicar sua pré-campanha fez de Agnelo ainda mais favorito na disputa do que antes.

A suspeita de que o próprio Magela teria sido a fonte das informações para a revista Época nunca será confirmada, mas está lançada no ar. Se foi mesmo o deputado, ele merece ser expulso do partido. Se não foi ele, tenho pena do coitado, pois, mesmo sendo inocente, ficou parecendo culpado. E não adianta se sair com pirotecnia dizendo que o repórter está livre do sigilo de fonte e que pode entregá-lo se as informações tiverem isso passadas por ele. Um jornalista sério não o faria.

Muitos outros escândalo surgirão daqui até outubro contra o PT e contra petistaa. Aqui no Distrito Federal há uma série de denúncias contra quase todos os políticos da cidade nas prateleiras das redações prontas para serem publicadas e martelarem o prego que se destacar.

A eleição será quente.

14.3.10

Agnelo Queiroz responde revista Época e adversários anônimos



A revista Época publicou reportagem em que sou acusado de ter comprado minha residência sem ter recursos financeiros para isso. Levanta dúvidas sobre a operação e ainda apresenta outros fatos que, segundo os autores da matéria, comprometem minha idoneidade. Entre esses, um erro que cometi, reconheci e já havia corrigido: construir uma quadra de tênis, já demolida, na área verde de minha casa.

Ao contrário do que afirma a reportagem, posso comprovar a correção da compra da casa. A operação de compra foi escriturada em cartório e está registrada nas declarações de imposto de renda de minha mulher, com quem sou casado em regime de comunhão de bens. As declarações dela e as minhas mostram que nós tínhamos, devidamente comprovados, os recursos financeiros para fazer a compra e efetuar os pagamentos das parcelas. As declarações são dos anos de 2007 e 2008 e não receberam contestação alguma da Receita Federal, órgão ao qual compete a palavra final sobre a legalidade e correção das informações prestadas. Para reforçar a certeza de que tudo foi feito segundo a lei, solicitei a auditores independentes um exame técnico das declarações de imposto de renda minhas e da minha esposa e comprometo-me a divulgar o resultado do laudo nesta semana.

Apesar do prazo exíguo, na sexta-feira entreguei voluntariamente à revista extratos bancários que consegui obter e cópias de declarações de imposto de renda apresentadas por mim e por minha mulher.

Ao longo de minha vida pública, como dirigente sindical, deputado distrital, deputado federal, candidato ao Senado e ministro do Esporte, construí uma reputação de honestidade e transparência que não se abala pela reportagem.

Além de falar da compra da casa e da construção em área verde, a matéria faz também ilações absurdas e tira conclusões sem nenhum sentido ou respaldo na verdade com base em fontes anônimas como ”amigos de Durval”, “assessores de Roriz” e “integrantes da coordenação da campanha de Arruda em 2006”.

O Distrito Federal passa por momentos conturbados, com o forte descrédito da política, dos políticos e das próprias instituições. Nesse quadro, acusações como as feitas pela reportagem, ainda que falsas e injustas, têm repercussão acima da que seria normal e são exploradas de maneira pouco ética por adversários.

Antes mesmo da reportagem, eu já vinha sendo vítima de insinuações e acusações levianas, algumas veiculadas pela imprensa. Chegam até mesmo a dar detalhes de suposta gravação que ninguém, na verdade, jamais viu. Já estava claro, para mim, que adversários políticos preparavam uma armação para inviabilizar minha candidatura e o projeto político e ideológico que ela representa.

O processo de eleições prévias pelo qual estamos passando vem sendo altamente negativo para o partido. Alguns militantes vêm recorrendo a acusações, insinuações, agressões verbais e golpes baixos que em nada contribuem para o crescimento do PT e para nossa vitória nas eleições.

Mas não serão fatos como esses que farão com que eu abandone o projeto político e ideológico que mobiliza e entusiasma tantos companheiros e companheiras não só do PT como de outros partidos de esquerda e que tem, paulatinamente, ganhado apoio de expressivas parcelas de nossa população. Vou disputar as prévias e vencê-las para concorrer ao governo do Distrito Federal. Continuarei empenhado na eleição da companheira Dilma Rousseff para presidente da República, na luta pela ética na política e ao lado das brasilienses e dos brasilienses que buscam um tempo melhor para nossa cidade.

Brasília, 14 de março 2010.

Agnelo Queiroz

6.3.10

Saudosismo

"Eu, você, nós dois
Já temos um passado, meu amor"

(Caetano Veloso)




Um "jornalista" respira fundo, olha para um colega do lado e diz:

-Ah, como era bom, né?
-Bom o que?, indaga o desavisado.
-Aquela época da crise do mensalão.
-Ô se era!
-Se a gente tivesse como reviver aquilo.
-Tive uma idéia...

Deu nisso: A Casa caiu




Obs: Resposta da Bancoop

5.3.10

Em nome da reconstrução

De acordo com o vernáculo, oportunismo é a tendência a sacrificar os princípios, para transigir com as circunstâncias e acomodar-se a elas. O senso comum tratou de estabelecer um sentido mais incisivo a palavra e deu um caráter menos ortodoxo. Oportunista, no bom português do dia-a-dia dos brasileiros, é aquela pessoa que - de maneira, muitas vezes, inescrupulosa - se aproveita das circunstâncias para conseguir bons resultados em seus projetos pessoais e, algumas vezes, inconfessáveis.No sentido político, o oportunista tem a conotação dada pela sabedoria popular. Essa figura nefasta emerge das profundezas da mediocridade para tentar viabilizar seus intentos que visam tão somente a satisfação dos seus desejos incônditos.

A maior crise política da história do País está desmascarando muita gente e deixando muito político nu à luz da visão do eleitorado. Não é só os envolvidos no escândalo deflagrado pela Polícia Federal com a operação Caixa de Pandora que estão tendo as vísceras expostas à opinião pública. Alguns políticos oportunistas estão mostrando para sociedade o que a pele de cordeiro esconde.

São pessoas que ainda não conseguiram ter a serenidade e espírito republicano suficientes para entender que o momento é de união. Principalmente daqueles que, ao menos em discurso, defenderam um projeto capaz de transformar Brasília em uma cidade com justiça social, democracia e organização urbanística. O racha interno de legendas que têm obrigação de apontar soluções neste sentido só prejudicam à população do Distrito Federal e deixam evidente que muitos companheiros têm projetos escritos apenas em volta do próprio umbigo.

Nós, moradores de Brasília, que sempre nos orgulhamos em dizer que as crises políticas e toda sorte de maracutaias urdidas debaixo dos panos do poder não eram endêmicas da capital, mas importadas de outros estados, estamos sangrando a cada nova denúncia. A necessidade de estancar o sangue e fechar as feridas abertas com a Operação Caixa de Pandora aponta para a construção de um governo de coalizão, com a participação popular, por meio dos movimentos sociais, igreja e partidos políticos que não foram abraçados pelas denúncias de corrupção.

Qualquer pessoa que esteja na contramão dessa proposta, está contra o povo de Brasília e contra a reconstrução da cidade. Os companheiros que estão pensando apenas nos seus projetos pessoais tem de abrir mão da mesquinharia. Estes, tenho certeza, não representam, e nem têm envergadura moral para isso, os anseios de mudança que a sociedade brasiliense espera do novo mandatário. A essas pessoas faço um convite, aliás, um pedido de um cidadão que quer dar a Brasília motivos para comemorar estes e os próximos 50 anos: deixe de atrapalhar.

Ninguém é maior do que o partido e que a vontade popular. O Partido dos Trabalhadores não é feito de nomes. Foi construído as duras penas por homens e mulheres que nunca abriram mão dos seus ideais de justiça social, dignidade, democracia e cidadania e não pode estar exposto nas páginas dos periódicos por causa de companheiros que não tem propostas concretas para o Distrito Federal, mas, e tão somente, projetos pessoais.
O PT e a população do Distrito Federal estarão unidos com Agnelo Queiroz na empreitada de reconstrução da cidade. Não deixaremos que os anos de atraso, de práticas coronelistas e de corrupção e todo tipo de imoralidade voltem a imperar pelas ruas da cidade. Esses anos estarão enterrados e receberão punição pelas graves evidências colhidas na Operação Aquarela. Nenhum companheiro pode atrapalhar a história e se colocar como obstáculo a reconstrução e ao desenvolvimento da capital.

Agnelo Queiroz é um força aglutinadora capaz de atrair forças políticas comprometidas com a cidade para a construção de um projeto abrangente de governo e, após a vitória nas urnas, a nomeação de um secretariado idôneo e de notório saber nas diversas áreas da administração pública. Agora, livre das obrigações com a presidência do partido, vou trabalhar para sedimentar, ainda mais, o nome de Agnelo Queiroz e o projeto transformador que ele representa. Esse é o melhor presente para os 50 anos de Brasília e o melhor caminho para preparar a capital para o primeiro século de existência.

Chico Vigilante é do Diretório Regional e ex-presidente do PT-DF, também foi deputado federal e distrital.

Onde vamos esconder nossas vergonhas?

É uma vergonha os conchavos políticos que estão sendo produzidos na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Melhor dizendo, é uma afronta à opinião pública e a inteligência do eleitor brasiliense. Mais do que isso: é um argumento contundente para justificar a intervenção federal no Distrito Federal e por um ponto final na bandalheira que tomou de assalto o Executivo e o Legislativo local.

Para mim não resta dúvida: a Câmara Legislativa deu sinais claros que a crise política entrou pela porta e o bom senso dos políticos saiu pela janela.

É a primeira vez, em toda a minha trajetória de vida pública, que eu vejo a eleição de um Judas. Um não: três. Os distritais acreditam cegamente que degolando as cabeças de Eurides Brito, Leonardo Prudente e Júnior Brunelli vão enterrar de vez no cemitério do esquecimento as graves denúncias que atinge mais de um terço da Casa e entorna lama no Tribunal de Contas do DF.

Não sei com que cara os distritais pretendem ir ao Supremo Tribunal Federal se posicionar contrários a intervenção no DF. Pior, não sei com que coragem eles pretendem usar o argumento da autonomia política.

Se a autonomia está ameaçada é um efeito colateral do comportamento da própria Câmara Legislativa que, como contam as denúncias, se vendeu para aprovar projetos, foi subserviente aos desejos do Executivo e agora, por último, está tramando um golpe contra a população salvando da execração pública e do julgamento popular os mensaleiros investigados pela Polícia Federal.

O nome dessa vergonha desenhada pela Câmara Legislativa, ao menos na minha terra, é golpe.

Os deputados distritais tinham de cumprir seu dever e apurar a fundo a participação de todos os parlamentares citados, as acusações de pagamento por parte do GDF à distritais para a aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) e apoiar a intervenção federal e a transparência da gestão de todos os contratos do governo.

O posicionamento da Câmara Legislativa é temerário e abre espaço para outras decisões suspeitas do Executivo, como a contratação, sem licitação, das empresas do tio do deputado Cristiano Araújo. Decisão tomada já pela caneta de Wilson Lima.

Pelo que parece, a Câmara não aprendeu a lição está mantendo como regra o toma lá da cá.

Eu estou convencido. Por tudo que estamos assistindo, tenho certeza que a intervenção é o melhor remédio. Senão, vejamos:

O governador eleito está preso; secretários de estado e diretores de empresas públicas são citados como suspeitos pela polícia; as autarquias estão sob a mira dos investigadores; grande parte dos distritais tem envolvimento direto com o mensalão do DEM; o Tribunal de Contas do Distrito Federal está sob suspeição; o vice-governador eleito, após uma série de trapalhadas, se viu obrigado a renunciar e o governador interino saiu em defesa dos mensaleiros.

Se tudo isso não justifica a intervenção, não sei mais o que teria de acontecer.

O argumento da autonomia política é pífio. A intervenção é uma medida emergencial para sanar a situação criada por comportamentos nefastos, como os da Câmara Legislativa, e pela atuação deliberada de corruptos que estão à frente do GDF há quase duas décadas.

É um remédio amargo, mas é a dose exata para estancar a hemorragia de escândalos.

Distritais e a Ordem dos Advogados do Brasil deveriam estar defendendo a moralidade e a apuração das denuncias de compra de votos para a aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT).

Fazer discurso contra a intervenção é prestar um desserviço à população do Distrito Federal.


Chico Vigilante é do Diretório Regional e ex-presidente do PT-DF, também foi deputado federal e distrital.

3.3.10

Carta aberta às companheiras e aos companheiros do PT

Nos últimos dias tivemos, infelizmente, a comprovação do que já suspeitávamos há tempos: têm origem em companheiros de nosso partido as insinuações de que eu teria cometido uma grave transgressão ao assistir, antes que fossem divulgadas a partir da operação Caixa de Pandora, gravações feitas pelo ex-secretário Durval Barbosa.

Esse fato vem sendo usado em uma orquestrada campanha contra minha candidatura ao governo do Distrito Federal. Começou em conversas de companheiros nossos com dirigentes de outros partidos políticos, continuou com a plantação de notas em colunas e blogs. Depois, passaram a dizer que existiria uma gravação com Durval Barbosa que me incriminaria, inviabilizando minha candidatura. Agora, finalmente, o assunto foi tratado abertamente por companheiros do PT nos debates visando às eleições prévias que se realizarão no dia 21.

É claro que essas acusações levianas contra mim extrapolam o PT são exploradas também por nossos adversários políticos, que espalham, anonimamente, boatos sem qualquer fundamento. Mas o que mais me indigna é que estejam sendo instrumento da luta política interna no PT, numa atitude desleal e prejudicial ao partido.

Por isso, volto a tratar do assunto, em consideração às companheiras e companheiros do PT. Não cometi nenhum ato ilícito, não feri nenhum procedimento ético, não assumi nenhum compromisso político ao assistir às gravações e não errei ao manter em sigilo o que havia visto. As acusações que me fazem têm por objetivo tentar prejudicar minha candidatura ao governo do Distrito Federal e atingir o PT no momento em que o partido tem plenas condições de voltar ao governo do Distrito Federal.

Conforme já contei em meu blog, cerca de dois meses antes da operação Caixa de Pandora fui convidado pelo jornalista Edson Sombra, que conheço há mais de 20 anos, a ver gravações que, segundo ele, comprovariam atos de corrupção no governo do Distrito Federal. Disse-me ele que o então secretário Durval Barbosa estava exibindo as gravações para jornalistas, políticos e outras pessoas, pois se sentia fragilizado e buscava respaldo para denunciar as irregularidades, uma vez que estavam tentando responsabilizá-lo por elas.

Fui sozinho, no meio da tarde de um dia útil, ao gabinete do então secretário de Articulação Institucional do GDF, Durval Barbosa, no anexo do Palácio do Buriti. No corredor fui recebido pelo jornalista Edson Sombra, que me apresentou a Durval Barbosa. O local é público e de grande movimento. Não tive nenhuma preocupação por estar sendo visto, pois nada estava fazendo de errado ao ir, à luz do dia, ao gabinete de um secretário do GDF. Nada tinha e nada tenho a esconder.

Como sabem, fui deputado distrital na primeira legislatura, exerci três mandatos de deputado federal, fui ministro do Esporte e candidato ao Senado muito bem votado. Sou político atuante e de vida limpa. É natural que tenha aceitado o convite de um amigo de longa data para conhecer possíveis provas de corrupção no governo do DF, ao qual fazia e faço oposição. Em toda minha vida pública nunca tive receio de conversar com qualquer autoridade de qualquer governo, pois tenho a convicção de que só têm medo de conversar com adversários os que não confiam em si próprios.

Assisti a três gravações que me foram mostradas. Uma, em que o então governador José Roberto Arruda recebia dinheiro de uma pessoa que não aparecia no vídeo. Outra, em que o então deputado Leonardo Prudente recebia dinheiro. Não me lembro qual era o personagem da terceira, que não soube identificar.

Minha impressão foi de que as gravações haviam sido editadas. Depois, com a divulgação pública, vi que estava certo, pois no material a mim mostrado não aparecia o então secretário Durval Barbosa.

Mantive sigilo sobre o que havia visto. Qualquer atitude minha, sem ter as gravações em meu poder e sem ter como comprovar a autenticidade delas, poderia ser interpretada como ação político-eleitoral de um possível candidato e assim prejudicar as denúncias que Durval Barbosa dizia que iria fazer. Eu não tinha como provar nada e não tinha certeza de que o então secretário entregaria as gravações ao Ministério Público e à polícia, para comprovar minhas acusações.

Não comentei o assunto sequer com meus correligionários e amigos mais próximos, para evitar especulações e não ser leviano. Dizem, em tom de ameaça, que Durval Barbosa gravou minha presença em seu gabinete. Como já disse, torço para que tenha mesmo gravado, para que fique claramente demonstrado que, ao contrário do que insinuam maldosamente adversários políticos, não tratei de nenhum outro assunto com ele e não cometi nenhum ato ilícito. A gravação, se existe, mostrará que durante minha presença no gabinete do então secretário limitei-me a assistir às imagens que ele me mostrou.

Lamento que esse episódio continue sendo explorado com interpretações intencionalmente equivocadas e de má-fé e com insinuações de que eu teria feito acordos ou compromissos com o ex-secretário Durval Barbosa. Nada fiz de errado e nada tenho a temer.

Brasília, 3 de março de 2010

Agnelo Queiroz

12.2.10

11/02/2010

Toda vez que nos deparamos com algo histórico nos remetemos à data para marcá-la. Seja um ano (1968, o ano que não acabou), seja um mês (outubro vermelho), seja o dia (11 de setembro). O dia de ontem entra neste rol. Pela primeira vez um governador de estado foi preso no exercício do cargo em decorrência de um escândalo de corrupção.

Prisão que tarda, mas não falha

A prisão preventiva do (ainda) governador afastado José Roberto Arruda (ex-DEM) não é apenas justa, mas é também atrasada. A Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, deveria ter sido deflagrada já com o pedido de prisão preventiva de Arruda e seus comparsas. Teve de se passar mais de dois meses para o Ministério Público perceber que o careca solto e no comando do governo dificultaria a produção de provas contra si. Ora, imaginem a quantidade de papéis queimados, pen-drive e computadores inutilizados, e outras provas destruidas ainda naquele 27 de novembro.

Intervenção Federal

A única forma de afastar essa quadrilha do poder e garantir que as investigações ocorram de forma transparente é uma intervenção federal, dispositivo previsto na Constituição, com a aprovação do Supremo Tribunal Federal e com escolha de um nome isento pelo presidente Lula e aprovado pelo Congresso Nacional para manter a máquina administrativa funcionando até o fim do mandato.

Nomes já são cogitados. O ideal seria um nome de fora do circuito político-partidário, que não influenciasse o processo eleitoral, quando o povo do DF escolherá soberanamente quem deve colocar Brasília de volta no caminho certo.

Agnelo governador

A verdade sobre este governo ter vindo a tona é ótimo para a pré-candidatura do ex-ministro Agnelo Queiroz (PT) a governador do DF. É leviana matéria do OESP de hoje "Após DEM, gravações assombram também PT". Matéria toda feita com fontes em off não têm credibilidade, do Estadão então nem se fala.

O fato de Durval Barbosa ter mostrado a Agnelo os vídeos do escândalo antes deles virem a público mostra que o ex-secretário de Arruda tentou barganhar de todos os lados com a pólvora na mão. E se aparecer um vídeo do encontro entre Durval e Agnelo? Nada de demais. Se aparecesse um vídeo de Durval dando dinheiro do propinoduto do Arruda para Agnelo sim seria um escândalo, mas este não é o caso.

O deputado federal Geraldo Magela aproveitar o momento para quebrar um acordo previamente feito e voltar a se colocar como pré-candidato a governador demonstra uma priorização do seu projeto pessoal a frente do projeto coletivo do partido.

Explico o acordo: Em novembro do ano passado o PT-DF tinha dois pré-candidatos a governador e 12 candidatos a presidente do diretório regional. Com a intenção de unir o partido decidiu-se o seguinte: Roberto Policarpo seria eleito presidente do PT-DF e recomendaria aos seus apoiadores que votassem em Magela para presidente nacional do partido. Agnelo seria o candidato a governador do partido e Magela seria o candidato prioritário do partido a senador.

Resultado: A militância foi às urnas com apenas 4 candidatos a presidente do PT-DF e elegeu Roberto Policarpo com 75% dos votos. Para presidente nacional Magela recebeu 3376 votos contra 2445 de José Eduardo Dutra, que venceu nacionalmente. Magela foi aos jornais dizer que, em nome da unidade, retirava sua candidatura, apoiaria Agnelo e se colocava a disposição para ajudar a renovar o Senado.

Problema: Isto foi antes da crise política eclodir. Agora, que o PT tem chances reais de vencer a disputa, Magela e seus cupinchas querem descumprir o acordo feito. Isto é, para Magela, Agnelo só poderia ser candidato pra perder.

Que Magela tenha o sonho de ser governador do DF tudo bem, mas o PT não serve apenas para realizar essa sua vontade.

Esta postura pode custar a Magela a candidatura a senador. Aliados de olho na vaga dele, como Rodrigo Rollemberg (PSB), não faltam.

Roriz será candidato (?)

Há a expectativa de parte da cidade para que a crise política arraste o ex-governador Joaquim Roriz e o leve a desistir da sua candidatura a governador.

A forte candidatura de Roriz é o que mantém a esquerda unida. Ele é o ponto de consenso para aglutinar forças em torno de Agnelo Queiroz. Se Roriz não for candidato esta união pode ser desfeita e o resultado será ainda mais imprevisto.

Candidatos reservas

Na ausência de Arruda e Paulo Octávio, o PFL deve lançar o deputado-secretário Alberto Fraga. Na ausência Roriz, ele pode apoiar o pretenso candidato do PTB, senador Gim Argello.

28.1.10

Franklin sobre Gabeira: desonesto

Noticia-se na imprensa que o ex-deputado Márcio Fortes (PSDB), peça rara, será o candidato a vice-governador do Rio de Janeiro da chapa encabeçada pelo deputado Fernando Gabeira (PV). Gabeira, pra quem não lembra, é o moralista que saiu do PT por uma questão de coerência política e hoje se alia aos tucanos.

Transcrevo trecho de entrevista que o hoje ministro Franklin Martins concedeu ao Blogue do Braga em dezembro de 2006:


"BB: Você participou, ao lado do hoje deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), de um dos momentos mais emblemáticos da resistência que foi o seqüestro do embaixador americano. Como é sua relação com o Gabeira hoje?

FM: É uma relação formal. Nunca tive uma relação realmente boa com ele e ficou um pouco pior depois que ele escreveu aquele livro "O Que É Isto Companheiro?".

BB: Por que?

FM: Porque é um livro desonesto.

BB: Em que pontos?

FM: Ele tentou passar a impressão de que tinha alguma coisa contra aquilo tudo quando, na verdade, não tinha.

BB: Tem a questão do texto que foi lido na TV que ele disse ter escrito.

FM: E ele sabe que não foi isso que aconteceu. Ele passou a impressão errada sobre alguns companheiros que já não estão aqui para se defender, o que é, no mínimo, pouco solidário."

26.1.10

A tal campanha extemporânea

O ex-prefeito da cidade Rodrigues Alves (AC), Francisco Vagner de Santana Amorim (PP), o Deda Amorim anunciou no Twitter a sua pré-candidatura a deputado estadual e foi condenado pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Acre por propaganda eleitoral antecipada. Para o procurador-regional eleitoral substituto Paulo Henrique Ferreira Brito, os posts eram uma promoção da candidatura para 2010 de Amorim, que, por lei, só pode ser divulgada a partir de 6 de julho.

A disputa é grande, mas esta história de "campanha antecipada" deve ser a maior hipocrisia da legislação brasileira. Todo político está o tempo todo atrás de voto. Começando, de preferência, quatro anos antes da eleição que ele quer disputar.

É um típico caso da lei brigando com a realidade.

25.1.10

Partido e família rachados


Além da política nacional, acompanho também a política de alguns estado em particular. Em especial a do Rio Grande do Norte. Por três motivos: É um estado com grande quantidade de lideranças nacionais, é o estado natal de minha esposa, é muito pitoresca.

Na última eleição municipal, o PT lançou, pela quarta vez consecutiva, o nome da deputada Fátima Bezerra na disputa pela prefeitura da capital, Natal. Fátima teve o apoio de um presidente bem avaliado, de uma governadora bem avaliada, de um prefeito bem avaliado, do então presidente do Senado Federal. Até o apoio da Globo, controlada nas terras potiguares pela família Alves, Fátima teve o apoio. Resultado: perdeu no primeiro turno para Micarla de Souza (PV), uma jovem dona/apresentadora de TV e filha de político, o já falecido ex-senador Carlos Alberto de Souza.

Micarla, é bom lembrar, tinha o apoio do senador José Agripino Maia (DEM). Portanto, esta e a eleição de Silvio Mendes (PSDB) em Teresina foram as duas únicas derrotas lulistas em capitais nordestinas no ano passado. O "tucano" João Castelo (PSDB), vale lembrar, se elegeu prefeito de São Luis com o slogan "Sou Lula, voto Castelo".

Para a eleição de outubro há dois postulantes ao cargo de governador já colocados na disputa. O vice-governador Iberê Ferreira (PSB) e a senadora Rosalba Ciarlini (DEM). Anunciam também a disposição de concorrer o deputado federal João Maia (PR), irmão do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia, e o presidente da Assembléia Legislativa, Robinson Faria (PMN), pai do deputado federal Fábio Faria (PMN), pegador de apresentadoras de TV e enrolado no "escândalo da farra aérea".

Robinson, ex-aliado da governadora, deve apoiar a candidata de oposição, Rosalba, que lidera as pesquisas. Talvez seja até seu candidato a vice. A João Maia galtará fôlego para manter uma candidatura de terceira via e ele deverá permanecer no grupo de apoio de Wilma.

Porém, o interessante mesmo nestes dias da político potiguar é a disputa pelas vagas no Senado e a disputa interna no PMDB.

Na briga pelas duas vagas no Senador concorrerão três pesos pesados. A governadora em fim de segundo mandato, Wilma de Faria, e os dois fortes senadores, José Agripino Maia, líder do DEM, e Garibaldi Filho (foto), ex-presidente do Senado.

O líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, é Lula até debaixo d'água. Para não desagradar o presidente e manter aceso seu sonho de presidir a Câmara dos Deputados defende o alinhamento com a candidatura do campo lulista, isto é, a de Iberê. Seu primo senador, Garibaldi Filho, porém, já fechou acordo com Agripino Maia. Um apoiará o outro e ambos apoiarão Rosalba.

Confirmando este quadro, o PT, ao lado de Wilma pode lançar um candidato a senador também. Provavelmente, o ex-presidente do diretório estadual Geraldo Pinto ou o ex-vereador da capital Fernando Lucena.


Quais os motivos de Garibaldi?

A relação com Wilma é ruim. Em 2006, ele disputou acirradamente o governo do estado contra Wilma e perdeu. Em 2008, o senador e a governadora apoiaram Fátima Bezerra para prefeita de Natal e quebraram a cara.

A relação Rosalba é ótimo. Além da democrata ter sido eleita em 2006 apoiando-o para o governo, uma eleição sua para o governo do estado daria quatro anos de mandato no Senado para Garibaldo Alves, seu suplente e pai da Garibaldi Filho.



Foto: Agência Brasil

14.1.10

As "polêmicas" no PNDH-3


Só agora escrevo sobre a polêmica terceira versão do Plano Nacional de Direitos Humanos porque só agora consegui ler todo o documento e escrever um texto que comente, ponto a ponto, os trechos mais polêmicos. Não poderia escrever tendo como referência aquilo que a imprensa vem falando sobre ele, nem poderia comentá-lo superficialmente.

Antes é preciso dizer algo. Lula, como se vê ao lado, certamente não deve ter lido o documento antes de assinar. O presidente não faria outra coisa se lesse todos os decretos que assina, ou se respondesse a todas as cartas que recebe, ou se recebesse todos que pedem uma audiência com ele. O documento foi preparado pelos ministérios, sobretudo a Casa Civil, de acordo com consultas feitas à população, a pricipal delas por meios das conferências.

O governo Lula não tem uma política de marginalização ou de criminalização dos movimentos sociais. Lula sabe que deve também aos movimentos sociais sua eleição e sua manutenção no poder. Sem deixar mão os setores dominantes da sociedade (Fiesp, Fenaban e cia), Lula tem governado de braços dados à população brasileira e foi a população quem se fez presente nas conferências realizadas pelo governo e aprovou os pontos defendidos no PNDH.

Com suas contradições e limitações, o governo Lula fez o "feijão com arroz" em várias áreas, como nas políticas monetária e fiscal, e criou esforços concentrados em outros setores. Por exemplo o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), voltado para questões econômicas e estruturais, e o "Minha Casa, Minha Vida", apelidado de "PAC da Habitação", voltado para a meta de zerar o déficit habitacional brasileiro. Pois o PNDH pode ser chamado de PAC da Democracia. Os pontos ali defendidos apresentariam avanços democráticos para a nação.

Apesar de ser de ótimo conteúdo, o Plano não passa de um bando de intenções sem nenhum valor legal e, mesmo assim, foi o suficiente para fazer os "filhotes da ditadura" (saudades do Brizola) saírem do armário.

Se não avisarem do que se trata, quem lê o Plano tem a impressão de estar diante de um programa de governo de qualquer partido moderadamente de esquerda, nada além disso.

Vamos direito ao ponto. Analisemos alguns trechos, de acordo como está o texto, ipsis literis. Trechos do PNDH em vermelho e citações da Constituição Federal em azul:

"Estimular o debate sobre a regulamentação e efetividade dos instrumentos de participação social e consulta popular, tais como lei de iniciativa popular, referendo, veto popular e plebiscito"

Leram direito? ESTIMULAR O DEBATE. Nada mais do que isso. Este texto afirma que o Estado brasileiro deve estimular o debate sobre instrumentos de participação direta da sociedade. Teve gente da imprensa que já saiu dizendo que o projeto rumava no caminho de substituir o Congresso Nacional pelo movimentos sociais. Céus!

Há algum problema com "instrumentos de participação social e consulta popular, tais como lei de iniciativa popular, referendo, veto popular e plebiscito"? Algum problema no povo ser ouvido em questões polêmica, como aconteceu no referendo sobre a proibição da comercialização de armas de fogo?

Alguém, com o mínimo de seriedade, realmente acha que este trecho do Plano provoca um chavismo irreversível no Brasil? Alguém é contra "a instituição do referendo reconvocatório de mandatos eletivos"? Isto é simplesmente a democracia avançando e incomodando muito gente.

"Construir e aprofundar agenda de cooperação multilateral em Direitos Humanos que contemple prioritariamente o Haiti (grifo do Blogue), os países lusófonos do continente africano e o Timor-Leste"

E olha que o Plano foi lançado antes do trágico terremoto que atingiu o Haiti.

"Expandir políticas públicas de geração e transferência de renda para erradicação da extrema probreza e redução da probreza"

Um horror bolchevista.

"Avançar na implantação da reforma agrária, como forma de inclusão social e acesso aos direitos básicos, de forma articulada com as políticas de saúde, educação, meio ambiente e formento à produção alimentar"

Ai, ai. A esquerda e esta teimosia besta em defender a reforma agrária. [/ironia]


"Garantir que os grandes empreendimentos e os projetos de infraestrutura resguardem os direitos dos povos indígenas e de comunidades quilombolas e tradicionais, conforme previsto na Constituição e nos tratados e convenções internacionais"

Se isto fosse lei, adeus "Setor Noroeste".

"Apoiar a incorporação dos sindicatos de trabalhadores e centrais sindicais nos processos de licenciamento ambiental de empresas, de forma a garantir o direito à saúde do trabalhador"

O empoderamento dos trabalhadores, por meio dos seus legítimos representantes, os sindicatos, causa ojeriza à burguesia nacional.

O secretário de organização e política sindical da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior central sindical do Brasil, Jacy Afonso, conversou com o Blogue e reafirmou a posição da Central. "Nós já reafirmamos nossa defesa do PNDH e acreditamos que a participação dos sindicatos nos processos de licenciamento ambiental visa defender a saúde do trabalhador", afirmou.

"Regulamentar a taxação do imposto sobre grandes fortunas previsto na Constituição"

Bem, não deveria nem ser polêmico, já que esta medida está na Constituição.

Art 153º, inciso VII:

"Compete à União instituir impostos sobre: (...) grandes fortunas, nos termos de lei complementar."

Porém, ainda tem gente que é contra. Quem? Quem tem grandes fortunas, ora.

"Garantir o direito à informação do consumidor, fortalecendo as ações de acompanhento de mercado, inclusive a rotulagem dos transgênicos"

Agronegócio de cabelo em pé.

"Fortalecer a reforma agrária com prioridade à implementação e recuperação de assentados, à regularização do crédito fundiário e à assistência técnica aos assentados, atualização dos índices Grau de Utilização da Terra (GUT) e Grau de Eficiência na Exploração (GEE), conforme padrões atuais e regulamentação da desapropriação de áreas pelo descumprimento da função social plena"

Algum absurdo aí? Absurdo é manter o mesmo Grau de Utilização da Terra da década de 1970. Absurdo é dono de canal de televisão fazer reportagem criticando a atualização destes índices porque tem fazendas improdutivas nas quais ele quer construir grandes condomínios. Sabe como é, dá mais dinheiro.

Caput do art. 184º da Constituição:

"Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei"

E essa tal função social, hein? Temos de um lado muita gente com muita terra improdutiva e alguns utilizando para especulação imobiliária, do outro lado temos muita gente que não tem onde trabalhar, onde plantar, onde viver, afinal, como diria a TAM, "nada substitui o lucro".

"Apoiar o acesso a programas de saúde preventiva e de proteção à saúde para profissionais do sexo"

"Garantir os direitos trabalhistas e previdenciários de profissionais do sexo pro meio da regulamentação de sua profissão"

Aqui há um argumento racional dos contrários. Mais correto seria defender políticas para dar empregos dignos à profissionais do sexo. Todavia, se a prostituição é "a profissão mais antiga do mundo" e não vai deixar de existir, cabe uma política de redução de danos.

Este meu comentário sim, gerará contra-argumentos nada racionais. Querem apostar?

"Formentar as ações afirmativas para o ingresso das populações negra, indígenas e de baixa renda no ensino superior"

Aqui eu poderia fazer um texto específico só pra defender as cotas raciais e sociais. Em resumo, não dá pra tratarmos os desiguais como iguais.

Tá cheio de homenzinho branco, que sempre teve a melhor alimentação, estudou nas melhores escolas, teve todas as condições da estudar e dizendo que as cotas raciais fazem com que fique mais fácil pros negros entrarem na universidade. Isto deve ser "humor branco".

"Realizar campanhas envolvendo a sociedade civil organizada sobre a paternidade responsável, bem como ampliar a licença-paternidade, como forma de contribuir para a corresponsabilidade e para o combate ao preconceito quanto à inserção das mulheres no mercado de trabalho"

A ampliação da licença-paternidade seria uma vitória das mulheres. Este é um dos melhores pontos do Plano.

"Apoiar a alteração da Constituição para perver a expropriação dos imóveis rurais e urbanos nos quais forem encontrados trabalhadores reduzidos à condição análoga a escravos"

Hoje criticam a expropriação de terras com trabalho escravo sob o argumento da defesa da propriedade privada e uma suposta subjetividade no conceito de "condição análoga a escravidão" da mesma forma que outrora combateram a abolição da escravatura dizendo que iria acabar com a economia brasileira.

A direita brasileira não é conservadora, é atrasada mesmo.

"Apoiar projetos legislativos para o financiamento público de campanhas eleitorais"

Complicado ligar isto diretamente a Direitos Humanos, mas a proposta é correta no mérito.

"Apoiar, junto ao Poder Legislativo, a aprovação do Estatudo da Igualdade Racial"

Parece pirraça, né. Acho que fizeram questão de colocar tudo que a direita atrasada brasileira odeia.

O primeiro que argumentar contra este trecho do Plano dizendo que o projeto vai criar descriminação racial no Brasil vai ganhar de castigo do Blogue um livro "Não somos racistas", do Ali Kamel.

Brincadeira. Eu defendo os diretos humanos, não seria cruel ao ponto de fazer isso.

"Apoiar a aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto, considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos"

Outro assunto que mereceria um texto próprio.

Descriminalizar o aborto é o mínimo. O ideal é legalizá-lo e instituir o direito de escolha das mulheres sobre interromper ou não a gravidez no seu início.

Todo debate sobre assunto termina o mesmo ponto: Quando começa a vida? Sinceramente não sei, mas me parece claro que não é no instante da fecundação e nunca vi alguém defender isto que não seja de forma dogmática.

No mundo real, a verdade é que todos os dias são feitos abortos. A diferença é que a filha da classe média faz naquela clínica que todo mundo sabe, mas ninguém comenta. A filha do pobre faz o aborto no fundo de farmárcias, sem higiene, com métodos medieváis colocando a própria vida em risco.

Se o aborto acontece de qualquer jeito e, na minha opinião, zigoto não é vida humana, mas vida em potencial, o melhor é que ele aconteça em condições de higiene, acompanhamento psicológico para a mulher e de forma gratuita.

"Apoiar projeto de lei que disponha sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo"

O Estado não pode proibir duas pessoas de se casarem baseado em questões de classe social ou raça. Ora, tampouco deveria poder proibir baseado em questões de gênero ou orientação sexual.

"Desenvolver mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União"

Já falei aqui do absurdo que é haver crucifixos nos plenários da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, do Supremo Tribunal Federal e no gabinete presidencial, só pra citar as chefias dos três poderes.

A liberdade religiosa é um dos direitos fundamentais do cidadão e para ele ser usufruido plenamente o Estado deve ser laico, como o Estado brasileiro deveria ser, não apenas na teoria, mas também na prática. A laicidade defende e promove a separação entre Estado e Igrejas, assim como a neutralidade do Estado em matéria religiosa.

Diz o Art 19º, inciso I da Constituição Federal (em azul):

"É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público"

Diz também o Art. 5º inciso VI:

"Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias"

Assim, a ostentação de símbolos religiosos de uma religião específica, no caso o cristianismo, desrespeita os cidadãos que seguem outras religiões ou que não seguem religião alguma.

"Realizar ações permanentes de estímulo ao desarmamento da população"

Mais uma briga comprada. A força da indústria bélica é enorme, basta lembrar como foi a disputa durante a campanha do referendo sobre a proibição da venda de armas.

"Desenvolver normas de condutas e fiscalização dos serviços de segurança privados que atuam na área rural"

Mais um motivo de chilique dos ruralistas. Fiscalizar capanga é um absurdo pra eles.

"Elaborar diretrizes para atuação conjunta entre os órgãos de trânsito e os de segurança pública para reduzir a violência no trânsito"

Para quem ainda não sabe, este Blogue é crítico à chamada Lei Seca. Não é contra, mas é crítico. Por que? Porque o problema da violência no trânsito é muito sério e precisa de políticas de curto, médio e longo prazo. Requer investimentos, melhor preparação e salários para os agentes de trânsito e campanhas permanentes.

A lei seca é o que? Uma canetada. Uma postura política do Estado brasileiro de dizer que tem tolerância zero com álcool ao volante e um aumento irracional das penas, como este fosse o melhor caminho. Pena boa não é a alta, mas aquela que é efetivada.

Voltando ao PNDH. O Plano tem quase 200 páginas, proposta para todo lado, em quase todas as áreas possíveis de atuação do Estado e este é o único trecho que fala na violência no trânsito. O Estado brasileiro ainda não entendeu a importância e a gravidade deste problema.

"Fortalecer a atuação da Polícia Federal no combate e na apuração de crimes contra Direitos Humanos"

Polícia Federal, no caso, é a mesma cujo diretor-geral é acusado pela prática de tortura.

"Propor projeto de lei para institucionalizar a utilização da mediação como ato inicial das demandas de conflitos agrários e urbanos, priorizando a realização de audiência coletica com os envolvidos, com a presença do Ministério Público, do poder público local, órgãos públicos especializados e Polícia Militar, como medida preliminar à avaliação da concessão de medidas liminares, sem prejuízo de outros meios institucionais para solução de conflitos"

"Propor projeto de lei voltado a regulamentar o cumprimento de mandados de reintegração de posse ou correlatos, garantindo a observância do respeito aos Direitos Humanos"

Mais uma prova de qual atrasada é a direita brasileira. Só assim para achar um absurdo a utilização do diálogo como ponto de partida para a solução de conflitos agrários, "sem prejuízo de outros meios institucionais".

E reparem que o próprio Plano prevê o cumprimento de mandados de reintegração. Qual o problema então? O respeito aos Direitos Humanos? Eu hein!

"Propor a criação de marco legal regulamentando o art. 221 da Constituição, estabelecendo o respeito aos Direitos Humanos nos serviços de radiodifusão (rádio e televisão) concedidos, permitidos ou autorizados, como condição para a outorga e renovação, prevendo penalidades administrativas como advertência, multa, suspensão da programação e cassação, de acordo com a gravidade das violações praticadas"

Antes de comentar este trecho do Plano, vamos às leis. Leia o tal art. 221º da Constituição, em azul:

"A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:
I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;

II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;

III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;

IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
"

Leia também o art. 220, § 3º, inciso II:

"A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição. (...)
§ 3º Compete à lei federal: (...)
II - estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.
"

Agora o art. 21º, inciso XII, letra "a":

"Compete à União: XII - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão: a) os serviços de radiodifusão sonora, e de sons e imagens;"

As concessões públicas dos serviços de radiodifusão são autorizados sem qualquer critério no Brasil. Ou melhor foram distribuídas de acordo com o interesse polítiqueiro de quem estava no poder em 1988 e são renovadas desde então. O presidente da República, na ocasião, era José Sarney e o ministro das Comunicações era Antônio Carlos Magalhães.

Não é de se surpreender que as oligarquias dividam entre si as reprodutoras dos canais de televisão nos rincões do país. No Rio Grande do Norte, para dar um exemplo, a Globo é controlada pelos Alves (leia-se senador Garibaldi Alves Filho), a Record pelos Maia (leia-se senador José Agripino Maia), o SBT pelos Sousa (leia-se prefeita de Natal, Micarla de Sousa).

Que tal estipular critérios para conceder e revonar estas autorizações. Que tal que estes critérios levem em consideração, sei lá, os Direitos Humanos? Não, eles querem manter as estruturas do controle e da concentração de mídia no Brasil do jeitinho que é.

"Elaborar critérios de acompanhamento editorial a fim de criar um ranking nacional de veículos de comunicação comprometidos com os Direitos Humanos, assim como os que cometem violações"

Este trecho, também muito criticado, fala apenas em criar um ranking, só isso.

E agora o filé mignon do Plano.

"Designar Grupo de Trabalho composto por representantes da Casa Civil, do Ministério da Justiça, do Ministério da Defesa e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, para elaborar, até abril de 2010, projeto de lei que institua Comissão Nacional da Verdade, composta de forma plural e suprapartidária, com mandato e prazo definidos, para examinar as violações de Direitos Humanos praticadas no contexto da repressão política no período mencionado, observado o seguinte:

O Grupo de Trabalho será formado por representantes da Casa Civil da Presidência da República, que o presidirá, do Ministério da Justiça, do Ministério da Defesa, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, do presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, criada pela Lei nº 9.140/95 e de representante da sociedade civil, indicado por esta Comissão Especial.
Com o objetivo de promover o maior intercâmbio de informações e a proteção mais eficiente dos Direitos Humanos, a Comissão Nacional da Verdade estabelecerá coordenação com as atividades desenvolvidas pelos seguintes órgãos: • Arquivo Nacional, vinculado à Casa Civil da Presidência da República; • Comissão de Anistia, vinculada ao Ministério da Justiça; • Comissão Especial criada pela Lei nº 9.140/95, vinculada à Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República; • Comitê Interinstitucional de Supervisão instituído pelo Decreto Presidencial de 17 de julho de 2009;
• Grupo de Trabalho instituído pela Portaria nº 567/MD, de 29 de abril de 2009, do Ministro de Estado da Defesa.

No exercício de suas atribuições, a Comissão Nacional da Verdade poderá realizar as seguintes atividades:
• Requisitar documentos públicos, com a colaboração das respectivas autoridades, bem como requerer ao Judiciário o acesso a documentos privados; • Colaborar com todas as instâncias do Poder Público para a apuração de violações de Direitos Humanos, observadas as disposições da Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979 (grifo do Blogue); • Promover, com base em seus informes, a reconstrução da história dos casos de violação de Direitos Humanos, bem como a assistência às vítimas de tais violações; • Promover, com base no acesso às informações, os meios e recursos necessários para a localização e identificação de corpos e restos mortais de desaparecidos políticos; • Identificar e tornar públicas as estruturas utilizadas para a prática de violações de Direitos Humanos, suas ramificações nos diversos aparelhos de Estado e em outras instâncias da sociedade; • Registrar e divulgar seus procedimentos oficiais, a fim de garantir o esclarecimento circunstanciado de torturas, mortes e desaparecimentos, devendo-se discriminá-los e encaminhá-los aos órgãos competentes;
• Apresentar recomendações para promover a efetiva reconciliação nacional e prevenir no sentido da não repetição de violações de Direitos Humanos.
A Comissão Nacional da Verdade deverá apresentar, anualmente, relatório circunstanciado que exponha as atividades realizadas e as respectivas conclusões, com base em informações colhidas ou recebidas em decorrência do exercício de suas atribuições."

Qual o motivo de polêmica mesmo? Designar um grupo de trabalho para criar um projeto que institua uma Comissão da Verdade? Será que isto é revanchismo, querer saber a verdade?

Diferentemente do que pode parecer para quem ainda não havia lido o texto, o Plano não fala em revogar a lei de anistia, nem em punir os torturadores, muito pelo contrário. Fala em "apuração de violações de Direitos Humanos, observadas as disposições da Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979", que é exatamente a lei de anistia.

Como dizia o próprio Lula quando candidato a presidente em 1989, a apuração do que aconteceu durante a ditadura é um ato de lealdade com a nação brasileira. O povo brasileiro tem o direito de conhecer o absurdo do seu passado para que ele nunca mais se repita no futuro.

Eu não defendo a revogação da lei de anistia. Desculpem, mas não acredito em anistia revogável. Porém defendo sim a punição dos torturados, a pior de todas as punições, a verdade. O Estado tem a obrigação de dizer quem fez o que. Quem roubou banco e quem torturou, quem sequestrou embaixador e quem matou nos porões.

Há uma diferença evidente entre os dois lados. Os chamados "terroristas" batem no peito com orgulho de terem lutado do certo da luta, enquanto os torturadores andam nas penumbras, escondendo o que fizeram, muitas vezes mentindo para suas família e até para si mesmos.

Lula respondeu às polêmicas assinando um outro decreto, que não revoga este inicial, criando o tal Grupo de Trabalho para elaborar anteprojeto de lei que institua a Comissão Nacional da Verdade nos mesmo termos do Plano apenas colocando a frase "examinar as violações de direitos humanos praticadas no período fixado no art. 8o do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional" no lugar de "examinar as violações de Direitos Humanos praticadas no contexto da repressão política no período mencionado (o mesmo período citado no art. 8º do ADCT)".

As propostas presentes do Plano não deverão ser aprovadas nas morosas tramitações de um Congresso Nacional hegemonicamente atrasado, mas geram debate, o que é até mais importante. Quando o povo brasileiro passar a debater as questões mais importantes da cidadania nacional e aprofundar seu conteúdo de formação política, não haverá poder econômico que o freará.


Foto: Agência Brasil