3.7.13

Se for com voto distrital é melhor nem haver reforma

Que a Casa do Povo seja a Casa de Todos
Concordamos que é necessário reformar o sistema político-eleitoral-partidário brasileiro, mas não concordamos que reforma é essa. Nem o que, nem como, nem pra que. A única certeza é que o atual sistema se esgotou e é necessário resolver a crise de representatividade da nossa democracia.

Contudo, correndo um sério risco de piorar o que já está ruim.

Uma das principais proposta da reforma política seria a instituição do voto distrital. Nesse sistema os deputados e vereadores não são eleitos para defender uma causa, uma ideia, um programa, mas sim um território. E pior, levando para o parlamento a representatividade de todo esse território. Uma violência contra o espírito democrático e plural de um país com a diversidade cultural e de pensamento político que é o Brasil. Um parlamentar eleito passaria a me representar por uma questão geográfica e não ideológica. Seria o meu representante por ser eleito onde eu moro e não por defender o que eu defendo.

O voto distrital acaba com a representação das minorias política
, concentra o poder nas mãos dos coronéis com poder econômico e estimula o bipartidarismo, recusado expressamente pela nossa Constituição. 

O sistema é adotado nos Estados Unidos, onde, mesmo existindo mais de 70 partidos políticos, apenas dois têm representação no Congresso Nacional. Na Alemanha, outro país de cultura, costumes e tradições bem diferentes dos nossos, o sistema é "distrital misto", proposta de quem quer adotar o problema pela metade. Uma parte é eleita pelos distritos, com os problemas aqui já elencados, e outra metade é eleita pelo voto proporcional. Com menos vagas sendo disputada no sistema proporcional, menos representativo ele é.

Um sistema que não seja proporcional não reflete no parlamento as diferentes correntes de pensamento da sociedade. Ora, se 25% da população vota no programa político A, este programa deve ocupar 25% das vagas do parlamento que representa essa população. 

O que tem que acabar para que isso ocorra na prática são as coligações proporcionais, que são os piores conchavos de cúpulas partidárias, que dão espaço a partidos que não têm representatividade em troca de tempo de TV e um punhado de votos para os candidatos dos partidos maiores. 

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