12.2.10

11/02/2010

Toda vez que nos deparamos com algo histórico nos remetemos à data para marcá-la. Seja um ano (1968, o ano que não acabou), seja um mês (outubro vermelho), seja o dia (11 de setembro). O dia de ontem entra neste rol. Pela primeira vez um governador de estado foi preso no exercício do cargo em decorrência de um escândalo de corrupção.

Prisão que tarda, mas não falha

A prisão preventiva do (ainda) governador afastado José Roberto Arruda (ex-DEM) não é apenas justa, mas é também atrasada. A Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, deveria ter sido deflagrada já com o pedido de prisão preventiva de Arruda e seus comparsas. Teve de se passar mais de dois meses para o Ministério Público perceber que o careca solto e no comando do governo dificultaria a produção de provas contra si. Ora, imaginem a quantidade de papéis queimados, pen-drive e computadores inutilizados, e outras provas destruidas ainda naquele 27 de novembro.

Intervenção Federal

A única forma de afastar essa quadrilha do poder e garantir que as investigações ocorram de forma transparente é uma intervenção federal, dispositivo previsto na Constituição, com a aprovação do Supremo Tribunal Federal e com escolha de um nome isento pelo presidente Lula e aprovado pelo Congresso Nacional para manter a máquina administrativa funcionando até o fim do mandato.

Nomes já são cogitados. O ideal seria um nome de fora do circuito político-partidário, que não influenciasse o processo eleitoral, quando o povo do DF escolherá soberanamente quem deve colocar Brasília de volta no caminho certo.

Agnelo governador

A verdade sobre este governo ter vindo a tona é ótimo para a pré-candidatura do ex-ministro Agnelo Queiroz (PT) a governador do DF. É leviana matéria do OESP de hoje "Após DEM, gravações assombram também PT". Matéria toda feita com fontes em off não têm credibilidade, do Estadão então nem se fala.

O fato de Durval Barbosa ter mostrado a Agnelo os vídeos do escândalo antes deles virem a público mostra que o ex-secretário de Arruda tentou barganhar de todos os lados com a pólvora na mão. E se aparecer um vídeo do encontro entre Durval e Agnelo? Nada de demais. Se aparecesse um vídeo de Durval dando dinheiro do propinoduto do Arruda para Agnelo sim seria um escândalo, mas este não é o caso.

O deputado federal Geraldo Magela aproveitar o momento para quebrar um acordo previamente feito e voltar a se colocar como pré-candidato a governador demonstra uma priorização do seu projeto pessoal a frente do projeto coletivo do partido.

Explico o acordo: Em novembro do ano passado o PT-DF tinha dois pré-candidatos a governador e 12 candidatos a presidente do diretório regional. Com a intenção de unir o partido decidiu-se o seguinte: Roberto Policarpo seria eleito presidente do PT-DF e recomendaria aos seus apoiadores que votassem em Magela para presidente nacional do partido. Agnelo seria o candidato a governador do partido e Magela seria o candidato prioritário do partido a senador.

Resultado: A militância foi às urnas com apenas 4 candidatos a presidente do PT-DF e elegeu Roberto Policarpo com 75% dos votos. Para presidente nacional Magela recebeu 3376 votos contra 2445 de José Eduardo Dutra, que venceu nacionalmente. Magela foi aos jornais dizer que, em nome da unidade, retirava sua candidatura, apoiaria Agnelo e se colocava a disposição para ajudar a renovar o Senado.

Problema: Isto foi antes da crise política eclodir. Agora, que o PT tem chances reais de vencer a disputa, Magela e seus cupinchas querem descumprir o acordo feito. Isto é, para Magela, Agnelo só poderia ser candidato pra perder.

Que Magela tenha o sonho de ser governador do DF tudo bem, mas o PT não serve apenas para realizar essa sua vontade.

Esta postura pode custar a Magela a candidatura a senador. Aliados de olho na vaga dele, como Rodrigo Rollemberg (PSB), não faltam.

Roriz será candidato (?)

Há a expectativa de parte da cidade para que a crise política arraste o ex-governador Joaquim Roriz e o leve a desistir da sua candidatura a governador.

A forte candidatura de Roriz é o que mantém a esquerda unida. Ele é o ponto de consenso para aglutinar forças em torno de Agnelo Queiroz. Se Roriz não for candidato esta união pode ser desfeita e o resultado será ainda mais imprevisto.

Candidatos reservas

Na ausência de Arruda e Paulo Octávio, o PFL deve lançar o deputado-secretário Alberto Fraga. Na ausência Roriz, ele pode apoiar o pretenso candidato do PTB, senador Gim Argello.

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