12.3.15

O mal que eles tentam reacender

A história da República brasileira é um história de golpes, contragolpes e tentativas de golpes. Desde sua instalação, passando pela eleição sob ameaça do Marechal Deodoro da Fonseca na Constituinte de 1891 e pelo golpe que o mesmo viria a sofrer alguns meses depois.

O presidente Getúlio Vargas resumiu o clima político com a frase: “No Brasil, não basta vencer a eleição, é preciso ganhar a posse”. E não é pra menos. Assim, como vários outros presidentes, Vargas foi alvo da lógica golpista eternizada por Carlos Lacerda. “Getúlio não deve ser candidato. Se for candidato, não deve ser eleito. Se for eleito, não deve tomar posse. Se tomar posse, não deve governar”.

Assim tentou se fazer 1922 com Arthur Bernardes, e se conseguiu em 1930 com Júlio Prestes. Golpista de 30, Getúlio Vargas foi alvo de tentativa de golpe em 1932 e 1935, deu golpe em 1937 e foi deposto em 1945. De volta pelo voto, se suicidou em 1954 para evitar nova deposição.

Os golpistas de 1954 foram os golpeados de 1955 quando o Marechal Henrique Teixeira Lott agiu preventivamente para garantir a posse de JK. Em 1961, foi Jânio Quadros tentou um golpe ao renunciar com a intenção de voltar com poderes extraordinários. Planos furados, deram em outro golpe, desse vez consentido, com a implementação do parlamentarismo.

O golpe de 1964 foi o início de uma série de golpes com os Atos Institucionais. Principalmente o AI-2, em 1965, e o AI-5, em 1968. Passado o ápice da repressão e iniciado o lento processo de reabertura, a linha dura ainda tentou derrubar Ernesto Geisel na demissão do ministro Silvio Frota em 1977.

De lá pra cá, a duras custas, não tivemos mais golpes. O resgate da autoridade da Presidência da República sobre as Forças Armadas neste últimos episódio e o processo de reabertura arquitetado pelo General Golbery do Souto e Silva foram essenciais para que tenhamos nos livrado das instabilidades institucionais que marcaram nossa história.

A Presidência da República foi devolvida aos civis, voltamos a ter eleições diretas, impedimos um mandato presidencial dentro das regras constitucionais, o então vice-presidente da República assumiu e completou o mandato mantendo a legalidade, tivemos alternância de rivais no Palácio do Planalto. Tudo que em outros momentos históricos geraria graves crises institucionais, nós conseguimos atravessar sem maiores turbulências nos últimos tempos.

Agora, os derrotados do último outubro teimam em não aceitar a derrota e resgatam o espírito golpista da velha UDN, que esteve contido por todo esse tempo. A campanha acirrada e o resultado apertado os encheram de energia não só suas lideranças políticas, mas também sua base social, insuflados pelo caráter panfletário da mídia.

O resultado do que vivemos é imprevisível, embora paralelos históricos mostrem que corremos o risco de cairmos numa ditadura de cunho fascista ou, no melhor do cenário, num clima de acirramento constante nos moldes venezuelanos. Em qualquer dos casos, o governo precisa reagir, encarar o embate, tratar os golpistas como golpistas e implementar o programa que foi vitorioso nas eleições do ano passado.


A história se repete, diz Karl Marx, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. Que o Brasil consiga frear os farsantes da vez. 

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