12.10.14

Sobre favoristismo e alianças

Difícil se fazer entendido quando os brasileiros recusam o uso da razão, mas recorro a essas linhas mal escritas para que o cidadão chapadinhense possa compreender a diferença entre análise e torcida.

Na tribuna da Câmara Municipal e no programa Direto ao Assunto, da rádio Mirante de Chapadinha, agradeci os votos confiados a mim como candidato a deputado federal e, analisando os demais resultados da eleição, cravei: "Belezinha é favorita para a reeleição em 2016".

Infelizmente é assim. Na hora que sai a zerésima da urna a classe política e a imprensa começam logo a pensar na eleição seguinte. E, com base nas votações obtidas em 2014 em Chapadinha, Belezinha tem mais razões para comemorar do que as demais forças políticas do município. Senão, vejamos.

1. Mesmo tendo abandonado seu grupo político no município, Magno Bacelar deu muito voto para Ana do Gás. Sim, e agora? Inelegível e sem governo estadual ele terá como eleger Danúbia Carneiro prefeita?

2. Isaías Fortes (também inelegível, é bom lembrar) é esperto. Apoiou dois nomes da terra para parecer ter mais voto do que realmente tem. Paulo Neto já tinha voto próprio e teve ainda o apoio de vários vereadores e suplentes. Os mais de 8 mil votos não podem ser considerados méritos apenas do "Zazá". Tivesse apoiado sozinho um nome de fora teria chegado a qual votação? Tanto Marcelo Menezes quanto Isamara Pessoa, pretensos candidatos do grupo, sabem que o resultado precisava ser melhor do que foi para mostrar força.

3. O deputado estadual eleito Levi Pontes afirma que não será candidato a prefeito e seu grupo não parece dispor de outro nome competitivo. 

Por outro lado, a prefeita que julgávamos morta politicamente deu mais de 6 mil votos para um candidato desconhecido. "Ah, mas ele tem a máquina e usou dinheiro!". Sim, e ela terá a máquina e usará dinheiro em 2016 também. Aí é que está o alerta que estou tentando fazer e muitas pessoas parecem que não querem entender: Quanto mais a oposição se dividir, melhor para a prefeita que tem a máquina à disposição e dinheiro correndo atrás de gente.

Se a oposição se comportar nas eleições municipais da mesma forma com que se comportou nessa, a reeleição dela é certa. A fogueira de vaidades têm que dar lugar a um projeto comum para a cidade. 


Libertas Quae Sera Tamen

Não apoio, nem apoiarei a prefeita, mas não me cego por paixões políticas. Belezinha foi a grande vencedora das eleições de 2014 em Chapadinha e para 2016 é a favorita sem ter nenhum grande mérito para isso, mas pelos erros da oposição, mais preocupada com o amontoado de projetos pessoais que a formam do que com um projeto melhor para a cidade.

Nota: Da mesma forma que não componho politicamente com a prefeita, não componho com nenhum grupo de oposição que tenha dono. 

E até dia 26 minha preocupação é uma só: Ajudar a reeleger Dilma presidente!

11.6.14

Ou derrotamos o dinheiro ou ele nos derrota


O povo de Chapadinha quis mudança e para isso derrotou com expressiva votação um dos melhores prefeitos que a cidade já teve como consequência do desgaste de quem ele escolheu para lhe suceder. 


Para a tarefa de derrotar Magno Bacelar foi escolhida uma pessoa sobre quem pouco se sabia além do fato de ser milionária, mas nada mais importava. Ela tinha tanto dinheiro, diziam seus partidários, que não precisaria meter a mão nos cofres da prefeitura (como se a corrupção fosse um crime de pobres).

Agora se sabe que, mesmo tendo um patrimônio suficiente para si e para as próximas gerações da sua família, uma das primeiras ações de Belezinha foi colocar suas filhas na folha de pagamento da prefeitura, além de todos os esquemas desvios de recursos públicos que já foram descobertos nos últimos meses e outros tantos que ainda virão à tona.

O pau mandado da prefeita finge que nada vê, desvia a visão da gratificação recebida pela primeira-filha, mas a explicação para essa visão mais curva que a minha que sou vesgo, como eles gostam sempre de lembrar, virá à tona quando o resto da folha de pagamento vir a público. Estamos apenas começando.

Belezinha, contudo, é um mal passageiro. Logo logo voltará à insignificância social e política que tinha antes de prometer dinheiro e emprego a meio mundo de gente para chegar à prefeitura. O que nós precisamos combater não é ela, mas a raiz do problema que faz com que sua administração seja o desastre que é.

Por que um povo tão pobre, quando desejoso por mudança na administração, correu atrás daquela que, sendo a mulher mais rica da cidade, era portanto a mais distante da sua realidade, das suas dificuldades, das suas lutas diárias? 

Ao gastar a fortuna que gastou para se eleger, Belezinha fez o que a maioria que gasta fortunas para se eleger faz. Se sentiu à vontade para descontar a conta da campanha nos cofres públicos. Mas quem desvia para cobrir gastos de campanha, desvia também para enriquecer (ainda mais), para corromper advogados ou quem mais se disponha. 

O discurso fácil do senso comum ataca todos que disputem a política como se todos que participam dela tivessem nas suas índoles a má intenção de se locupletar com recursos públicos, o problema é muito mais complicado do que as lógicas sheherazadianas. É o uso e abuso do poder econômico na política e nas eleições que massacra a democracia e custa incalculáveis prejuízos às verbas públicas.

Depende de nós mudar essa tragédia brasileira. Em 2014 elegeremos deputados, senadores, governadores e presidente da República. Daqui a dois anos, elegeremos um(a) novo(a) prefeito(a). Podemos até nos livrar da atual chefe do Executivo (provavelmente até antes disso), mas se continuarmos a eleger nossos representantes baseados na fortuna que eles têm e no dinheiro que eles distribuem durante a campanha, podem ter certeza, por mais absurdo que possa parecer, que teremos alguém ainda pior que Belezinha nos representando.

30.4.14

Quem não se comunica...

Lembremos a lição do velho guerreiro
...se trumbica, dizia Chacrinha. 

É impressionante a incompetência do governo Dilma e do próprio PT na área da comunicação. 

Há um levante neoconservador em curso sem nenhuma resposta a altura. Com o partido recuado na disputa pela sociedade desde a crise do mensalão a direita faz essa disputa formando opinião, inclusive da massa que foi agregada ao mercado de consumo durante o governo popular, com figuras como Rachel Sheherazade, Silas Malafaia, Danilo Gentili, sem contar os de sempre, como Miriam Leitão, William Waack, Arnaldo Jabor e por aí vai.

Reeleita pelo projeto político
O PT mantém boa parte do eleitorado e Dilma deve até ser reeleita, mas sob um desgaste enorme porque tem perdido debates importantes por pura inépcia. Os dois maiores exemplos são a Petrobras e a Copa do Mundo.

Petrobras

Como pode o governo popular ser derrotado no debate sobre a Petrobrás?! Talvez os mais jovens (do que eu) não lembrem, mas a empresa estava desmoralizada, com vários incidentes estruturais e a ponto de ser mudado o nome para ser privatizada antes de Lula assumir a Presidência da República. Quem a reergueu foi o governo popular. 

P-36 afundou como FHC
afundava a PetrobraX
A Petrobrás vale hoje QUATRO VEZES o que valia quando FHC deixou o poder. Saltou de R$ 54,45 bilhões para R$ 228,4 bilhões. Quatro vezes! E chegou a valer R$ R$ 380,28 bilhões, oito vezes o valor anterior! Aí vem a frase com a qual Eduardo Campos desconstrói todo o mérito do governo popular junto a Petrobras: "A empresa vale metade do que valia em 2010 e está quatro vezes mais endividada".

"Nossa!", se espantam os desentendidos, "deve estar mesmo a ponto da falência". O que Eduardo Campos não explica, nem o governo se dá o trabalho de esclarecer a população é que a baixa do valor das ações da empresa é fruto desse endividamento, e esse endividamento é feito para viabilizar a extração de R$ 20 trilhões (!) que está guardado abaixo da camada de sal, no oceano atlântico, próximo à costa brasileira em forma de petróleo da melhor espécie.

Desde o "petróleo é nosso" que quem defende
a Petrobras são as forças populares
Mas, enfim, a Petrobras envolve um debate técnico que os jornalões poderiam confundir o cidadão. O que não dá pra entender, é o governo perder o debate sobre a Copa do Mundo no Brasil. A Copa tem sido apresentada pelos neoconservadores como uma das sete pragas do Egito nos atingindo, parece que a FIFA anda de país em país procurando quem aceite sediar o evento. 

Há anos o Brasil vinha concorrendo para trazer a Copa pra cá de novo e logo depois de vencermos a concorrência, segundo o Datafolha, 79% da população era favorável, apenas 10% se opunha. A pesquisa mais recente mostra o placar bem mais apertado: 48% a 41%.

O que poderia ter feito o povo brasileiro se desgostar da ideia de sediar o mundial do esporte mais popular do país e do planeta? 

A gritaria vem de vários lados, mas a principal é: O governo está gastando Copa do Mundo ao invés de gastar com "saúde e educação".

Vamos aos números. 

Em 2003, quando Lula assume o governo, o orçamento do Ministério da Educação era R$ 19,1 bilhões. 

Em 2014 o Congresso aprovou o orçamento com R$ 82,3 bilhões.

Em 2003, quando Lula assume o governo, o orçamento do Ministério da Saúde era R$ 44,6 bilhões. 

Em 2014 o Congresso aprovou o orçamento comde R$ 106 bilhões.

Brasil vence a concorrência sob aplauso nacional
A Copa nunca diminuiu um centavo dos orçamentos da educação e da saúde, pelo contrário. A realização do evento no Brasil aquece a economia nacional, aumentando, portanto, a arrecadação, e, consequentemente, a capacidade de investimento em educação e saúde. 

Outro sofisma é que esta é a Copa do Mundo mais cara da história por causa do valor "gasto" em estádios. Dos R$ 25 bilhões do orçamento plurianual (incomparável, portanto, com os dados anuais de educação e saúde) do evento, apenas R$ 8 bilhões são EMPRÉSTIMOS do BNDES para a construção e reforma das arenas que receberão os jogos. 

O resto do orçamento é destinado a benfeitorias que ficarão como legado para a vida dos cidadãos como investimento em turismo, telecomunicações, segurança, portos, aeroportos e principalmente obras de mobilidade urbana, principal reivindicação que levou os jovens às ruas em julho do ano passado. E ainda assim o governo perde o debate.

Isso sem falar em qualquer questão de cunho político, emocional, de respeito internacional, ou vários outros fatores sociais e econômicos que envolvem o Brasil, numa mesma década, sediar a Copa do Mundo de futebol e as Olimpíadas. Dois atrasos, segundo nossa mídia tupiniquim.

Esta é a década do Brasil no mundo

28.4.14

Política dos fundos

O humorista Fábio Porchat, filho de ex-deputado federal homônimo, escreveu recente artigo que contribui para o debate pelo avesso. Cheio de senso comum, Porchat iguala os partidos políticos por baixo e ao final crava: "Eu, Fábio, tento focar nos candidatos". Ponto. Uma declaração quase Sheherazediana. Tão aplaudível quanto risível.

Um dos males que mais assola a política brasileira historicamente é exatamente o personalismo. Desde dos florianistas, passando por getulistas e mais recentemente lulistas, para ficar em poucos exemplos, nos acostumamos a cultuar líderes aos invés de defendermos programas políticos. 

É isso que o partidos são, ou pelo menos deveriam ser: canalizadores da vontade popular a programas políticos distintos. Digo "deveriam" porque é claro que o Brasil não possui 32 correntes de pensamento político estruturadas, mas a legislação permitiu que a criação de novos partidos se transformasse em um grande negócio para aqueles que detém o controle de legendas cartoriais para registros de candidatura. 

No meio desta sopa de letrinhas que virou a vida partidária brasileira é difícil para o eleitor diferenciar um do outro, principalmente quando o debate eleitoral vira um torneio de lama no qual os adversários disputam para ver quem consegue acusar mais o outro e reforçam a ideia de que são todos os iguais.

Não há partido totalmente bom, nem deve haver nenhum totalmente ruim. Não há partido "ficha limpa", não há partido que não faça aliança com o objetivo de chegar o poder, mas o que diferencia alguns partidos é o que fazem com o poder em mãos.

Eu, Eduardo, voto em um partido que representa o programa político que eu defendo: O Partidos dos Trabalhadores. Há quem ache o PT recuado e prefira votar no PSOL, ou quem seja anti-PT e vota noutro para derrotar o partido, há ainda quem não faça diferenciação e vote em qualquer partido fisiológico e sem programa definido porque o candidato na tela parece mais confiável. Esse último eleitor é o que mais contribui para a política brasileira ser o que é.

Agora um bom vídeo do Porta dos Fundos, que é o que Fábio Porchat sabe fazer de melhor: 

25.2.14

Sobre solidariedade e repúdio


Apresentei na sessão de ontem duas moções de solidariedade, que foram aprovadas pela unanimidade dos colegas. Uma dirigida ao Pe. Neves e outra dirigida a prefeita.

A Câmara prestou assim solidariedade ao pároco pelos ataques caluniosos que ele sofreu em represália pela sua atuação como cidadão livre chapadinhense.

Nossa solidariedade também foi dirigida à prefeita Dulcilene pela distorção que algumas pessoas têm feito com relação a uma fotografia e que a atinge na sua condição de mulher, de mãe de família e de autoridade pública.

Fui várias vezes vítima de ataques tão levianos quanto esses por parte dos partidários da prefeita e nunca ouvi de sua parte uma palavra de solidariedade ou de contrariedade às baixarias de seus militantes. Poderia, portanto, me calar diante da injustiça que ela agora sofre, mas faço questão de mostrar a diferença que temos entre nós.

Minha divergência com sua excelência não é pessoal, nem mesmo quando ela vira o rosto para não me cumprimentar em eventos públicos. Minhas divergências consigo são político-administrativas. 

A prefeita comanda um dos piores governos que se tem notícia na história da nossa cidade. Sem compromisso com o povo e marcado por escândalos que já deveriam tê-la tirado do cargo, mas nem isso me faria embarcar no vale-tudo no qual estão transformando a disputa política da nossa cidade.

Presto minha solidariedade à pessoa Ducilene toda vez que lhe atacarem no campo pessoal com a mesma firmeza com a qual declaro meu repúdio à prefeita Ducilene pela administração que vem acabando com a economia, a infra-estrutura e os serviços públicos 

Mateus 5:44

24.2.14

Que rumo tomará a oposição municipal?


Na acalorada politica chapadinhense as charges têm ganhado destaque. Tem pra todo gosto. Há as deploráveis, que atingem questões pessoais dos envolvidos, há as engraçadas, há as sem sentido, mas a minha preferida é esta que escolhi para ilustrar este texto e foi originalmente publicada no "cola não", digo, colunão do Café Pequeno. 

Sem atingir a honra de ninguém, a montagem fez uma crítica pertinente à oposição municipal. Qual será o rumo a tomar? 

E assim como a charge bem apresenta, são quatro os caminhos apontados dentro da oposição, só errou os personagens. Três, dos quatro vereadores ilustrados, já apontam para o mesmo caminho.


Caso um Caso

A liderança da natural da oposição caberia ao candidato derrotado pela prefeita, o deputado Magno Bacelar, mas este abandonou a disputa politica da cidade há um ano e meio, dando espaço para florescerem outros nomes que estiveram aqui durante este tempo combatendo os desastres da administração. Além da ex-prefeita Danúbia Carneiro, suas relações políticas se restringiram hoje ao vereador Eduardo Sá.

De ter abandonado a cidade ninguém pode acusar aquele que foi seu candidato a vice-prefeito, o presidente do PSB, Irmão Gomes. Líder reconhecido entre os evangélicos da cidade, Gomes tem se dedicado menos à oposição municipal e mais à coordenação da pré-candidatura a deputado estadual do Dr. Levi Pontes, com quem divide a liderança da antiga "3 ª via".

Os mais recentemente convertidos à oposição são os liderados de Isaías Fortes. Fiadores públicos da eleição de Belezinha e enxotados da administração sob graves acusações, estes devem fazer a mais dura oposição pelo mandato do vereador Marcelo Menezes. Se preparam para lançar em 2014 a candidatura a deputada estadual de Isamara Menezes, ou da sua filha Luiza Rocha.

E há aqueles que defendem a renovação da política de Chapadinha. É entre estes que eu, Eduardo Braga, me encontro, ao lado do presidente da Câmara, vereador Nonato Baleco, da vereadora Missicley Araújo e de um grupo crescente de militantes sociais convictos da necessidade de nós ousarmos para podermos construir um novo caminho político para nossa cidade. Sem lideranças messiânicas que prometem resolver todos os problemas de uma hora pra outra, sem radicalismos infantis ou irresponsáveis, mas ao mesmo tempo sem titubear da tarefa de oposição construtiva e responsável ao governo Belezinha.  


2014 e 2016

A prefeita (acreditem!) já é candidata a reeleição e, apesar de unir tanta gente contra si, terá ainda mais dinheiro e poder para enfrentar a campanha do que teve em 2012. Será, portanto, um dos polos da disputa. A oposição estará unida para derrota-la ou continuará fragmentada?

Olhando de hoje é difícil apostar na união de grupos tão diferentes, mas tudo dependerá dos resultados eleitorais deste ano.  Enquanto mantém uma relação amistosa graças adversário comum que têm, cada grupo lançará uma candidatura diferente à Assembleia Legislativa neste ano em busca de se fortalecer para a disputa futura.

A decisão estará nas mãos do eleitor.




7.2.14

Um erro chamado "mensalão tucano"

É uma grande tolice o PT embarcar na onda de comparar o esquema denunciado que teria sido comandado pelo tucano Eduardo Azeredo com aquele que levou algumas das suas maiores lideranças à cadeia. 

Primeiro porque reforça a idéia de que um "mensalão" federal, como cópia do que havia sido feito em Minas Gerais em 1998. Na verdade, os esquema de financiamento paralelo de campanha acontecem todos os anos, em todos os estados, nas campanhas de todos os partidos que disputam as eleições pra valer.

Segundo, em que o universo Eduardo Azeredo tem o mesmo peso para o PSDB e para a direita brasileira que o José Dirceu e José Genoíno têm para o PT e para a esquerda. Condenar uma figura menor do PSDB para dar credibilidade à condenação (sem provas) da AP 470 não valeria a pena para eles?

28.1.14

O dilema do PT do Maranhão


Há quatro anos o PT ainda iniciava sua aliança com o PMDB no estado Maranhão. Indicando o candidato a vice-governador da coligação "O Maranhão Não Pode Parar", conseguimos dar a segunda melhor votação proporcional para Dilma Rousseff (79,09%) no nosso estado (perdendo apenas para o Amazonas), além de termos sido decisivos para a eleição em primeiro turno da governadora Roseana Sarney e dos senadores da chapa. 

Naquela oportunidade, não poderia haver titubeio. O PMDB era imprescindível para eleger Dilma, Jackson Lago (PDT) apoiava José Serra (PSDB) e Flávio Dino (PCdoB) estava de volta aos braços de Zé Reinaldo (PSB), da "Frente de Libertação" e do discurso anti-Sarney, mesmo depois de termos feito a campanha para prefeito de São Luís em 2008 com a proposta do "pós-Sarney".

Não tenho dúvida de que tomamos a decisão certa naquele momento, na falta de uma projeto popular para o estado, optamos pelo palanque mais forte para Dilma.

Em 2014, PT e PMDB já não estão em lua de mel. É hora de discutir a relação e avaliar se vale a pena continuar o casamento. Quais as vantagens e desvantagem para cada lado? Para o PT, qual o palanque mais forte para Dilma no estado? Qual o melhor caminho para eleger uma boa bancada na Assembleia?

Em caso de rompimento, candidatura própria improvisada e sem competitividade? Não dá pra levar a sério. O candidato escolhido terminaria sendo laranja de Luis Fernando ou de Flávio Dino. 

E Flávio Dino? Se for abrir palanque para Eduardo Campos, encerro aqui minha reflexão. Sejam felizes, mas ao PT só pode interessar um palanque forte e homogêneo para reeleger Dilma.

Como de costume, este texto tem mais perguntas do que respostas. O caminho não é tão simples como há quatro anos. 


Anti-Sarney

Uma coisa é certa: Não cabe ao PT o discurso vazio do "anti-sarneysmo". Se um dia coube, não cabe mais. 

O senador José Sarney não apenas foi o melhor governador da história do nosso estado no ÚNICO mandato que exerceu entre 1966 e 1970, mas é também um dos mais importantes aliados do governo federal, essencial para manter o apoio do PMDB a Dilma e a governabilidade no Congresso.

Essa conversa fiada de "combate oligarquia" pode dar voto, pode até garantir a eleição de Flávio Dino, mas não passa de bravata. Não dá pra falar em escolha ideológica de campo democrático e popular com Dedé Macedo e Humberto Coutinho (pra ficar em apenas dois nomes). 

Mudança real seria a construção de um projeto popular, coisa que nenhum dos dois grupos representa. A escolha, infelizmente, não será ideológica, apenas pragmática.