16.9.13

Adianta querer mudança sem querer mudar?


O fracasso do governo Belezinha não pode ser visto como consequência apenas dos defeitos da gestora ou daqueles que a rodeiam, é necessário vermos a forma com a qual foi eleita e o que a sociedade esperava dela para poder estar hoje elogiando-a.

Conforme equilibrada análise do advogado Almir Moreira em recente entrevista à rádio Mirante, três fatores determinaram a eleição de Belezinha. 1. A votação histórica que Isaías Fortes tem e não mediu esforços para transferir. 2. Desejo de mudança contra um governo mal avaliado. 3. Uso e abuso do poder econômico.

A força de Isaías Fortes é um fenômeno político que não pode ser analisado assim num pequeno texto num blog, e quanto ao flagrante abuso do poder econômico a Justiça vai se pronunciar muito em breve. Quero comentar é a promessa de mudança, tão presente nos discursos dos palanques e tão falha na prática.

Empossada no cargo, a prefeita inchou a folha de pagamento com centenas de contratos ilegais para cumprir os acordos que fizera para ser eleita. E aqui é que entra o meu questionamento. Seria eleita sem se comprometer em transformar a prefeitura num cabide de empregos? Não é uma pergunta retórica, eleitor. É dúvida mesmo. 

Não é possível fazer um bom governo com os compromissos que a prefeita fez para se eleger, isso é certo, mas será que alguém conseguiria ser eleito prefeito(a) sem fazer tais compromissos? Algum candidato a prefeito poderia desfilar pela cidade dizendo que o acesso aos empregos na prefeitura devem ser, em cumprimento à lei, por meio de concurso público? Alguém seria eleito prefeito dizendo a cada eleitor que não pode lhe dar "uma ajuda" com sacos de cimento, milheiros de telha e de tijolo, receitas médicas, combustíveis, mudanças e toda sorte de pedidos que os eleitores fazem e que são expressamente proibidos por lei aos candidatos?

Como já disse, a prefeita que está aí não me parece uma pessoa ruim. É, como um soluço, um mal menor e passageiro, talvez até mais passageiro do que se pensa. Prometeu mudança, mas se elegeu num sistema viciado, governa como todos os outros tentando compensar as perdas da campanha. E quando ele passar, caro leitor, vamos eleger outro prefeito com essa mesma cultura política? Virá outro endinheirado prometendo mudanças, mas distribuindo "ajudas" e se comprometendo em usar a máquina pública com o mesmo patrimonialismo de sempre?

"Talvez" o problema não seja Belezinha, hein. A classe política que nós temos é consequência da sociedade que somos. Não adianta reclamar dos "políticos" e alimentar esse ciclo vicioso. Mais importante do que se opor a A ou B é romper com essa forma de fazer política. 

Os empregos na estrutura da prefeitura devem ser o mínimo possível para que possam haver investimentos e gastos públicos dentro do município (sem funil) para fazer o dinheiro circular na cidade e reabilitando nossa economia. É claro que o cidadão que se emprega na prefeitura por meio de concurso ou no mercado local porque a economia vai bem não guarda gratidão ao gestor como aquele que é "agraciado" com um contrato, mas é em situações como essa que se diferem os políticos comuns, que pensam na eleição seguinte e acabam fazendo mal a si e ao local que governam, e aqueles grandes políticos que pensam na geração seguinte, em fazer aquilo que é o bem para a cidade e terão êxito (ou não) nas urnas como consequência do bem que fizeram para o coletivo. 

Não é fácil, mas é necessário. O Sermão da Montanha nos ensinou que "larga é a porta e espaçoso é o caminho que conduz a perdição. E muitos entram por ela". Foi também a escolha desta prefeita.

Chapadinha elegeu uma candidata prometendo mudanças e abusando do poder econômico. Espero que o fracasso desse governo não desacredite diante do povo a possibilidade de mudanças, mas sim qualquer candidato que tentar fazer do dinheiro seu principal cabo eleitoral. 

3.9.13

Uma noite que se arrasta há oito meses



Os fatos políticos mais importantes não marcam apenas a data na qual acontecem, mas o tempo que se segue. Aqui em Chapadinha tivemos um fato desses na virada do ano. 

Não tentarei descrever com palavras as emoções sentidas por nós que tivemos a oportunidade de estar na Câmara de Vereadores naquele reveillon, seria inútil. Mas foi algo que marcou profundamente todos que lá estivemos.

Depois de muitas articulações políticas, tentativas de cooptação, pressões externas, desistências e recuperações, registram-se duas chapas na disputa pelo comando do parlamento municipal. Fui escolhido o vice da chapa encabeçada por Nonato Baleco (PDT) e com Marcelo Menezes (PRP) na 1ª Secretaria, era a união de forças que antes ninguém acreditava que poderiam estar juntas. 

As galerias lotadas participavam como uma torcida organizada nos estádios, as articulações não cessaram até o início da votação, o voto secreto não dava certeza de vitória para ninguém. A apreensão marcava os rostos de todos quando começaram a contar os votos. 

Os dois primeiros votos foram para a chapa encabeçada pela colega Lívia Saraiva. Nesta hora quase nos damos por vencidos, mas os dois votos seguintes empataram a apuração. No meio da contagem, um voto questionado: A própria candidata assinara a cédula de votação, identificando seu voto e anulando-o.

Não contei a anulação que poderia ser questionada posteriormente. Cheguei ao final da apuração contando a chapa adversária com um voto a frente e, faltando duas cédulas, ambas tinham assinalado o nome Nonato Baleco. 

Foi como um golaço ao final da prorrogação virando a partida e garantindo o título. A torcida aos gritos, todos nos abraçamos, a resposta estava dada. 

Resultado final: A prefeita derrotada na própria posse, Nonato Baleco eleito, preterida, não uma vereadora, mas sim um casal. 

De lá pra cá, a Câmara de Chapadinha tem se tornado uma casa de grandes debates, com a realização de audiências públicas, com as sessões sendo transmitidas ao vivo pelo rádio, com boa parte dos vereadores mantendo a firmeza no papel de fiscalizar o Executivo, com ampla divulgação dos trabalhos parlamentares, enquanto aqueles que estariam controlando a Casa se enrolam em esquemas faraônicos.

Na incapacidade de se defenderem ou mostrar acertos do governo Belezinha, tentam ao menos arrastar a Câmara Municipal para o mesmo nível, distorcendo os fatos para mostrar os acertos da gestão do parlamento como se fossem erros. Não conseguirão.