13.11.12

INJUSTA SENTENÇA


Dediquei minha vida ao Brasil, à luta pela democracia e ao PT. Na ditadura, quando nos opusemos colocando em risco a própria vida, fui preso e condenado. Banido do país, tive minha nacionalidade cassada, mas continuei lutando e voltei ao país clandestinamente para manter nossa luta. Reconquistada a democracia, nunca fui investigado ou processado. Entrei e saí do governo sem patrimônio. Nunca pratiquei nenhum ato ilícito ou ilegal como dirigente do PT, parlamentar ou ministro de Estado. Fui cassado pela Câmara dos Deputados e, agora, condenado pelo Supremo Tribunal Federal sem provas porque sou inocente.
 
A pena de 10 anos e 10 meses que a suprema corte me impôs só agrava a infâmia e a ignomínia de todo esse processo, que recorreu a recursos jurídicos que violam abertamente nossa Constituição e o Estado Democrático de Direito, como a teoria do domínio do fato, a condenação sem ato de ofício, o desprezo à presunção de inocência e o abandono de jurisprudência que beneficia os réus.
 
Um julgamento realizado sob a pressão da mídia e marcado para coincidir com o período eleitoral na vã esperança de derrotar o PT e seus candidatos. Um julgamento que ainda não acabou. Não só porque temos o direito aos recursos previstos na legislação, mas também porque temos o direito sagrado de provar nossa inocência.
 
Não me calarei e não me conformo com a injusta sentença que me foi imposta. Vou lutar mesmo cumprindo pena. Devo isso a todos os que acreditaram e ao meu lado lutaram nos últimos 45 anos, me apoiaram e foram solidários nesses últimos duros anos na certeza de minha inocência e na comunhão dos mesmos ideais e sonhos.

José Dirceu

9.11.12

Por que Magno perdeu? (parte 1)

A culpada?
Ex-prefeito da pequena Aldeias Altas, de onde trouxe o apelido "Nota 10", e deputado estadual mais votado no interior, Magno Augusto Bacelar Nunes conquistou a prefeitura de Chapadinha em 2000 com amplo apoio das classes política e empresarial.

Com pouco mais de 1400 votos de vantagem, Magno derrotou o então candidato a reeleição Isaías Fortes, que disputou a eleição em outubro sem sequer pagar os salários de setembro do funcionalismo municipal, e iniciou os 12 anos de domínio do seu grupo político.

Durante os 96 meses que esteve na prefeitura, Magno Bacelar organizou a administração municipal, manteve os salários em dia, investiu na formação dos professores da rede municipal de ensino e melhorou a infra-estrutura da cidade.

Imposta ao grupo político e à cidade, que não a elegeu no voto, Danúbia Carneiro foi a escolhida para sucedê-lo e dar continuidade à administração bem avaliada de Magno. Se não houve ruptura política entre criador e criatura, por que a avaliação que a população faz das duas administrações é tão diferente? Por que Danúbia não pôde disputar a reeleição? Por que Magno Bacelar perdeu com uma vantagem nunca antes vista nas disputas chapadinhenses?

As respostas não são óbvias e necessitam de profunda avaliação, que buscarei fazer nos próximos textos. Como já disse anteriormente, avaliar estes erros e corrigi-los é condição preliminar para o grupo derrotado nesta eleição pensar em voltar um dia ao poder, com ou sem cassação de Belezinha.