13.10.12

O combate à corrupção e o discurso moralista

"É hipócrita quem critica a corrupção genérica e em grande escala e pratica a corrupção cotidiana"

(Sergio Fajardo)


1. Uma das mais controversas figuras políticas da nossa história, Jânio Quadros  elegeu-se presidente da República e só durou sete meses no cargo. Jânio deu as costas a quem o elegeu, meteu os pés pelas mãos, renunciou achando que voltaria com mais poder e acabou jogando o país numa crise institucional que desembocou no golpe de 1964.


2. A ditadura militar foi uma longa noite de 21 anos. Um regime de exceção que cassou, prendeu, matou e torturou adversários políticos. Além da truculência política e física, o processo de alienação do povo brasileiro naquele período tem fortes marcas na nossa vida política até hoje.

3. Primeiro presidente eleito pelo voto direto depois do regime militar, Fernando Collor foi também o primeiro presidente impedido de terminar seu mandato pela Constituição Federal. Confiscou o dinheiro do povo depositado nos bancos e caiu em decorrência do maior escândalo de corrupção até hoje registrado.

Agora me diga. O que estes três personagens da história brasileira têm em comum? Todos eles chegaram ao poder se utilizando do discurso moralista como principal bandeira.

O símbolo da campanha de Jânio era a vassoura, com qual, dizia, "varreria a roubalheira". Os militares tiraram o poder de João Goulart afirmando que estavam livrando o país da corrupção generalizada e da subversão. Collor era o "Caçador de Marajás", "diferente de tudo isso que está aí".

Como se vê, o senador cassado Demóstenes Torres (ex-Dem-GO) não fundou o falso moralismo na política brasileira e, em verdade, tem mais seguidores do que parece. O comportamento ético é obrigação de todos os cidadãos, independente de participar ou não da atividade política. Discurso de forte apelo popular, o moralismo geralmente é usado pelos políticos mais sem escrúpulos para esconder suas reais intenções.

Além de não ajudar a limpar a política, o discurso moralista muito atrapalha, conforme também diz o sociólogo Diego Gambetta no livro "Democracia", página 308:

"Mais facilmente alvo de suspeita que mensuração, a corrupção tem uma propriedade particular de auto-alimentação: quanto mais se acredita que a corrupção está disseminada, mais ela se dissemina (os políticos tendem a ser um pouco mais honestos que as populações que dirigem. Aquele que grita alto e bom que os políticos são uns mentirosos sabe geralmente do que está falando: se fosse político, mentiria o tempo todo...). Se, para obter algo - um emprego, por exemplo-, julgamentos que é preciso pagar, seremos mais tentados a pagar. Os países que têm pouco respeito por si mesmos ou pouca confiança em seus políticos, ou as duas coisas (como a Itália), são presas fáceis para alimentar este círculo vicioso."


Corrupção é cultural e precisa ser combatida

A corrupção é uma praga enraizada na cultura brasileira desde a formação da nossa sociedade. Na carta que Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei de Portugal contando sobre a descoberta da Ilha de Vera Cruz, ele pede ao monarca um emprego a um parente. Boa parte da corte brasileira que veio para o Brasil em 1808 sobrevivia de vender favores, ou atualmente de "tráfico de influência".

Não quer dizer que estamos condenados a viver em meio aos mal feitos e à sem-vergonhice, mas que para superar esse forte traço da nossa cultura será necessário mais do que um julgamento no STF que mude a jurisprudência penal para condenar petista ou uma lei que passa por cima do Estado de Direito para supostamente limpar a política. É necessário um embate diário, cotidiano, rotineiro, em todos os espaços de formação e informação. Nas escolas, nas igrejas, nas famílias, é necessário defender e propagar valores para além do "mundo é dos espertos".

Você, caro leitor, peço que não seja o primeiro a dizer que "as coisas são assim mesmo" ou que "esse povo nunca vai mudar". Combata a corrupção no seu dia-dia e tenha muito cuidado com quem faz disso bandeira política, são geralmente os mais perigosos.

12.10.12

Líder de Lula na Câmara, Professor Luizinho é absolvido

Líder do governo Lula na época do mensalão

Em 2002, Professor Luizinho (foto) foi eleito deputado federal com 142 mil votos e se tornou líder do governo Lula na Câmara. 

Por sete anos ele viveu sob a acusação absurda de vender seu voto para aqueles ele mesmo liderava. 

Em 2006, teve 59 mil votos e não se reelegeu. Em 2008, com 2.450 votos não se elegeu nem vereador de Santo André (SP). Caiu no ostracismo político.

Agora, nem este tribunal de exceção no qual o STF se transformou para o julgamento da AP 470 teve condição de condená-lo. Quem irá repará-lo? A imprensa?

Por outro lado, por que ele foi absolvido? Zé Dirceu foi condenado pela tese de que "se algo havia, só podia ser com o conhecimento e comando dele". Ora, se "o maior escândalo de corrupção da história" consiste no governo Lula ter subornado deputados federais pelos seus votos no parlamento, não é "crível" que o líder da bancada deste governo de nada soubesse, não teria este líder "domínio do fato"?

Neutralidade. Coerências e incoerências


Flávio Dino está com tudo e não está prosa.

Neste segundo turno das eleições de São Luís não tem como derrotá-lo. Com Holandinha Flávio Dino vence, com Castelo ele também não perde.

Ainda aguardasse o posicionamento dos candidatos que ficaram no primeiro turno, a não ser Washington Luiz (PT), este já decidiu pela neutralidade e foi criticado pelos que vêem em Edvaldo Holanda Jr a expectativa de uma mudança política.

Então vamos lá. Holandinha, filho de um dos mais experientes e tradicionais políticos do Maranhão, filiado à uma sigla de aluguel, ex-sarneysta, ex-castelista é "o novo" porque tem 34 anos, porque tem o apoio de Flávio Dino (que há quatro anos ele dizia representar um risco) ou porque tem como vice Roberto Rocha ex-PSDB, filho e pai de políticos que usa o discurso anti-oligarquia? Escolha o melhor argumento.

Não, não há grandes diferenças entre as duas candidaturas, cujas lideranças já se encontraram na calada da noite em reunião secreta durante a campanha. O que está em jogo é a preparação para a eleição de 2014 e, como já disse, Flávio Dino já ganhou esse round.


Neutralidade incoerente

A deputada Eliziane Gama (PPS) saiu vitoriosa com a votação que alcançou no primeiro turno com pouco espaço na mídia, estrutura partidária fraca e e poucos recursos, mas deixa a lógica de lado ao concordar com este Blogue e dizer que não há diferença entre Castelo e Holandinha.

Ora, até dia desses ela formava o quarteto fantástico de Flávio Dino com Tadeu Palácio, Roberto Rocha e Holandinha, de onde deveria sair um candidato a prefeito apoiado pelos outros. Ou seja, formou o grupo com a expectativa de ter ser a escolhida, porém, preterida, nivela os demais por baixo.

11.10.12

Muito obrigado!

Leitores, eleitores e amigos,

Gostaria de agradecer pessoalmente cada um dos 863 eleitores chapadinhenses que me confiaram seus votos para representar nossa sociedade na Câmara Municipal, principalmente aqueles que participaram ativamente da nossa campanha. Trabalharei para honrar cada voto conquistado.

Agradeço também aquelas pessoas que não votaram em mim, mas que fazem parte desta construção política. Meus professores, companheiros de outros municípios e estados, eleitores de outros candidatos aliados, entre outros.

Também não posso deixar de agradecer aqueles que me combateram, aqueles que mentiram, que caluniaram, que distorceram, que tentaram atacar minhas bases eleitorais e buscaram incessantemente evitar minha eleição. Serviram para aumentar a motivação da equipe 13.113 e o prazer da nossa vitória.

Este espaço continuará ativo. Ou melhor, estará mais ativo do que nunca. Não estarei apenas na Câmara, mas nas ruas, nos bairros, nos povoados, nas praças, nos sindicatos, nos movimentos sociais e também aqui na internet, tanto neste blog quanto nas redes sociais (me adicione aqui no facebook), construindo um mandato democrático, popular e participativo.