30.5.12

A força da imagem do PT


Ao contrário do que se costuma pensar, o sistema partidário brasileiro tem um enraizamento social expressivo. Ao considerar nossas instituições políticas, pode-se até dizer que ele é muito significativo.
Em um país com democracia intermitente, baixo acesso à educação e onde a participação eleitoral é obrigatória, a proporção de cidadãos que se identificam com algum partido chega a ser surpreendente.
Se há, portanto, uma coisa que chama a atenção no Brasil não é a ausência, mas a presença de vínculos partidários no eleitorado.
Conforme mostram as pesquisas, metade dos eleitores tem algum vínculo.
Seria possível imaginar que essa taxa é conseqüência de termos um amplo e variado multipartidarismo, com 29 legendas registradas. Com um cardápio tão vasto, qualquer um poderia encontrar ao menos um partido com o qual concordar.
Mas não é o que acontece. Pois, se o sistema partidário é disperso, as identificações são concentradas. Na verdade, fortemente concentradas.
O Vox Populi fez recentemente uma pesquisa de âmbito nacional sobre o tema. Deu o esperado: 48% dos entrevistados disseram simpatizar com algum partido. Mas 80% desses se restringiram a apenas três: PT (com 28% das respostas), PMDB (com 6%) e PSDB (com 5%). Olhado desse modo, o sistema é, portanto, bem menos heterogêneo, pois os restantes 26 partidos dividem os 20% que sobram. Temos a rigor apenas três partidos de expressão.
Entre os três, um padrão semelhante. Sozinho, o PT representa quase 60% das identidades partidárias, o que faz que todos os demais, incluindo os grandes, se apequenem perante ele.
Em resumo, 50% dos eleitores brasileiros não têm partido, 30% são petistas e 20% simpatizam com algum outro - e a metade desses é peemedebista ou tucana. Do primeiro para o segundo, a relação é de quase cinco vezes.
A proeminência do PT é ainda mais acentuada quando se pede ao entrevistado que diga se "simpatiza", "antipatiza" ou se não tem um ou outro sentimento em relação ao partido. Entre "muita" e "alguma simpatia", temos 51%. Outros 37% se dizem indiferentes. Ficam 11%, que antipatizam "alguma" coisa ou "muito" com ele.
Essa simpatia está presente mesmo entre os que se identificam com os demais partidos. E simpática ao PT a metade dos que se sentem próximos do PM DB, um terço dos que gostam do PSDB e metade dos que simpatizam com os outros.
Se o partido é visto com bons olhos por proporções tão amplas, não espanta que seja avaliado positivamente pela maioria em diversos quesitos: 74% do total de entrevistados o consideram um partido "moderno" (ante 14% que o acham "ultrapassado"); 70% entendem que "tem compromisso com os pobres" (ante 14% que dizem que não); 66% afirmam que "busca atender ao interesse da maioria da população" (ante 15% que não acreditam nisso).
Até em uma dimensão particularmente complicada seu desempenho é positivo: 56% dos entrevistados acham que "cumpre o que promete" (enquanto 23% dizem que não). Níveis de confiança como esses não são comuns em nosso sistema político.
Ao comparar os resultados dessa pesquisa com outras, percebe-se que a imagem do PT apresenta uma leve tendência de melhora nos últimos anos. No mínimo, de estabilidade. Entre 2008 e 2012, por exemplo, a proporção dos que dizem que o partido tem atuação "positiva na política brasileira" foi de 57% a 66%.
A avaliação de sua contribuição para o crescimento do País também se mantém elevada: em 2008, 63% dos entrevistados estavam de acordo com a frase "O PT ajuda o Brasil a crescer", proporção que foi a 72% neste ano.
O sucesso de Lula e o bom começo de Dilma Rousseff são uma parte importante da explicação para esses números. Mas não seria correto interpretá-los como fruto exclusivo da atuação de ambos.
Nas suas três décadas de existência, o PT desenvolveu algo que inexistia em nossa cultura política e se diferenciou dos demais partidos da atualidade: formou laços sólidos com uma ampla parcela do eleitorado. O petismo tornou-se um fenômeno de massa.
Há, é certo, quem não goste dele - os 11% que antipatizam, entre os quais os 5% que desgostam muito. Mas não mudam o quadro.
Ao se considerar tudo que aconteceu ao partido e ao se levar em conta o tratamento sistematicamente negativo que recebe da chamada "grande imprensa" - demonstrado em pesquisas acadêmicas realizadas por instituições respeitadas - é um saldo muito bom.
E com essa imagem e a forte aprovação de suas principais lideranças que o PT se prepara para enfrentar os difíceis dias em que o coro da indústria de comunicação usará o julgamento do mensalão para desgastá-lo. Conseguirá?
Marcos Coimbra
Artigo publicado na revista Carta Capital

27.5.12

A retórica fácil que tira a lógica da política

Dois ex-governadores com o apoio
de Sarney hoje falam da "oligarquia"
A entrada de Zé Reinaldo Tavares na administração municipal comandada pelo tucano João Castelo só reforça sua postura anti-PT e anti-Lula, fator determinante para que o Diretório Nacional do PT tenha decidido pela anulação do encontro estadual que decidira pelo apoio à chapa Dino-Reinaldista nas eleições de 2010.

Esta postura poderia até ser dissimulada, afinal, Tavares é filiado a um partido que faz parte da base aliada e, para não perder voto no estado que deu a segunda maior votação proporcional para Dilma, sua atuação contra o projeto petista se dá geralmente nos bastidores e não sob os holofotes, apesar de ele ter declarado apoio a José Serra no segundo turno da eleição presidencial.

Agora que está tudo as claras Flávio Dino não pode mais ficar se fazendo de "João sem braço". Concorda com a "opção pelo atraso" ou romperá com seu tutor político? Deixando a retórica fácil de lado, o caminho natural seria o líder do PCdoB refutar aproximação com PSDB e, em não sendo candidato, declarar apoio ao petista Washington Luiz, de quem é amigo pessoal.

Mas não, isso não vai acontecer porque Washington é o "candidato de Sarney", mesmo discurso surrado do qual Flávio Dino foi vítima quando disputou a prefeitura em 2008 contra Castelo e com o apoio do PT. E essa retórica fácil tem mais peso na política maranhense do que qualquer debate real sobre os problemas e suas soluções a bem da população do estado e da ilha.

Mais até do que o governo Jackson Lago, eleito graças ao abuso de poder político do então governador Zé Reinaldo, Castelo vem deixando mais do que claro na prefeitura da nossa capital que ser contra Sarney não faz de ninguém bom gestor. Ser "anti-Sarney" significa muito pouco além de um discurso que mantém a relevância de metade da classe política maranhense.

23.5.12

Os grandes disputarão, os menores definirão (de novo)



Apesar de uns e outros cantarem vitória a esta distância da eleição, é bom olharmos para trás e ver o que o passado nos deixou de lição política.

No período pré-eleitoral de 2008, lideravam as pesquisas de intenção de voto Dr. Levi Pontes (ex-PDT) e Dr. Talvane Hortegal (ex-PT). 

Além de ser filho do lendário Antônio Pontes de Aguiar, Dr. Levi contava com o apoio do governo Jackson Lago, a simpatia do empresariado e da classe média, e pose de quem venceria as eleições dando continuidade apenas aos acertos do grupo com o qual rompera havia pouco tempo.

O então-neo-e-já-ex-petista Talvane Hortegal disputava a dianteira nas pesquisas e fez o PT crer que o mau desempenho da candidata governista, Danúbia Carneiro, faria com que a família Sarney obrigasse o então prefeito, Dr. Magno Bacelar, a apoiá-lo.

Para quem analisa política superficialmente parecia tudo bem definido para a disputa ficar por aí, afinal, o eleitorado estava cansado dos dois grupos tradicionais da política chapadinhense, não é mesmo? Não é mesmo!

Os dois candidatos juntos não somaram 15% dos válidos apurados e a disputa se polarizou entre Isaías Fortes (43,1%) e Danúbia Carneiro (41,9%), os candidatos que tinham grupo político. E permita-me, caro leitor, recorrer ao negrito e às letras maiúsculas para frisar uma obviedade que às vezes parece passar despercebida. A ELEIÇÃO NÃO É UMA DISPUTA ENTRE CANDIDATOS, MAS SIM UMA DISPUTA ENTRE GRUPOS.

Assim, quando se opta por candidato A ou B, deve-se prestar bem atenção em quem o rodeia, afinal é com eles que o candidato vai governar.


Quem decidiu, poderá decidir de novo

Apesar de nenhum dos dois terem tido força suficiente para polarizar a campanha, as candidaturas de Dr. Levi (PDT) e Dr. Talvane (PT) foram determinantes para o resultado final da eleição.

Mesmo tendo tido a menor votação proporcional de todas as vezes que foi candidato a prefeito (apenas 43%), Isaías Fortes foi o mais votado e só não é prefeito de Chapadinha hoje porque (como até o reino mineral sabia, menos Edson Vidigal) ele era inelegível. 

Da mesma forma, o PT e os partidos da chamada 3ª via*, mesmo não tendo musculatura para disputar a eleição tendo candidatura própria com chances reais de vitória, serão determinantes para o resultado final da eleição.

A se confirmar a aliança de ambos com a candidatura governista, esta sairá com vantagem na hora do pega pra capar, afinal, é difícil imaginar que qualquer um dos grupos logre êxito em condição de isolamento e com todas as demais forças políticas do município unidas do outro lado.

De qualquer forma, a disputa será acirrada e, pelo que se vê até agora, sem nenhum debate sobre proposta de governo, principalmente por parte de quem se diz a mudança.



*PT e 3ª via deveriam ser uma coisa só

19.5.12

Juventude de Chapadinha abraça ginásio pedindo conclusão de obra

Jovens mobilizados com a proteção da Polícia
Militar e da Guarda Municipal

As atividades culturais e esportivas deste 18 de maio, dia do combate à violência sexual contra crianças e adolescentes, contaram também com uma manifestação dos jovens chapadinhenses pedindo a conclusão e entrega à sociedade do ginásio esportivo construído pelo governo do estado, cuja obra se arrasta por inacreditáveis 22 anos.

Sob comando do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente e do Comitê Juvenil e com o apoio das Secretarias Municipais de Educação e Assistência Social e da Unidade Regional de Educação, os jovens participaram do 1º Circuito Esporte e Cidadania, na Praça do Povo, com jogos de salão, várias atividades esportivas, apresentações de dança e brincadeiras infantis.

Os jovens aproveitaram a oportunidade para ir até o ginásio esportivo e dar um abraço simbólico chamando a atenção para a necessidade de espaços públicos para a atividade esportiva. O ato foi uma demonstração de que é possível mobilizar a sociedade em  manifestações ordeiras e sem cunho partidário em benefício da sociedade.

Mais informações sobre as atividades aqui.

Foto: Adarildo

15.5.12

As opções do PT de Chapadinha

É lamentável, para o partido e para a cidade, que o PT de Chapadinha não tenha consigo viabilizar uma candidatura própria para as eleições de outubro. Poderíamos colaborar com o debate e disputar pra valer se tivéssemos mobilizado as entidades da sociedade civil organizada, a academia e a juventude do campo e da cidade em debate sobre o modo petista de governar e sua adequação à realidade local.

O cenário para esta construção já era por si só adverso e foi piorado por graves erros táticos. A consequência é que o partido definirá seu caminho numa conjuntura fortemente polarizada entre os dois grupos tradicionais da política local.

O mais coerente seria a manutenção da aliança com o governo, visto que o partido participa da atual administração, contou com o apoio do deputado Magno Bacelar para comandar a Unidade Regional de Educação e teria condições, a depender da formação das coligações proporcionais, de eleger dois ou até três vereadores, feito que seria histórico. 

Mas as coisas não são tão simples assim (se fossem, não seria o PT). Há quem defenda, ainda envergonhadamente, a aliança com o grupo Isaías-Dulcilene. Além de ser difícil explicar para o eleitor tamanho cavalo de pau na trajetória a esta altura do debate, o cenário da disputa proporcional não é nada animador para a oposição. 

Se há quem apoie aliança com Isaías-Dulcilene, há também a possibilidade do partido apoiar a candidatura do ex-deputado Vagner Pessoa. Por que não?

No meio de tudo isso, a bem de se evitar o desgaste interno, cresce a possibilidade de o partido não apoiar formalmente nenhuma candidatura majoritária, liberar os candidatos a vereador e sua militância para apoiarem quem achar melhor e focar na disputa proporcional. Essa opção, contudo, tiraria do partido a possibilidade de emplacar a vice de alguma das chapas e um dos seus principais trunfos na negociação política, o tempo de rádio concedido ao candidato a prefeito apoiado pela legenda é o maior de todos os partidos.

Alguém ousa apostar qual será o caminho escolhido?

5.5.12

Não se Prende Cachorro Esfomeado com Linguiça!


Por Pe. Manuel Neves

"Este ano (fique sabendo!), vai haver
fiscalização mais cerrada e secreta!"
Bengala de cego vai para onde a puxam. Isso é uma verdade. Mas isso é bengala de cego, não esqueça! Agora, ser humano não pode ser como bengala, porque tem cabeça própria para pensar. Qualquer pessoa pode trocar de chapéu ou de capacete. Mas de cabeça, nunca! Quem anda por cabeça alheia é piolho. E não tem vida sossegada! É perseguido com insistência!

Isto vem a propósito do esforço que cada um de nós deve fazer para ser livre e poder pensar. Ninguém devia querer abandalhar sua liberdade, nem preferir os interesses dos outros aos seus, se legítimos. Temos que aprender a refletir, não sermos ingênuos, superficiais... Precisamos saber conquistar o espaço da nossa liberdade, investir nos nossos interesses, colocar a cabeça a funcionar. Ter sentido crítico! Para isso, ter uma direção, um sentido de vida, não acreditar em qualquer ideia que nos é exposta. Quem troca a sua liberdade pela oferta de uns reais ou vende seus legítimos interesses a outrém (seja pelo que fôr!) ... é um ser diminuído, apequenado, precisa de se dignificar, de ganhar honra e ser gente. Sim, ser gente e não canalha inverme! Não andar ao sabor do vento, porque pode ser atingido pouco depois por algum forte vendaval.

Vai começar o tempo da Vai campanha eleitoral. Inclinar-se por este ou aquele candidato, deixar-se amarrar por promessas, optar por um representante seu para governar e satisfazer a seus anseios... não é brincadeira. É uma enorme responsabilidade! Merece estudo. Pede reflexão. Isto para quem tem cabeça e é gente!

Quem nunca fez nada pelos outros, só pensou em si e em aumentar seu patrimônio... não merece nossa confiança. Quem sempre abandonou o bem comum e preferiu seus interesses... deve ser rejeitado. Não se amarra cachorro com lingüiça. Cachorro gosta de carne. Não vai poupar a lingüiça. Quem gosta de amontoar dinheiro e não consegue ter alegria em ajudar os outros, quem só busca prestígio individual... é indigno de nossa confiança.

Precisamos botar olho na Câmara e demais cargos públicos e não nos enganarmos na escolha. Há quem faz da mentira um habilidoso processo para conquistar votos e da política um refúgio de incompetentes. Vão pipocar ofertas de todo o jeito. Porquê só agora, este ano, prestes a chegar as eleições!? Favorzinhos não se pagam com voto. Vender seu voto, trocar seu voto por jeitinho individual... é crime. Dá cadeia e perda de direitos. E este ano (fique sabendo!), vai haver fiscalização mais cerrada e secreta! Já tem “ficha suja” de candidato. Vamos evitar a “escolha suja” de eleitor. E não esqueça: não se prende cachorro esfomeado com lingüiça! Entregar os cofres públicos a quem só sabe puxar para si? – Olhe o que vai acontecer!




Comentário nosso: Ótimo texto do pároco. O engajamento da igreja (e toda sociedade, claro) no combate à corrupção eleitoral é essencial para não permitirmos que nossa democracia seja desviada. Ainda sobre o assunto leia "Desafio 2012: Renovar as práticas".

A fofoca estraga com grandes amizades na Política de Chapadinha

Por: Júlio "Foguinho"


Começou a Campanha eleitoral em Chapadinha, e as fofocas ganham grandes repercusão nas conversas de boca a boca.

Os grandes amigos muitas das vezes fazem partes de grupos opostos ou no mesmo grupo que tem uma campanha limpa ou suja. 

Os fofoqueiros ou os famosos leva e traz, muitas das vezes falam o que não deve e acabam estragando uma boa amizade por motivo de política, que é passageira, e os verdadeiro  amigos são para sempre ou ater a amizade durar.

O recado é que nunca faça um fofoca sem provas ou sem fundamento, porque você pode até fazer bem para para Aou B, mas com isso estragar uma boa amizade que foi construída com muito sacrifício.

Não troque os verdadeiros amigos por palavras maldosas sem fundamento, isso pode prejudicar muita gente e acabar com um grupo de amigo.

As brigas já causaram muitos estragas no meio político, e parece que os fofoqueiros de plantão já começaram a atuar para levar e trazer notícias sem fundamentos.

Os políticos são inimigos durante a política ou quando está perto um do outro, mas quando as eleições passarem começam a conversar ou a formar um grupo forte, se tornando grandes aliados, e aqueles que procuraram a fazer fofoca serão os últimos a serem vistos, ou talvez não vai passar de mero fofoqueiro, com  amizades estragadas ou destruídas.

No final  quem ganha a eleição é só alegria.

3.5.12

Porta-voz de Isaías está encegueirado comigo

"Eles tem a liberdade de dizer o que eles quiserem a meu respeito. E eu quero ter a liberdade de dizer o que eu penso deles do jeito que eu quiser

(Lula)

"Eu tenho medo. Vossa Excelência desperta os
meus instintos mais primitivos", disse Jefferson (o original)

Mesmo sem coragem de reafirmar com todas as letras a acusação vil que fez e que já remeti ao Ministério Público, o guia intelectual do grupo Isaías-Dulcilene voltou a apontar sua artilharia contra mim, dessa vez baixando ainda mais o nível. Como já disse, não lhe cai bem este papel. Há outros capachos para cumprir essa tarefa. 

Entre os novos ataques, houve uma proposta. Que eu vivesse ao menos por um ano "sem depender de política". Esquece-se que dos meus 24 anos de idade, eu passei 23 anos sendo oposição municipal. Passei pela iniciativa privada e pelo terceiro setor antes do serviço público. 

Além de dizer o óbvio, que eu defendo o grupo político que faço parte (assim como ele defende o grupo dele), ele levanta suspeitas sobre minhas finanças pessoais. Bem, meu patrimônio é constituído por um Corsa Classic ano 1999/2000 financiado a se perder de vista. E vamos combinar que quem apóia Dulcilene devia correr desse debate patrimonial como o diabo corre da cruz.

O que me causa estranheza é essa fixação em mim. Parece que a vida não tem mais graça sem falar no meu nome. Até agradeço a mídia que eles estão me dando, mas receio que este encegueiramento todo tenha origem patológica. 

Não mereço essa atenção toda de quem já está com a vitória garantida. Quem anda pelos corredores dos palácios da ilha arrotando que tem 70% de intenção de voto não precisa se preocupar em atacar um  militante insignificante como eu.

Não, meus caros, eu não sou o Zé Dirceu de Chapadinha, mas se fosse, certamente, seria dele o papel de Roberto Jefferson. Movido pela inveja e pela tentativa de desviar o foco das acusações que pesavam contra si, Roberto Jefferson (o original), acusou Zé Dirceu sem nenhuma prova, mas sob a premissa de que, se algo havia, só podia ser com o conhecimento e comando dele.

Da mesma forma, criam em mim um personagem com super-poderes para cortar salários de adversários e distribuir benesses aos que acenam com apoio. 

Enquanto era interessante para a mídia e para a direita ter alguém batendo em Zé Dirceu, Jefferson recebia muito tapinha nas costas e tinha suas palavras amplificadas nas manchetes de jornal. Depois da tarefa cumprida caiu no ostracismo e na insignificância política. Já Dirceu, mesmo há sete anos sem cargo algum, continua rendendo matérias de capa na Veja e levantando contra si a ira dos opositores de Lula e Dilma. A ele basta ser o Zé Dirceu, a mim basta ser esse insignificante militante que expõe as incoerências de Isaías e seus Blue Caps e desconstrói o discurso dos salvadores da pátria atrelados ao atraso.


Diferença fundamental

Eu nunca escondi minhas relações políticas de ninguém e já cheguei a expor nesse espaço episódios dos bastidores da política chapadinhense com a franqueza de quem não tem porque esconder o que faz, quem apóia e com quem se alia. Roberto Jefferson (a cópia) assume seu apoio à pré-candidatura de Dulcilene, mas tenta esconder Isaías, o líder maior.

Não me levem a mal, ser militante de alta patente do grupo de Isaías não é acusação para ninguém, mas no caso dele é apenas uma constatação óbvia e inútil de ser negada. Imagino até que se (ou quando) a pré-candidata e o grande líder romperem ele deve ficar ao lado dela, mas vamos parar com essa estória de "eu não faço política". Mesmo quem fica lá no fundo da foto, como quem não quer se comprometer e tenta esconder suas reais motivações, acaba aparecendo e sendo desmascarado.

Não estou querendo dizer que todos que criticam o atual governo são, necessariamente, ligados a Isaías e seu grupo. Os erros do governo saltam aos olhos e há razões para crítica, mas me sinto na obrigação de deixar claro que quem está dizendo que vai resolver os problemas são aqueles que fizeram ainda pior quando tiveram sua oportunidade.


Observação ao da "reta guarda": Não pensei que depois da 5ª série ainda fosse ouvir alguma rimazinha infantil entre Braga e praga. Vá trabalhar que é melhor, rapaz.

Magno, Isaías e a Política de Redução de Dano



Com a impossibilidade da candidatura da ex-promotora Doracy Reis a campanha eleitoral caminha inevitavelmente para uma polarização até mais ampla que as verificadas nas últimas disputas. Magno e Isaías continuam incontestes em seus grupos, o que torna Chapadinha refém de um renitente e dissimulado pacto de coexistência política entre ambos.

Magno assumiu faz 12 anos e já poderia ter vaporizado Isaías com a continuação de boas iniciativas do início de seu primeiro governo e com o trato mais sério e participativo com relação a seus aliados políticos, mas – talvez por medo do surgimento de uma nova liderança – preferiu o retrocesso administrativo e o destrato de companheiros o que tem dado sobrevida rica em votos a Isaías, um político que não se mostrou apto sequer a pagar os triviais salários dos funcionários.

Isaías, por seu turno, tem na manutenção dos votos que tal pacto lhe confere, seu principal objetivo em qualquer eleição. Já levou a cabo candidatura inviável judicialmente, enganou e decepcionou seus seguidores com o revés no TSE, e – por mais que negue – tem calafrios em permitir e apoiar candidato de fora de seu ciclo familiar. Mais recentemente Isaías se negou a retirar a esposa da disputa para abrir a vaga de vice na chapa de Belezinha à 3ª via e acabou colocando os independentes nos braços de Magno e Danúbia. Nenhum líder efetivamente compromissado com a vitória eleitoral dispensaria apoio potencial de milhares de votos por um cargo de vice que estivesse prometido ao cônjuge.

Com o desenrolar das eleições o leitor mais atento vai constatar que nenhum dos grupos é “essa Coca-Cola toda” que ufanistas de lado a lado apregoam. O governo arranca e não sai do lugar, os problemas continuam... A oposição rosna, critica e nenhuma solução concreta propõe, de quebra não consegue explicar o fracasso de suas gestões.

O poder individual e personalista de Isaías e Magno sobre a massa que não tem acesso a informação é tão grande que nem Belezinha ou Danúbia estão soltas de seus cordões ou escapes de suas tesouras...

E ainda tem gente navegando na maionese, falando em cura de nossos vícios paroquiais pela vitória deste ou derrota daquele, quando o máximo que se pode pretender é a realista redução de dano pra manter viva a paciente Chapadinha. 

2.5.12

Trabalhador não quer só aumento de salário, quer ser reconhecido e valorizado

Do blog Sala Vip



Além de aumento salarial e redução da jornada, os trabalhadores brasileiros querem mais segurança, capacitação profissional, assistência à saúde, valorização e reconhecimento da atividade que exercem. Foi o que constatou a Agência Brasil, que foi às ruas para descobrir se as reivindicações dos trabalhadores coincidem com as demandas apresentadas pelas centrais sindicais neste 1° de Maio.

Na pauta de reivindicação dos sindicalistas estão, entre outros pontos, a redução da taxa de juros, o fim do fator previdenciário, a valorização das aposentadorias, a igualdade entre homens e mulheres, o trabalho decente, o fim do imposto sindical e a regulamentação da terceirização.

Entretanto, as reivindicações que afetam mais diretamente o dia a dia dos trabalhadores foram as mais citadas pelos entrevistados: a redução da jornada sem corte de salários, educação e qualificação profissional e o aumento salarial. Das 13 pessoas ouvidas pela Agência Brasil, seis reclamaram da excessiva jornada de trabalho e nove reivindicaram salários mais altos.

As centrais sindicais pedem ainda a valorização do salário mínimo, que hoje é R$ 622. Segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o valor deveria ser aproximadamente R$ 2,4 mil para cobrir todas as necessidades básicas previstas na Constituição Federal.

Grande parte dos entrevistados declarou que gosta da profissão que exerce e não quer mudar de área. Entretanto, pede mais valorização e reconhecimento por aquilo que faz.