15.1.12

A politização de tudo e a condenação automática





Uma manchete chocante, informações desencontradas e toda a cidade se prepara para o apedrejamento de um médico. Este blogueiro, indignado como todo mundo, também já tinha sua pedra em mãos (clique aqui), mas, ao baixar a poeira, aguardar as investigações parece o caminho mais prudente.

A informação inicial agora parece distante de verossimilhança: O Dr. Sérgio Barbosa, diretor clínico dos dois hospitais de Chapadinha, teria cometido imperdoável erro médico ao matar acidentalmente um bebê durante o parto decepatando-lhe a cabeça. Não foi um corte no pescoço, um pedaço de gaze esquecido dentro do corpo do paciente ou qualquer outro lapso, o bebê teria sido "decaptado por acidente". Colocando-se a luta política de lado e ignorando-se a grita de pré-candidatos a vereador da oposição, não parece uma hipótese crível.

Em entrevista ao portal G1 (clique aqui), Dr. Sérgio Barbosa afirmou ter atendido a mãe já com o corpo da criança preso com as pernas fora da pélvis e a cabeça ainda dentro do útero. Diante do quadro adverso e da impossibilidade de sobrevivência do bebê, o médico teria decidido salvar a vida da mãe utilizando o método impactante.

Na matéria de Tahiane Stochero (G1), que "aparentemente" não tem qualquer interesse especial nas questões locais de Chapadinha, além da família e do médico, é ouvido um especialista no assunto, o ginecologista e obstetra José Bento de Souza. Afirma o médico que o procedimento, segundo o relato de Sérgio Barbosa, foi correto (e aqui transcrevo ipsis litteris o trecho da matéria em vermelho).

"A pedido do G1, o ginecologista e obstetra José Bento de Souza analisou o caso. Ele afirma que a primeira coisa que o médico deve tentar em casos de “cabeça derradeira”, quando a cabeça do bebê fica presa, é tentar aumentar a dilação e expelir a cabeça por baixo. Já quando o bebê está morto, como o médio Barbosa relatou que ocorreu no Maranhão, o objetivo é salvar a vida da mãe, pois, caso o parto demore, há risco de infecções ou hemorragia.



“Se o bebê está morto e a cabeça presa, existe a possibilidade de, com uso de instrumentos, esvaziar a cabeça e fazê-la sair por baixo. Mas, se ele não tinha instrumentos, a prática feita pelo médico, pelo que foi descrito, está correta, este procedimento de decepar a criança existe”, explicou Bento. “Ele fez o que podia para salvar a mãe. A família está julgando-o por ter decepado a criança, mas deviam tê-lo louvado por salvar a mulher”, afirmou."


Pelo sim, pelo não, a secretária municipal de Saúde, Dra. Maria José Coutinho, fez a sua parte. Instaurou procedimento para apurar o caso e acionou o Conselho Regional de Medicina.

Então ficamos com as seguintes questões a serem esclarecidas:

  1. O médico matou a criança decaptando-lhe ou cortou-lhe a cabeça depois de morta para salvar a mãe?
  2. O médico decidiu tentar fazer parto normal, mesmo com a criança em posição inversa, ou a criança já estava com parte do corpo para fora?
  3. O médico tentou esconder da família o que havia feito? Se sim, por que?

Fato é que uma criança morreu e tem muito mais gente interessa em fazer política em cima do seu cadáver do que consolar a família enlutada e esclarecer as circunstâncias dessa mortes.

5 comentários:

Herbert Lago Castelo Branco disse...

Têm coisas que não adianta ficar procurando culpados. Mas também não podemos ficar calados com tamanha aberração em pleno século XI. Pelo que foi informado a mãe vinha fazendo pré-natal e já sabia que a criança estava nesse situação e previa cesariana. Não justifica! É um erro gritante de incompetência desse médico relapso. Esse negocio de aproveito político é papa de quem pensa que todo mundo é bobo e está cego.

Eduardo Braga disse...

Companheiro Herbert,

Esta é a segunda questão das três que coloco.

"O médico decidiu tentar fazer parto normal, mesmo com a criança em posição inversa, ou a criança já estava com parte do corpo para fora?"

Quanto ao aproveitamento político, companheiro, é apenas coincidência que os maiores indignados sejam exatamente aqueles que fazem luta política dia e noite em benefício da oposição municipal?

Triste do governo que não tiver uma oposição forte, mas o foco está errado. Todo mundo sabe dos problemas da saúde e de outros serviços públicos em Chapadinha e é dever da oposição denunciá-los, acusar o médico de ter matado o bebê é outra coisa.

Eduardo Braga disse...

Veja aqui caso similar

http://www.vitrinedocariri.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=32703

BARRETINHO disse...

caro Eduardo Braga,o caso do linq indicado, o caso é diferente, “A paciente retornou ao Isea no dia seguinte, por volta das 9h53, sendo prontamente atendida pelo Dr. José Herculano Marinho, que registrou na folha de atendimento apresentação pélvica completa, com as nádegas e pés no canal vaginal, em trabalho de parto no PERÍODO EXPULSIVO” no caso noé é diferente, a paciente chegou com contrações e informou ao médico que náo podia ter normal, pois a criança estava em pé, inclusive lhe mostrou o ULTRASSOM

Eduardo Braga disse...

Na versão do Dr. Sérgio, Noé estaria exatamente neste situação.