30.6.11

Luís Carlos Jr Lança Blog CN1 com Melhor da Crônica Policial



A imprensa de Chapadinha acaba de ganhar um veículo importantíssimo para completar o noticiário do cotidiano da cidade. Com uma experiência de mais trinta anos (isso mesmo!, ele começou ainda garoto) Luís Carlos Júnior  - que traz a bagagem de quem começou pela Rádio Ribamar e hoje compõe a TV e Rádio Mirante de Chapadinha – inaugura seu blog o CN1 Notícias de Chapadinha. 

Com conteúdo diverso, mas com especialidade para cobertura policial, Luís Carlos traz o faro e as fontes dos melhores cronistas desta área tão delicada. Vale a pena incluir o CN1 entre os seus favoritos. 

Para conhecer o CN1 clique aqui.


Nota do Blogue: Chapadinha precisa de mais jornalistas com o profissionalismo de Luís Carlos Júnior.

24.6.11

Quando se luta em defesa do que se deveria combater



O nova direção do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Chapadinha (Sindchap), alinhada politicamente ao grupo de oposição do município, vem anunciando uma série de manifestações pedindo que a administração municipal pague abono salarial aos professores da rede ensino municipal.

Mais do que um pedido, o abono virou a única bandeira do Sindicato. Desde a posse da nova direção não se tem notícia de qualquer outra reivindicação pública da entidade. Só, e tão somente, a exigência de abono salarial.

Triste início de gestão.

A política de abono salarial é algo que deveria ser combatido por qualquer entidade sindical que defenda a valorização profissional da sua categoria. De que adianta uma categoria receber abono às custas de viver sobrecarregada, com os salários achatados e tendo seus direitos desrespeitados? É isso que defende, por outras vias, quem quer que o governo pague abono ano após ano.

O abono é um dinheiro que o profissional recebe uma vez e passa o resto do ano sem tê-lo. Se o Sindicato acha que há espaço no orçamento para mais gastos com folha de pagamento, o correto seria exigir do governo aumento do salário base dos professores. Isso sim valoriza o profissional e dá a certeza de aumento real na renda mensal da sua família.


Por que não haverá abono

Os municípios recebem os recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básiva e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e tem a obrigação legal de utilizar pelo menos 60% do valor com o pagamento de professores. 

Alguns municípios, que tem poucos docentes ou onde estes profissionais recebem mal, pagam um abono para alcançar o mínimo previsto em lei, de 60%. Este, felizmente, não é o caso de Chapadinha. Nosso município tem mais de mil professores na rede pública municipal, todos concursados (!), alcançando uma média de um profissional para cada 23 alunos.

Além disso, a direção anterior do Sindchap conquistou o tão sonhado Plano de Cargos, Carreira e Remuneração para os professores e é respeitado no município o Piso Nacional do Magistério. 

Somando-se esses fatores, os gastos com folha de pagamento dos professores com recursos do Fundeb chegaram a 72,9% no ano passado. Quase 13 pontos percentuais acima do mínimo exigido na lei.

Se, no final do ano, o índice estiver abaixo dos 60% haverá abono. Caso contrário, a prefeita certamente não vai agir de forma populista e dar abono sem o município ter condições para isso. O tempo do populismo já passou em Chapadinha.

21.6.11

Municípios recebem parcela do FPM. O repasse é 197% maior que o do mes passado

Foi creditada, nesta segunda-feira (20), nas contas de todas as prefeituras brasileiras a segunda parcela dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), referente ao mês de junho. O valor total repassado foi de R$ 1.100.585.758,46, já com a retenção do Fundo da Educação Básica (Fundeb).

Segundo o presidente da União Brasileira de Municípios (UBAM),Leonardo Santana, o FPM teve uma recuperação em torno de 197% em relação ao repasse do mês passado, algo que demonstra, segundo ele, um significativo aumento dos tributos arrecadados por todo Brasil.

Para Leonardo, esse é um momento importante para os Prefeitos e Prefeitas que vinham colecionando dívidas por conta da crise que vem atingindo os Municípios, por isso, segundo ele, a UBAM está enviando correspondência para todos os gestores, orientando-os a economizarem o máximo, pois esse aumento não significa que o FPM deverá registrar aumento nos próximos meses, para que as prefeituras não vivam a mesma experiência que viveu antes da crise financeira mundial, quando o governo patrocinou uma renúncia fiscal tão forte que deixou os Municípios desamparados.

A UBAM prevê que, com o total dos repasses do mês de junho, os Municípios terão ao todo um aumento de 22% em relação ao mesmo período do ano passado. Mas, segundo Leonardo, é preciso cautela e austeridade nos gastos públicos, para que os prefeitos não tomem como exemplo o governo da União que gasta desordenadamente, por conta de sua arrecadação recorde, deixando de prestigiar os pequenos entes federados, os Municípios. Os Municípios fecharão o mês de junho com um total de R$ 5,4 bilhões de reais em recursos do FPM.

'Nós sabemos que o aumento dos recursos do FPM não confere nenhum mérito ao governo federal e sim ao consumo que registrou um leve aumento nos meses de abril e maio, conduzindo a economia de forma mais acelerada, inclusive até aferindo maiores índices inflacionários.' Explicou o presidente da UBAM.

Fonte: O Imparcial

14.6.11

Danúbia e o Silêncio que Condena

Por Alexandre Pinheiro



No direito toda alegação da parte autora deve ser frontalmente repelida na contestação do réu sob pena de tornar incontroverso o tal fato alegado que – grosso modo – passa a ser considerado verdadeiro pelo juiz. No papo de esquina, pode-se traduzir por: passou batido!  

Na vida pública isso também acaba acontecendo. Enquanto algumas autoridades confrontadas com denúncias apostam no esquecimento, sem apresentar sua versão, a opinião pública vai acumulando informações e forjando o conceito acerca dessa figura pública. 

Chapadinha tem sido pródiga na falta de satisfação dos gestores em questionamentos muito pertinentes. Da época do ex-prefeito Isaías até hoje, não raros os momentos de apagão de informações dos ocupantes do cargo maior do município. 

Isaías tem – entre outras mazelas – o atraso de até 9 meses de salários que deixou no término de governo, sem ter ao menos tentado justificar os motivos ou sequer falar sobre o assunto até os dias atuais. Nunca se ouviu dele qualquer explicação a respeito. 

O governo atual já se acumula silente sobre muitas indagações. Só nos últimos dias temos o Abono Salarial pretendido pelos professores e pago na maioria dos municípios; a contratação sem licitação de uma empresa para realização de show por 200 mil reais, contra o preço de mercado que não chega à metade disso; criança velada viva; nepotismo... 

Aqui, abre-se um parênteses para distinguir o perfil dos seguidores de Isaías,  indiferentes ao confronto ético ou às contradições administrativas do líder, para os demais eleitores ligados, criteriosos, exigentes e que fazem uma falta danada em disputas que se definem por margem nunca superior a dois pontos percentuais, como tem acontecido em Chapadinha nos últimos pleitos.   

Considero que a prefeita Danúbia tem o mérito de não ter perdido a iniciativa. As mudanças que vem implantando no trânsito são exemplo disso, e, embora setores mais ranhetas da oposição não vejam, o que se passa neste setor é um verdadeiro choque de organização e urbanidade.   

De outra parte, há inúmeros problemas a espera de solução e outro tanto de acontecimentos no aguardo de pronunciamento. Pode ser, contudo, que a prefeita tenha e guarde explicações satisfatórias, mas ao preferir o silêncio – tendo ainda, com efeito, obrigação legal de prestar contas – gera no inconsciente popular a incontrovertida tendência de ser condenada no veredicto das urnas em 2012.       

8.6.11

A convite do secretário Eduardo Braga, prefeita visita instalações da SEMAS e autoriza reformas e ampliações

Desde que foi empossado o secretário Municipal de Assistência Social, Eduardo Braga tem buscado ao máximo transformar a maneira de atuação da pasta no município. Depois de conferir a situação das instalações que compõem a SEMAS, em especial os CRAS, o secretário solicitou que a prefeita municipal, Danúbia Carneiro, o acompanhasse numa visita por todas as unidades a fim de definir ações que possam sanar os problemas encontrados, melhorando o assistencialismo no município.

A visita a essas unidades aconteceu nessa segunda-feira, 06. A prefeita e o secretário estiveram visitando os CRAS do Areal, Caterpillar e bairro Nossa Senhora de Fátima (Vila Isamara), e por fim a sede da SEMAS.

No CRAS do Areal, uma das instalações que se encontra com maior dano em suas estruturas, a prefeita anunciou a total reforma da unidade e ainda a recuperação de um poço artesiano, usado para seu abastecimento.
Portões, partes internas, banheiros e outras repartições serão recuperadas. As atividades desse CRAS serão interrompidas pelo período de uma semana, tempo necessário para que sejam executadas todas as mudanças.

Imagens da estrutura atual do CRAS do Areal - clique para ampliar


No bairro Caterpillar, antigo CRAS do Matadouro, que teve que interromper suas atividades devido à falta de estrutura, Danúbia assegurou a Eduardo Braga que a unidade será transformada, podendo abrigar novos projetos e oficinas do CRAS.

Os jovens e crianças atendidas pelos programas PROJOVEM e PETI, que usam o espaço desativado, serão redirecionados a antiga sede da associação da Polícia Militar, na Avenida Rodoviária, bairro Terras Duras. A estrutura também será recuperada.

Na vila Isamara, o CRAS também receberá investimentos. A antiga reivindicação dos funcionários e pessoas atendidas para construção de um muro em torno da unidade, foi acatada pela líder do executivo, devendo ser construído o quanto antes.

A estrutura interna receberá nova pintura e antigos móveis serão substituídos.

Antes de seguir para a sede da Secretaria Municipal de Assistência Social, SEMAS, a prefeita aproveitou para dá uma olhada nas obras de urbanização do trecho inicial da Ataliba Vieira de Almeida, que encontra-se em fase de conclusão.

Assim como nas demais unidades, Danúbia confirmou a autorização para reforma das instalações da SEMAS.
Eduardo Braga - sec. Assistencia Social

Novas salas serão construídas e algumas instalações serão modificadas, garantindo mais espaço e conforto a toda a equipe da secretaria.

O secretário de Assistência Social, Eduardo Braga, disse em entrevista que o anúncio dessas mudanças é um grande avanço para o município de Chapadinha. Segundo ele o propósito de garantir a população serviços de qualidade, ampliar as políticas sociais e adequar à secretaria a demanda existente, foram compromissos assumidos desde que ele adentrou em sua sala.
Antenor Ferreira

Faculdade COC abre seletivo para Serviço Social e Filosofia em Chapadinha-MA

Há bastante tempo aguardado em Chapadinha-MA, a Faculdade Interativa COC, agora elevada à categoria de Centro Universitário UNISEB COC, abre novamente inscrições para o processo seletivo VESTIBULAR para os cursos de Serviço Social e Filosofia.

A prova será no dia 19 de junho de 2011, na sede da instituição, na rua do oeste, 954, bairro São José.

Fone para contato: (98) 3471-0655

Haverá outras entradas nesses cursos durante o mês de julho, com início das aulas para o final do mês 7.

Não perca esta oportunidade. A Faculdade Interativa COC está presente em Chapadinha-MA desde 2007 e tem provado sua confiabilidade especialmente na garantia da manutenção de seus cursos na segurança de sua regularidade perante o MEC.

O pólo de Chapadinha-MA já está em processo de conclusão das primeiras turmas e abre agora espaço para novas entradas, disponibilizando o acesso a cursos em alta tecnologia e integração nacional de polos.

A entidade já disponibiliza cursos de Administração, Ciências Contábeis, Tecnologia da Informação, Pedagogia, além de Serviço Social, com nova entrada depois de algum tempo sem oferta.

A novidade agora é o curso de Filosofia, com grande demanda no mercado de licenciaturas, que tem apresentado a maior disponibilidade de vagas em concursos públicos municipais e estaduais para a composição do quadro de professores.

Vale lembrar, ainda, que os profissionais de Serviço Social estão em alta no mercado de trabalho devido aos investimentos federais em programas sociais de combate à pobreza, bem como pela inserção desse setor profissional na área da educação.

Diversas prefeituras do Maranhão estão promovendo concursos públicos para a composição de seu quadro de assistentes sociais. Chapadinha, por exemplo, tem mais de 90% de seu quadro da Secretaria Municipal de Assistência Social composto por profissionais não efetivos, o que demonstra a forte probabilidade de vagas para assistentes sociais no próximo concurso público municipal.

7.6.11

Salários justos no setor público. Ou de como o Brasil precisa de mais engenheiros e professores e menos advogados


Certo discurso hegemônico na década de 1990 fez crer que o Estado e o funcionalismo público eram, por definição, ineficientes. O setor público como um todo seria um mal necessário a ser reduzido ao mínimo possível: dever-se-ia manter, se possível, apenas a polícia e os tribunais.

Esse discurso perdeu força, na última década, sobretudo na América Latina. O avanço de governos de esquerda, alguns comprometidos com a democracia política outros nem tanto, evidenciou que a retórica neoliberal escondia um sério paradoxo.

Aqueles que pregavam a redução do tamanho do Estado escondiam de seus argumentos o fato de que os grandes agentes econômicos sediados nos países industrializados tiveram que contar, para a acumulação de capital, com mercados internos que só foram possíveis por meio da existência de Estados sociais fortes.

Sem a existência de sistemas de seguridade social que garantissem a inclusão no mercado, tanto como consumidor, como trabalhador, não teria sido possível produzir o grande excedente de capital que, a partir da década de 1990, buscava alocações rentáveis em outras áreas do mundo.

Na última década, ficava claro que, sem educação de qualidade e um mínimo de acesso a recursos básicos (o que inclui também um mínimo de renda, que é direito de todo cidadão em países da Europa ocidental, por exemplo), não podem existir nem a mão de obra qualificada que possibilita que investimentos produtivos internos e externos sejam rentáveis, nem o mercado interno que possibilita ao país reter em seu território investimentos que não sejam apenas voltados para o ganho financeiro de curto prazo.

O consenso de Washington representava, senão, os interesses do investidor que procurava Estados fracos o suficiente para vender títulos a juros altos e remunerar absurdamente de modo confiável: era preciso apenas manter a responsabilidade fiscal. Desse modo investimentos externosnão representariam contudoqualquer melhoria concreta na vida dos povos de países menos desenvolvidos.

No Brasil, o governo Lula realizou um verdadeiro giro na retórica vigente, retomando claramente o papel do Estado no desenvolvimento econômico e na inclusão social. Graças a esse giro, que se mostrou bem-sucedido, o presidente teve margem de manobra política para revalorizar também o funcionalismo público.

Esse movimento de revalorização foi, contudo, em parte cooptado por uma elite de funcionários com nenhum voto, mas com grande poder de barganha dentro da estrutura burocrática. Isso se deveu às nossas estruturas políticas pouco democráticas, mas também a certa falta de planejamento do governo.

O resultado foi que, apesar de ter havido um crescimento considerável dos gastos correntes com folha de pagamento, o que representou uma mudança em relação ao ideário neoliberal da década de 1990, esse avanço se deu de maneira extremamente seletiva. Aumentos beneficiaram sobretudo alguns setores do funcionalismo. De modo especial, aqueles ocupados com atividades meio.

Os maiores salários do Estado brasileiro, hoje, são pagos a funcionários que não produzem serviços públicos diretamente para a população, senão àqueles responsáveis pelo controle e operacionalização da máquina, cujo objetivo é oferecer esses serviços. Nossa elite de funcionários é formada por fiscais, advogados, auditores, gestores de contas, etc.

O Brasil vive agora as consequências problemáticas – embora “problemáticas-boas” – do acentuado crescimento econômico de 2010, o qual só foi possível, porque o governo realizou políticas keynesianas de grandes gastos públicos para debelar a crise financeira. Depois de um crescimento de 7,5% do produto interno bruto e uma queda no desemprego a taxas menores que 7%, surgiram gargalos que parecem renovar a convicção de que serviços públicos de qualidade são parte inextricável do desenvolvimento econômico.

A nossa mão de obra é ainda muito pouco qualificada para uma economia em que a sobrevivência de empresas depende da sua capacidade de agregar valor. E a nossa precária infra-estrutura faz subir os custos de toda a economia. Para lidar com um e com outro problemas o Estado é novamente essencial.

Somente com educação universal de qualidade é possível preparar uma nova geração capaz de ocupar os novos e mais exigentes postos de trabalho da nova economia e dar continuidade ao processo de inclusão social. E somente com altos investimentos e infra-estrutura, que devem ser coordenados pelo Estado, embora possam ser realizados por meio de parcerias, será possível vencer as limitações infra-estruturais.

É claro que limites orçamentários sempre impõe uma fronteira disciplinadora. A esquerda brasileira aprendeu que dinheiro não cai do céu e responsabilidade fiscal é um imperativo imposto pela própria política, e não pelos “tubarões especuladores”.

Mas, por isso mesmo, o avanço nos gastos com funcionalismo que se viu nos últimos anos deveria ter sido melhor planejado.

Hoje faltam engenheiros e profissionais em diversas áreas que são fundamentais para aumentar nossa produtividade e garantir que o aumento da demanda seja acompanhado por uma crescente oferta, sem a geração de inflação. Por outro lado, há, somente no Brasil, mais cursos de direito do que em todo o resto do mundo somado. A maior parte estimulada pelo sonho do emprego público: Todos querem ser parte da nossa bem paga “burocracia de controle”.

Um desafio do governo Dilma é, sem dúvida, ir adiante nesse processo de reorganização do setor público. Mas a falta de planejamento nos colocou num difícil dilema.

Os gastos com folha de pagamento devem ser controlados, pois é preciso ter condições de realizar investimentos em infra-estrutura, sem aumentar o endividamento do Estado. Por outro lado, é essencial continuar a expansão das universidades, para formar os novos professores e os engenheiros indispensáveis à manutenção do crescimento. É também fundamental melhorar outros serviços públicos com impacto direto na própria produtividade econômica: como a saúde e a segurança.

A preparação para o desenvolvimento depende, portanto, diretamente de uma valorização de categorias que foram esquecidas nos anos dourados da expansão dos salários públicos. Professores universitários ganham hoje até um terço do que ganha um auditor fiscal ou um advogado público. Um engenheiro, em um ministério, não ganha nem metade do que ganha um delegado da polícia federal.

A política, como sempre, deve ser sensibilizada para isso, pois é ela que tem o poder de tomar decisões. Essa sensibilização é, porém, tarefa da opinião pública informada, capaz de criar uma massa crítica orientada em uma certa direção. Só a opinião pública será capaz de irritar o sistema político e convencê-lo de que é preciso parar de privilegiar algumas categorias de servidores. A expansão dos gastos públicos, a partir de agora, dar-se-á em níveis mais modestos no Brasil. Por isso a sociedade terá de deixar claro, para certa elite de servidores, quais sãos as suas próprias prioridades.

Pablo Holmes vive em Berlim, é bacharel e mestre em direito pela UFPE e doutorando em sociologia pela Universidade de Flensburg.

4.6.11

Vice-governador e secretário apresentam Programa de Erradicação da Pobreza do Governo em Brasília

Washington Luiz e Francisco Gomes durante audiência com a Ministra

O vice-governador Washington Luiz e o secretário de Estado de Desenvolvimento Social, Francisco Gomes, entregaram, na quinta-feira (2), na sede do Ministério do Desenvolvimento Social, em Brasília, o Programa de Erradicação da Miséria do Governo do Maranhão à secretária Extraordinária de Superação da Extrema Pobreza, Ana Fonseca. Pela manhã, eles participaram, no Palácio do Planalto, da solenidade de lançamento do Plano Brasil Sem Miséria com a participação da presidenta Dilma Rousseff e da ministra Tereza Campello.

Nos mesmos moldes do Plano Federal, o Programa de Erradicação da Pobreza do Governo do Maranhão foi recebido com muito entusiasmo pela equipe da nova Secretaria Extraordinária de Superação da Extrema Pobreza, criada especialmente para cuidar do novo projeto. "O Maranhão está de parabéns por ter apresentado a sua versão do programa de combate a miséria no mesmo dia que em o Governo Federal lança o seu plano. É uma iniciativa louvável e podem contar com a parceria do ministério para o aprimoramento e desenvolvimento desse grande projeto, que certamente melhorará consideravelmente a vida de milhares de maranhenses", ressaltou a secretária Ana Fonseca.

Lançamento

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social, ainda vai lançar oficialmente o Programa de Erradicação da Pobreza no Maranhão, que será voltado para o meio rural e contará com propostas inclusivas, ampliando o acesso aos diversos serviços sociais, à cidadania, capacitação e qualificação profissional, o que promoverá a geração de emprego e renda e a consequente elevação da renda familiar per capita.

O projeto maranhense está na mesma linha de atuação da Organização das Nações Unidas (ONU), que estabeleceu oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), dentre os quais, um é acabar com a fome e a miséria.

Washington Luiz solicitou à Ana Fonseca que verificasse a possibilidade de apresentar o Plano Brasil Sem Miséria na próxima reunião do Conselho de Gestão de Políticas Públicas do Governo do Estado (Congep), que acontecerá dia 21 de junho. Neste mesmo encontro, secretários estaduais conhecerão o Projeto de Erradicação da Pobreza, do Governo do Estado. "É importante apresentarmos as versões Federal e Estadual dos Programas aos nossos gestores para darmos conhecimento desses projetos e engajá-los nessa luta que proporcionará melhores condições de vida aos maranhenses e brasileiros", afirmou o vice-governador.

Já o secretário Francisco Gomes disse que espera contar com a participação dos municípios para o desenvolvimento desse projeto que vai contribuir para melhorar os índices sociais do Maranhão. "Envolver os municípios como aliados nesse programa é fundamental, pois só assim, conseguiremos combater as carências que temos hoje nos serviços públicos e a insuficiência de renda que atinge uma enorme parcela da nossa população", ressaltou.

Brasil sem miséria

O Programa do Governo Federal propõe retirar 16,2 milhões de brasileiros da extrema pobreza, por meio de ações de transferência de renda, acesso a serviços públicos nas áreas de educação, saúde, assistência social, saneamento e energia elétrica, e inclusão produtiva. O Brasil Sem Miséria vai localizar as famílias extremamente pobres e incluí-las de forma integrada nos mais diversos programas de acordo com as suas necessidades.

Fonte:Secom

2.6.11

O programa de erradicação da miséria

Da BBC Brasil

Moradora de um bairro pobre de Sobradinho, uma das cidades-satélites de Brasília, Rosineide Lima da Silva testemunhou nos últimos anos os efeitos que programas de transferência de renda e a boa situação econômica do país tiveram em sua vizinhança: muitas famílias reformaram suas casas, compraram veículos e eletrodomésticos.
Mas ela afirma que foi excluída do progresso – sem conseguir se cadastrar para receber o Bolsa Família (diz que se inscreveu em um centro federal, mas jamais obteve o benefício), depende dos R$ 250 mensais que ganha como manicure para sustentar, sozinha, os três filhos pequenos. "Nunca ganhei um centavo do governo. E todo mês a vida fica mais cara", queixa-se.
Silva, 29 anos, pertence a uma parcela da população que, apesar das políticas sociais e dos ventos favoráveis à economia brasileira, não conseguiu deixar o último patamar da pirâmide social, a pobreza extrema.
O grupo, composto por famílias com renda per capita mensal de até R$ 70, critério definido pelo governo no mês passado – abaixo, porém, do teto defendido por Dilma Rousseff na campanha (R$ 136,25) – é alvo do programa Brasil Sem Miséria, lançado nesta quinta-feira e classificado pela presidente como o mais importante de sua gestão.
Metas
Segundo o Censo 2010, 16,2 milhões de pessoas, ou 8,5% dos brasileiros, se enquadram na categoria. Desses, 47% vivem no campo, índice bastante superior à porcentagem dos moradores de áreas rurais na população total (15,6%).
O Nordeste concentra 59% dos brasileiros em pobreza extrema, ao passo que o Sul e o Centro-Oeste respondem, juntos, por 7% do grupo.
Coordenadora do Brasil Sem Miséria, a ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, justifica a iniciativa: "Um país que cresce como o Brasil não pode se contentar em ter somente um grande programa social como o Bolsa Família."
Em entrevista à BBC Brasil e a outros dois repórteres de jornais estrangeiros, Campello diz que o programa terá três objetivos principais: garantir a transferência de renda aos mais pobres (via Bolsa Família ou outros programas já existentes), ampliar a oferta de serviços públicos a essa população e permitir que seus membros se integrem ao mercado de trabalho ou tirem maior proveito das atividades que desempenham.
Para isso, afirma a ministra, o programa promoverá uma "força-tarefa" no governo, de modo a coordenar e aumentar a eficiência de ações já promovidas por diversos ministérios, além de lançar novas iniciativas referentes principalmente ao terceiro pilar do programa – incluir os mais pobres no sistema produtivo.
Mentalidade
Segundo Campello, para o cumprimento da primeira meta (garantir que os mais pobres se beneficiem de programas de transferência de renda já existentes), é necessário "mudar a mentalidade de que é papel do pobre procurar o Estado, e fazer com que o Estado vá até o pobre". 
A ministra diz que 800 mil famílias que poderiam se beneficiar do Bolsa Família e, com isso, talvez ultrapassar a linha de pobreza extrema, não o fazem por desinformação, por viverem em regiões isoladas ou por não acreditarem no Estado.
"Vamos fazer uma campanha para capacitar servidores públicos a atender de forma diferenciada esse público. Temos que ir às casas dessas pessoas, entrar nos lugares mais pobres e saber por que não estão tirando proveito das ações disponíveis."
Segundo uma funcionária de um escritório do Bolsa Família no Distrito Federal, porém, muitas famílias não recebem o benefício porque cada cidade tem um limite de beneficiados, definido pelos resultados do Censo. Quando o limite é atingido, famílias que se enquadram nos critérios só podem ingressar no programa com a saída de outras.
Já o Ministério do Desenvolvimento Social diz que casos como esses são raros e que o lançamento do último Censo permitirá atualizar a base de dados do programa.
Acesso a serviços
Para alcançar o segundo objetivo do Brasil Sem Miséria – ampliar o acesso a serviços públicos –, Campello diz que seu ministério manterá relação próxima com outras pastas, indicando locais onde há demanda por escolas, cisternas, redes de esgoto e outros bens públicos.
A ministra enfatiza a importância de ampliar o acesso à saúde: "Há caso de pessoas qualificadas que não conseguem emprego por, por exemplo, não terem dentes."
A última meta do programa, promover a inclusão dos mais pobres em sistemas produtivos, prevê ações distintas no campo e na cidade.
Para os moradores de áreas urbanas, o esforço se concentrará em programas de microcrédito, na formalização de microempresas e na qualificação profissional.
Campello diz que a capacitação se dará por meio de iniciativas governamentais como o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego) ou por convênios com escolas privadas e com o Sistema S (formado por Sesc, Sesi e Senai, entre outros órgãos).
Segundo a ministra, o acesso à educação torna-se ainda mais importante se levado em conta que 50,9% dos brasileiros em situação de pobreza extrema têm até 19 anos de idade.
"Hoje temos no Brasil falta de mão-de-obra mesmo para atividades que exigem pouca qualificação. Queremos organizar o Estado para qualificar 1,7 milhão de pessoas."
A ministra afirma ainda que o governo está discutindo com redes privadas de supermercado e de construção civil formas de absorver pessoas que venham a se qualificar pelo programa.
Agricultura familiar
Os moradores do campo, por sua vez, receberão mudas ou sementes para aumentar a produção em suas propriedades e, com isso, vender o excedente. Além disso, cada grupo de mil agricultores será assessorado tecnicamente por 11 funcionários concursados, dos quais um terá graduação em ciências agrárias e dez serão formados no ensino médio.
Campello diz que o concurso para os técnicos que assistirão os primeiros 10 mil agricultores será aberto na próxima segunda-feira. Segundo a ministra, o governo ainda triplicará a compra de produtos de agricultores familiares, iniciada em 2004, e estimulará redes de supermercados a negociar com o grupo.
"O Estado vai recolher a produção e organizar pontos de distribuição. Com este programa, estamos implantando uma nova sistemática no governo, que exige aprendizado."
No entanto, a julgar pelo prazo em que se pretende cumprir a meta do programa, há pouco tempo para aprender: "Até 2014, queremos erradicar a pobreza extrema e fazer com que o Brasil seja o primeiro país em desenvolvimento a cumprir a primeira das Metas de Desenvolvimento do Milênio (da ONU)", diz a ministra.