29.10.10

STF decidiu, mais uma vez, com a faca no pescoço

Após o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar e aceitar a denúncia feita pelo então procurador-geral da República Antonio Fernando Barros e Silva de Souza contra os 40 envolvidos no escândalo do valerioduto, o ministro Ricardo Lewandowski confessou durante um telefonema num jantar em Brasília que os membros da Corte haviam votado "com a faca no pescoço", ou seja, pressionados para aceitar as denúncias. Clique aqui e lembre.

A pressão sobre os ministros da Suprema Corte naquele julgamento foi tamanha que nenhum dos denunciados escapou de virar réu. Mesmo aqueles sabidamente inocentes, como o ex-ministro Luiz Gushiken.

Nesta semana o STF voltar a julgar "com a faca no pescoço" e considerou válida para estas eleições a norma que proíbe a candidatura de quem tenha renunciado a um mandato para fugir de cassação, prevista na famosa lei "Ficha Limpa".

Esta lei, é sempre bom lembrar, é casuística, anti-democrática e inconstitucional. Aprovada às pressas a menos de seis meses das eleições, é um absurdo que ela valha para as eleições deste outubro e principalmente que tenha valor retroativo.

O caso específico julgado pelo STF é o do deputado Jáder Barbalho (PMDB), eleito pelo povo do Pará para voltar ao Senado da República. Jáder foi considerado "ficha suja" porque renunciou ao mandato de senador em 2001, envolto em denúncias de corrupção.

Mas peraí. Quando ele renunciou ao mandato, sabia de todas as implicações daquele ato. Ele deixaria o Senado, seu suplente seria convocado para cumprir o resto do mandato e só. Agora, quase dez anos depois do evento, mudaram o peso daquela sua decisão pessoal e voluntária.

O absurdo é tão grande que o senador Flexa Ribeiro (PSDB) votou favorável a este projeto em maio sabendo que em outubro disputaria a eleição no Pará e que seus dois principais adversários, o próprio Jáder Barbalho e o deputado Paulo Rocha (PT), ficariam inelegível por consequência desta lei.

Resultado: Jáder, com quase 1 milhão e 800 mil votos, ficará de fora e Marinor Brito (Psol), com menos da metade disso, 700 mil votos, será empossada.


Não defendo aqui o deputado Jáder Barbalho, mas sim a democracia e se foi ele quem o povo escolheu, é ele quem deve ser o eleito.


O julgamento do STF abre um precedente perigoso. Os guardiões da Constituição julgaram válido que os legisladores escolham seus adversários em disputas futuras com base em eventos passados. E parece que todo mundo acha isso normal.


O caminho para limpar a política não é atropelando a Constituição, nem tutelando o eleitor. O processo político numa democracia acontece de baixo pra cima, não de cima para baixo, como parece quererem.

Visivelmente constrangido ao declarar o resultado do julgamento, o presidente do STF, ministro César Peluso, disse: "A história nos julgará". Na minha opinião erraram e erraram feio em nome da imagem do Tribunal perante a opinião pública.

Zé Carlos, da CNB

É bom o deputado estadual eleito Zé Carlos (PT), ex-da Caixa, se preparar. Ele é o único dos três petistas que terão assento na próxima legislatura da Assembléia Legislativa do Maranhão a se declarar membro da CNB, ala petista comandada pelo vice-governador eleito, Washington Luiz, e pelo presidente do diretório estadual, Raimundo Monteiro, e pagará um preço alto por isso.

Começam a surgir ali e acolá notinha plantadas atacando-o "gratuitamente" nos veículos de comunicação "balaios". É o preço que se paga por ser da CNB.

A propósito. É grande a chande de Zé Carlos virar secretário de governo e o primeiro suplente do partido, o deputado não reeleito Valdinar Barros, assumir o mandato em acordo com o novo governo Roseana.

22.10.10

A sanfona de Tonny Cajazeiras ( + discografia)

Reproduzo aqui matéria do competente jornalista e meu amigo Dewis Caldas sobre o poeta analfabeto chapadinhense Tonny Cajazeiras:





Tonny Cajazeiras é cantor, compositor e multi-instrumentista maranhense. Apresenta em sua discografia vertentes da música nordestina como seresta, forró, baião, xote, bolero, reggae ludovicense e o arrocha, é considerado o precursor do ritmo brega na região do Baixo Parnaíba, nordeste do estado. Nasceu Antonio Alves de Oliveira em 3 de maio de 1949 no povoado de Mucuím, distrito da cidade de Chapadinha, a 274 Km de São Luis, capital do Maranhão. Filho de trabalhadores rurais, é cantador e sanfoneiro por profissão, nunca aprendeu a ler ou escrever, tem quatro discos e mais de 50 composições gravadas por outros artistas. Têm 10 filhos e “mais de cem composições na cabeça ainda não gravadas”.

De forma autodidata, aos 11 anos iniciou sua carreira musical primeiro como pandeirista, logo depois se dedicando exclusivamente a sanfona, seu principal instrumento há 50 anos. “Desde menino eu ia pras festas aqui na região e ficava a noite inteira sem tirar o olho dos tocadores, com a maior vontade de mexer nos instrumentos. Os dedos ficavam coçando, mas não dizia nada pra ninguém dessa vontade louca”. As mulheres são um tema recorrente nas composições de Cajazeiras, sempre com bom humor – característica da música brega de hoje – as muitas histórias de amor faz jus a sua fama de galanteador. Para ele, cada uma dessas histórias são verdadeiras lições de vida.



“Quatro Paredes”, música inédita. Participação de “manelin” do forró, seu irmão

Tendo como sua principal influência o sanfoneiro pernambucano Luiz Gonzaga (1912-1989), Tonny queria – assim como seu ídolo – falar da vida do povo nos povoados do nordeste, dos pés de cajá, de carambola, das muriçocas (pernilongos) e da leitôa assada – Essa foi a principal característica de suas obras. Numa festa próximo ao seu povoado, sua carreira como músico e “cantor do povo” começou. “Até que um dia veio um trio de forró tocar aqui no povoado e chegaram sem um pandeirista. Eu nunca tinha “triscado” o dedo num pandeiro, mas disse que sabia tocar. O sanfoneiro começou a desenrolar a música e eu peguei o jeito do instrumento e comecei a bater em cima da música, ele gostou e naquele dia eu toquei a noite inteira com o grupo”.

O que chama a atenção nas músicas de Cajazeiras é o seu potencial de criar um “hit”. Lembro-me quando criança, suas músicas representavam o estilo musical vindo de Chapadinha para todo o estado. Dentro da cidade, era uma verdadeira febre, um orgulho municipal. “Enquanto eu tocava o pandeiro ficava mesmo era de olho na sanfona, dizendo comigo mesmo que se eu pegasse o instrumento eu ia tocar pra valer. No outro dia minha mão estava toda inchada, aí comecei a “aperrear” minha mãe dizendo que queria ser tocador, minha mãe não acreditou mas me disse que ia falar com meu pai. E todo dia eu não parava de falar da sanfona”.
 

 
Alguns meses depois – de tanto pensar na sanfona – finalmente o instrumento veio até ele. Ainda estamos em 1960 e Cajazeiras tem 11 anos. “Chegou um senhor em casa com uma sanfona e pediu para meu irmão cuidar do instrumento. Eu pedi pro meu irmão para tocar e ele na deixou, eu fiquei lá brigando, brigando, pedindo pra tocar, pedindo, pedindo, só pra ver como era, falei tanto que ele deixou eu colocar a sanfona no corpo. Quando coloquei os dedos já foram certinho, já toquei uma música assim de primeira e todo mundo ficou besta lá em casa. O dono da sanfona ouviu a zoada de longe e veio correndo ver quem tava tocando. Ele se espantou quando me viu e disse que já estava há três anos treinando e não tinha aprendido e eu que nunca tinha pegado no instrumento já sabia mexer em tudo”.

 

    Versão na sanfona de “Cadeira de Bar”, clássico do primeiro disco.
   

Mesmo trabalhando na lavoura, assim como seus irmãos, daquele dia em diante Tonny só pensava na sanfona. Passaram-se alguns dias depois daquele episódio, a sua mãe conseguiu convencer seu marido, pai de Cajazeiras, a comprar o instrumento. “Meu pai dizia que não queria saber de cantor em casa e que era a enxada que tava me esperando. Um dia minha mãe mandou eu ir no comercio do Dean Amorin, lá na cidade, em Chapadinha, buscar uma mercadoria, mas não disse o que era. Eu fui e quando cheguei lá era uma sanfona de 80 baixos. Eu quase morri de alegria. Eu vim na bicicleta sorrindo com os paus das cercas, morto de feliz. Cheguei em casa e não queria almoçar, nem brincar nem nada, só fiquei mexendo na “sanfonôna”.

Finalmente o jovem músico tinha seu próprio instrumento, dali em diante, não demoraria muito para fazer seu primeiro show. E não demorou muito mesmo. “No outro dia eu já sabia várias músicas. Ai no outro dia eu comecei a costurar uma roupa pra mim, do jeito que eu tinha aprendido com minha mãe: eu fiz minha primeira roupa de show. Dois dias depois meu pai me levou num povoado vizinho ao nosso – chamado Santa Fé – e eu toquei a noite todinha numa festa e foi a maior alegria do povo lá, todo mundo gostou e meu pai ganhou um trocado e deixou eu tocar na noite dali em diante. Eu nem queria saber de dinheiro, só pensava em ficar acordado de noite, tocando, fazendo a alegria do pessoal”.




Mesmo tocando a vida toda, Tonny Cajazeiras ganhou fama primeiro como compositor na região, fez muitos shows ao longo de sua vida, mas só entrou no estúdio pela primeira vez aos 50 anos. “Quando fui gravar o primeiro disco, isso já em 1999, quem me ajudou foi o empresário e cantor Arão Pinheiro (dono da loja Pinheiro Móveis). Como eu já tinha feito umas músicas pra ele gravar como cantor, não tinha pedido nada em troca das músicas, só pedi uma força quando fosse gravar minhas próprias músicas. Conversei com ele e fomos eu, ele e a sua esposa, Dona Cissa, para Belém/PA, num estúdio de um amigo do Arão. As gravações iam durar um mês, mas foi todo feito em dois dias e meio”.




Músico nato e sem nenhuma habilidade com partituras ou até mesmo com a escrita, já que é analfabeto, Cajazeiras conta como começou a gravar. Método esse que ele usa até hoje. “Quando fui gravar o produtor me pediu as músicas anotadas, eu só apontei pra cabeça dizendo que tava tudo na minha cabeça, ele achou que eu era um louco e não queria gravar. Aí eu disse pra ele botar um E (Mi maior) no teclado, ele botou e eu já “arrochei” a primeira música, que foi a canção “A Gigana Falou”. Quando acabou ele ficou espantando, aí pedi outro tom e já fomos gravando tudo, eu ia dizendo na boca como era os solos da introdução e as músicas foram surgindo. No final ele disse que eu era um fenômeno”.



    Cajazeiras explica como compôs “Pé de Cajazeira”


    Entrevista concedida no dia 14 de Outubro de 2010 em sua casa, na Cidade Nova, povoado que fica a 10km de Chapadinha, a nordeste do Maranhão.

    Discografia (clique para fazer o download)
    1999 – Tonny Cajazeiras (gravado em Belém, Pará)
    2001 – Reggae Chap (gravado no Rio de Janeiro)
    2006 – Fôrma de fazer Gente
    2010 – Tonny Cajazeiras e sua Sanfona

    Nota do jornalista:


    A primeira vez que ouvi falar de Tonny Cajazeiras foi em 1999, no lançamento do seu primeiro disco. Eu, ainda adolescente, vi a fama desse cabôco sair da cidade e atingir todo o estado. O seu potencial de criar musicas populares era impressionante e rapidamente suas músicas correram toda a cidade e caiu na boca do povo. Após o sucesso do seu primeiro disco, Cajazeiras se tornou um artista muito visado na região, o que lhe rendeu o convite de um produtor para gravar e “tentar a sorte” na cidade do Rio de Janeiro, onde gravou seu segundo disco, Reggae Chap. Porém, o compositor não se habitou a cidade e, como conta em sua música “Caboclo índio”, do disco Tonny Cajazeiras e Sua Sanfona, “chorei de saudade, lembrando das minhas amizades, meus amigos meu torrão, voltei porque aqui já conhecem o meu rojão”.




    De volta, continua sua peregrinação por aquilo que ele mais gosta: tocar pelas centenas de povoados que existem entre Chapadinha e Mata Roma. Nos vai-e-vem da vida, ele grava o terceiro disco, o Fôrma de Fazer Gente, outro grande sucesso em todo o estado. Nesta época Cajazeiras ganha o apelido de “O Índio do Brega” e começa a produzir músicas mais dançantes. Uma peculiaridade neste disco é que em todas as músicas há uma introdução de um locutor, que apresenta o tema central da música ou que complementa a letra que virá a seguir. Algo característico do reggae maranhense e da música brega nordestina.
    O quarto disco é o melhor, em minha opinião. Nele, todas as melodias são baseadas na sanfona e apresentam maior maturidade musical e melhores condições técnicas de gravação, incluindo músicas instrumentais, até então inédito em sua discografia. Quatro músicas foram incluídas as pressas neste disco. Isso porque a prefeita da cidade de Mata Roma, Carmen Neto, prometeu que se Cajazeiras colocasse quatro músicas de quadrilha (São João) o governo municipal daquela cidade bancaria o disco todo. Com sua habilidade de repentista, o músico criou as quatro músicas num só dia e já se pôs a gravar.





    Primeiro consegui o número de uma vizinha dele, que me colocou para falar com ele. Saindo dos limites de Chapadinha, eu não sabia exatamente onde encontrar sua casa. A única referência que tinha era seguir a estrada de chão durante 10km. Avistei o povoado de Cidade Nova e comecei a perguntar por Cajazeiras, é claro que todo mundo sabia onde o sanfoneiro morava. Cheguei lá e ficamos uma tarde na calçada. Ele logo identificou pessoas da minha família que conhecia, isso facilitou o encontro. E daí começamos a gravar. A sua musicalidade é o que mais me impressionou. Afinal, são 49 anos em cima do palco, criando músicas, testando melodias. Nas gravações que fiz naquela tarde, ele queria mesmo era mostrar músicas inéditas, devido a sua ânsia de mostrar coisas novas. Por insistência minha, gravamos duas músicas do primeiro disco – o clássico. Pra mim,foi uma honra gravá-las.



      “Seca no Maranhão” é uma canção inédita, feita sob encomenda

    21.10.10

    O neolacerdismo de Serra busca sua Tonelero

    Do blog Tijolaço:

    Quem nasceu para Serra não chega a Carlos Lacerda, eu  já disse. O episódio da suposta agressão ao candidato tucano deve ser deplorado e não tem razão alguma quem jogar nem um grão de areia em qualquer pessoa.  Mas  fazer um escarcéu com a história com o possível fato de ter sido atingido por um rolo de papelão atirado por um manifestante e, segundo a Folha de S. Paulo, fazer uma tomografia computadorizada por causa disso é dose para leão.


    A manifestação hostil contra sua passagem pelo Rio foi organizada por agentes de saúde com cartazes que chamavam Serra de “presidengue” e o “pior ministro da Saúde” por ter demitido mais de cinco mil agentes de saúde e ter contribuído para a proliferação da dengue no país.

    Houve confronto entre os manifestantes e correligionários de Serra. Assessores do tucano disseram que ele levou uma bandeirada na cabeça, mais tarde corrigindo para um rolo de papelão.

    O Estadão afirma que não havia ferimento aparente, mas segundo a Folha, que também não viu sangue, Serra foi levado de helicóptero para uma clínica para ser examinado.

    Serra já comparou os manifestantes aos nazistas e vai explorar isso ao máximo numa analogia pobre e vergonhosa do atentado a Carlos Lacerda na rua Tonelero, que acentuou a crise que levou ao suicídio de Vargas, em 1954. Mas como a história não se repete nem como farsa,  só cai no ridículo.

    Claro que condeno todo tipo de violência, e Serra também devia agir assim. Não me consta que tenha se solidarizado com os professores feridos pela ação da tropa da polícia que despachou contra eles quando governador de São Paulo. Olhem a foto de cima, de hoje, e as de baixo, do ano passado, com o que sofreram os professores  que protestavam contra os baixos salários que pagava no estado.

    Ninguém se surpreenda se Serra aparecer com um curativo na cabeça,  haja ou não ferimento. Se ele simula ser até apóstolo, não custa para ser Lázaro.

    Zé's


    Somos um só Brasil. De Norte a Sul. Leste a Oeste. O que está em disputa na sucessão presidencial são dois projetos opostos. Antagônicos. “Enxergamos em Dilma o projeto de um Brasil mais justo e inclusivo”, essa frase está num documento assinado pelo PSB, PCdoB e PT (ala que apoiou a candidatura Flávio Dino ao governo estadual). Entre os que subscreveram lá está o nome de José Reinaldo Tavares (PSB).

    Ontem, Zé Reinaldo declarou voto à candidatura demotucana de Zé Serra. E justificou: “Votar em Dilma é votar no Sarney”. Não poderia ser outra, a rezinga do ex-candidato ao Senado.

    Já ouvi de petistas, socialistas, comunistas, pedetistas, demotucanos louvores a Zé Reinaldo pelo rompimento com o “Sarney”, com o “grupo Sarney”, com a “Oligarquia Sarney”, com a “família Sarney”.

    De um dirigente do petismo estadual ouvi que Zé Reinaldo é um mártir. Só pode ser, por ter renunciado a fé no sarneísmo, desconfio eu.

    A candidatura Serra está assentada no mesmo programa que quebrou Brasil três vezes em 1995, 1997 e 1998 durante o governo FHC-Serra. A candidatura Serra tem as mesmas bases de apoio que ampliou as desigualdades no país; levou à derrocada as universidades públicas e que proibiu a criação de escolas técnicas. É a turba do apagão no setor elétrico.

    Mas, o segundo turno da eleição presidencial para Zé Reinaldo, para o PDT e a tucanagem, será contra o Sarney. Para o “socialista” ex-governador do Maranhão e ex-serve para tudo do senador José Sarney, a sucessão presidencial é o Sarney contra o Serra.

    Escrevi aqui, que essa longa e fastidiosa falação sobre e/ou contra os Sarneys é para eles uma espécime de habeas corpus preventivo (releia aqui). Os próceres do tal anti-sarneismo são libertadores de si mesmos. O que o PDT e PSDB sonharam e realizaram pela metade foi: “essa oligarquia pilhou por 40 anos o Maranhão. Mas, nós queremos e podemos fazer o mesmo”.

    Zé Reinaldo, Jackson Lago, João Castelo são o símbolo-mor da frase anterior. A opção pela candidatura Serra é porque essa turba jamais teve projeto para o Maranhão – a não ser contra o Sarney depois das bênçãos – e desconhecem o outro Brasil que nasceu dos escombros herdados da gestão FHC-Serra.

    Por que mesmo José Reinaldo rompeu com o sarneísmo? Eles divergiram do modelo de desenvolvimento econômico e sustentável do Maranhão? É porque discordaram do programa que erradicaria o analfabetismo e/ou a miséria do nosso estado? Ou foi por causa do projeto de reforma agrária?

    O rompimento de Zé Reinaldo com Sarney não foi por conta de uma pauta republicana. Daí, a dificuldade do ex-governador eleito por graça e obra do sarneismo, ter dificuldade de pensar um Maranhão e um Brasil para além dessa milonga anti-sarneista. Aí ele respira fundo e diz: “Votar em Dilma é votar no Sarney”.

    O que Zé Reinaldo e o pedetismo-tucano não conseguem apreender é que o país atravessa um processo de republicanização. E se o mesmo não ocorre no Maranhão é por inteira responsabilidade dessa turba que tem no anti-sarneismo um habeas corpus preventivo.

    O presidente Lula não fez o governo dos meus sonhos. Mas, o país constituiu um modelo econômico de desenvolvimento com distribuição de renda, ampliou e garantiu direitos sociais.

    Dilma Rousseff também não fará o governo dos meus sonhos. Porém, é somente com Dilma presidente que teremos as melhores condições para seguirmos avançando no caminho da construção de um Brasil justo, solidário e soberano.

    17.10.10

    Oportunista, Zé Reinaldo admite só agora seu apoio a Serra

    Taí uma coisa que eu gosto: estar certo. 
    Adoro quando alguém teima comigo e o tempo 
    (ah, o tempo) prova que eu estava certo.


    O ex-governador do Maranhão e candidato a senador recém derrotado José Reinaldo Tavares (PSB) concedeu entrevista na última sexta-feira para anunciar aquilo que até as estátuas dos leões em frente ao palácio do governo estadual já sabiam: ele apóia José Serra.


    Zé Reinaldo é a personificação do anti-PT, do anti-Lula, do anti-Dilma e só não vê isso quem se deixa cegar pelos discursos demagogos daqueles que afirmam construir uma alternativa política utilizando-se dos mesmos métodos que dizem condenar.


    Com o mesmo oportunismo de quem viveu mais de trinta anos dentro de um grupo político e hoje se diz o maior opositor aos antigos companheiros, Zé Reinaldo tentou esconder durante o primeiro turno sua predileção por Serra. Candidato ao Senado, sabia que declarar apoio ao tucano só lhe tiraria voto. Tavares tentou omitir do eleitor sua verdadeira face, mas o povo maranhense lembra quem ele é e lhe deu o troco nas urnas.

    Os maranhenses, que deram 70% dos votos para Dilma Rousseff, sabiam que, se eleito, Zé Reinaldo iria para o Senador fazer oposição ao governo petista. Os únicos que não sabiam disso, ou fingiam não saber, eram o deputado "petista" Domingos Dutra e sua trupe. Escondidos atrás do discurso do anti-sarneysmo, Dutra, Bira do Pindaré e outros defenderam com unhas e dentes a candidatura de Tavares "por ele ter rompido com Sarney", ou seja, apoiaram uma candidatura a senador de oposição a Dilma para manter o discurso anti-sarney, o único que eles têm e que lhes mantêm alguma relevância política..


    Como Jackson, Zé Reinaldo taxa Flávio Dino de sarneista


    Ao tentar justificar seu voto em Serra, Zé Reinaldo encheu o peito e declarou durante a entrevista: "Votar em Dilma é votar em Sarney". Ora, mas seu pupilo candidato derrotado ao governo, Flávio Dino, apóia Dilma. Então Zé Reinaldo crê que Flávio Dino apóie José Sarney por votar em Dilma?


    O ex-governador Jackson Lago (PDT), que anunciou seu apoio a José Serra desde o primeiro turno e ficou com mirrados 19% dos votos na tentativa de voltar ao Palácio dos Leões, também provocou o comunista ao justificar sua posição nacional com base no anti-sarneismo. “Como uma pessoa [Flávio Dino] quer combater este grupo [Sarney] fortalecendo-o nacionalmente?”, indagou em entrevista coletiva concedida após o primeiro turno.

    Zé Reinaldo, principal motivo de Dino não ter o apoio do PT

    A orelha de Zé Reinaldo devia estar queimando de tão quente durante a reunião do Diretório Nacional do PT que decidiu pelo acordo do partido com o PMDB na disputa pelo governo do Maranhão e em reuniões anteriores. A aliança de Flávio Dino com ele foi um dos principais argumentos daqueles que defendiam a anulação do encontro que decidira pelo apoio ao candidato comunista.

    Sabedor de que Zé Reinaldo não passa de um tucano enrustido (há tantos no Maranhão), o próprio presidente nacional da legenda, José Eduardo Dutra, afirmou durante reunião. "Passei a tarde de ontem lendo o blog deste Zé Reinaldo. Não dá para o nosso partido apoiar quem escreve essas coisas" defendeu. Além de Eduardo Dutra, encaminharam contra o apoio do PT à dupla Zé Reinaldo-Flávio Dino os ex-presidentes José Dirceu, José Genoino e Ricardo Berzoini.

    Resultado: PT longe de Zé Reinaldo e no caminho certo.

    13.10.10

    São Luís 2012

    Na política é assim. Quando uma eleição passa, logo se começa a pensar na próxima.

    Apurados os votos da disputa estadual, já começaram as especulações sobre a disputa pela prefeitura da capital maranhense em 2012.

    O cidadão ludovicense, de forma geral, ainda não está preocupado com a eleição, mas político e jornalista adora conjecturar. Eu, então, não perco tempo.

    1. Apesar da péssima administração, que vem deixando a cidade cada vez mais suja, esburacada e mal cuidada, o o atual prefeito, João Castelo (PSDB), é candidato natural à reeleição e não deixa de ser o favorito na disputa, afinal, terá a máquina na mão e certamente não buscará atrito com o governo Roseana pelos próximos dois anos.

    2. Se Castelo não pensa em deixar o Palácio de La Ravardière, quem está cheio de vontade de tirá-lo dali é o ex-prefeito Tadeu Palácio. Indicado pelo sarneysismo para ser vice na chapa de Jackson Lago (PDT) em 2000 e "reeleito" para o comando da prefeitura em 2004, Tadeu deixou o cargo bem avaliado e é pré-candidato desde o dia que deixou o posto nas mãos de Castelo.

    Tadeu deve ser o candidato de Roseana, que já mandou avisar que quer seu grupo também no comando político de São Luís. Roseana, é bom lembrar, ficou em primeiro lugar na capital com 43,2% dos votos válidos.

    3. Derrotado por Castelo no segundo turno de 2008, Flávio Dino (PCdoB) é outro candidatíssimo. Mesmo sem mandato e podendo não ter aliança com nenhum partido, o comunista deve entrar na disputa e poderá ficar com a marca de perdedor caso seja, mais uma vez, derrotado.

    4. O resultado das urnas colocou mais um nome forte nessa disputa. O vereador e deputado federal eleito Edvaldo Holando Júnior (PTC) foi o mais votado em São Luís tendo nada menos que 72 mil votos. Chegou até perto dos 77 mil votos que Jackson teve como candidato a governador. O nome de Holanda Junior está no tabuleiro e só deve deixar de disputa caso seu pai, o deputado estadual não reeleito Edvaldo Holanda repactue com o ex-aliado Castelo, o que poderia lhe garantir o posto de candidato a vice-prefeito.

    Até aqui nenhuma novidade. Mas uma análise mais profunda dos números pode colocar um outro personagem na disputa: O PT.

    Em processo de renovação e fortalecimento, o partido do vice-governador eleito do estado, Washington Luiz (foto), foi o quarto mais votado em São Luís na eleição para deputado estadual. Na disputa pelas vagas de deputado federal, os candidatos do partido somaram 41 mil votos em São Luís, mais do que os do PSDB do prefeito e os do PDT, que comandou a prefeitura pelos três mandatos anteriores.

    Quem acompanhou a última eleição sabe que o "fenômemo" Flávio Dino foi carregado pelo PT e que, portanto, o partido pode alçar voo solo e entrar na disputa pra valer. Mesmo se não lograr êxito em conquistar a prefeitura, a candidatura majoritária ajudará o partido a, pelo menos, eleger vereadores e ampliar sua base social debatendo com os eleitores o modo petista de governar.

    Nomes dispostos a liderar esta chapa e espaço político em aberto não faltarão. Se não quiser ser coadjuvante e pensa em se fortalecer pra valer, o PT não deixará essa oportunidade passar e terá candidato próprio à prefeitura de São Luís em 2012.

    5.10.10

    PMDB-PT, a aliança que garantiu a vitória do time de Lula no Maranhão

    A vitória de Roseana Sarney no primeiro turno das eleições maranhenses, de tão apertada, pode ser creditada a toda contribuição que teve durante a campanha, mas uma foi flagrantemente decisiva: a aliança com o PT.

    A decisão em primeiro turno veio por pouco de mais de 7 mil votos de vantagem sobre a soma dos seus adversários. Pode-se dizer, portanto, que, caso o partido do presidente Lula não tivesse firmado aliança com o PMDB, o segundo turno seria inevitável.

    Aliado ao PCdoB, o PT faria a arrancada comunista ser ainda maior e somando sua militância à disposição de Flávio Dino daria contornos dramáticos e imprevisíveis para o resultado do segundo turno.

    De todos que ajudaram a construir essa vitória, um, portanto, a de ser homenageado: o vice-governador eleito Washington Luiz. Alinhada à política nacional do partido e do presidente Lula, a ala do partido liderada no Maranhão por Washington e pelos presidentes dos diretórios estadual, Raimundo Monteiro, e de São Luís, Fernando Silva, comprou uma briga grande dentro e fora do partido para confirmar essa aliança.



    Ouvida pela Blogue, uma importante liderança do grupo confirmou que a atuação de Washington foi providencial. "Houve momentos de grande tensão interna, mas a postura das nossas lideranças foi decisiva. Fizeram tudo que havia de ser feito", lembrou.

    A parceira eleitoral deverá ser mantida agora. A própria governadora assinou texto intitulado "Lula, o PT e eu queremos ficar juntos agora e no futuro". Ali Roseana escreveu: "Recebi o incentivo do próprio presidente [Lula] para formalizar esta parceria com o PT e sei que, juntos, podemos fazer uma revolução no Maranhão. Queremos uma aliança em pé de igualdade, pois é assim que o governo recebe o PT."

    Oxalá a aliança PT-PMDB traga bons frutos ao Maranhão tanto quanto vem trazendo para o Brasil.

    4.10.10

    "O Maranhão não pode parar" faz barba, cabelo e bigode

    Depois de uma apuração dramática, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), foi reeleita para o cargo recebendo 1.459.792 votos ou 50,08% dos votos válidos. O segundo colocado foi o deputado comunista Flávio Dino com 29,4% dos votos. O governador cassado Jackson Lago (PDT) obteve 19,5%, amargando a terceira colocação. A vitória da chapa Roseana-Washington Luiz, comprovou o acerto da aliança PT-PMDB.

    A coligação "O Maranhão Não Pode Parar" elegeu ainda os dois senadores, Edson Lobão e João Alberto, além de 13 dos 18 deputado federais e 30 dos 42 deputados estaduais.

    Na disputa presidencial, a candidata petista, que contou com o apoio integral da chapa roseanista, teve 70,6% dos votos, contra 15% de José Serra (PSDB) e 13,5% de Marina Silva (PV).

    Se por um lado o PMDB e o PT são os grandes vitoriosos dessa eleição, Jackson Lago (PDT) e Zé Reinaldo Tavares (PSB), que pintaram o sete há quatro anos, são os grandes derrotados. O "velhinho" não teve estrutura, não teve energia, não teve empolgação e, mais importante, não teve voto. Nem em São Luís, onde foi prefeito por três vezes, ele se deu bem. Não passou de 15,4% dos votos.

    O Zé Reinaldo perdeu a disputa por uma vaga no Senado, viu seu candidato a governador morrer na praia e sua ex-esposa, Alexandra Tavares, amargar uma votação pífia. Aos Tavares, só restou o mandato de deputado estadual de Marcelo e só.

    Flávio Dino não ganhou, mas também não pode ser considerado um derrotado. Estadualizou seu nome em apenas quatro anos na política e continua sendo o que sempre foi: Um político promissor.

    Apesar de ter sido acompanhado por Zé Reinaldo Tavares e PPS, Flávio Dino apoia Dilma e o segundo turno presidencial o coloca na mesma trincheira de Roseana, o que pode aumentar os laços entre os dois. Aguardemos para conferir.