29.9.10

Flávio Dino, o preparado, perdeu uma grande chance

Flávio Dino deixou a magistratura há quatro anos para investir na carreira política, mas não perdeu a arrogância característica da categoria. Isso foi o que ficou claro no debate realizado ontem entre os candidatos a governador do Maranhão pela TV Mirante.

O candidato comunista deveria ter se lembrado do debate que teve no segundo turno da eleição para prefeito de São Luís em 2008, contra João Castelo. De tão "preparado" sua postura naquele debate deixou a marca de arrogante.

Dos outros candidatos não se esperava muito. Jackson Lago sempre que perguntado sobre planos para o futuro falava sobre o que fez como prefeito e governador. Não parecia candidato ao Palácio dos Leões, mas candidato apenas para defender sua biografia, o que seria compreensível já que o dia 3 de outubro pode um melancólico ponto final na sua trajetória política.

Roseana Sarney ficou o tempo todo na defensiva. Sendo cobrada pelo seu governo e por todos os passados, até os de João Castelo, Luís Rocha e Zé Reinaldo, Roseana apenas repetiu as proposta já apresentadas no programa eleitoral. O momento de maior destaque foi quando reclamou: "Dá próxima vez eu acho melhor chamarem o Zé Sarney para vir debater aqui. Vocês só querem falar dele".

O único destaque positivo foi Saulo Arcangeli. O candidato do Psol não se limitou a criticar a atual governadora e também apontou as contradições de Jackson Lago, que nada fez de diferente enquanto ocupou o Palácio dos Leões, e de de Flávio Dino, que diz representar o novo aliado a Zé Reinaldo e Humberto Coutinho. Nervoso ao ser contrariado, Flávio Dino acusou Saulo de estar a serviço da oligarquia. Lembrou até José Serra, que quando questionado por alguma pergunta fora do script sempre se sai com "isso é discurso do PT".

O debate pouco muda. A dúvida continua sendo se Roseana será eleita no primeiro turno.

23.9.10

Se Jackson Lago é ficha suja, imagina Zé Reinaldo

A decisão do Supremo Tribunal Federal em torno da lei chamada "Ficha Limpa" pode decidir os rumos de um punhado de eleições estaduais. Em terras maranhenses, caso o STF valide o vigor da lei, o principal atingido deve ser o governador cassado Jackson Lago (PDT), tadinho.

Apeado do cargo por um sem número de irregularidades cometidas durante a campanha eleitoral de 2006, Jackson Lago teria a ficha suja e não poderia ser candidato.

Ora, mas em 2006 Jackson não era governador. Se ele foi cassado pelo uso da máquina pública em benefício da sua candidatura, haveria de ser considerado ficha suja também aquele que era o responsável pelo governo do estado na época, o hoje candidato a senador Zé Reinaldo Tavares (PSdB).

Zé Reinaldo (que é só Zé Reinaldo durante a campanha, sem o Tavares) foi quem assinou convêncio em cima de palanque. Foi Zé Reinaldo quem prometeu a estrutura do governo. Foi Zé Reinaldo quem inventou a cooperativa de candidatos com Edson Vidigal e Aderson Lago, além de Jackson Lago.

O comandante do clã Tavares, contudo, não será proibido de levar seu nome às urnas. Será derrotado no voto mesmo.



Clique aqui e leia minha opinião sobre a tal ficha limpa.

16.9.10

Está nascendo um novo PT no Maranhão

Outrora marcado pela desorganização e pela falta de norte político, o PT do Maranhão vem dando sinais de que começa a surgir um novo momento para o partido.

Para sentir a diferença basta comparar a participação do PT no atual processo eleitoral com a da última eleição geral.

Em 2006, o ex-ministro Edson Vidigal, então filiado ao PSB, achava que seria a principal figura da disputa eleitoral (ele acreditou em Zé Reinaldo), mas não passou de um coadjuvante do esquema jackson-reinaldista. Ao PT coube indicar seu vice. Ou seja, o partido assumiu o papel de coadjuvante do coadjuvante. O partido não elegeu seu candidato a senador, apenas um deputado federal e dois deputados estaduais.

Hoje, o partido está no processo eleitoral como protagonista. Disputado por várias chapas, o partido fechou acordo com o PMDB e compõe a coligação "O Maranhão não pode parar" com a vaga de vice-governador sendo ocupada por Washington Luiz, histórico militantes dos movimentos sociais e entusiasta do novo momento vivido pelo PT no estado.

"Nosso deputado estadual mais votado na eleição passada teve 16 mil votos, o segundo teve 11 mil e hoje nós temos vários candidatos com perspectivas reais de passar dos 20 mil votos", comemora Washington Luiz. Confirmando-se as projeções, a bancada petista na Assembléia Legislativa deve crescer dos atuais dois membros para três ou até quatro. Na disputa pelas vagas de deputado federal, mesmo estando no chamado "chapão", o partido tem dois candidatos com grandes chances e outros podendo surpreender.

Este novo momento vem sendo construído desde o último Processo de Eleição Direta (PED), em novembro do ano passado, quando mais de 13 mil filiados foram às urnas eleger Raimundo Monteiro como o novo presidente do Diretório Estadual do partido. Fundador do PT e da CUT, que também já presidiu no Maranhão, Monteiro foi o escolhido pela militância petista para liderar o partido neste novo momento e desde assumiu o posto levou a representação maranhense da legenda de volta à linha política do Diretório Nacional e do projeto liderado pelo presidente Lula. "Podemos, ao mesmo tempo, dar a maior vitória para a Dilma aqui no Maranhão e ainda fortalecer o nosso partido. Temos um ótimo cenário para os próximos anos", afirma Monteiro, que hoje é candidato a deputado federal com o número 1311.

10.9.10

Jackson Lago está fora da disputa

Deixemos as paixões de lado. Quais são as chances de Jackson Lago ser empossado no cargo de governador do Maranhão no próximo 1º de janeiro?

Jackson tem quatro problemas. A falta de dinheiro, a falta de limpeza da sua ficha, o fracasso do seu governo e as sinalizações de apoiadores próximos a ele para a candidatura de Flávio Dino. Se você fosse um empresário, caro leitor, colocaria dinheiro numa candidatura com tamanhas dificuldades?

Se não sanar o primeiro problema, não resolverá os dois últimos. E mesmo se, por uma providência divina, solucionasse os três, ainda resta a possibilidade de ser declarado inegelível pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Este é um momento definitivo para a carreira política de Jackson Lago. Se o que ele quer é tentar derrotar o grupo Sarney, deveria renunciar à candidatura para o bem da oposição. Sua presença no cenário eleitoral representa a certeza de vitória para Roseana.

9.9.10

Agora vai?*

Será que desta vez a oposição maranhense vai se unir? Duvido. Esta oposição só se uniu quando não foi oposição, quando Zé Reinaldo tinha a caneta de governador na mão e a financiou para derrotar sua ex-chefe Roseana.

O competente jornalista Itevaldo Junior informa que emissários do governador cassado Jackson Lago (PDT) avisaram Flávio Dino (PCdoB) que o velho quer ter dois dedos de prosa com ele. O assunto da conversa seria um mistério, mas o também competente Décio Sá publicou hoje em seu blog os planos das duas candidaturas para a realização de atividades de campanha em conjunto como comícios duplos, onde ambos subiriam no palanque e pediriam voto um para o outro (meio Lobão e João Alberto, não acham?).

Se verdadeiras, as informações comprovam aquilo que o Blogue do Braga vem dizendo há meses e que deixa ex-balaios e petistas emplumados de cabelo em pé: Flávio Dino não tem nada de novo, ele se utiliza e se deixa ser utilizado pelos esquemas políticos de Jackson e Zé Reinaldo.

Espantoso mesmo seria se a conversa entre Jackson e Flávio Dino fosse sobre o mais lógico: um acerto pela desistência do velho, quem deve ter a candidatura cancelada pelo Tribunal Superior Eleitoral, em apoio ao comunista, mas isto não acontecerá porque a oposição não tem projeto, tem apenas pretensões pessoais.


*"Agora vai" era o slogan de João Castelo na campanha pela prefeitura de São Luís em 2008, quando Jackson o apoiou e fez a "opção pelo atraso", como acusou o preterido Flávio Dino.

6.9.10

Uma inelegibilidade eminente

O governador cassado Jackson Lago diz que sua nova candidatura ao governo do estado é um "dever moral", pra mim é apenas teimosia brizolista. O velho Leonel Brizola tinha mais qualidades, mas um dos seus defeitos era achar que só ele podia ser herdeiro político de Getúlio e Jango. Hoje, Jackson acha que só ele pode liderar a oposição maranhense.

Seus apoiadores antes o defendiam com unhas e dentes na ilusão do que poderia ser seu governo. Passados os mais de dois anos de fracasso da sua administração, falta ânimo para fazer sua defesa e, sobretudo, dinheiro para fazer sua campanha.

Mas o maior problema da campanha Jackista é a ameaça de indeferimento do seu registro de candidatura pelo Tribunal Superior Eleitoral. Graças à sua cassação do governo do estado pelo mesmo TSE, Jackson pode ser considerado um "ficha suja" e ficar inelegível (clique aqui e leia minha opinião sobre a "ficha limpa").

Diante a real possibilidade de Jackson ser ceifado da disputa eleitoral, seus apoiadores especulam sua substituição pela esposa, Clay Lago, pelo filho, Igor Lago, e, com menos chance, pelo candidato a senador Edson Vidigal. Tudo menos unir a oposição.

Essa falta de projeto conjunto faz com que a derrota da oposição seja ainda mais certa do que a cassação de Jackson.