11.8.10

Porque Roseana será reeleita

A única vez na história do Maranhão que o Palácio dos Leões perdeu uma eleição foi em 1965. Um ano após o golpe, o regime militar deu todas as condições para que seu maior aliado no estado derrotasse o grupo político hegemônico da época capitaneado pelo senador Vitorino Freire. O jovem político que alcançou tal feito com um discurso progressista foi José Sarney.

De lá pra cá, ninguém chegou ao governo do estado contra sua vontade a exceção de Jackson Lago, em 2006, quando o ex-sarneysista Zé Reinaldo Tavares comandava a máquina pública e se utilizou de uma vasta gama de crimes eleitorais para derrotar seus ex-aliados.

Com a cassação de Jackson Lago em decorrência das irregularidades cometidas na campanha e a posse de Roseana, nada leva a crer que essa eleição será diferente.

Como já escrevi aqui, Roseana teve no 1º turno de 2006, 47% dos votos válidos, mesmo com todo o esquema montado por Zé Reinaldo. Desta vez ela tem o apoio de todos que a apoiaram em 2006, mais PT e PRB.

Além disso, há uma clara mudança no cenário político da capital. Jackson Lago foi prefeito de São Luís por três vezes e sempre teve uma boa votação no município, mas os desgastes do seu governo com os professores, com os policiais e com o funcionalismo público levaram sua força política. Junte-se a isso a má avaliação da atual gestão do tucano João Castelo, apoiado por Jackson.

Esta circunstância poderia ser favorável à candidatura do comunista Flávio Dino, que teve uma boa votação na disputa contra João Castelo. O bom desempenho de Dino em 2008, contudo, foi obtido por ele ter tido ao seu lado a militância do PT e por ter sido "o candidato do Lula". A militância do PT está dividida meio a meio, mas certamente o comunista não é o candidato de Lula nessa disputa.

Junte-se a tudo isso uma questão crucial: "Roseana voltou diferente", como canta seu jingle. A "Branca" ficou mais humilde depois da derrota de 2006, mais popular depois da parceria com o PT e mais disposta tanto pra governar quanto para fazer campanha, apesar dos problemas de saúde pelos quais passou recentemente.

Pode ser exagero da minha parte, mas a disputa é pra saber se ela será eleita em 1º ou em 2º turno.

A maior possibilidade de sucesso da oposição seria conquistar uma das vagas de senador, mas as vaidades e os projetos pessoais diminuíram em muito suas chances. Quem ainda tem tempo pela frente, pensa em si viabilizar para o futuro, alguns, inclusive, de volta ao grupo político da governadora.

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