20.8.10

Tapa com luva de pelica


Essa inserção com os dois candidatos a senador da coligação "O Maranhão não pode parar", João Alberto (152) e Lobão (151) "brigando" para o eleitor votar primeiro no seu parceiro de chapa parece até provocação aos candidatos da oposição, que fazem suas campanhas cada um pra um lado diferente.

Nem Edson Vidigal (455) e Roberto Rocha (456) que são do mesmo partido, nem Zé Reinaldo (400) e Adonilson (654), que não tem voto e poderia ganhar o segundo voto do seu parceiro. Nenhum candidato da oposição sequer cita seu "parceiro" de chapa.

Com uma das vagas "reservada" para Lobão, todos os outros brigam por uma vaga só e não querem saber de dar espaço pra outro concorrente.

17.8.10

Porque João Alberto será eleito senador


É costume de alguns jornalistas, principalmente no Maranhão, fazer manchete com o verbo no futuro. Sentenciam como certos eventos que ainda estão por acontecer e, muitas vezes, acabam não acontecendo.

Um dos principais blogueiros afinado com o discurso reinaldista, Luís Cardoso, por exemplo, escreveu em 17 de março "Depois de receber o apoio do PT, Roseana descarta a vice da chapa" e em 12 de junho "Roseana não dará a vice para o PT". Como se sabe, o PT emplacou o ex-deputado Washington Luiz como vice na chapa de Roseana.

Depois de tudo acertado e confirmado, Cardoso voltou a agourar o PT maranhense anunciando "João Alberto e Washington Luiz vão renunciar", fato que também não se confirmou.

Sinto-me, portanto, no direito de declarar como previsão certa aquilo que não passa de análise pessoal do cenário político maranhense. Assim como estou certo que Roseana Sarney será reeleita governadora em 1º turno, o atual vice-governador, João Alberto será eleito senador da República.

A poderosa chapa roseanista jogará, como já vem jogando, todo o peso na disputa senatorial para eleger apenas um senador, o próprio João Alberto, já que a outra vaga será certamente preenchida pelo senador e ex-ministro do governo Lula, Edison Lobão. Alguém duvida? Algum balaio? Algum petista emplumado? Não? Ok.

O que poderia fazer com que o apoio de Roseana, Lula, Dilma, Lobão, Sarney, mais de 100 prefeitos e os mais votados deputados do estado fosse insuficiente para eleger um senador? A união da oposição em torno de apenas uma candidatura forte, tática pretendida por Zé Reinaldo (PSdB) e impossibilitada por Roberto Rocha (PSDB). Não que a unidade da oposição fosse garantia de vitória, mas certamente ampliaria as possibilidades de êxito, hoje quase nulas.

Junte-se a isso o atrelamento que sempre existe a eleição para o senador e a disputa pelo governo estadual e o fato de que a chapa do principal adversário de João Alberto está apenas em terceiro nas pesquisas mais recentes.

E já que é pra fazer previsão, encerro com mais uma: Flávio Dino não ultrapassará Jackson Lago na disputa pela segunda colocação.

11.8.10

Porque Roseana será reeleita

A única vez na história do Maranhão que o Palácio dos Leões perdeu uma eleição foi em 1965. Um ano após o golpe, o regime militar deu todas as condições para que seu maior aliado no estado derrotasse o grupo político hegemônico da época capitaneado pelo senador Vitorino Freire. O jovem político que alcançou tal feito com um discurso progressista foi José Sarney.

De lá pra cá, ninguém chegou ao governo do estado contra sua vontade a exceção de Jackson Lago, em 2006, quando o ex-sarneysista Zé Reinaldo Tavares comandava a máquina pública e se utilizou de uma vasta gama de crimes eleitorais para derrotar seus ex-aliados.

Com a cassação de Jackson Lago em decorrência das irregularidades cometidas na campanha e a posse de Roseana, nada leva a crer que essa eleição será diferente.

Como já escrevi aqui, Roseana teve no 1º turno de 2006, 47% dos votos válidos, mesmo com todo o esquema montado por Zé Reinaldo. Desta vez ela tem o apoio de todos que a apoiaram em 2006, mais PT e PRB.

Além disso, há uma clara mudança no cenário político da capital. Jackson Lago foi prefeito de São Luís por três vezes e sempre teve uma boa votação no município, mas os desgastes do seu governo com os professores, com os policiais e com o funcionalismo público levaram sua força política. Junte-se a isso a má avaliação da atual gestão do tucano João Castelo, apoiado por Jackson.

Esta circunstância poderia ser favorável à candidatura do comunista Flávio Dino, que teve uma boa votação na disputa contra João Castelo. O bom desempenho de Dino em 2008, contudo, foi obtido por ele ter tido ao seu lado a militância do PT e por ter sido "o candidato do Lula". A militância do PT está dividida meio a meio, mas certamente o comunista não é o candidato de Lula nessa disputa.

Junte-se a tudo isso uma questão crucial: "Roseana voltou diferente", como canta seu jingle. A "Branca" ficou mais humilde depois da derrota de 2006, mais popular depois da parceria com o PT e mais disposta tanto pra governar quanto para fazer campanha, apesar dos problemas de saúde pelos quais passou recentemente.

Pode ser exagero da minha parte, mas a disputa é pra saber se ela será eleita em 1º ou em 2º turno.

A maior possibilidade de sucesso da oposição seria conquistar uma das vagas de senador, mas as vaidades e os projetos pessoais diminuíram em muito suas chances. Quem ainda tem tempo pela frente, pensa em si viabilizar para o futuro, alguns, inclusive, de volta ao grupo político da governadora.

9.8.10

Concertación tupiniquim

A entrevista concedida pelo presidente Lula à revista IstoÉ e publicada neste último fim de semana aponta qual deve ser o futuro da política brasileira nos próximas anos.

Falando sobre os seus planos para quando deixar a presidência, Lula afirmou: "Eu sonho com a construção de uma frente ampla no Brasil. Juntar as forças políticas aqui, construir um programa comum, fazer a reforma partidária, que acho que é uma condição sine qua non para a gente poder mudar em definitivo o Brasil". E mais a frente complementa: "eu gostaria de criar, dentro de um processo de reforma política, uma frente ampla de partidos que pudesse construir um programa para o Brasil, mais forte do que um partido"

A união de PT, PMDB, PSB, PDT, PCdoB, PR e as outras legendas que apoiam o governo Lula, numa frente ampla que mantenha a hegemonia política e o projeto político que vem sendo tocados nos últimos anos no Brasil seria a consolidação do "Lulismo" no "pós-Lula".

Não digo Lulismo do ponto de vista personalista. A presença de Lula passaria a não ser fundamental. A união destes partidos e a manutenção de um programa comum que se sustente nesta forma de governar, nesta forma de ver o Brasil, seus problemas e seu papel no cenário internacional, seria suficiente.

Daí a importância de manter essas legendas unidades nestas eleições presidenciais, daí o esforço para fechar a aliança com o PMDB, parte vital desta construção.


PSDB de fora

Perguntado sobre a possibilidade do PSDB vir a compor esta frente ampla, Lula foi taxativo: "Eu acho que acabou o tempo da ilusão em que a gente poderia trabalhar junto com o PSDB. Eu acreditei nisso. E muita gente do PT acreditou nisso".

Muita gente acreditava nisso quando havia uma disputa entre duas alas dentro do PSDB. Hoje o "covistas" foram dizimados pelos "fernandistas", o que levou o partido de vez para a direita. A formação nos próximos anos de uma ala "aecista", pode salvar o PSDB e levá-lo a esta construção política.

5.8.10

Confirmadas as candidaturas no Maranhão. Eleição será decidida no voto

Com o julgamento do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e o deferimento das principais candidaturas ao Governo do estado e ao Senado Federal, a eleição começa a esquentar e a ganhar as ruas nas principais cidades do Maranhão.

Líder absoluta em todas as pesquisas e favorita para vencer a disputa em primeiro turno, a coligação "O Maranhão não pode parar", formada por PMDB, PT e outros 14 partidos, teve suas candidaturas majoritárias confirmadas e, passados os entraves jurídicos, centra fogo na formulação do programa de governo e na conquista de novos apoios.

Roseana e o seu candidato a vice, Washington Luiz (PT), vêem sendo recebido por verdadeiras multidões de eleitores e lideranças locais pelas cidades onde passam e começam a vislumbrar um cenário no qual a aliança vença a disputa pelo governo no 1º turno e eleja os dois senadores da chapa, Lobão e João Alberto.


Oposição rachada

Com o deferimento da candidatura de Jackson Lago (PDT) ao governo do estado, foi confirmado que a oposição marchará rachada rumo a 3 de outubro, dia que pode ficar marcado não apenas pela reeleição de Roseana como também pelo fim das carreiras de Jackson e de Zé Reinaldo (PSB).

Ambos os ex-governadores são favoritos para o fracasso graças a dois "jovens" políticos, para quem o dia 3 de outubro será um dia qualquer. Assim como Flávio Dino (PCdoB) dividiu a oposição lançando sua candidatura com poucas chances de êxito, o deputado Roberto Rocha (PSDB) pode perder a disputa pela senatoria e ser responsabilizado pela derrota de Zé Reinaldo, mas sua pretensão é se viabilizar para disputas futuras.

Os ex-balaios são assim. Seguem se devorando e cada um lutando pelo seu próprio projeto pessoal. É a oposição que só esteve unida quando não foi oposição, quando Zé Reinaldo comandava o governo e arquitetou todos unidos em chapas diferentes.

Roseana, que não tem nada a ver com os problemas da oposição, segue se consolidando como favorita.