31.5.10

Flávio é favorito... a coadjuvante


Escrevi aqui recentemente dois textos sobre a disputa política no Maranhão para esclarecer porque defendo aliança entre PT e PMDB naquele estado. E que não haja engano, eu defendo esta aliança.

Para reler clique aqui e aqui.

Ambos os textos são tautológicos entre si e têm conteúdo até óbvio, mas muitas vezes esta é a função da análise política, dizer aquilo que está em frente aos nossos olhos, mas que os interesses paralelos tentam esconder com discursos vazios e ações pirotécnica.

Sim, é óbvio que a construção política da oposição maranhense é arquitetada pelo ex-governador José Reinaldo Tavares (PSdB), aquele preso na Operação Navalha da Polícia Federal. É óbvio também que Zé Reinaldo, Jackson Lago (PDT) e os seus tucanos não visam fortalecer a candidatura presidencial de Dilma Rousseff. É óbvio que participar desta construção não interessa ao PT. Porém, causei espanto em alguns petistas ao dizer tudo isso.

Estes petistas acreditam ser possível construir um campo democrático e popular ao lado dessas figuras e que esta escolha tática pode fortalecer o partido. A única possibilidade disso fazer sentido seria na eventualidade de Flávio Dino (PCdoB) ser eleito governador, romper o acordo de cooperação com Jackson e Zé Reinaldo e o PT assumir a linha de frente do eventual governo Dino.

As chances disso tudo acontecer, contudo, são menores do que as chances do Vasco ser campeão brasileiro este ano. Antes de mais nada porque a carreira política de Flávio Dino está umbilicalmente ligada a Zé Reinaldo, a quem ele deve seu mandato de deputado federal. Segundo porque a candidatura de Dino não tem competitividade suficiente. Analisemos.

Além da inexplicável eleição de Flávio Dino a deputado federal em 2006 (ou explicável até demais?), o frenesi em torno do seu nome se dá pela votação que teve nas eleições municipais de 2008, quando disputou a prefeitura de São Luís, chegou ao segundo turno e foi derrotado pelo tucano João Castelo.

O fenômeno Flávio Dino naquela eleição (volto a ressaltar: com meu apoio e do PT petista) aconteceu da seguinte forma. A disputa pela prefeitura de São Luís nas três eleições anteriores (2004, 2000 e 1996) aconteceu polarizada entre os grupos de Jackson Lago e João Castelo. Em 2008, o pedetista, ocupando o Palácio dos Leões, apoiou o tucano e criou-se um espaço vago que Flávio, apesar do baixo nível de conhecimento, conseguiu ocupar graças a um único argumento: era o candidato de Lula.

Para se ter uma idéia, em agosto daquele ano, Castelo tinha 51% das intenções de voto e Flávio Dino apenas 7%, mas nas vésperas da eleição, o principal cabo eleitoral do comunista, o presidente Lula, tinha 77% de avaliação bom/ótimo e apenas 3% de ruim/péssimo na capital maranhense. Enquanto isso, o governo Jackson Lago sofria com apenas 17% de bom/ótimo e expressivos 47% de ruim/péssimo.

Resultado: João Castelo teve 43% dos votos válidos contra 34% de Flávio Dino no primeiro turno. No segundo turno, a candidatura do tucano Castelo, que chegou a distribuir adesivos com os dizeres "Sou Lula, voto Castelo", alcançou 55% dos votos válidos e foi vitoriosa.

Isto tudo, é bom lembrar, aconteceu no cenário político de São Luís, que é muito diferente do estadual. No Maranhão como um todo não há espaço vago a ser ocupado por Dino. A polarização se dá entre os grupos liderados por Jackson e pela governadora Roseana Sarney.

Mais importante do que isso, Flávio Dino não terá nesta campanha o argumento de ser "o candidato do Lula", muito pelo contrário. O presidente Lula já deixou claro que apoiará a reeleição de Roseana.


De promessa a decepção

A esperança criada nas eleições de 2008, quando Flávio Dino parecia surgir como uma alternativa para São Luís e para o Maranhão, acabou no momento ele voltou para os braços do seu criador político e passou a se utilizar e se deixar ser utilizado pelo esquema Jackson-Reinaldista.

Se ele optou por este caminho pensando que pode se viabilizar para eleições futuras, esta é uma questão dele e do partido dele.
O PT não pode ser coadjuvante do coadjuvante. O PT tem que se preocupar é em garantir a vitória de Dilma Rousseff e fortalecer o partido no Maranhão.


Roseana com a faca e o queijo na mão


No primeiro turno das eleições de 2006, com o governo do estado trabalhando criminosamente contra sua candidatura, Roseana teve 47,2% dos votos válidos.

Desta vez, não apenas ela disputará com a máquina do governo a seu favor, mas deverá ter o apoio de todos os partidos que estiveram com ela em 2006 e pode ampliar com o PRB e, provavelmente, o PT.


Na foto

Será que Bira do Pindaré tem orgulho de ser fotografado festejando ao lado de Zé Reinaldo?

20.5.10

O falso dilema do PT no Maranhão

Reunido em Congresso Nacional, instância máxima do partido, o PT decidiu que nenhuma aliança estadual pode contrariar os interesses do seu objetivo central nas eleições de 2010: eleger Dilma Rousseff presidenta da República.

Para chegar a este objetivo, a direção nacional do partido entende que é necessário construir palanques fortes em todos os estados e, de preferência, que reuna todos os partidos membros da coalizão que dá sustentação ao governo Lula, o que não é fácil.

Acostumado a lançar candidaturas próprias em todos os estados, o PT lançará apenas dois candidatos a governador no Nordeste, região de maior popularidade de Lula. Sendo que os dois, Jaques Wagner (BA) e Marcelo Déda (SE), são candidatos a reeleição. Até no Piauí, depois de dois mandatos petistas, o partido apoiará a candidatura do PSB em nome do seu projeto nacional.

O caso que mais vem criando problema para a construção nacional é o do Maranhão, assunto que já tratei aqui. Uma parte do partido insiste em vetar uma coligação com o PMDB, um dos principais partidos da coalizão nacional, e se aventurar pela candidatura encabeçada pelo deputado federal Flávio Dino (PCdoB).

Nada contra o comunista. Considero-o um político de futuro promissor e, inclusive, apoiei sua candidatura a prefeito de São Luís em 2008, quando os petistas que hoje andam de braços dados a ele apoiaram veladamente João Castelo (PSDB). Porém, a virtuosa figura comunista não esconde o que está ao seu redor.

O que vem sendo desenhado no Maranhão é uma reedição da auto-entitulada e malfadada "Frente de Libertação", uma cooperativa de candidatos montada em 2006 pelo então governador, o ex-sarneysista Zé Reinaldo Tavares, com o intuito de derrotar a candidatura de Roseana Sarney. Na sanha para alcançar seu objetivo, Zé Reinaldo acabou cometendo crimes eleitorais que mais tarde causaram a cassação do mandato de Jackson Lago (PDT).

Assim como em 2006, Jackson Lago disponta como o candidato mais forte da cooperativa. A diferença é que na outra eleição o também ex-sarneysista Edson Vidigal fez o papel de escada de Jackson forçando o segundo turno, desta vez a função foi reservada para Flávio Dino.

Zé Reinaldo, inclusive, já anunciou em seu blog que o pacto de apoio recíproco num eventual segundo turno, idêntico ao outrora firmado por Jackson e Vidigal se repete na dobradinha Jackson e Dino.

Este pacto demonstra que as costuras políticas da oposição maranhense não têm por objetivo fortalecer a candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff e, portanto, não interessa ao PT.

O governador cassado Jackson Lago (PDT), apesar de ser filiado a um partido da base lulista e que apoiará a candidatura de Dilma Rousseff, disputará o governo do Maranhão para dar palanque para José Serra. Como pode-se conferir aqui e aqui. Além disso, a chapa majoritária encabeçada pelo pedetista poderá ser completada por três tucanos: Luiz Porto, Roberto Rocha e Edson Vidigal.

Agora imaginem, meus caros, se eleição presidencial e a eleição estadual no Maranhão forem para o segundo. Roseana, apoiando Dilma, baterá chapa contra Jackson Lago e seus tucanos e, neste não distante cenário, Flávio Dino está comprometido a ficar do lado dos apoiadores de José Serra!


O discurso anti-sarneysista


Convenhamos, nem ao PCdoB de Flávio Dino, nem ao PT cabe o papel de trincheira para o discurso vazio do anti-sarneysismo.

O PCdoB, partido legalizado por José Sarney quando este era presidente da República, compôs os dois primeiros governos Roseana. Isso, ressalte-se, quando ela ainda apoiava o governo FHC. Por que não apoiaria agora, que Roseana e seu grupo apoiam o governo Lula e darão forte palanque para a candidatura de Dilma Rousseff no Maranhão?

O PT, por outro lado, construiu sua trajetória no Maranhão combatendo o grupo do ex-presidente José Sarney, mas desde 2001, quando José Serra fulminou a candidatura presidencial de Roseana, Sarney e seu grupo tem apoiado Lula. Apoiou na eleição de 2002, na de 2006 e apoiará Dilma em 2010. Sarney apoiou o governo Lula em todos os momentos, inclusive nos mais difíceis. Quando muitos petistas tituberam, quando vários foram oportunistas e saíram do PT para fundar outros partidos e outros ficaram afinados ao discurso da oposição udenista, José Sarney foi leal ao presidente Lula.


Fortalecer o PT e a coalizão


Dentro do PT, repete-se a polarização da política maranhense. O grupo majoritário, chamado "Construindo um Novo Brasil" e liderado pelo ex-deputado federal Washington Luiz (foto), segue a estratégica desenhada pelo presidente Lula e pela campanha de Dilma e apoia a aliança com o PMDB com três condições, já aceitadas pela governadora Roseana Sarney: Indicar o vice, compor a coordenação de campanha e participar da formulação do programa de governo.

Neste termos o PT-MA sairia fortalecido como um dos protagonistas da política maranhense, teria condições de ampliar sua bancada parlamentar, teria espaço no futuro governo para implementar uma política petista e garantiria uma grande vitória para Dilma Rousseff no estado.

O outro lado do partido, sob a batuta de Domingos Dutra, diz querer construir um campo democrático e popular ao lado de figuras como Zé Reinaldo Tavares. Parece até que não sabem o jogo que está sendo jogado.

Dutra, que gosta de dar uma de radical e se declara uma mistura de Osama Bin Laden com Lampião, não se incomoda com a companhia de tucanos, mas chegou a fazer ameaças públicas de morte se fosse derrotado na disputa interna e afirma que fará greve de fome se a direção nacional do PT, dentro das suas atribuições legais, decidir pela aliança PMDB-PT no Maranhão.


Acusação da revista Veja

A revista Veja, a mesma que disse que a campanha de Lula fora financiada com doláres vindos de Cuba em caixas de whisky, que Lula tinha contas secretas no exterior, que Zé Dirceu mandou matar Celso Daniel e de tantos outros factóides, acusa agora a ala petista do PT-MA de ter comprado delegados para apoiar a tese de aliança com o PMDB.

Sinceramente, se a Veja está plantando factóide contra a aliança ela só pode ser a melhor opção.

11.5.10

Convocação da Seleção do Braga

Torçam para o Dunga ler este blogue e seguir os meus conselhos. Segue a lista ideal:

Goleiros:
Júlio César (Internazionale)
Hélton (Porto)
Gomes (Tottenham)

Laterais:
Daniel Alves (Barcelona)
Maicon (Internazionale)
Gilberto (Cruzeiro)
Marcelo (Real Madrid)

Zagueiros:
Lúcio (Internazionale)
Juan (Roma)
Luisão (Benfica)
Alex (Chelsea)

Volantes:
Gilberto Silva (Panathinaikos)
Hernanes (São Paulo)
Felipe Melo (Juventus)
Thiago Motta (Internazionale)

Meias:
Paulo Henrique Ganso (Santos)
Kaká (Santos)
Ronaldinho (Milan)
Elano (Galatasaray)

Atacante:
Luís Fabiano (Sevilla)
Robinho (Santos)
Neymar (Santos)
Nilmar (Villareal)