28.3.10

Nardoni, um monstro apaixonado

[Texto escrito por um leigo em Direito]

Terminado o circo que se forçou em torno do julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, eu permaneço com uma pulga atrás da orelha.

Não quero aqui inocentá-los, nem condená-los. Isto o júri popular já fez e deu-me a liberdade para chamá-los de assassinos, mas, sinceramente, há algo de muito estranho nessa história.

Na noite da morte da menina Isabella foi criada uma tese: A madrasta matou a criança e o pai a jogou pela janela para acobertar a esposa. Esta tese foi comprada pela opinião pública, que desde então não aceita a hipótese de refletir sobre qualquer coisa que vá contra ou mesmo que apenas não se encaixe por completo nessa tese.

Todos os indícios apontam para a culpa do casal, mas não necessariamente para a autoria de homicídio doloso triplamente qualificado por parte de ambos. Se Anna Jatobá esganou Isabela, ela a matou. Se Alexandre jogou o corpo da criança, já morta, pela janela, ele não a assassinou.

Consideram isso, Alexandre, que é advogado por formação, poderia se livrar da acusação de homicídio, creio. Alegaria que, vendo que havia perdido sua filha, e pensando nas duas outras crianças, não queria ter o resto da família dilacerada e, num momento de extremo nervosismo, agiu de forma desesperada jogando o corpo de Isabela pela janela.

Por que Alexandre Nardoni insistiu numa tese que lhe deu uma pena maior? Por amor a Anna Carolina? Em nome da verdade? Por que tinha esperança de ser inocentado?

A certeza que tenho é de que nós nunca saberemos o que realmente aconteceu naquele apartamento naquela noite, assim como não sabemos o que de fato ocorreu com Paulo César Farias, por exemplo.


O julgamento das ruas

Quem fica na frente de um fórum esperando pela primeira oportunidade para linchar o casal, seu advogado, algum familiar ou qualquer pessoa que não defenda a sumária condenação dos réus só grita "justiça" da boca pra fora.

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