29.3.10

PT-MA repete o erro


O Encontro de Definição de Tática Eleitoral do PT-MA decidiu, por por 87 votos a 85, que o partido apoiará a candidatura a governador do deputado federal Flávio Dino (PCdoB).

Nada contra a figura de Flávio Dino, mas a decisão tem tudo pra se mostrar equivocada.

Vamos lembrar algumas coisas.

Dino já foi petista há muitos anos e deixou o partido para exercer o cargo de juiz federal. Renunciou à magistratura para ser candidato a deputado federal em 2006, mas ao invés de voltar para um partido rachado como o PT, filiou-se ao PCdoB, um partido para chamar de seu.

O comunista surpreendeu ao conseguir mais de 120 mil votos e se tornar o quarto deputado federal mais bem votado nas terras maranhense perdendo apenas para dois filhos de ex-governadores, José Sarney Filho e Roberto Rocha, e o chefe da Casa Civil do governo da época, Carlos Brandão.

Aquela estranha eleição de 2006 no Maranhão foi vencida pela auto-entitulada "Frente da Libertação". A tal frente foi pensada pelo governador da época, Zé Reinaldo Tavares (PSB), que fora vice-governador de Roseana e eleito para o cargo depois de ter assumido o posto em decorrência à renúncia dela para disputar vaga no Senado, em 2002.

Durante o mandato, Zé Reinaldo, incentivado pela polêmica então primeira-dama Alexandra Tavares, rachou com o grupo da sarneysista e articulou a primeira derrota do grupo liderado por Sarney em 40 anos. Para tanto, a máquina do governo apoiou três candidaturas evitando assim a vitória de Roseana já no 1º turno:

  • Jackson Lago (PDT), três vezes prefeito de São Luís, candidato a governador em 2002. Era o escolhido pra vencer;
  • Edson Vidigal (PSB), ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça e ex-advogado da família Sarney. O escolhido para tirar votos de Roseana;
  • Aderson Lago (PSDB), então deputado estadual. O escolhido pra bater.
Levando a disputa para o 2º turno, todos se uniram em apoio a Jackson Lago, que foi eleito com menos de 100 mil votos de frente.

A vitória de um homem respeitável e respeitado como Jackson Lago deu esperança aos maranhenses. Esperança de que, como prometeram, libertariam o Maranhão, mas a verdade é que o velho assumiu rodeado de pessoas com índoles nada confiáveis.

O governo Jackson foi marcado pela ineficiência e pelas denúncias de corrupção e acabou sendo cassado. Jackson se utilizou no poder e para chegar a ele as mesmas práticas que sempre disse condenar no seu grupo rival.

E o PT nisso tudo? O PT indicou a vice da chapa de Edson Vidigal e compôs o governo Jackson sem destaque. O maior exemplo foi Bira do Pindaré, que venceu a eleição pra senador na capital, e foi nomeado "assessor especial" do governador, enquanto ao PSDB coube a Casa Civil, com Aderson Lago, e o apoio necessário para vencer as disputas pelas prefeituras de São Luís, com João Castelo, de Imperatriz, com Sebastião Madeira.

Parte do PT, a mais ligada ao deputado Domingos Dutra, fez parte da "resistência" contra a cassação do mandato de Jackson. Outra parte, a mais ligada ao deputado Washington Luiz, assistiu tudo calada. Calada, diga-se, como a sociedade maranhense.

Concretizada a cassação Roseana assumiu o mandato já se preparando para a reeleição e a oposição ainda meio que desorientada ensaia uma nova cooperativa de candidatos com o mesmo Jackson Lago, Flávio Dino e Roberto Rocha. Com uma diferença, a máquina do governo desta vez está nas mãos de Roseana, que a sabe usar muito bem.

Neste cenário o que faz o PT? Embarca na mesma canoa de novo. Decide apoiar Flávio Dino e se opor à candidatura de Roseana, mesmo ela apoiando a candidatura presidencial de Dilma Rousseff e tendo condições de aglutinar mais forças e formar um palanque mais forte pra ministra.

A candidatura de Flávio Dino não tem chances reais de vitória. O apoio do enrolado prefeito de Caxias Humberto Coutinho pode lhe ajudar a se eleger deputado federal, mas governador é outra história. Então pra que apoiar Dino e rachar o palanque de Dilma? Para marcar posição? Que posição? Priorizar os partidos tradicionalmente aliados? Ser contra a oligarquia Sarney?

Priorizar os partidos tradicionalmente aliados foi o que o PT fez em 2006 apoiando Vidigal. Onde está Vidigal hoje? Se preparando pra ser candidato a senador pelo PSDB.

Ser contra a oligarquia Sarney não é exatamente a melhor desculpa pra quem quer compor uma aliança que vai lançar Zé Reinaldo, ele mesmo, como candidato a senador.

Essa polarização entre sarneysistas e anti-sarneysistas é completamente falsa. Boa parte dos ex-membros da tal "Frente de Libertação" vieram de debaixo das asas do velho bigodudo. Vide João Castelo, Zé Reinaldo, Edson Vidigal e outros.

Por trás dessa cortina de fumaça está uma série de interesses e quem mais venceu foram aqueles cujos interesses não têm compromisso com o projeto nacional do PT, prioridade número 1 do partido.

E assim vai o PT, achando que todo mundo pode se aliar a ele, mas que ele não pode se aliar a ninguém.

28.3.10

Blogue do Braga não comentará pesquisas

O Blogue do Braga acompanhará a eleição presidencial e as disputas estaduais de 2010, principalmente no Distrito Federal, sem comentar nenhuma pesquisas de intenção de voto.

Nenhum instituto de pesquisa tem credibilidade suficiente para pautar este espaço.

Nardoni, um monstro apaixonado

[Texto escrito por um leigo em Direito]

Terminado o circo que se forçou em torno do julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, eu permaneço com uma pulga atrás da orelha.

Não quero aqui inocentá-los, nem condená-los. Isto o júri popular já fez e deu-me a liberdade para chamá-los de assassinos, mas, sinceramente, há algo de muito estranho nessa história.

Na noite da morte da menina Isabella foi criada uma tese: A madrasta matou a criança e o pai a jogou pela janela para acobertar a esposa. Esta tese foi comprada pela opinião pública, que desde então não aceita a hipótese de refletir sobre qualquer coisa que vá contra ou mesmo que apenas não se encaixe por completo nessa tese.

Todos os indícios apontam para a culpa do casal, mas não necessariamente para a autoria de homicídio doloso triplamente qualificado por parte de ambos. Se Anna Jatobá esganou Isabela, ela a matou. Se Alexandre jogou o corpo da criança, já morta, pela janela, ele não a assassinou.

Consideram isso, Alexandre, que é advogado por formação, poderia se livrar da acusação de homicídio, creio. Alegaria que, vendo que havia perdido sua filha, e pensando nas duas outras crianças, não queria ter o resto da família dilacerada e, num momento de extremo nervosismo, agiu de forma desesperada jogando o corpo de Isabela pela janela.

Por que Alexandre Nardoni insistiu numa tese que lhe deu uma pena maior? Por amor a Anna Carolina? Em nome da verdade? Por que tinha esperança de ser inocentado?

A certeza que tenho é de que nós nunca saberemos o que realmente aconteceu naquele apartamento naquela noite, assim como não sabemos o que de fato ocorreu com Paulo César Farias, por exemplo.


O julgamento das ruas

Quem fica na frente de um fórum esperando pela primeira oportunidade para linchar o casal, seu advogado, algum familiar ou qualquer pessoa que não defenda a sumária condenação dos réus só grita "justiça" da boca pra fora.

15.3.10

O tiro saiu pela culatra


As principais lideranças da mídia conservadora, neoliberal e de direita do país se reuniram no início do mês no fórum "Democracia e Liberdade de Expressão" realizado no Instituto Milenium.

O fórum contou com presenças como Hélio Costa, Roberto Civita, Demétrio Magnoli, Arnaldo Jabor, Marcelo Madureira (?), Reinaldo Azevedo, William Waack, Fernando Gabeira, Otávio Frias Filho, Carlos Alberto Sardenberg, entre outros. Só faltou o Bruno Kazuhiro. Foi mais ou menos como uma "Marcha da Família com Deus pela Liberdade", só que desta vez com todo mundo sentado.

Uma das principais falas foi a do bobo da corte, Arnaldo Jabor. O cineasta frustrado convocou os presentes para uma "guerra ideológica" e deu a linha: "Nossa atitude tem que agressiva", ordenou. Em outras palavras, o comando é porrada na Dilma, no PT e nos aliados todo dia até a eleição. O Lula? Bem, o Lula já é um caso perdido pra eles.

É nessa conjuntura que nós assistimos nas últimas semanas o surgimento do "caso Eletronet", dos ataques ao ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, ao tesoureiro nacional do PT, João Vaccari e, mais recentemente, ao ex-ministro Agnelo Queiroz.

As acusações contra Agnelo, além de inconsistentes e baseadas em fontes em off do tipo "amigos de Durval", "assessores de Roriz" e "integrantes da coordenação da campanha de Arruda em 2006", chamam a atenção por uma questão temporal. Foram publicadas a uma semana das prévias que o PT-DF promoverá dia 21 de março para escolher o candidato do partido ao governo do Distrito Federal.

Não é ncessário muito esforço psicológico para concluir que a matéria é plantada. Alguém, com interesse em prejudicar a pré-candidatura de Agnelo, abasteceu os jornalistas com informações suficientes para criar uma pauta. Um encontro com Roriz, um encontro com Durval e uma quadra de tênis construida no lugar errado. Era só isso.

O encontro com Roriz teria sido para firmar um pacto de não agressão que possibilitasse centrar fogo no adversário comum e mais forte: Arruda. O encontro com Durval é a mesma baboseira que os apoiadores do deputado Geraldo Magela, o outro concorrente nas prévias, vêem tentando usar como um grande pecado cometido por Agnelo desde o início do ano. A construção da quadra foi um erro que Agnelo admitiu, mandou desfazerem há meses e desfeito está.

Durante a conversa com os jornalistas outra questão surgiu: Agnelo teria renda suficiente para comprar a casa de R$ 400 mil que comprou no final de 2006? O ex-ministro mostrou seus extratos bancários e declarações de imposto de renda, que comprovam que sim, mas não soube explicar satisfatoriamente aos ouvidos dos jornalistas.

Vindas ao público, as denúncias não destruíram a pré-candidatura do ex-comunista, pelo contrário. A certeza de que a publicação da matéria foi uma vilania arquitetada para prejudicar sua pré-campanha fez de Agnelo ainda mais favorito na disputa do que antes.

A suspeita de que o próprio Magela teria sido a fonte das informações para a revista Época nunca será confirmada, mas está lançada no ar. Se foi mesmo o deputado, ele merece ser expulso do partido. Se não foi ele, tenho pena do coitado, pois, mesmo sendo inocente, ficou parecendo culpado. E não adianta se sair com pirotecnia dizendo que o repórter está livre do sigilo de fonte e que pode entregá-lo se as informações tiverem isso passadas por ele. Um jornalista sério não o faria.

Muitos outros escândalo surgirão daqui até outubro contra o PT e contra petistaa. Aqui no Distrito Federal há uma série de denúncias contra quase todos os políticos da cidade nas prateleiras das redações prontas para serem publicadas e martelarem o prego que se destacar.

A eleição será quente.

14.3.10

Agnelo Queiroz responde revista Época e adversários anônimos



A revista Época publicou reportagem em que sou acusado de ter comprado minha residência sem ter recursos financeiros para isso. Levanta dúvidas sobre a operação e ainda apresenta outros fatos que, segundo os autores da matéria, comprometem minha idoneidade. Entre esses, um erro que cometi, reconheci e já havia corrigido: construir uma quadra de tênis, já demolida, na área verde de minha casa.

Ao contrário do que afirma a reportagem, posso comprovar a correção da compra da casa. A operação de compra foi escriturada em cartório e está registrada nas declarações de imposto de renda de minha mulher, com quem sou casado em regime de comunhão de bens. As declarações dela e as minhas mostram que nós tínhamos, devidamente comprovados, os recursos financeiros para fazer a compra e efetuar os pagamentos das parcelas. As declarações são dos anos de 2007 e 2008 e não receberam contestação alguma da Receita Federal, órgão ao qual compete a palavra final sobre a legalidade e correção das informações prestadas. Para reforçar a certeza de que tudo foi feito segundo a lei, solicitei a auditores independentes um exame técnico das declarações de imposto de renda minhas e da minha esposa e comprometo-me a divulgar o resultado do laudo nesta semana.

Apesar do prazo exíguo, na sexta-feira entreguei voluntariamente à revista extratos bancários que consegui obter e cópias de declarações de imposto de renda apresentadas por mim e por minha mulher.

Ao longo de minha vida pública, como dirigente sindical, deputado distrital, deputado federal, candidato ao Senado e ministro do Esporte, construí uma reputação de honestidade e transparência que não se abala pela reportagem.

Além de falar da compra da casa e da construção em área verde, a matéria faz também ilações absurdas e tira conclusões sem nenhum sentido ou respaldo na verdade com base em fontes anônimas como ”amigos de Durval”, “assessores de Roriz” e “integrantes da coordenação da campanha de Arruda em 2006”.

O Distrito Federal passa por momentos conturbados, com o forte descrédito da política, dos políticos e das próprias instituições. Nesse quadro, acusações como as feitas pela reportagem, ainda que falsas e injustas, têm repercussão acima da que seria normal e são exploradas de maneira pouco ética por adversários.

Antes mesmo da reportagem, eu já vinha sendo vítima de insinuações e acusações levianas, algumas veiculadas pela imprensa. Chegam até mesmo a dar detalhes de suposta gravação que ninguém, na verdade, jamais viu. Já estava claro, para mim, que adversários políticos preparavam uma armação para inviabilizar minha candidatura e o projeto político e ideológico que ela representa.

O processo de eleições prévias pelo qual estamos passando vem sendo altamente negativo para o partido. Alguns militantes vêm recorrendo a acusações, insinuações, agressões verbais e golpes baixos que em nada contribuem para o crescimento do PT e para nossa vitória nas eleições.

Mas não serão fatos como esses que farão com que eu abandone o projeto político e ideológico que mobiliza e entusiasma tantos companheiros e companheiras não só do PT como de outros partidos de esquerda e que tem, paulatinamente, ganhado apoio de expressivas parcelas de nossa população. Vou disputar as prévias e vencê-las para concorrer ao governo do Distrito Federal. Continuarei empenhado na eleição da companheira Dilma Rousseff para presidente da República, na luta pela ética na política e ao lado das brasilienses e dos brasilienses que buscam um tempo melhor para nossa cidade.

Brasília, 14 de março 2010.

Agnelo Queiroz

6.3.10

Saudosismo

"Eu, você, nós dois
Já temos um passado, meu amor"

(Caetano Veloso)




Um "jornalista" respira fundo, olha para um colega do lado e diz:

-Ah, como era bom, né?
-Bom o que?, indaga o desavisado.
-Aquela época da crise do mensalão.
-Ô se era!
-Se a gente tivesse como reviver aquilo.
-Tive uma idéia...

Deu nisso: A Casa caiu




Obs: Resposta da Bancoop

5.3.10

Em nome da reconstrução

De acordo com o vernáculo, oportunismo é a tendência a sacrificar os princípios, para transigir com as circunstâncias e acomodar-se a elas. O senso comum tratou de estabelecer um sentido mais incisivo a palavra e deu um caráter menos ortodoxo. Oportunista, no bom português do dia-a-dia dos brasileiros, é aquela pessoa que - de maneira, muitas vezes, inescrupulosa - se aproveita das circunstâncias para conseguir bons resultados em seus projetos pessoais e, algumas vezes, inconfessáveis.No sentido político, o oportunista tem a conotação dada pela sabedoria popular. Essa figura nefasta emerge das profundezas da mediocridade para tentar viabilizar seus intentos que visam tão somente a satisfação dos seus desejos incônditos.

A maior crise política da história do País está desmascarando muita gente e deixando muito político nu à luz da visão do eleitorado. Não é só os envolvidos no escândalo deflagrado pela Polícia Federal com a operação Caixa de Pandora que estão tendo as vísceras expostas à opinião pública. Alguns políticos oportunistas estão mostrando para sociedade o que a pele de cordeiro esconde.

São pessoas que ainda não conseguiram ter a serenidade e espírito republicano suficientes para entender que o momento é de união. Principalmente daqueles que, ao menos em discurso, defenderam um projeto capaz de transformar Brasília em uma cidade com justiça social, democracia e organização urbanística. O racha interno de legendas que têm obrigação de apontar soluções neste sentido só prejudicam à população do Distrito Federal e deixam evidente que muitos companheiros têm projetos escritos apenas em volta do próprio umbigo.

Nós, moradores de Brasília, que sempre nos orgulhamos em dizer que as crises políticas e toda sorte de maracutaias urdidas debaixo dos panos do poder não eram endêmicas da capital, mas importadas de outros estados, estamos sangrando a cada nova denúncia. A necessidade de estancar o sangue e fechar as feridas abertas com a Operação Caixa de Pandora aponta para a construção de um governo de coalizão, com a participação popular, por meio dos movimentos sociais, igreja e partidos políticos que não foram abraçados pelas denúncias de corrupção.

Qualquer pessoa que esteja na contramão dessa proposta, está contra o povo de Brasília e contra a reconstrução da cidade. Os companheiros que estão pensando apenas nos seus projetos pessoais tem de abrir mão da mesquinharia. Estes, tenho certeza, não representam, e nem têm envergadura moral para isso, os anseios de mudança que a sociedade brasiliense espera do novo mandatário. A essas pessoas faço um convite, aliás, um pedido de um cidadão que quer dar a Brasília motivos para comemorar estes e os próximos 50 anos: deixe de atrapalhar.

Ninguém é maior do que o partido e que a vontade popular. O Partido dos Trabalhadores não é feito de nomes. Foi construído as duras penas por homens e mulheres que nunca abriram mão dos seus ideais de justiça social, dignidade, democracia e cidadania e não pode estar exposto nas páginas dos periódicos por causa de companheiros que não tem propostas concretas para o Distrito Federal, mas, e tão somente, projetos pessoais.
O PT e a população do Distrito Federal estarão unidos com Agnelo Queiroz na empreitada de reconstrução da cidade. Não deixaremos que os anos de atraso, de práticas coronelistas e de corrupção e todo tipo de imoralidade voltem a imperar pelas ruas da cidade. Esses anos estarão enterrados e receberão punição pelas graves evidências colhidas na Operação Aquarela. Nenhum companheiro pode atrapalhar a história e se colocar como obstáculo a reconstrução e ao desenvolvimento da capital.

Agnelo Queiroz é um força aglutinadora capaz de atrair forças políticas comprometidas com a cidade para a construção de um projeto abrangente de governo e, após a vitória nas urnas, a nomeação de um secretariado idôneo e de notório saber nas diversas áreas da administração pública. Agora, livre das obrigações com a presidência do partido, vou trabalhar para sedimentar, ainda mais, o nome de Agnelo Queiroz e o projeto transformador que ele representa. Esse é o melhor presente para os 50 anos de Brasília e o melhor caminho para preparar a capital para o primeiro século de existência.

Chico Vigilante é do Diretório Regional e ex-presidente do PT-DF, também foi deputado federal e distrital.

Onde vamos esconder nossas vergonhas?

É uma vergonha os conchavos políticos que estão sendo produzidos na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Melhor dizendo, é uma afronta à opinião pública e a inteligência do eleitor brasiliense. Mais do que isso: é um argumento contundente para justificar a intervenção federal no Distrito Federal e por um ponto final na bandalheira que tomou de assalto o Executivo e o Legislativo local.

Para mim não resta dúvida: a Câmara Legislativa deu sinais claros que a crise política entrou pela porta e o bom senso dos políticos saiu pela janela.

É a primeira vez, em toda a minha trajetória de vida pública, que eu vejo a eleição de um Judas. Um não: três. Os distritais acreditam cegamente que degolando as cabeças de Eurides Brito, Leonardo Prudente e Júnior Brunelli vão enterrar de vez no cemitério do esquecimento as graves denúncias que atinge mais de um terço da Casa e entorna lama no Tribunal de Contas do DF.

Não sei com que cara os distritais pretendem ir ao Supremo Tribunal Federal se posicionar contrários a intervenção no DF. Pior, não sei com que coragem eles pretendem usar o argumento da autonomia política.

Se a autonomia está ameaçada é um efeito colateral do comportamento da própria Câmara Legislativa que, como contam as denúncias, se vendeu para aprovar projetos, foi subserviente aos desejos do Executivo e agora, por último, está tramando um golpe contra a população salvando da execração pública e do julgamento popular os mensaleiros investigados pela Polícia Federal.

O nome dessa vergonha desenhada pela Câmara Legislativa, ao menos na minha terra, é golpe.

Os deputados distritais tinham de cumprir seu dever e apurar a fundo a participação de todos os parlamentares citados, as acusações de pagamento por parte do GDF à distritais para a aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) e apoiar a intervenção federal e a transparência da gestão de todos os contratos do governo.

O posicionamento da Câmara Legislativa é temerário e abre espaço para outras decisões suspeitas do Executivo, como a contratação, sem licitação, das empresas do tio do deputado Cristiano Araújo. Decisão tomada já pela caneta de Wilson Lima.

Pelo que parece, a Câmara não aprendeu a lição está mantendo como regra o toma lá da cá.

Eu estou convencido. Por tudo que estamos assistindo, tenho certeza que a intervenção é o melhor remédio. Senão, vejamos:

O governador eleito está preso; secretários de estado e diretores de empresas públicas são citados como suspeitos pela polícia; as autarquias estão sob a mira dos investigadores; grande parte dos distritais tem envolvimento direto com o mensalão do DEM; o Tribunal de Contas do Distrito Federal está sob suspeição; o vice-governador eleito, após uma série de trapalhadas, se viu obrigado a renunciar e o governador interino saiu em defesa dos mensaleiros.

Se tudo isso não justifica a intervenção, não sei mais o que teria de acontecer.

O argumento da autonomia política é pífio. A intervenção é uma medida emergencial para sanar a situação criada por comportamentos nefastos, como os da Câmara Legislativa, e pela atuação deliberada de corruptos que estão à frente do GDF há quase duas décadas.

É um remédio amargo, mas é a dose exata para estancar a hemorragia de escândalos.

Distritais e a Ordem dos Advogados do Brasil deveriam estar defendendo a moralidade e a apuração das denuncias de compra de votos para a aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT).

Fazer discurso contra a intervenção é prestar um desserviço à população do Distrito Federal.


Chico Vigilante é do Diretório Regional e ex-presidente do PT-DF, também foi deputado federal e distrital.

3.3.10

Carta aberta às companheiras e aos companheiros do PT

Nos últimos dias tivemos, infelizmente, a comprovação do que já suspeitávamos há tempos: têm origem em companheiros de nosso partido as insinuações de que eu teria cometido uma grave transgressão ao assistir, antes que fossem divulgadas a partir da operação Caixa de Pandora, gravações feitas pelo ex-secretário Durval Barbosa.

Esse fato vem sendo usado em uma orquestrada campanha contra minha candidatura ao governo do Distrito Federal. Começou em conversas de companheiros nossos com dirigentes de outros partidos políticos, continuou com a plantação de notas em colunas e blogs. Depois, passaram a dizer que existiria uma gravação com Durval Barbosa que me incriminaria, inviabilizando minha candidatura. Agora, finalmente, o assunto foi tratado abertamente por companheiros do PT nos debates visando às eleições prévias que se realizarão no dia 21.

É claro que essas acusações levianas contra mim extrapolam o PT são exploradas também por nossos adversários políticos, que espalham, anonimamente, boatos sem qualquer fundamento. Mas o que mais me indigna é que estejam sendo instrumento da luta política interna no PT, numa atitude desleal e prejudicial ao partido.

Por isso, volto a tratar do assunto, em consideração às companheiras e companheiros do PT. Não cometi nenhum ato ilícito, não feri nenhum procedimento ético, não assumi nenhum compromisso político ao assistir às gravações e não errei ao manter em sigilo o que havia visto. As acusações que me fazem têm por objetivo tentar prejudicar minha candidatura ao governo do Distrito Federal e atingir o PT no momento em que o partido tem plenas condições de voltar ao governo do Distrito Federal.

Conforme já contei em meu blog, cerca de dois meses antes da operação Caixa de Pandora fui convidado pelo jornalista Edson Sombra, que conheço há mais de 20 anos, a ver gravações que, segundo ele, comprovariam atos de corrupção no governo do Distrito Federal. Disse-me ele que o então secretário Durval Barbosa estava exibindo as gravações para jornalistas, políticos e outras pessoas, pois se sentia fragilizado e buscava respaldo para denunciar as irregularidades, uma vez que estavam tentando responsabilizá-lo por elas.

Fui sozinho, no meio da tarde de um dia útil, ao gabinete do então secretário de Articulação Institucional do GDF, Durval Barbosa, no anexo do Palácio do Buriti. No corredor fui recebido pelo jornalista Edson Sombra, que me apresentou a Durval Barbosa. O local é público e de grande movimento. Não tive nenhuma preocupação por estar sendo visto, pois nada estava fazendo de errado ao ir, à luz do dia, ao gabinete de um secretário do GDF. Nada tinha e nada tenho a esconder.

Como sabem, fui deputado distrital na primeira legislatura, exerci três mandatos de deputado federal, fui ministro do Esporte e candidato ao Senado muito bem votado. Sou político atuante e de vida limpa. É natural que tenha aceitado o convite de um amigo de longa data para conhecer possíveis provas de corrupção no governo do DF, ao qual fazia e faço oposição. Em toda minha vida pública nunca tive receio de conversar com qualquer autoridade de qualquer governo, pois tenho a convicção de que só têm medo de conversar com adversários os que não confiam em si próprios.

Assisti a três gravações que me foram mostradas. Uma, em que o então governador José Roberto Arruda recebia dinheiro de uma pessoa que não aparecia no vídeo. Outra, em que o então deputado Leonardo Prudente recebia dinheiro. Não me lembro qual era o personagem da terceira, que não soube identificar.

Minha impressão foi de que as gravações haviam sido editadas. Depois, com a divulgação pública, vi que estava certo, pois no material a mim mostrado não aparecia o então secretário Durval Barbosa.

Mantive sigilo sobre o que havia visto. Qualquer atitude minha, sem ter as gravações em meu poder e sem ter como comprovar a autenticidade delas, poderia ser interpretada como ação político-eleitoral de um possível candidato e assim prejudicar as denúncias que Durval Barbosa dizia que iria fazer. Eu não tinha como provar nada e não tinha certeza de que o então secretário entregaria as gravações ao Ministério Público e à polícia, para comprovar minhas acusações.

Não comentei o assunto sequer com meus correligionários e amigos mais próximos, para evitar especulações e não ser leviano. Dizem, em tom de ameaça, que Durval Barbosa gravou minha presença em seu gabinete. Como já disse, torço para que tenha mesmo gravado, para que fique claramente demonstrado que, ao contrário do que insinuam maldosamente adversários políticos, não tratei de nenhum outro assunto com ele e não cometi nenhum ato ilícito. A gravação, se existe, mostrará que durante minha presença no gabinete do então secretário limitei-me a assistir às imagens que ele me mostrou.

Lamento que esse episódio continue sendo explorado com interpretações intencionalmente equivocadas e de má-fé e com insinuações de que eu teria feito acordos ou compromissos com o ex-secretário Durval Barbosa. Nada fiz de errado e nada tenho a temer.

Brasília, 3 de março de 2010

Agnelo Queiroz