31.8.09

Sobre a coerência da oposição

O deputado federal José Carlos Aleluia (PFL-BA) declarou na edição 1979 da revista Veja, do dia 25 de outubro de 2006, o seguinte: "A vitória dos aliados de Lula no Nordeste é a vitória do coronelismo da era digital. O cartão do Bolsa Família é a institucionalização da compra de votos".

Este ano, num ato no interior da Bahia, Aleluia "mudou um pouco o tom":
“Queremos dar continuidade ao Bolsa Família, mas melhorando a vida das famílias”, anunciou.

Ou eles querem dar continuidade à "compra de votos institucionalizada" ou eles falam qualquer coisa pra tentar ganhar a eleição.

28.8.09

Sobre o tal caseiro


Correio Braziliense, 02/03/2008, matéria "Caseiro cobra promessa da oposição":

"Dois anos depois de ser o pivô da queda de Antonio Palocci do Ministério da Fazenda, o caseiro Francenildo dos Santos Costa tem o que cobrar. Diz que muitas pessoas, inclusive senadores da oposição, prometeram lhe ajudar com um emprego após o escândalo que derrubou o ministro. Até hoje, ninguém apareceu.

Francenildo, 25 anos, está desempregado. Mora numa casa simples em São Sebastião, no Distrito Federal, com a mulher e um filho de oito anos. Faz bicos de jardinagem em algumas casas do Lago Sul. Cobra R$ 60 por dia de trabalho. E não esquece das promessas feitas em 2006. “Alguns diziam: ‘Quando a poeira baixar, vou te ajudar’. Hoje ninguém liga mais"."

27.8.09

A enquete

Enquete na internet são meios nada confiáveis de medir a opinião popular, portanto eu nem ia comentar a tal enquete do Uol. 

A pergunta da enquete é a seguinte: "Na sua opinião, qual é o partido político mais sério do Brasil?"

O Blog Democrata, do ex-PFL, pediu para seus visitantes escolherem o partido na pesquisa, mas quando você entra no saite vê que a opinião "DEM" teve apenas 2,1% dos votos.

Quem lidera até agora? O PT, com 44,93% dos votos. Não há vestígio de nenhuma referência à enquete no saite do PT.

26.8.09

Everardo: Casos Petrobras e Dilma/Lina "são farsa"

Reprosuzo na íntegra texto e entrevista do saite Terra Magazine, comandado por Bob Fernandes, com o ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel:


"O pernambucano Everardo Maciel mora há 34 anos em Brasília. Foi secretário executivo em 4 ministérios: Fazenda, Educação, Interior e Casa Civil, e foi Secretário da Fazenda no Distrito Federal. Everardo é hoje consultor do FMI, da ONU, integra 10 conselhos superiores, entre eles os da FIESP, Federação do Comércio e Associação Comercial de São Paulo e é do Conselho Consultivo do Conselho Nacional de Justiça.

Mas, nestes tempos futebolísticos, às vésperas de 2010, com tudo o que está no ar e nas manchetes e, em especial, diante do que afirma Everardo Maciel na entrevista que se segue, é importantíssimo ressaltar que ele foi, por longos 8 anos, "O" Secretário da Receita Federal dos governos Fernando Henrique Cardoso.*

Dito isso, vamos ao que, sem meias palavras, afirma Everardo Maciel sobre os rumorosíssimos casos da dita "manobra contábil" da Petrobras - que desaguou numa CPI -, da suposta conversa entre a Ministra Dilma Rousseff e a ex-Secretaria da Receita Lina Vieira e da alardeada "pressão de grandes contribuintes", fator que explicaria a queda na arrecadação:

- Não passam de factóides. Não passam de uma farsa.

Sobre a suposta manobra contábil que ganhou asas e virou fato quase inquestionável, diz o ex-Secretário da Receita Federal de FHC:

-É farsa, factóide... a Petrobras tem ABSOLUTO DIREITO (NR: Destaque a pedido do entrevistado) de escolher o regime de caixa ou de competência para variações cambiais, por sua própria natureza imprevisível, em qualquer época do ano. É bom lembrar que a opção pelo regime de caixa ou de competência não repercute sobre o valor do imposto a pagar, mas, sim, a data do pagamento. Essas coisas todas são demasiado elementares.

E o caso Dilma/Lina?

- Se ocorreu o diálogo, ele tem duas qualificações: ou era algo muito grave ou algo banal. Se era banal deveria ser esquecido e não estar nas manchetes. Se era grave deveria ter sido denunciado e chegado às manchetes em dezembro, quando supostamente ocorreu o diálogo. Ninguém pode fazer juízo de conveniência ou oportunidade sobre matéria que pode ser qualificada como infração. Caso contrário, vai parecer oportunismo.

E a queda na arrecadação por conta de alardeada pressão de grandes contribuintes?

-Farsa, factóide para tentar explicar, indevidamente, a queda na arrecadação.

Sobre essa mesma queda e alardeadas pressões, Everardo Maciel provoca com uma bateria de perguntas; que ainda não foram respondidas porque, convenientemente, ainda não foram feitas:

- Quais são os nomes dos grandes contribuintes, quando e de que forma pressionaram a Receita? Quando foi inciada a fiscalização dos fatos relacionados com o senhor Fernando Sarney? Quantos foram os contribuintes de grande porte no Brasil que foram fiscalizados no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período de anos anteriores e qual foi o volume de lançamentos? A Receita, em algum momento, expediu uma solução de consulta que tratasse dos casos de variações cambiais como os alegados em relação à Petrobras?

Com a palavra Everardo Maciel, Secretário da Receita Federal nos 8 anos de governo Fernando Henrique Cardoso:

Terra Magazine - Algo perplexo soube que o senhor, Secretário da Receita Federal por 8 anos nos governos de Fernando Henrique Cardoso, não tem a opinião que se imaginaria, e que está nas manchetes, editoriais e colunas de opinão, sobre o caso das ditas manobras contábeis da Petrobras, agora uma CPI?
Everardo Maciel -
Independentemente de ter trabalhado em qualquer governo, meu compromisso é dizer a verdade que eu conheço. Então, a verdade é que a discussão sobre essa suposta manobra contábil da Petrobras é rigorosamente uma farsa.

Uma farsa, um factóide?
É exatamente isso. Farsa, factóide. E por quê? Porque não se pode falar de manobra contábil, porque a contabilidade só tem um regime, que é o de competência.

Traduzindo em miúdos, aqui para leigos como eu....
Eu faço um registro competência... quer dizer o seguinte: os fatos são registrados em função da data que ocorreram e não da data em que foram liquidados. Por exemplo: eu hoje recebo uma receita. Se estou no regime de competência, a receita é apurada hoje. Entretanto, se o pagamento desta receita é feito no próximo mês, eu diria que a competência é agosto e o caixa é setembro. Isso é competência e caixa, esta é a diferença entre competência e caixa, de uma forma bem simples.

Cabe uma pergunta, de maneira bem simples: então, Secretário, há um bando de gente incompetente discutindo a competência?
Eu não chegaria a fazer essa observação assim porque não consigo identificar quem fez essas declarações, mas certamente quem as fez foi, para dizer o mínimo, pouco feliz.

Por que o senhor se refere, usa as expressões, "farsa" e "factóide"?
Vejamos: farsa ou factóide, como queiram, primeiro para explicar indevidamente a queda havida na arrecadação. Agora, a Petrobras, no meu entender, tem ABSOLUTO DIREITO (NR: Destaque a pedido do entrevistado) de escolher o regime de caixa ou de competência para variações cambiais, por sua própria natureza imprevisível, em qualquer época do ano. É bom lembrar que a opção pelo regime de caixa ou de competência não repercute sobre o valor do imposto a pagar, mas, sim, a data do pagamento. Essas coisas todas são demasiado elementares. Para especialistas.

Então por que todo esse banzé no Oeste?
Não estou fazendo juízo de valor sobre a competência de ninguém, mas, neste caso, para o governo, me desculpem o trocadilho, o que contava era o caixa. E o caixa caiu. Para tentar explicar por que a arrecadação estava caindo, num primeiro momento se utilizou o factóide Petrobras. No segundo, se buscou explicações imprecisas sobre eventuais pressões de grandes contribuintes, às vezes qualificados em declarações em off como financiadores de campanha. Entretanto, não se identificou quem são esses grandes "financiadores de campanha" ou "contribuintes". Desse modo, a interpretação caiu no campo da injúria.

O senhor tem quantos anos de Brasília?
Não consecutivamente, 34 anos. Descontado o período que passei fora, 30 anos.

Diante desse tempo, o senhor teria alguma espécie de dúvida de que o pano de fundo disso aí é a eleição 2010?
Eu acho que nesse caso, em particular e em primeiro lugar, o pano de fundo era a sobrevivência política de uma facção sindical dentro da Receita.

Seria o pessoal que o atormentou durante oito anos?
Não todo tempo. E de qualquer sorte, de forma inócua.

Sim, mas me refiro para o que reverbera para além da secretaria,do que chega às manchetes... os casos da Petrobras, um atrás do outro.
Todos esses casos são, serão esclarecidos, e acabam, acabarão sendo esquecidos, perderão qualquer serventia para 2010. São factóides de vida curta. Depois disso chegamos à terceira fase do factóide.

Mais ainda? Qual é?
Aí vem a história do virtual diálogo que teria ocorrido entre a ministra-chefe da casa civil, Dilma Rousseff, e a secretária da receita, Lina Vieira. Não tem como se assegurar se houve ou deixou de haver o diálogo, mormente que teria sido entre duas pessoas, sem testemunhas. Agora tomemos como verdadeiro que tenha ocorrido o diálogo. Se ocorreu o diálogo, ele tem duas qualificações: ou era algo muito grave ou algo banal.

Sim, e aí?
Se era algo banal, deveria ser esquecido e não estar nas manchetes. Se era algo grave, deveria ter sido denunciado e chegado às manchetes em dezembro, quando supostamente ocorreu o diálogo. Ninguém pode fazer juízo de conveniência ou oportunidade sobre matéria que pode ser qualificada como infração. Caso contrário, vai parecer oportunismo.

À parte suas funções conhecidas, de especialista, por que coisas tão óbvias como essa que o senhor tá dizendo não são ditas? Já há dois meses essa conversa no ar sem que se toque nos pontos certos, óbvios...
Eu não sei porque as pessoas não fazem as perguntas adequadas...

Talvez porque elas sejam incômodas para o jogo, para esse amontoado de simulacros que o senhor aponta? Quais seriam as perguntas reveladoras?
Por exemplo: quais são os nomes dos grandes contribuintes, quando e de que forma pressionaram a Receita? Quando foi inciada a fiscalização dos fatos relacionados com o senhor Fernando Sarney? Quantos foram os contribuintes de grande porte no Brasil que foram fiscalizados no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período de anos anteriores e qual foi o volume de lançamentos? Ainda uma outra pergunta: a Receita, em algum momento, expediu uma solução de consulta que tratasse dos casos de variações cambiais como os alegados em relação à Petrobras? Respostas a isso permitiriam lançar luz sobre os assuntos.

Última pergunta, valendo-me de um jargão jornalístico: trata-se então de um amontoado de cascatas?
Não tenho o brilhantismo do jornalista para construir uma frase tão fortemente elegante e esclarecedora, mas, modestamente, prefiro dizer: farsa e factóide. Ao menos, no mínimo, algumas das coisas que tenho visto, lido e ouvido, não passam de factóides. Não passam de uma farsa."


*Adendo ao perfil de Everardo: Membro do corpo docente do IDP, instituição educacional de propriedade do ministro Gilmar Mendes

Suplicy para vice de Marina, por que não?

O senador Eduardo Suplicy vai sair do PT mais cedo ou mais tarde e isto está claro desde 2002, quando ele insistiu em disputar prévias contra Lula e tentou ser o candidato do partido à presidência da República.

Portanto, quando isto acontecer não me venham dizer que o PT está na maior crise da sua história, que vai rachar e que o José Serra vai ser eleito presidente.

Se Suplicy correr ainda dá tempo de sair do PT agora, se filiar no PSol e ser vice na chapa de Marina Silva à presidência da República, por que não?

Zé Eduardo para presidente

Ocorreu ontem o lançamento do ex-senador e ex-presidente da Petrobrás José Eduardo Dutra como candidato a presidente nacional do Partido dos Trabalhadores.

Dutra concorrerá com o apoio dos campos "Construindo Um Novo Brasil", "Partido de Luta e de Massas (PTLM)", "Novos Rumos", "Democracia Radical" e outras tendência regionais.

Outros candidatos compareceram ao ato para demonstrar a unidade do partido. Os deputados José Eduardo Cardoso, que concorre com o apoio da "Mensagem ao Partido", Iriny Lopes, da "Articulação de Esquerda" e Geraldo Magela, do "Movimento PT". Este último, em discurso, defendeu que o Processo de Eleições Diretas (PED) seja adiantado em 30 dias para que o substituto de Ricardo Berzoini comece a trabalhar o quanto antes.

Durante o ato, dois cumprimentos foram destaque. O primeiro foi o do ministro Patrus Ananias, que se levantou e foi até o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel quanto este foi chamado a compor a mesa. Apesar desta demonstração de coesão, o que mais chamou a atenção dos presentes foi o incidente entre o senador Eduardo Suplicy e o presidente do partido, Ricardo Berzoini.

Suplicy chegou atrasado e foi cumprimentar todos os componentes da mesa, mas ficou com a mão ao ar quando a estendeu a Berzoini.


Discursos emocionados

Dois discursos levantaram os presentes em palmas. O da senadora Ideli Salvatti (SC) e do próprio candidato.

Ideli defendeu o partido e o governo dizendo que as chances da oposição voltar ao poder estão ficando cada vez mais distante e difícil e por isso a oposição criava toda uma crise atrás de outra e enquanto isso foi aprovada na manhã de ontem, na Comissão de Educação do Senado, a 15ª universidade federal criada no governo Lula.

Em crítica a companheiros de bancada a senadora declarou: "No Senado, deveríamos ganhar adicional de de periculosidade e de insalubridade. E ai de quem não entende o pesado jogo jogado ali, ai de quem não entender o que está em jogo".

Zé Eduardo Dutra também defendeu o partido e o governo destacando a diferença entre a política econômica atual para a de outrem e, arrancando gargalhadas dos presentes, criticou o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, que afirmou que o presidente Lula não fará o sucessor. "Eu encontrei o Montenegro no início do ano e ele me disse que o Botafogo iria ser campeão carioca, e pior que daquela vez eu acreditei", brincou.

Mas o momento alto do seu discurso foi a homenagem prestada a todos os ex-presidentes do partido, os quais ele citou um a um lembrando suas qualidades. Os aplausos mais efusivos apareceram quando ele lembrou José Dirceu e José Genoíno, este estando presente foi às lágrimas com as palavras de Dutra: "Eu quero estar a altura de um dos melhores deputados federais que já tiveram cadeira nesta casa, um guerreiro que, na ditadura, teve seu corpo torturado, e na democracia, foi vítima de um cerco das mesmas forças políticas. Quero estar a altura do meu companheiro José Genoíno", declarou.

As eleições internas do PT acontecerão nos dias 22 de novembro (1º turno) e 6 de dezembro (2º turno).

24.8.09

Lina Vieira, a falsa musa da oposição (2)


A ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira , como se sabe, fez carreira no Rio Grande do Norte, onde foi do primeiro escalão do primeiro governo Garibaldi Alves Filho (1995-1998).

Naquela época José Agripino era ferrenho adversário de Garibaldi (veja aqui). Rivalidade de duas oligarquias, os Maia e os Alves.

Hoje eles estão juntos. Garibaldi tentou voltar ao governo do estado em 2006 com o apoio de Agripino, mas foi derrotado pela governadora Vilma de Faria. Em 2010, os três disputarão duas vagas no Senado da República. Vilma, com o apoio de Lula.

O fato é que Lina Vieira, segundo Altino Medeiros, teve dois contatos com José Agripino antes de depor na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Quem sabe, para combinar o jogo. Se foi mesmo para isto, não fizeram direito. Como já disse aqui, Lina é a falsa musa da oposição.

Um absurdo (?)

Novo estardalhaço da imprensa: dois assessores ligados à Lina Vieira são demitidos da Receita Federal.

Nossa, que espanto.

Vou logo avisando. Se um dia eu assumir a Receita Federal faço questão de indicar meu próprio secretário e meu chefe de gabinete.

Veja e suas previsões

No dia 2 de maio de 2001, a revista Veja chegou às bancas com a matéria "O efeito da popularidade". "A imagem desgastada não impede que FHC emplaque seu candidato no topo da corrida de 2002", dizia o sutiã da matéria.

Naquela época o instituto Sensus dava a avaliação positiva do Efeagacê em 29,7% e apenas 15% dos eleitores diziam-se dispostos a votar no candidato indicado pelo então presidente, segundo estudo realizado pelo próprio PSDB.

Trecho da matéria de Veja:

"Pesquisas de opinião, lembra o diretor do Ibope, Carlos Augusto Montenegro (grifo meu), são o retrato de um dia. Ou seja, o que se vê hoje pode desaparecer amanhã. (...) Mas sabe-se que sua posição (a da popularidade de Efeagacê) vai dar a medida da influência de FHC na próxima eleição. A respeito disso, existe uma idéia que se vem tornando consensual sobre a sucessão de 2002. Salvo um desastre de qualquer natureza, diferentemente do que parece, quem quer que seja o candidato apoiado por FHC em 2002 será um adversário poderoso."

O fim desta história todo o mundo sabe. Lula quase ganha no primeiro turno e massacra o candidato tucano no segundo turno.

Nesta semana a mesma revista veio as bancas com uma matéria bem diferente. "Lula não fará seu sucessor", diz a manchete com aspas. A frase não é da revista, ela jamais seria irresponsável ao ponto de afirmar algo assim tão categoricamente. A frase é o entrevistado. Quem? Carlos Augusto Montenegro.

A matéria começa com um perfil de Montenegro. Segue:

"Carlos Augusto Montenegro é um dos mais experientes analistas do cenário político nacional. Presidente do Ibope (instituto ligado à rede globo, grifo meu), empresa que virou sinônimo de pesquisa de opinião pública no Brasil, ele acompanhou com lupa todas as eleições realizadas no país desde a volta à democracia, em 1985. Agora, faltando pouco mais de um ano para a sucessão presidencial, Montenegro faz uma análise que o consagrará se acertar"

Um gênio, em resumo. Um homem preparado, eu diria.

O guru diz no meio da entrevista: "Sua reeleição (de Lula) foi um plebiscito para decidir se deveria continuar governando mais quatro anos ou não. Mas tudo indica que agora ele não fará o sucessor justamente por causa da mesmice na qual o PT mergulhou".

Depois disso vem a grande pérola:

"Faltando um ano para as eleições, o governador de São Paulo, José Serra, lidera as pesquisas. Ele tem cerca de 40% das intenções de voto. Em 1998, também faltando um ano para a eleição, o líder de então, Fernando Henrique Cardoso, ganhou. Em 2002, também um ano antes, Lula liderava - e venceu. O mesmo aconteceu em 2006. Isso, claro, não é uma regra, mas certamente uma tendência. Um candidato que foi deputado constituinte, senador, ministro duas vezes, prefeito da maior cidade do país e governador do maior colégio eleitoral é naturalmente favorito. Ele pode cair? Pode. Mas pode subir também."

Cómico, se não fosse trágico. Trágico porque este senhor preside um instituto de pesquisa de opinião pública no qual o povo brasileiro de fato confia e que influencia suas posições.

Ora, por ter sido tudo isso que Montenegro lembra José Serra aparece com essa suposta intenção de voto nas pesquisas. O que, na verdade, não passa de recall. Todo mundo já o conhece, ele não tem mais espaço pra subir, pelo contrário, não para de cair.

Essas previsões são, na verdade, torcida. Errou em 2002 e errará em 2010.

21.8.09

A propósito

Não existe imparcialidade e não serei eu que vou inventá-la neste blogue.

Tenho lado, é verdade, mas os outros também tem. A diferença é que aqui não tem hipocrisia, aqui você sabe qual o nosso lado.

Ao gosto de cada um

  • Marina Silva abandona o barco num momento de crise pra ir pro partido do Zequinha Sarney e do Gabeira;
  • Eduardo Suplicy, que não vota no conselho de ética, pediu a palavra só pra dizer que se pudesse votar iria contra a determinação do partido;
  • Flávio Arns tem vergonha do PT.
Pra imprensa, petista bom é petista assim.

20.8.09

Gil pra Marina no PV: "ob, observando hipócritas"

Texto daqueles que eu leio e penso: "Queria tê-lo escrito".

Por Rodrigo Vianna


"Dizem que o Gilberto Gil (que foi um grande Ministro da Cultura) pode ser o vice de Marina Silva no PV.


Desde que ouvi essa história, não sei por que, uma música genial de Gil não me sai da cabeça:
"Não Chores Mais"

(...)Ob... observando hipócritas

Disfarçados, rondando ao redor

Amigos presos, amigos sumindo assim, pra nunca mais

Nas recordações retratos de um mal em sí

Melhor é deixar pra tráz

Não, não chores mais... não, não chores mais


A UDN do Leblon está em festa. O PV do Rio (com Sirkis aliado do DEM, e Gabeira aliado do FHC) já avisou que a Marina será sublegenda do Serra.

Serra, como se sabe, é um homem preocupado com verde. Só isso explica que tenha colocado Marcio Fortes numa estatal paulista. É o homem dos verdes.

Mas os hipócritas não estão só entre os tucanos, demos e colunistas de jornal - que agora "descobriram" a importância do "desenvolvimento sustentável"; descobriram que o Sarney é um "oligarca malvado".

Não. Do lado governista também é possível "ob, observar hipócritas".

A porção UDN do PT descobriu agora que é muito feio fazer aliança com o Sarney.

Ora, sem aliança, o governo Lula não existiria. Os avanços sociais do governo Lula não existiriam.


Essa turma deveria ter saído do PT lá atrás. Fingiu que não estava acontecendo nada? Fingiu não perceber que o partido se transformava - já em 2002 - numa máquina social-democrata, ao estilo do PSOE espanhol, ou do velho PTB getulista?

Quando Lula era uma espécie de "bom selvagem", que assustava e não tinha chance de ganhar, conheço muita gente que achava lindo apoiar o Lula.

O Lula, e o PT podiam ter continuado onde estavam. Era uma escolha possível: oposição eterna. Pra ganhar nesse Brasil de passado senhorial, foi preciso fazer aliança.

Em 88, Erundina ganhou (e tentou governar) em São Paulo - sem aliança. Mas o que ficou?

Erundina foi arrasada pela imprensa paulista. Não tinha força pra se defender.

O PT udenista queria que Lula virasse uma Erundina?

Não teria terminado o primeiro mandato.

Respeito muito a Erundina. Mas, prefiro um governo que deixe marcas.

Lula tem 4 grandes méritos:
- política social massiva (Bolsa Família e outros);
- política externa independente (sem tirar sapatos pros EUA);
- política econômica levemente expansionista (com aumento de salário mínimo, bancos públicos jogando no ataque, e fim das privatizações);
- respeito aos movimentos sociais.

Lula fez (e faz) um governo social-democrata. Trabalhista, se preferirem a nomenclatura mais brasileira.

Fez pouco? Menos do que se esperava, mas fez muito para reduzir o passivo brasileiro de exclusão e entreguismo.

O resto é discurso da UDN!

Em 2005/2006, muita gent.e achava que o PT ia acabar. Parlamentares abandonaram o barco.


A bancada federal caiu para 81 deputados em 2006.

Pois bem: na eleição daquele ano, o PT elegeu 83 deputados federais.

Por isso: calma, minha gente.

Parlamentares que entram em pânico por causa de manchete da imprensa udenista não servem pra defender um governo que já nasceu assim: amplo e cheio de contradições.

Daqui, de longe, dá vontade de cantarolar pra eles: "ob, observando hipócritas".

Eles podem ficar tranquilos. Podem votar na Marina em 2010. E ajudar a eleger o Serra."

Reserve sua tarde de domingo

Programão garantido

18.8.09

Lina Vieira, a falsa musa da oposição


Essa história da ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira parecia perfeita para a oposição. Uma demissionária acusa de uma vez só a candidata presidencial do governo e o acusado-geral da União, José Sarney.

Porém, assisto agora o depoimento da ex-leoa na Comissão de Constituição e Justiça, que não tem competência para tomar este depoimento, e o que ela diz?



  • A ministra me disse pra agilizar e eu interpretei encerrar;
  • Não fui pressionada pela ministra;
  • A justiça também pediu para que o processo fosse agilizado.

Isto se o encontro não comprovado tiver realmente acontecido.

Assim jaz um escândalo.


Foto: Agência Brasil

17.8.09

PMDB apoia Yeda e fica no governo para combater Tarso

Clique aqui.

Este é o PMDB do franciscano Pedro Simon.

Record X Globo

Nessa briga de Rede Globo contra Record só me resta torcer para que ambas sejam bem sucedidas e consigam destruir a rival.





A quem interessa, Marina?

Eu apoio a candidatura da senadora Marina Silva à presidência da República pelo PT. Pelo PV, nem a pau.

Marina, que constriu o PT e a CUT agora vai virar aliada de José Agripino, Zé Arruda, Zé Serra, Kassab... sim, porque o PV, pelo menos, é aliado de todos eles. É um partido que não tem nada de ambientalista, é órgão auxiliar dos projetos da direita brasileira, um PPS menor ainda.

Por que estaria recebendo tanto apoio, torcida e espaço da mídia se não fosse um golpe contra a esquerda?

Confirmando essa candidatura, será uma mancha numa belíssima trajetória política.


Quem errou primeiro?

O erro inicial não foi de Marina, mas do próprio PT. A partir do momento que o presidente Lula começou a sinalizar que seu nome preferido para a sucessão presidencial é o da ministra Dilma Rousseff o partido se recusou a debater outros nomes.

Marina Silva, Paulo Paim, Jaques Wagner, Tarso Genro... vários nomes foram ventilados e nenhum levado a sério.

9.8.09

Quando a mídia bajulava Collor

De Mino Carta, na Carta Capital:

"Pergunto aos meus botões se não seria o caso de Fernando Collor, o senador ex-presidente da República, reconsiderar suas apreciações negativas a respeito da mídia nativa. Advogado da causa de um colega da nossa Câmara dos Lordes, também ex-primeiro mandatário, o nunca assaz falado José Sarney de quem já foi desafeto, tem razões contingentes para suas atuais manifestações.

Não lhe caberia recordar, contudo, que a mídia nativa tanto se empenhou para guindá-lo ao trono vinte anos atrás? E quem cunhou, então, a definição “caçador de marajás”? A revista Veja, algo assim como a vanguarda de um sistema de comunicações que chegaria ao clímax com a manipulação do debate final entre Collor e Lula no estúdio global pelas mãos sagradas do nosso colega Roberto Marinho, hoje nome de um conjunto viário de São Paulo batizado pela ex-prefeita Marta Suplicy, petista da gema.

À época, a mídia foi muito além de generosa com Fernando Collor. Ou, diria ele, justa? Haverá quem se apresse a lembrar que em 1992 o abandonaria ao seu destino em nome de mazelas inomináveis. Aí a rapaziada excitada pela emissora do doutor Roberto sairia às ruas de cara pintada para exigir o impeachment. Assim se escreve a história do Brasil, pobre Brasil e fajuta história.

Se houver marajás, sabemos perfeitamente onde encontrá-los. São sultões, emires, xeques. A raia miúda, dos serviçais, está em outro nível, muito distante. Mas é nesta que mira a mídia, nunca seus patrões. Já os meus botões são dados a citações em latim, e soletram repetita juvant, as repetições ajudam.

Em novembro de 1990, sete meses depois da posse de Fernando Collor, a IstoÉ que eu então dirigia publicou uma vasta reportagem de capa assinada pelo redator-chefe Bob Fernandes, sobre as aventuras de PC Farias, o Richelieu do presidente. Bob passara dois meses na tocaia do cardeal, e alinhavava em várias páginas tudo aquilo, absolutamente tudo, que um ano e meio após o irmão de Collor, Pedro, diria em entrevista à Veja.

Os leitores não padecerão de espantos agudos ao saber, se já não imaginam, que ninguém repercutiu a reportagem de IstoÉ, bem ao contrário do que se deu com a entrevista de Pedro Collor. Insisto, um ano e meio depois. A única novidade ali eram os supositórios de cocaína. Na opinião dos graúdos, é evidente, em fins de 1990 o caçador de marajás ainda não passara da conta.

Recordemos, entretanto, que, a despeito do irmão recalcado e loquaz, a mídia se conformava, na proximidade do segundo semestre de 1992, com o definitivo enterro do episódio. Pedro não tinha provas e a CPI montada a partir das suas denúncias não conseguira encontrá-las. Em compensação, a sucursal de Brasília de IstoÉ, chefiada por João Santana, havia localizado o motorista Eriberto França e os documentos que provavam a ligação entre a Casa da Dinda e PC Farias.

Santana e eu entrevistamos Collor no Planalto em uma manhã de fim de junho. Sabíamos o que o esperava, levamos a situação como se não soubéssemos. Pois é, jornalistas às vezes são inconfiáveis. Deu-se, porém, que no sábado seguinte, quando IstoÉ foi às bancas, tanto com a entrevista presidencial quanto com as provas apresentadas por Eriberto, a mídia foi forçada a ir atrás. Deu no que deu, como se diz.

Hoje Fernando Collor está ao lado de José Sarney e, portanto, de Lula. Coisas da realpolitik. Como de hábito a mídia nativa empenha-se até o último sangue contra o ex-metalúrgico que se tornou o presidente em todos os tempos mais popular do Brasil. Donde, contra quem ela aprovou e apoiou, em outras situações, de Sarney a Collor. A nossa mídia não pratica o jornalismo, porta-se de verdade como facção política. Patéticos são os seus donos e apaniguados – sabujos, jagunços, escravos – a afirmar terem independência, equidistância, pluralismo etc. etc.

A realpolitik obriga a alianças daninhas em um país de outra forma ingovernável, onde em lugar de partidos há clubes recreativos voltados a interesses de casta. Mesmo assim, a mídia vende a ideia de que varões de Plutarco existem sim, sobretudo os dotados de asas inúteis, incompetentes para o voo. Talvez fosse da sua conveniência deter-se na observação do semblante hodierno do senador Arthur Virgílio."

7.8.09

Só agora?

PMDB deve sair do governo Yeda, diz Simon (Uol)

Segundo matéria do portal Uol, o senador Pedro Simon anunciou que o PMDB, que ele preside no Rio Grande do Sul, deverá deixar a base aliada do governo Yeda Crusius (PSDB).

Não sou gaúcho, nem nunca morei lá. Na verdade, nunca pisei em solo gaúcho, mas é de espantar a política dali.

Em 2006, o PMDB lançou o então governador Germano Rigotto à reeleição e ficou em terceiro lugar na disputa. Com aversão ao PT, apoiou Yeda Crusius no segundo turno, contra Olívio Dutra (PT).

Ali, sob as asas de Yeda, permaneceu durante todo este tempo, escândalo após escândalo, denúncia após denúncia, agora, que o Ministério Público Federal pediu o afastamento da governadora ao apresentar denúncia contra ela e outros políticos gaúcho, inclusive do PMDB, Pedro Simon acha melhor deixar o governo afundar sozinho.

Em 2010 estarão separados. Yeda, que não sabe se conclui este mandato, está em dúvida sobre tentar a reeleição ou não. O PMDB, por outro lado, discute lançar de novo Germano Rigotto ou o prefeito de Porto Alegre José Fogaça. E o que espanta é que, com o apoio de Pedro Simon, poderão se apresentar como exemplo de ética e moralidade, afinal, nada têm a ver com Yeda e seu governo denunciado.

Viva a política gaúcha!

3.8.09

"Por favor, me poupem..."

Texto de Sônia Montenegro, tirado do Vi o Mundo.

"Sempre que eu argumento que a corrupção do PT, o chamado “mensalão” foi um caixa-2 para campanhas eleitorais, que aliás, diversos políticos já confessaram ter feito, como Arthur Virgílio (PSDB-AM), Roberto Brant (DEM-MG), Roberto Jefferson (PTB-RJ), etc. O último, o que denunciou o caixa-2 do PT, chamando de “mensalão”, já desafiou o plenário lotado, para que erguesse a mão aquele o parlamentar que nunca tivesse feito caixa-2 em campanha. Ninguém, absolutamente nenhum dos presentes a ergueu! A única diferença entre eles, é que quando é com o PT, a imprensa noticia com lente de aumento. Tudo fica mais grave e pior.

Aí vem a contestação: “Mas logo o PT, que empunhava a bandeira da ética?” Só que ninguém questiona a razão que levou o partido a ser identificado pela “bandeira da ética”. Obviamente, não foi apenas pelo discurso, porque nunca se viu um partido ou político afirmar que quer ser eleito para roubar, portanto, a razão que levou o PT a ser considerado um partido ético foi exatamente a sua postura e propostas de uma maior transparência na política.

Por exemplo: no dia 13 de março de 2003, no começo do governo Lula, foi derrotada a emenda constitucional do senador Tião Viana (PT), para acabar com o voto secreto, para que a população pudesse saber como votaram os seus representantes. Entre aqueles que votaram contra, estavam: Arthur Virgílio, Tasso Jereissati e Eduardo Azeredo (PSDB), Cesar Borges, Heráclito Fortes, Agripino Maia, e Marco Maciel (PFL/DEM), etc.

Justiça se faça, o PT sempre foi um partido favorável ao financiamento público de campanha, e as “vestais” do PSDB e DEM contra, bem como a grande imprensa, que alega que “certos” políticos querem que a população “ainda” financie suas campanhas eleitorais, como se o dinheiro do caixa-2 nascesse em árvore. É querer abusar MUITO da nossa inteligência! Claro que a imprensa não quer baratear o custo das campanhas, porque é um tempo em que ela fatura ALTO! E o pior, consegue com os argumentos que atendem exclusivamente aos seus próprios interesses, convencer muita gente bem-intencionada, principalmente as do tipo que “detestam política”.

Aí acontecem os chavões: “então você acha que um erro justifica outro?”, ou “você acha que os meios justificam os fins?”, como se dissessem: “então você é a favor da corrupção?”.

Não, eu não sou definitivamente a favor da corrupção, mas acho que “certos” meios podem justificar certos “fins” SIM. Um bom exemplo disso foi o que fez o Betinho, que recebeu dinheiro de um bicheiro para aliviar a dor de seres humanos que haviam contraído a AIDS. Na época, foi vilmente atacado pela mesma imprensa hipócrita que o santificou após a morte (como se ela fosse algum exemplo de ética). Que falta o Betinho nos faz, e como deve ter sofrido naqueles dias...

O PT chegou à presidência e melhorou o país em todos os aspectos, inclusive no combate à corrupção. Diferentemente do governo anterior, o Procurador Geral da República é escolhido por eleição direta entre os Procuradores, tem total independência, e já denunciou inclusive petistas. Se em toda família tem sempre uma "ovelha-negra", nos condomínios, nos círculos sociais, nas escolas, nas igrejas etc, como pretender que um partido político seja diferente?

No governo FHC, o cargo foi ocupado por Geraldo Brindeiro, por escolha dele e reconduzido até o fim de seu mandato, cujo apelido era “engavetador geral da república”, porque não levou adiante nenhuma denúncia contra o governo e seus muitos aliados.

A CGU - Controladoria Geral da União foi um órgão criado por FHC para evitar que fosse criada uma CPI para apurar uma superabundância de denúncias de corrupção contra o seu governo. Colocou lá a Dona Anadia, que não apurou nada, só aumentou nossas despesas.

No atual governo, a CGU tem atuado com independência, e é responsável pela demissão de diversos prefeitos, cujos números assustam. Só para dar uma idéia, nos últimos 6 anos 2.179 servidores que foram flagrados em atos de corrupção, ou seja, 363 por ano, ou quase 1 por dia!

A Polícia Federal deste governo mudou radicalmente a visão que os brasileiros tinham dela. Foi aparelhada e treinada, e anda aí desmascarando um monte de criminoso de colarinho branco. Aliás, as denúncias que a imprensa exibe são apurações feitas exatamente pela PF, pela CGU ou pela PGR.

Como o Brasil é um país com mais de 500 anos de corrupção e essas instituições estão funcionando republicanamente, muita coisa está sendo denunciada, e a imprensa diz que “esse é o governo mais corrupto da história do Brasil”. Convenhamos! O que querem é que a PF se encarregue apenas dos ladrões de galinha, tanto que quando desbaratou o tráfico criminoso da Daslu, inaugurada pelo Alckmin (PSDB-SP) e onde sua filha trabalha, o ACM (DEM-BA) chorou... Que patético!

Quando eu digo que não é verdade o que a imprensa pretende nos impor, e afirmo que a corrupção no governo FHC foi infinitamente maior, pela falta de argumento mais convincente, vem a ladainha: “Ladrão de tostão, ladrão de milhão”. Estou certa de que, quem inventou essa máxima foi um ladrão de milhão, porque é uma terrível hipocrisia!

Mas gostaria de ir um pouco além, e ousar dizer que considero hoje, diante das regras eleitorais vigentes, o roubo para fazer caixa-2 infinitamente menos grave do que o roubo para botar dinheiro no bolso. Estes casos deveriam ter prioridade de julgamento, por juízes incorruptíveis, respondendo inclusive pelos danos que seus roubos causaram. Meu sonho utópico de pena não seria a prisão, mas a o confisco de todos os bens, e serem obrigados a viver com 1 salário-mínimo até o último de seus dias. E se alguém tentasse dar uma ajudinha, estaria condenado à mesma pena (rs).

FHC foi o presidente contemporâneo campeão mundial no aumento da carga tributária, de 27,9% para 35,86% do PIB, privatizou 76% do patrimônio público, aumentou em 12 vezes a dívida interna e mais que dobrou a externa. Por 3 vezes obteve empréstimos junto ao FMI e Banco Mundial, congelou os salários dos funcionários públicos, pensionistas e militares e a tabela de imposto de renda, fazendo com que os trabalhadores tivessem que pagar mais imposto de renda a cada atualização do salário (ou seja, a correção pela inflação e não a progressão salarial), o salário-mínimo foi corrigido com valores abaixo da inflação. Com tudo isso, FHC não investiu em infra-estrutura: os portos, aeroportos e estradas que não privatizou, foram sucateados e não investiu nem em energia elétrica, que resultou no apagão.

Segundo a Carta Capital de 22/7/09, no último dia 16, o TCU - Tribunal de Contas da União aprovou, por unanimidade, o relatório que valoriza o prejuízo do país por causa do apagão: R$ 45 bilhões (quarenta e cinco bilhões de reais), que daria para construir 6 hidrelétricas de grande porte.

Já o governo Lula, sem privatizar absolutamente nada, mesmo perdendo a CPMF no 2º mandato, pagou a dívida externa e hoje somos credores internacionais, o que recupera a nossa soberania, porque o FMI dava o pão, e principalmente a “instrução”.

Lula aumentou os servidores públicos, pensionistas e militares, corrigiu a tabela do imposto de renda e concedeu aumentos reais ao salário mínimo, sem contar os milhões de miseráveis que ele tirou da condição extrema pobreza, programa muito combatido pela FIESP e pela imprensa, mas elogiado mundialmente.

Nunca se divulgou que o Delúbio tenha ficado milionário com o chamado “mensalão”. Denunciou-se compra de fazendas milionárias por um filho do Lula em 1ª página, e foram obrigados a desmentir em notinhas pequenas perdidas nas páginas internas dos jornais.

Porém, infelizmente, não foram poucos os que enriqueceram no governo FHC, e nem dá para citar todos, até porque muitos casos não foram nem divulgados, mas exemplos como: os jovens Marcello e Daniel Mendonça de Barros, filhos do economista tucano Luiz Carlos Mendonça de Barros, cuja corretora, a Link, tornou-se, em apenas 4 meses, a 3ª maior do país, favorecida por informação privilegiada na privatização da Telebrás; o Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity, que enriqueceu com a privataria; o Ricardo Sérgio de Oliveira, autor da famosa frase: “Estamos no limite da nossa irresponsabilidade”, o Secretário-geral do presidente, Eduardo Jorge, que liberava as verbas para enriquecer ilicitamente, “ao menos(?)” o juiz Lalau, a carta encontrada na casa do sócio, o economista Sérgio Bragança, que revela ter US$ 1,67 milhão depositados em uma conta bancária no exterior que pertenceria ao Chico Lopes, presidente do Banco Central de FHC, o economista André Lara Resende, denunciado pelo jornalista Luis Nassif em seu livro, Cabeças-de-planilha, etc e muito!!!

Sem argumentos para as comparações, os demo-tucanos diziam que o Lula tinha sorte porque o FHC tinha tido que enfrentar crises externas, mas no governo FHC, crises em países pequenos como México ou Argentina, faliram o Brasil. O Lula está enfrentando a pior crise econômica mundial depois da Grande Depressão de 1929, notadamente nas maiores economias do mundo - EUA e Europa, e nós não falimos, pelo contrário, emprestamos dinheiro para o FMI."