30.1.09

Apostas


Sem retirar as apostas que fiz aqui no dia 18, creio que Tião Viana acabará sendo eleito presidente do Senado.

29.1.09

PSDB fecha com Tião Viana

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) telefonou ontem a noite pro senador Tìão Viana pra informar-lhe a boa nova: O PSDB decidiu apoiar a candidatura do acreano à presidência do Senado Federal.

Só para lembrar, este foi o único blog que escreveu: "(Sarney) Dá como certa também o apoio do PSDB, mas é aí que mora o perigo. Sarney é desafeto do governador José Serra (PSDB-SP), virtual candidato tucano à presidência em 2010. Sarney é caninamente leal ao presidente Lula. Qual o interesse do PSDB eleger Sarney?" Quando toda a imprensa falar uma coisa e eu falar outra, me ouçam.

Vamos às contas. A bancada do PSDB tem 13 senadores, desconsiderando-se Papaléo Paes, do Amapá como Sarney, e Álvaro Dias, voz discordante, são 11 votos pró-Tião Viana. O PT tem 12 senadores. O implodido bloquinho de esquerda, PDT (5), PSB (2), PCdoB (1) e PRB (1), deve votar todo com Tião. Pelo menos duas defecções do PMDB são certas, Jarbas Vasconcellos e Pedro Simon. Somando até aqui são 33 votos.

O determinante agora serão os votos do centrão. O PP tem apenas um senador, Francisco Dornelles, e deve votar em Sarney. O PR tem quatro senadores. Antes do anúncio do PSDB três pendiam a Sarney, vejamos com vão se portar agora, mas vamos colocar apenas o líder da bancada, João Ribeiro, na conta de Viana, 34. Do PTB apenas dois dos sete senadores devem votar no petista. Viana, portanto, teria agora 36 votos, de 41 necessários para vencer.

Muito ainda pode acontecer até a eleição. Como este blogue, e só este blogue, disse: A eleição no Senado ainda não está decidida.

Bobagens que se escrevem na imprensa

A imprensa já elegeu José Serra (PSDB) presidente da República e agora faz o mesmo com José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado e Michel Temer (PMDB-SP) na presidência da Câmara, apesar da traição que o PT certamente cometerá contra este último.

Ora, leitores, Sarney negou durante meses que seria candidato à presidência do Senado e agora decide concorrer* e ainda sonda Tião Viana (PT-AC), o candidato petista, para que este saia da disputa. Sarney não foi leal e o PT está pau da vida com ele. O que fazer como resposta? Trair Michel Temer na Câmara? Temer é rival de Sarney no disputa interna do PMDB. Trair Temer seria ajudar e não dar o troco na velha raposa maranhense.



*Na verdade, Sarney não decidiu concorrer, decidiu se lançar candidato e tirar Viana da disputa. Nenhum dos dois quer batalhar voto a voto no dia 2. E Viana, não se enganem, não é cachorro morto na disputa.

Arruda se importa com você tanto quanto eu com a Kelly Key


O governador violador de painel José Roberto Arruda e o secretário de Transportes Alberto Fraga, ambos do DEM (ex-PFL, ex-PDS, ex-ARENA, ex-UDN), planejam para o mês que vem um aumento no preço das passagens de ônibus e de metrô no Distrito Federal.

A população do DF é obrigada a conviver com um sistema de transportes caótico, com ônibus velhos*, sujos, lotados, atrasados e que já cobram a passagem mais cara do Brasil: R$ 3. R$ 6 ida e volta, em 22 dias úteis R$ 132 para ir e voltar do trabalho ou da escola a cada mês, isso se o passageiro pegar apenas uma linha, se pegar outra tem que pagar de novo. Sim, porque a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) implementou o bilhete único na maior e mais complexa cidade brasileira, São Paulo, e Brasília, uma cidade planejada, não tem bilhete único.

Só para se ter uma idéia do preço: a passagem em Fortaleza custa R$ 1,60. R$ 3,20 ida e volta, em 22 dias úteis R$ 70,40. Consideráveis R$ 61,60 a menos do que em Brasília.

Os mais desavisados e aqueles que acreditam na (muita) publicidade do governo Arruda dirão que os ônibus não são *velhos, que 1000 ônibus novos foram comprados. Bem, primeiro que nessa matemática estão incluídos os microonibus, que vieram substituir as vans e bagunçaram mais ainda o sistema. Segundo, ônibus novo só circula na asas sul e norte, lagos sul e norte e outras áreas de maior poder aquisitivo. Pegue um ônibus com destino a Arapoanga, classe média, e depois venha me falar dos ônibus novos do Arruda. E outra: esse ônibus foram comprados "pelas empresas" em acordo com o governo que, em troca, as desonerou em vários impostos. De forma indireta, quem pagou foi o governo e, portanto, você e eu.

E agora, pra completar, Arruda quer aumentar o preço da passagem para R$ 3,50. Repetindo as contas ficaria R$ 154 para o trabalho e para o jovem de Brasília pagar cada mês para encher os bolsos do empresários que monopolisam o setor. Dando nomes ao bois: Wagner Canhedo, que faliu a Vasp, Valmir Amaral, suplente de Luiz Estevão, e Nenê Constantino, acusado de mandante de homicídio.

Também está previsto aumento de R$ 0,50 no preço das passagem do metrô. Eita, que ele já está quase no ponto pra ser privatizado, hein...




Obs: Essas coisas você não lerá no Correio Braziliense

PT 2009 – Um roteiro para começar a discussão

O debate entre os petistas na nossa cidade encontra-se adormecido. Desde os resultados eleitorais de 2006 o partido não conseguiu estabelecer um ambiente permanente e coletivo de discussão sobre os rumos a seguir no DF. Embora tenham ocorrido várias tentativas da direção do PT/DF de armar o partido para alguma discussão política (houve reuniões, seminários e outros fóruns), no geral essas iniciativas esgotaram-se na realização da atividade. Não produziram quase nenhum efeito prático de movimentação partidária e poucos resultados no tocante à organização e ao fortalecimento do PT local.


Minha avaliação pessoal sobre o partido nesses últimos dois anos é que acumulamos maiores fragilidades políticas; perdemos interlocução e presença dentre segmentos sociais historicamente vinculados ao partido e aprofundamos à fragmentação partidária. O ambiente petista em Brasília é de desânimo sobre o futuro do partido e há uma grande interrogação sobre os rumos a seguir.


Nos últimos dois anos acredito que o PT de Brasília foi prisioneiro de duas ilusões. Essas ilusões foram geradas em torno de qual seria papel local da atuação do partido na cidade e quais deveriam ser as tarefas partidárias na oposição à gestão de José Roberto Arruda (DEM).


Virou lugar comum no partido a afirmação de que "o governo Arruda é diferente do governo Roriz". A simples afirmação e a própria constatação dos fatos ao longo desses 2 anos de governo Arruda expressam que a análise tinha lá algum fundo de verdade. Sim, Arruda é diferente de Roriz! Ele construiu uma plataforma de gestão governamental que desmontou alguns dos pilares da política rorizista (contratação via ICS; desregulamentação do setor de transporte público; descaso com a defesa da ocupação regular das terras públicas e intransigência e desrespeito na interlocução democrática com os movimentos sociais ligados ao PT e no atendimento das suas pautas de reivindicações). O reconhecimento dessa diferença deveria produzir no partido à necessidade de construção de uma plataforma oposicionista de maior vitalidade política e social, pois o governo Arruda é privatista; ataca o serviço público e seus funcionários; arrocha salários; persegue trabalhadores e penaliza os que necessitam da presença e das ações do estado. Não foi o que ocorreu!


A constatação da diferença entre Arruda e Roriz serviu para introduzir no partido uma diretriz ilusória que poderia ser realizada pelo partido uma espécie de oposição sem mobilização social contra o GDF. O conteúdo dessa prática foi o seguinte: o partido prontificou-se sempre em afirmar nos documentos internos e nas palavras de seus dirigentes e parlamentares que era oposição ao governo local. No entanto, muito pouco fez para organizar e vocalizar politicamente os setores sociais afetados ou ameaçados pelas ações executadas nesses 2 anos de governo Arruda. A grosso modo, o trabalho oposicionista limitou-se à retórica parlamentar de plenário e ao voto contrário dos distritais em alguns projetos de lei; aos boletins partidários e as pontuais manifestações sindicais/sociais. Não houve até agora um esforço coletivo de caracterização ideológica e política da gestão Arruda e nenhuma interlocução de maior fôlego com a sociedade de Brasília sobre o caráter das suas ações e realizações.


Essa omissão e a limitação oposicionista observada devem-se à ilusão de que era possível realizar pela interlocução institucional do governo Lula com o governo Arruda; e do próprio PT local com o governador mudanças no perfil administrativo e político da sua gestão. Encontros públicos entre o governador e os dirigentes do partido; também com parlamentares e com líderes sindicais/sociais filiados ao PT/DF eram a prova cabal de uma nova maneira de se fazer oposição. Não era preciso maiores movimentações sociais ou ações de organização dos trabalhadores, pois o espaço para o diálogo foi permanente e o conteúdo das ações governamentais seria pautado pelo equilíbrio entre as partes envolvidas e mediado pelo interesse maior da coletividade, representado neste último caso pelo papel conciliatório patrocinado pelo governador. Nada mais ilusório.


Por isso, o PT/DF passou adotar uma atitude de não querer se responsabilizar pelo trabalho de organização da sociedade e de oposição ao governo local. Esse papel foi abdicado por diversos atores que integram o partido. O trabalho oposicionista não era propriamente responsabilidade exclusiva dos parlamentares petistas; também não era dos líderes sindicais/sociais, pois esses estavam interessados no atendimento das suas pautas de reivindicações e com a execução dos programas do governo local/federal; muitos menos seria responsabilidade dos quadros partidários integrantes dos órgãos do Governo Federal e ainda não poderia ser função tão somente dos integrantes da Comissão Executiva Regional do partido ou do seu presidente regional. Se a responsabilidade de organizar as tarefas de oposição ao GDF e de vocalizar os interesses dos trabalhadores não era de nenhum desses atores gerou-se o quadro de que ninguém a rigor apresentou-se para protagonizar esse trabalho e ele simplesmente não foi realizado nos últimos dois anos.


A ausência do trabalho de organização dos trabalhadores e do partido e a prática da oposição sem mobilização social alimentaram no PT/DF outras falsas expectativas políticas. Uma delas previa que o governador do DF poderia migrar do seu partido (DEM) para uma agremiação da base de sustentação do governo Lula. Portanto, por precaução não seria sensato esticar demais a corda da atuação oposicionista.


Outra expectativa passou a responsabilizar o Governo Lula pela fraqueza oposicionista do PT local contra Arruda. Segundo essa visão, se a relação republicana mantida entre o presidente e o governador permitia a transferência de uma gama expressiva de recursos financeiros da esfera federal para o governo local destinados à execução de importantes obras e programas sociais porque então ficar exposto ao papel de crítico permanente do GDF? Tal atitude poderia ser entendida pela sociedade de Brasília como um despreparo do PT/DF de conviver com a democracia e a relação harmoniosa entre os entes federativos. Se até o Governo Lula se rende à eficiência administrativa da gestão local porque razão o PT/DF haveria de opor-se às parcerias e convênios estabelecidos entre as duas esferas de governo. Nada contra as transferências financeiras ou os convênios federais para o DF, mas tais realizações deveriam servir como bom exemplo da gestão do PT à frente de administrações públicas e não como um fator de desmobilização política do partido.


A ilusão e as falsas expectativas provocaram, a meu ver, esse estado de paralisia e inércia que acomete atualmente o PT brasiliense.


Uma segunda ilusão do partido é decorrente da esfera federal e da relação partidária mantida na coalizão parlamentar de sustentação do Governo Lula no Congresso Nacional. Por força dessa coalizão parlamentar houve a aproximação do PT com partidos tradicionalmente integrantes do núcleo político de Roriz: PMDB (Felipelli); PTB (Gim) e PR (Frejat). Essa aproximação é erguida como uma possibilidade de aliança eleitoral desses partidos contra Arruda e o DEM/PSDB no ano de 2010. Ocorre que tal aproximação, por sinal muito boa e merecedora de elogios, é meramente tática e sem maiores perspectivas de consolidação. Portanto, não poderia servir para aprisionar a atuação oposicionista do PT/DF e muito menos suas tarefas políticas e organizativas. Até porque no campo estritamente político o governo Arruda age para impedir que a possibilidade dessa eventual aliança eleitoral não seja materializada em Brasília. Utiliza-se para tanto todo o instrumental político oriundo do GDF e das próprias contradições intra-partidárias dessas agremiações. A ação do PT nesse sentido deveria ser pautada pela discrição e só anunciada publicamente quando houvesse algum efeito prático. Nada de factóides ou vaidades para cavar uma pequena matéria nos jornais ou post em blogs.


Abandonar essas ilusões e as falsas expectativas; construir uma plataforma oposicionista com mobilização social; manter relações de aproximação política com os partidos da coalizão parlamentar de sustentação do Governo Lula; são tarefas urgentes para todo o PT. Para isso é preciso cumprir com os objetivos apontados pela Direção Regional do partido para o primeiro semestre de 2009: iniciar a elaboração do nosso programa de governo para 2010; definir a escolha do nome do PT/DF que disputará o cargo para governador; alinhavar uma proposta de tática eleitoral para a composição das vagas de vice e senado; incentivar a montagem das listas dos pretendentes à legenda do PT para deputado federal e distrital e colocar o bloco vermelho na rua. Esse pequeno roteiro pode servir como um despertador para o debate sonolento do partido no DF.

(*) filiado ao PT-DF, zonal Gama.

28.1.09

Arruda, o incompetente


O Correio Braziliense e os grandes (quais?) veículos de comunicação do DF não dão destaque ao fato, mas o governo de José Roberto Arruda (DEM, ex-PFL), aquele da violação do painel do Senado Federal, por pura incompetência, teve de devolver ao governo federal R$ 10 milhões do ProJovem referentes ao ano de 2007 e deixou de receber R$ 22 milhões referentes a 2008. Somando-se R$ 32 milhões a menos para a juventude do DF.

O ProJovem é um programa do governo federal que tem por intuito capacitar jovens para o mercado de trabalho. Com o dinheiro que o governo Arruda "deixou escapar" 7.500 jovens poderiam ser capacitados, mas não foram.

Este ano a Secretaria de Desenvolvimento Social, comandada pela "demo" Eliana Pedrosa e responsável pelo programa no DF, terá apenas R$ 2 milhões de verba.


Foto: reprodução\Correio Braziliense

27.1.09

Babu expulso

Não vi destaque na imprensa sobre o fato, mas a comissão executiva nacional do PT decidiu ontem, por unanimidade, expulsar do partido o deputado estadual do Rio de Janeiro Jorge Babu.

O deputado é acusado de ter envolvimento com milícias.

Nota do partido aqui.

Pequeno engano

PSDB, a esfinge

Há algumas coisas pelas quais só os políticos e os jornalistas se interessam. Eleição para a presidência do Senado e da Câmara é uma delas, mas vamos lá, é a pauta do momento.

A eleição no Senado não está tão decidida como alguns jornalistas dizem (obs.: não leia o porta-voz Cláudio Humberto). O senador José Sarney (PMDB-AP) é favorito, mas a eleição é secreta. E como dizia Tancredo Neves, voto secreto dá uma vontade de trair.

Sarney acredita que a eleição está decidida a seu favor, caso contrário não teria decidido concorrer, mas a velha raposa também erra. Se fosse um político que acertasse sempre teria aceitado a candidatura há um ou dois meses. Se o tivesse feito não haveria disputa, mas Sarney negou que seria candidato pelo menos em cinco oportunidades e agora é candidato sem razão clara.

Sarney conta com o apoio em massa do ex-PFL (hoje DEM) e da maior parte do PMDB, mesmo com alguns dissidentes que votarão em Tião Viana (PT-AC). Dá como certa também o apoio do PSDB, mas é aí que mora o perigo. Sarney é desafeto do governador José Serra (PSDB-SP), virtual candidato tucano à presidência em 2010. Sarney é caninamente leal ao presidente Lula. Qual o interesse do PSDB eleger Sarney?

E outra. Pra quem não lembra, ou não sabe, o PSDB nasceu de um racha do PMDB. Dissidentes que não concordavam com os rumos que o partido estava tomando e com as pessoas que estavam entrando no partido. Os atuais baluartes deste PMDB que causou a ruptura são Sarney e Renan Calheiros (PMDB-AL), seu fiel escudeiro.

Além do mais, o PT escolheu bem seu candidato. Tião Viana é um senador que tem bom convívio com toda a Casa, a exceção de Calheiros, e que quando exerceu a presidência do Senado, o fez de forma republicana.

O PSDB pode ser condizente consigo mesmo se decidir apoiar Tião Viana, se liberar a bancada ou até se decidir lançar candidato próprio, mas apoiar Sarney não.

Lá também

Os amigos leitores também podem ler textos deste que aqui escreve no blog Articulando (clique aqui), do qual também sou editor-chefe, em parceria com outros talentosos escritores.

22.1.09

Chatos

Considero todos os grupos religiosos chatos, mas nenhum é pior do que os ateus. Principalmente porque eles deveriam ser exatamente as tranquilos dentro do tema religioso. Não acreditam na existência em Deus, ponto, mas eles querem convencer as outras pessoas daquilo que eles acreditam, ou melhor, do que não acreditam.

A Atea, Associação Brasileira de Ateu e Agnósticos, planeja financiar publicidade que defenda seu ceticismo e criar um Dia do Orgulho Ateu. Leia aqui, no portal Terra.

Pra quê?

Já não basta católicos e protestante querendo converter as pessoas ao cristianismo? Agora ateu querem converter pessoas ao ateísmo?

Não me rotulo religiosamente, não me converto religiosamente e creio que ninguém deve ser descriminado por causa de suas crenças, mesmo que ela se baseie numa história que comece num jardim mágico com uma serpente falante.

Mais duas de uma tarde engraçada

Zacarias X Mussum

50 coisas que aprendi jogando video game (destaque para a nº 36)

A seriedade do repórter é fantástica

21.1.09

A crise e o sindicalismo

O sindicalismo brasileiro viveu seu tempo áureo no final da década de 70 com as grandes greves do ABC paulista, que foram da maior importância para o enfraquecimento da ditadura militar e para a criação do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Depois da reabertura política, da insituição de eleições diretas para presidente e da estabilização da economia, com o plano Real, o sindicalismo perdeu o rumo do Brasil. Fico sem bandeiras que de fato falassem à sociedade, mas os sindicatos estão tendo um papel importantíssimo na defesa dos interesses dos trabalhadores no meio desta crise econômica.

Parabéns aos sindicatos e às centrais sindicais.

Discurso de posse

Reveja o brilhante discurso de Barack Obama na sua posse como presidente dos Estados Unidos da América:





20.1.09

Mendigos mortos NA ASA SUL

Chego em Brasília de volta das férias e encontro como destaque das notícias locais os homicídios de dois mendigos na mesma praça onde, há 12 anos, o índio Pataxó Galdino dos Santos foi morto queimados por delinquentes de classe média da capital federal.

O destaque do fato recente no noticiário candango me faz lembrar da velha frase do falecido deputado Ulysses Guimarães: "Me espanto o espanto". Ora, classe média, estão achando o quê? Que é algo tão raro assim um mendigo ser morto ao léu? E nem estou falando daqueles que são assassinados de fome não, estou falando de morte matada mesmo. Não, classe média, não é.

O que dá destaque, então, à notícia? Ora, não é o fato, mas a localização. Não estou banalizando aqui a morte dos mendigos não, até porque esta já está banalizada, mas o que dá merecimento para a notícia estar nas primeiras páginas dos jornais locais, e até mesmo no Jornal Nacional, é a violência que foi cometida contra os tímpanos da classe média, obrigada a ouvir o som dos disparos quando estava descansando de um duro dia de trabalho e lembrar: "Ah, existe violência no Brasil". Esses pobres, hein... Não querem sequer obedecer a segregação geográfrica imposta já no planejamento inicial da Brasília de JK e trazem esses desprazeres para perto de nós, classe horrorisada com esta realidade, quando ela acontece perto de nós, claro.

Ah, só pra lembrar... Quando aqueles delinquentes de classe média mataram o índio Galdino carbonizado na mesma praça e foram arguidos sobre os motivos do crime hediondo um deles respondeu: "Pensamos que fosse um mendigo".

19.1.09

Alckmin será chefiado por Serra


Os principais blog políticos brasileiros anunciam que o ex-governador de São Paulo e ex-candidato derrotado à presidência da República e à prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), foi convidado pelo atual governador do estado, José Serra (PSDB), a assumir a Secretaria de Desenvolvimento do estado e ele aceitou.


Assim, Alckmin, que sempre que se candidatou contra a vontade Serra perdeu, se colocará hierarquicamente abaixo de seu correligionário desafeto.


Uma belíssima jogada de José Serra.


Quem não deve estar gostando nada dessa história é o governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB). Um dos seus argumentos na disputa interna que trava com José Serra para ser o candidato do partido em 2010 à presidência da República é a de que seu perfil seria mais aglutinador (Dado: 80% dos mineiros se dispõem a votar em Aécio para presidente). Porém, Serra, com essa jogada, consegue unir o PSDB paulista, o que realmente comanda a sigla, em torno de si. Fernandistas e covistas de braços dados.


Cada vez mais fica claro que o PSDB é formado por inimizades fraternas.



Foto: Agência Brasil

18.1.09

Aposto com quem quiser

Anotem aí:

  • José Sarney não será candidato à presidência do Senado;
  • Garibaldi Alves desistirá de sua candidatura ilegal;
  • Tião Viana será eleito com muitos votos da oposição;
  • Michel Temer será eleito na Câmara;
  • Ainda no 1° semestre teremos uma pequena reforma ministerial.

13.1.09

O Maranhão é isto

O Maranhão é o Brasil. Ou melhor, o Brasil é o Maranhão”. A frase é de Eliane Cantanhêde, colunista da Folha de São Paulo, em texto publicado no início de janeiro. Estamos no dia 12 e eu volto a me perguntar: o que ela quis dizer com isso? Que o resto do Brasil também é assim: pobre, atrasado e corrupto? Sinto muito, mas discordo. Ah, não, caro leitor! Esse título ninguém vai nos roubar.

A nossa pobreza é mais pobre. Mais autêntica. Trata-se de um estilo. Uma vocação. Você duvida? Então pegue o mapa da desigualdade e ponha-o de cabeça para baixo. Você vai ver. Lá estamos nós, os maranhenses, seguindo à risca a máxima bíblica: “Os últimos serão os primeiros”. Somos os primeiros entre os últimos quando se fala de Enem, IDH, QI e outras siglas e índices. Isso não é fantástico? Como disse Marcelo Mirisola: “Basta um verniz pra ser feliz”. É bom saber que a gente dá goleada nos nossos hermanos brazucas em relação a uma série de coisas.

Quer mais um exemplo? Vamos lá. Veja a nossa política. Depois de viver quarenta anos debaixo do chinelo e da chibata de uma “oligarquia furiosa” - como diz a imprensa governista - o que a gente fez? Botou no poder outra oligarquia furiosa e insaciável. Pior: que ainda rouba sob a bandeira da libertação. Ou seja: de uma só tacada conseguimos nos libertar definitivamente da idéia de liberdade. E de inteligência.

A nossa justiça também não decepciona. Somos os primeiros entre os últimos em matéria de decência. Antes que alguém me processe, vou logo esclarecendo: não digo isso de minha própria cabeça. Fui forçado a essa conclusão depois que a imprensa mostrou o caos eleitoral provocado pela venda de sentenças; depois que o nome do juiz de direito Marcelo Baldochi apareceu na "lista suja" do trabalho escravo. Mas principalmente depois que um maranhense exilado no Espírito Santo me enviou, por e-mail, este pequeno poema, à moda Gonçalves Dias:

Minha terra tem Tribunais
Onde canta a liminar
Os juízes que aqui se vendem
Não se vendem como lá

Por falar em poesia, como diria Drumonnd, o Maranhão são dois. Um a gente conhece: é o Maranhão do trabalho escravo, dos juízes corruptos, da compra de votos, da população analfabeta, das oligarquias em fúria, dos currais eleitorais, da imprensa chapa-branca, da censura arbitrária, da esquerda atrasada, das estradas fantasmas, do crime organizado, da baderna institucional, da casa de taipa, da roça de toco, das orgias palacianas, dos assaltos a banco, dos contratos espúrios, da violência no campo e das panelinhas culturais.

O outro Maranhão é mistério.


Ivandro Coêlho,
professor e jornalista.

10.1.09

Pausa nas férias

Só paro minhas férias no Maranhão pra falar da atrocidade que ocorre na Faixa de Gaza.



Vamos parar de chamar aquilo de guerra. Não é. É, na verdade, um massacre. Um lado luta com mísseis teleguiado com GPS, tanques, fuzis e o outro com pedras, paus e foguetes artesanais.



O Estado de Israel comete grave crime contra a humanidade ao matar inocentes civis com a desculpa de querer desarmar o Hamas, grupo extremista palestino. Muitas das vítimas são crianças, que nada têm a ver com o irracional ódio que permeia o Oriente Médio. Muitas das sobreviventes acabarão compondo uma nova geração de radicais.



O desrespeito às Organização das Nações Unidas (ONU) por Israel, e pelos seus cúmplices Estados Unidos, reafirma a necessidade de uma nova ordem mundial, que faça justiça.

Pergunto: Seria mais justo um embargo econômico a Israel ou a Cuba?