31.12.08

FEBEAPÁ e 2009

Quando eu era mais jovem (ou menos velho), ainda na Universidade, nos idos de 1964, lá em Cruz das Almas, na Bahia, ia regularmente esperar a chegada do ônibus que vinha de Salvador, trazendo os jornais do dia - da capital, do Rio e de São Paulo.

Os mais interessados ansiavam pelos assuntos tratados no Correio da Manhã e também no jornal Última Hora. Seus editoriais eram analíticos, consistentes, embora refratários ao sistema político vigente pós 64. Este último trazia diariamente uma coluna assinada por Stanislaw Ponte Preta, com o título FEBEAPÁ, que traduzido seria o Festival de Besteira que Assola o País.

As besteiras eram feitas/cometidas pelos políticos, pelos militares, em suma, pelos que comandavam o país.

Qual a razão de tratar desse assunto? é que me dá a idéia que as coisas se inverteram. São alguns jornalistas (ainda bem que são poucos) que com as suas opiniões despropositadas, algumas vezes inconsistentes, jocosas e levianas enriquecem o besteirol nacional. O Paulo Henrique Amorim se refere a eles como integrantes do PIG – Partido da Imprensa Golpista.

Uns não entendem de Economia, mas emitem opiniões; outros entendem, mas tentam mostrar que as coisas vão de mal a pior.

O pior de todos é um tal de Arnaldo, da CBN. Como ele não entende de Economia, merece o nosso perdão. Ele insistiu em dizer durante o ano de 2008 que a economia brasileira só estava bem graças à herança do governo FHC e que nós estávamos nos dando bem graças aos bons ventos soprados pela economia internacional. Qual seria a análise dele agora com a crise internacional? Não se pode ou não se deve tratar a economia com passionalismo. Verdade seja dita: o amor do Arnaldo pelo FHC é do mesmo tamanho do seu ódio pelo Lula.

Outra jornalista sempre acha que uma determinada medida ou formulação de uma política é uma equívoco do governo. Ela consegue achar que todos os economistas do Banco Central, dos Ministérios da Fazenda e do Planejamento estão errados e só ela está certa. Não sabe ela (será que não sabe?) que a tomada de decisão é apenas a última etapa de um processo, o qual foi antecedido de muitas reuniões, discussões e pareceres técnicos e jurídicos.

Ainda tem o homem do “bateu, levou”, aquele que era da cozinha dos Collor de Melo, que foi o Porta Voz do Governo. Esse merece um espaço especial, dedicado só a ele, pelas bravatas cometidas. Sem adentrar pelos meandros da Economia, basta citar que após o Presidente Lula dizer sobre um determinado assunto que “nem Freud explica”, este fantasioso jornalista ousou dizer que o Presidente não sabe nem quem foi o Freud. Pode até não saber. No entanto, esse indivíduo jamais saberia quem foi um dos 20 nomes que eu estaria disposto a lhe apresentar. Outra tirada interessante dele foi dizer que o Lula só estava reduzindo o IPI incidente sobre os veículos automotores para proteger o emprego da “companheirada”. Na mesma semana, o governo do Canadá injetou milhões de dólares na indústria automobilística, o que já tinha sido pelo governo dos Estados Unidos. E então?

Para esses desafortunados pessimistas (e estou citando poucos como exemplo), podemos dizer que mais importante que o nome do governante é a nação brasileira. É preciso dizer também que, apesar as suas opiniões, o povo brasileiro continuou acreditando que não vai perder o emprego, está comprando, está viajando, hospedando-se, enfim, fazendo com que a economia se movimente.

Toda crise deixa lições. O mundo aprendeu com a crise de 1929 e estamos todos atuando de uma forma diferenciada para que não sejamos atingidos de igual forma. Os governos dos diversos países tentam evitar a derrocada, investindo e atuando de forma uníssona, embora cada um tenha as suas especificidades.

É sabido que algumas economias ditas desenvolvidas experimentarão recessão, estagnação ou depressão. O Brasil não crescerá como cresceu em 2008, o que é uma pena. No entanto, num mundo conturbado, com as economias descendo o plano inclinado, crescer 2,5 ou 3% é uma situação invejável.

Podemos até vaticinar que, em 2009, o Brasil experimentará uma das maiores taxas de crescimento do mundo.

Feliz 2009 para todos.

24.12.08

Férias

Estou de férias em Natal e as publicações aqui ficarão espaçadas até o fim do mês que vem, mas, de qualquer forma, pouca coisa para ser comentada.

O Roda Viva que entrevistou o delegado Protógenes Queiroz seria um bom tema, mas o programa não foi exibido aqui em Natal (RN). Domingo, dia 28, ele será exibido a todo o país, às 16h, pela TV Brasil. Fico no aguardo.

O resto na mídia é um monte de especulação sobre 2010, sucessão nas presidências do Congresso e a BrOi. Blá, blá, blá...

17.12.08

TCU em dois momentos

Fusão parada

O ministro do Tribunal de Contas da União Raimundo Carreiro, um dos homens mais sérios que já conheci, suspendeu a deliberação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sobre a criação da BrOi, a supertele. Segundo Carreiro, há "insuficiência dos elementos que permitam avaliar os impactos da futura fusão para os usuários dos serviços correspondentes, especialmente em termos sócio-econômicos e concorrências". Uma obviedade que ninguém até agora tivera a coragem de dizer.

Para a fusão voltar a andar só dia 21 de janeiro, data que o TCU volta aos trabalhos e que a Anatel poderá esclarecer o tribunal.



Mais uma indicação política

O Senado Federal aprovou ontem indicação do ex-senador, candidato a vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB), ex-ministro de Efeagacê e atual presidente da Companhia Energética de Brasília (CEB), José Jorge (PFL), alguém praticamente apartidário.

José Jorge está longe de ser um Raimundo Carreiro e poderia ser mais um nome do PFL no Tribunal de Contas, que acaba se tornando muito político e pouco técnico, mas sua indicação deve ser barrada na Câmara dos Deputados pela base de apoio do governo Lula.

A gilhotina já desce



O ex-presidente José Sarney é uma figura sui generis. Surgiu na política como opositor da oligarquia maranhense comandada por Vitorino Freire e acabou sendo um dos maiores oligarcas de quem se tem notícia na história política brasileira.

Sábia raposa, Sarney sempre souve se movimentar para estar próximo ao poder. No espectro ideológico seria algo como um "extremo-centro".

Apoiou a ditadura militar e foi um baluartes do acordão que acabou desembocando na eleição à presidência da República de Tancredo Neves no colégio eleitoral, em 1985. Tancredo, homem de muita sorte, faleceu e quem assumiu a presidência? Ele, Sarney. Chegou a ter índices de popularidade comparáveis aos de Lula, mas terminou o mandato com 56% da população avaliando seu governo como ruim ou péssimo.

Saindo da presidência, transferiu seu domicílio eleitoral para o então recém criado estado do Amapá e foi eleito senador em 1990, tendo o mandato renovado em 1998 e em 2006. Foi presidente do Senado no início dos governos de Fernando Henrique Cardosos e de Lula.

É, enfim, um dos homens mais influentes da história recente do Brasil, do Maranhão, então nem se fala. Se elegeu governador em 1965, fez os sucessores, Pedro Neiva (1970), João Castelo (1978), Luís Rocha (1982), Epitácio Cafeteira (1986), Edison Lobão (1990), sua filha Roseana (1994/1998) e José Reinaldo Tavares (2002).

Todo esse poder criou um falso maniqueísmo entre oligarcas bandidos e anti-sarneysistas mocinhos. Dizendo membro do segundo grupo o atual governador venceu, Jackson Lago (PDT), elegeu-se em 2006, pela primeira vez em quatro décadas, contra a vontade de Sarney.

Seria então Jackson um esquerdista defensor da liberdade e da democracia que surgiu para "libertar o Maranhão". Não, não é. No poder, e para chegar a ele, manteve práticas semelhante ao do grupo que ele diz se opor, e já se aliou em certos momentos, como mostra a foto acima. Repetiu ainda as mesmas práticas para eleger João Castelo, o mesmo que Sarney fez governador em 1978, prefeito de São Luís em outubro último.

Por várias irregularidades amplamente comprovadas, como mostra-se neste vídeo, Jackson Lago será julgado hoje pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Como resposta ao processo esperneia sem rebater as provas contra si. Alega ser vítima de perseguição praticada por José Sarney, claro.

Resta à população maranhense, independente do resultado de hoje, criar uma nova alternativa política para o estado. Nenhum grupo de direita, seja sarneysista ou anti-sarneysista, seja aliado ao PFL ou ao PSDB, libertará o Maranhão. Confirmando-se a cassação de Jackson pelo TSE a senadora Roseana Sarney tem o direito de assumir o governo do estado imediatamente, mas em 2010 a escolha estará, de novo, nas mãos do povo. Escolher entre dois grupos com práticas semelhantes ou optar por mudar?

14.12.08

Entre Keynes e Mainardi

De Adam Smith a Mainardi muitas coisas aconteceram e muitas visões foram desenvolvidas, repensadas, refeitas, outras consolidadas, outras revertidas, mas tudo fazendo parte da evolução do pensamento econômico. Nada foi tão marcante e rico do que a “ revolução keynesiana”. A visão dos mais antigos (os denominados “clássicos”) era que a oferta criava a sua própria demanda e assim a economia estaria sempre em equilíbrio. Em outras palavras, sempre que houvesse produção, existiria comprador para a mesma; por outro lado, sempre que houvesse alguém disposto a trabalhar, haveria uma oportunidade de trabalho para ele. Assim funcionaria o fluxo circular de renda da economia.

Esta visão perdurou até a tão propalada crise de 1929. Fomos levados, a partir de então, a repensar os postulados da economia. A negar a visão dos clássicos. Surge, então, esse estudioso inglês, John Maynardi Keynes, que propôs uma inversão total do pensamento dominante à época: não é a oferta que cria a demanda; ao contrário, é a demanda que cria a oferta. Sendo assim, há que se estimular a demanda. Quem pode fazer isso? O Estado, através dos diversos instrumentos que dispõe: política fiscal, política monetária, dentre outras.

Na atual crise, a visão do Prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman, é de que o Estado, cumprindo o seu papel de indutor do desenvolvimento, tem que aumentar os seus gastos, incentivando o aumento da demanda, com o que o setor produtivo passaria a produzir mais, aumentando o nível de emprego e de renda, fazendo com que a economia cresça e supere a crise.

Todos pensamos na ressurreição do Keynes, mais vivo que antes. O que os governos estão fazendo nada mais é do que fortalecendo a cão do Estado na busca da superação da crise. Afinal, quanto já foi gasto?

Leio na edição da Revista Veja da semana passada um artigo do intolerante Diogo Mainardi, no qual ele se coloca totalmente contrário à idéia. Na sua visão, quanto menos gastar, melhor. Aliás, quem é esse cara para falar do assunto. Dizem que ele estudou no London Economic School. Não parece!

Entre o Keynes, o Krugman e o Mainardi, a opção é pelos gênios.


Newton Braga,

Professor de Economia do Instituto de Educação Superior de Brasília

11.12.08

Patota


O programa Roda Viva, um dos mais tradicionais da televisão brasileira, entrevistará o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Os entrevistadores convidados são Carlos Marchi, d'O Estado de S. Paulo, Eliane Cantanhede, da Folha de S. Paulo, Reinaldo Azevedo, da revista Veja, e Márcio Chaer, do site Consultor Jurídico.

Isto não vai ser uma entrevista. Vai ser uma reunião de amigos!

Queria ver Mendes entre Mino Carta, Dalmo Dallari, Walter Maierovitch e Paulo Henrique Amorim.

O Roda Viva, é bom lembrar, é da TV Cultura, canal "público" do governo de São Paulo, estado governador por José Serra (PSDB).




Foto: STF

9.12.08

Cerceamento de um direito

A comissão de Educação do Senado Federal aprovou hoje em segunda votação projeto do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), aquele do valerioduto tucano, que restringe um direito do estudante brasileiro: a meia-entrada. Ela tem por objetivo facilitar o acesso à cultura como lazer e como parte complementar da educação dos estudantes, mas o lobby dos globais falou mais alto hoje.

O problema das carteirinhas expodiu quando o então ministro da Educação, o hoje deputado Paulo Renato de Souza (PSDB-SP), apresentou uma proposta, que virou medida provisória, desta que acaba sendo permanente, dando direito a qualquer entidade estudantil emitir carteira de estudante. É claro que ia bagunçar o sistema, e bagunçou.

Muito espetáculos hoje têm mais de 80% dos seus ingressos vendidos à meia-entrada. Para o pequeno e médio produtor, artística que está começando é virtualmente impossível conseguir lucro assim e, lembre-se, muitas pessoas tiram disso o seu sustento.

Qual a melhor saída encontrada por um tucano pra consertar a besteira que um outro tucano fez? Restringir o direito do estudante. Pensem, caros, dois alunos que cursando a mesma escola, no mesmo horário, têm a mesma renda vão ao cinema, um tem o direito de comprar seu ingresso pagando metade do preço e o outro não. Isto se a cota for de fato respeitada, convenhamos. Será impossível fiscalizar isso e o sistema ficará tão inconfiável quanto hoje, só que cruel para o outro lado, o do estudante.

Foram incluídas no projeto, por iniciativa da UNE, emendas que visam regularizar as carteirinhas. Revogação da MP Paulo Renato de Souza, emissão da carteira pela Casa da Moeda sob responsabilidade da UNE. Estas propostas acabam com a desregularização do sistema e com o excesso de carteirinha e, portanto, deveriam fazer cair a proposta de criação da Cota Eduardo Azeredo, mas ela foi mantida. Bela negociação a feita pela UNE, hein Lúcia Stumpf.

O projeto agora irá à Câmara dos Deputados. Clique aqui, entre no saite da Câmara e mande seu recado para o deputado que você elegeu com a sua opinião sobre este projeto. Ah, clique aqui também e mande um educado e-mail para o senador Eduardo Azeredo.

8.12.08

José Serra é eleito presidente da República


A Folha de São Paulo, via Datafolha, elegeu ontem, por largar vantagem, o (temporariamente) governador de São Paulo, José Serra (PSDB), à presidência de República brasileira.

Opa, voltando do sonho da imprensa brasileira...

Que sentido faz analisar uma pesquisa eleitoral para uma eleição que vai ocorrer daqui a quase dois anos? Alguns extrapolam qualquer lógica para declarar a vitória serrista. Adriana Vasconcellos, por exemplo, escreve em seu blog: "Mesmo tendo tido um pequeno crescimento, Aécio não ultrapassaria a margem de 17% dos votos do eleitorado brasileiro, atrás de Ciro Gomes e Heloisa Helena" Sim, não ultrapassaria 17% se o eleitorado brasileiro fosse surpreendido e a eleição acontece hoje, e não daqui a dois anos com muita campanha, muito programa de TV, muito marketing, mas não importa. O importante é declarar logo que José Serra o candidato do PSDB e será eleito com larga vantagem.

Vamos ao números:

Cenário 1.

José Serra (PSDB): 41 %
Ciro Gomes (PSB): 15 %
Heloísa Helena (PSOL): 14 %
Dilma Rousseff (PT): 8 %


Cenário 2.

José Serra (PSDB): 47%
Heloísa Helena (PSOL): 17 %
Dilma Rousseff (PT): 10 %


Cenário 3.

Ciro Gomes (PSB): 25 %
Heloísa Helena (PSOL): 19 %
Aécio Neves (PSDB): 17 %
Dilma Rousseff (PT): 9 %


Cenário 4.

Heloísa Helena (PSOL): 27 %
Aécio Neves (PSDB): 23 %
Dilma Rousseff (PT): 12 %


Cenário 5.

José Serra (PSDB): 36 %
Ciro Gomes (PSB): 14 %
Heloísa Helena (PSOL): 13 %
Aécio Neves (PSDB): 12 %
Dilma Rousseff (PT): 7 %


Espontânea

Lula (PT): 25%
José Serra (PSDB): 6 %
Aécio Neves (PSDB): 4 %
Dilma Rousseff (PT): 2 %
Ciro Gomes (PSB): 1 %
Heloísa Helena (PSOL): 1 %
Fernando Henrique Cardoso (PSDB): 1 %


Conclusão: Nenhuma. Serra lidera as pesquisas, claro. Ele já foi duas vezes candidato a prefeito da cidade brasileira com o maior número de eleitores, deputado federal pelo estado brasileiro com o maior número de eleitores, senador da República pelo mesmo estado, é governador deste estado, foi ministro de Estado do Planejamento e da Saúde e, principalmente, já foi candidato à presidência da República. É óbvio que ele vai está a frente, e muito a frente. Muito mais surpreendente é o governador Aécio Neves, que nunca teve grande visibilidade fora de Minas Gerais, nem quando presidiu a Câmara dos Deputados, chegar em certo cenário a fortes 23 % das intenções de voto e ter 4% na pesquisa espontânea (nesta Serra tem apenas 6%).

No Brasil, não temos mais lideranças nacionais, considerando-se que Lula não poderá ser candidato. O melhor seria que os partidos realizassem um processo nacional de pré-campanha para escolherem seus candidatos dando visibilidade a todos os nomes possíveis. Algo como as primárias que acontecem nos EUA.



Dilma, a candidata de Lula

No dia seguinte à publicação desta pesquisa vaza à imprensa a seguinte declaração do presidente Lula em entrevista à revista Nosso Caminho que só chegará às bancas na próxima semana: "Dilma está infinitamente preparada para ser candidata e ganhar as eleições. (...) Nenhum partido tem um candidato como a Dilma".

Dilma, cada vez mais, parecer ser mesmo a candidata do coração de Lula. Ela sendo a candidata, vencendo ou não em 2010, Lula tem a porta do Palácio do Planalto aberta pra ele em 2014. Porém, ninguém é candidato de alguém, mas sim de um partido. E por que o PT, como parece estar disposto, aceitaria a candidatura de Dilma? Ela não fundou o partido, refundou o antigo PTB com a nova sigla, PDT, filiou-se ao PT há menos de 10 anos. Nunca se propôs a construir o PT. Quais os processos petistas pelos quais ela já passou? Congressos, PED's (Processos de Eleições Diretas)?

Dilma é um nome do governo Lula e do próprio presidente, não do PT, não surge do anseio dos movimentos populares, mas pelo bel prazer de Lula. Será que, logo o PT que sempre briga dentro de si, vai aceitar a vontade Lula como lei? Isto é diminuir o partido, é transforma em "o partido do Lula", apenas. Ele tem que ser ouvido, claro, tem que participar ativamente da sucessão, mas a candidatura petista, ou da base de sustenção do seu governo, não pode ser um imposição pessoal sua.

Nada contra o PDT, foi um admirador de Brizola, muito menos contra Dilma Rousseff. Foi uma brava guerrilheira que lutou contra a ditadura militar, é legitimamente de esquerda e um excepcional nome técnico para tocar um governo, mas a Presidência da República é um cargo político e há nomes com melhor condição política no PT e nos outros partidos de esquerda para suceder Lula. O governador da Bahia Jaques Wagner (PT), o ministro do Desenvolvimento Social Patrus Ananias (PT), o governador Eduardo Campos (PSB), o senador Pedro Simon (PMDB). Todos são nomes politicamente melhores do que Dilma, porém menos obedientes.



Obs: aprenda mais sobre José Serra clicando aqui.


Foto: Agência Brasil

Perdemos


O Club de Regatas Vasco da Gama caiu. A culpa não é só do Roberto Dinamite, ou do Eurico Miranda, ou do Renato Gaúcho, ou do Edmundo, mas sim do conjunto da obra.

É bem verdade que, considerando-se o baixo nível do atual futebol brasileiro, o time do Vasco é um dos quatro piores, mas não jogou um futebol digno de primeiro divisão, muito menos de Vasco da Gama, portanto, o rebaixamento foi justo.

É bom lembrar também que este não foi um caso isolado. Esta era de fracassos do Vasco
começou já há alguns anos. Depois daquele time fantástico do ano 2000 a nau vascaína tem traçados caminhos tortuosos. Como jogar toda a culpa numa diretoria que assumiu há alguns meses?

Quem perde com a queda cruzmaltina não é apenas o Gigante da Colina. Todos os que acreditam na transparência no futebol, que repudiam a cartolagem à moda antiga devem se
entristecer. O luto não deve ser só dos vascaínos, mas de todo o desporto nacional. Lembremos a rica história desde clube. A mais bela, digo sem nenhuma imparcialidade, de todos os clubes brasileiros.

Nenhum grande clube desta terra tupiniquim tem o histórico popular do Vasco. Ele foi o primeiro dos grandes a aceitar atletas negro e foi excluído pelos outros grandes do Rio de Janeiro sob a justificativa forçada de que não tinha estádio próprio e, como resposta, sua torcida construiu o maior do Brasil a época, São Januário.

Um clube com história como esta não pode cair. A primeira divisão perde e perde muito. Perde como nunca perdera antes.


O suicida

A imprensa não consegue não ser irresponsável. Um torcedor vascaíno subiu na marquise do estádio de São Januário e, querendo aparecer, ameaçou se jogar por causa do rebaixamento. O que a GloboEsporte.com fez? Uma matéria com ele, com foto e tudo, para ele aparecer mais ainda e incitar este tipo de comportamento ridículo.



Foto: Marcos Arcoverde/VIPCOMM

7.12.08

O estádio da discórdia

Tirado do blog Articulando:

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM, ex-PFL), reformou o estádio Bezerrão gastando pesados R$ 50 milhões do erário público brasiliense na obra e mais R$ 12 milhões só na festa de inauguração (creio que neste orçamento não consta o dinheiro gasto para fabricar aquele bando de faixas de autopromoção do governador que foram colocadas no trajeto até o estádio). Uma das desculpas para custear com dinheiro público a reforma do estádio de um clube da qual ele, o governador, é presidente de honra foi a de fazer de Brasília uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, que ocorrerá no Brasil. Ora, jogo de Copa do Mundo não acontece em estádio com capacidade para apenas 20.000, com ventilação ruim nos vestiários e com difícil acesso (nem ouso falar aqui sobre o sistema de transporte da capital federal.

No jogo inaugural, a seleção de Dunga venceu a seleção portuguesa por placar elástico diante de uma ilustra platéia, formada em mais da metade por convidados do governo local e a outra parte pelas ilustres classes alta e média alta, já que o valor do ingresso mais barato era de R$ 180. A população do Gama, onde fica o estádio, ficou de fora da festa.

Agora outra polêmica gira em torno do estádio reformado. O São Paulo F.C. chega à última rodada do campeonato brasileiro na liderança da competição, com três ponto de vantagem para o segundo colocado, o Grêmio, e dependendo de apenas um empate para sagrar-se campeão mais uma vez. Nesta última rodada o São Paulo jogaria com o Goiás no Serra Dourada, em Goiânia, mas o clube do Planalto Central foi punido e não poderá jogar no seu estádio, o que não significaria, porém, que ele perderia o direito de decidir onde, desconsiderando seu próprio estádio, o jogo aconteceria, mas a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tratou de marcar o jogo para ser realizado no Bezerrão.

Com isso a punição ao Goiás vai além do que deveria. O clube esmeraldino poderia ter escolhido um local onde os custo fossem menores e a torcida do São Paulo não fossem tão superior, em números absolutos, à sua. Perde também o Grêmio, que mantém vivas as esperanças de ser campeão e vê o São Paulo, esse sim, sendo beneficiado pelos atropelamentos da CBF.

É envolto a esta polêmica e a suspeitas de tentativa de favorecimento do São Paulo também por parte da arbitragem que o "Brasileirão" terminará neste domingo. Todos os jogos começarão às 17h (horário de verão de Brasília). Goiás X São Paulo no Bezerrão, Grêmio X Atlético-MG no Olímpico de Porto Alegre e este que aqui lhes escreve ficará de olho no outro lado da tabela torcendo para o Club de Regatas Vasco da Gama continuar na primeiro divisão para o campeonato do ano que vem.

5.12.08

Até oposição aprova Lula



A nova pesquisa DataFolha mostra o presidente Lula quebrando novo recorde de aprovação, mesmo com a crise chegando ao Brasil. Porém, a informação mais interessante da pesquisa se apresenta quando separamos os dados pelos partido de preferência dos entrevistados.

Daqueles que declararam preferência pelo PSDB, maior partido de oposição ao governo Lula, 56% avaliaram o governo como ótimo/bom e apenas 9% como ruim/péssimo. Entre os que declaram preferir o Democratas (ex-PFL), mais radical grande partido de oposição, 72% avaliaram o governo como ótimo/bom e apenas 13% como ruim/péssimo.

Veja a pesquisa completa aqui.

PHA entrevistando Chávez





4.12.08

PT apoiará aposentados


O líder do PT na Câmara dos Deputados, Maurício Rands (PE), anunciou que o partido apoiará na Casa, mesmo o governo sendo contrário, os projetos do senador Paulo Paim (PT-RS) aprovados por unanimidade no Senado Federal que acabam com o fator previdenciário e aumentam o valor das aposentadorias daqueles que ganham mais do que o piso previdenciário.

Complica-se a vida de Jackson


O Tribunal Superior Eleitoral cassou o mandato do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), e deixou outros sete governadores na fila do julgamento. Um deles, Jackson Lago (PDT), do Maranhão, parece que terá a mesma sorte do tucano.

O vice-procurador-geral, José Xavier Filho, deu parecer recomendando a cassação de Jackson. Clique aqui para ler o parecer.

Jackson foi eleito em 2006, "libertando o Maranhão da oligarquia Sarney", com o apoio do então governador José Reinaldo Tavares (PSB), que fora eleito com o apoio dos Sarney. Na eleição de Jackson, os flagrantes de abuso de poder e uso da máquina pública durante a campanha foram gritantes. Clique aqui e veja exemplo claro.

Confirmando-se a cassação de Jackson e de seu vice, a senadora Roseana Sarney (PMDB-MA) tem o direito de assumir o governo do estado.

3.12.08

Boa pista

O coronel do exército Sérgio de Souza Cirillo trabalhou no Supremo Tribunal Federal entre julho e outubro deste ano.

"Sim, e daí? Quem é Cirillo?"

Cirillo, para quem não sabe, é um senhor que recebeu nove, repito, nove ligações do senhor Hugo Chicaroni entre os dias 4 de junho e 7 de julho.

Chicaroni foi condenado ontem pelo juiz Fausto de Sanctis por participar de uma tentativa de suborno a um delegado federal para livrar a cara de Daniel Dantas.

Então, um amigo de um amigo de Dantas trabalhou no STF. Inclusive na época que teria acontecido o suposto grampo na famosa conversa republicana entre Gilmar Mendes e Demóstenes Torres (DEM-GO). Interessante.

Releia a história aqui.

2.12.08

Mendes critica o "aparelhamento" do serviço público


Clique aqui para ler no Estadão: Mendes critica o "aparelhamento do serviço público".

Eu também, começando pela presidência do Supremo Tribunal Federal.







Foto: STF

Dantas é condenado


O corruptor-geral da União, Daniel Dantas, foi condenado a 10 anos de prisão pelo juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, por tentar subornar um delegado federal para ser excluído das investigações da operação Satiagraha. Foram condenados também Humberto Brás e Hugo Chicaroni.

Dantas recorrerá a condenação e aguardará novo julgamento em liberdade.

Nas instâncias inferiores Dantas não tem facilidades mesmo.

Hilário

1.12.08

Sério...



... Google ainda vai entrar para a categoria "site de humor".

Qual a diferença?


Ora, bolas!

A Folha de S. Paulo noticia hoje:



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Campanha de Kassab cobre gastos de partidos aliados


Responsável pela arrecadação de recursos para a campanha da reeleição do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o Comitê Financeiro Municipal Único do DEM destinou R$ 4,4 milhões ao pagamento de despesas de PR, PMDB, PSC, PRP e PV. Em dois casos, o DEM declarou à Justiça Eleitoral ter feito "doações financeiras" aos partidos aliados.

A cobertura de despesas de campanha foi um dos compromissos de Kassab para a costura da aliança que lhe garantiu maior tempo de rádio e TV durante a disputa eleitoral --foi o candidato com mais espaço no horário gratuito, um dos fatores que o levaram a sair do terceiro para o primeiro lugar na corrida eleitoral.

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Qual, diabos, é a diferença disso para o tal mensalão? O fato de ter declarado a compra de apoios à Justiça Eleitoral! Cadê a Eliane Catanhêde? Cadê a Lúcia Hippólito? Cadê o Arnaldo Jabor? Ninguém vai gritar contra o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e pedir sua cassação?!



Foto: Agência Brasil

Blogs por Santa Catarina

Quem esse senhor pensa que é?


O homem de negócios que preside atualmente o Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, acha que está acima de tudo e de todos? Se acha soberano? Não é, e alguém que avisá-lo.

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Gilmar Mendes liga troca-troca partidário ao mensalão

"(...) as constantes trocas de partidos, que em sua avaliação “tinham chegado a um limite que a vista já não alcança”.“Basta mencionar uma palavra e todos vão entender: mensalão”, emendou o ministro"

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Publicizando opiniões fora dos autos sobre um determinado o ministro fica impedido de julgar inquérito sobre o assunto. Mendes deveria ser impedido, portanto, de participar dos julgamentos dos 40 acusados de envolvimento com o chamado "mensalão".



Foto: Agência Brasil