27.9.08

Dei um tempo


Não é querendo fazer inveja não, mas estou no Recife. Cansei de ficar longe do Brasil e vim acompanhar de perto algumas campanhas no nordeste.

Ontem houve um grande comício do candidato a prefeito João da Costa (PT). Pra quem não sabe, a candidatura dele foi impugnada e os seus advogados entraram com um recurso. Assim a candidatura está mantida e só será julgada depois das eleições. A acusação contra ele é de uso da máquina pública, a mesma acusação pela qual o prefeito paulistano sofreu nada ao mandar, ele mesmo, mensagem por meio de e-mail institucional para os sub-prefeitos realizarem uma "ação" onde os entrevistadores do DataFolha estivessem fazendo pesquisa eleitoral.

Bem, de volta a Recife, que é uma cidade mais linda do que esperava. A tentativa de cassação da candidatura de João da Costa, apoiado pelo bem avaliado atual prefeito João Paulo (PT), pelo governador Eduardo Campos (PSB) e pelo presidente Lula (PT), mexeu com o brio da militância petista, que encheu o centro do Recife para manifestar apoio e solidariedade a João da Costa.

Em pesquisa publicada hoje João aparece com 47% das intenções de voto. O ex-governador e impetrante da tentativa de cassação Mendonça Filho (DEM) está "logo" atrás com 22%. O candidato do ex-governador Jarbas Vasconcellos (PMDB), Raul Henry (PMDB), alcançou 12 pontos percentuais e o deputado federal Carlos Cadoca (PSC) tem 7%.



Oh, linda.

Mas nem só de campanha vive Pernambuco. Conheci ontem uma serenata intinerante em Olinda. Os músicos percorrem ruas histórias tocando os instrumentos e são acompanhados pelas pessoas que saem às portas, janelas ou acompanham o cortejo. Uma manifestação cultural das mais bonitas que já vi. Recomendo.



Natal

Hoje ou amanhã chego a Natal pra acompanhar de perto uma das prioridades do presidente Lula nestas eleições municipais.

25.9.08

João Piada como sempre

Errar é humano, mas repetir o erro é Dunga. Pra que convocar o Juan, lateral do Flamengo, de novo? Não já testou? Não já viu que não dá certo?

E quando o assunto é lateral o João Piada não economiza nas gracinhas. Insiste em convocar o Kléber. Só faltam avisar que quem vai se apresentar é o Klebér de hoje, não o de seis anos atrás. O Maicon não tem mais graça, é piada repetida demais.

Não é piada a convocação do Anderson, piada é ele jogar tão recuado o esquema da seleção*. Josué, outra piadinha desgastada. Nunca foi jogador pra seleção brasileira.

E o ? Quando foi que, de repente, o Jô virou jogador de seleção? Não tem um atacante melhor pra convocar? Só que fazer piada? Por que não convoca logo o Obina?

Venezuela e Colômbia, conto com vocês.



*Esquema, neste caso, é o esquema de jogo. Nada a ver com Ricardo Teixeira, Américo Faria ou qualquer outro cartola.

22.9.08

Eles se merecem


Lembram do Zico? Aquele que perdeu cinco Copas do Mundo. Pois é. Na temporada passada ele estava treinando o Fenerbahce, chegou a ir longe na Copa dos Campeões da Europa e... e... e foi demitido.

Foi cotado (pela imprensa) para substituir o Felipão no comando da seleção portuguesa. Chegou nem perto. Depois disseram que ele podia ir treinar o Manchester City, que contratou Robinho e está montando um timaço, mas não foi dessa vez. Zico, na verdade, foi contratado pelo Bunyodkor (mãe de quem?).

Para quem não lembra, este palavrão é nome do time do Usberquistão que contratou o ex-atacante em atividade Rivaldo. Hahahahahaha...

Eles se merecem.




Obs: tava com saudades das montagens no paint

21.9.08

O tamanho da crise

Nós, da esquerda, gostamos de denominar a atual crise do economia estadunidense e as soluções que o governo Bush vem propondo como "o último prego no caixão do neoliberalismo". Não, não é. Tanto quanto a queda do muro de Berlin também não foi o fim do socialismo.

A crise, na verdade, nos remete a uma pergunta nunca devidamente respondida: "Qual o papel do Estado?" Resposta de Roberto Campos. O Estado mínimo, defendido por Roberto Campos e pelos outros neoliberais, é um sistema falido. Não porque deu errado agora, mas porque nunca deu certo.

Carlos Alberto Sardenberg, alguém que este blog admira por comentar economia e conseguir falar mal do governo Lula, disse que o "sistema financeiro é a alma da economia real, não pode quebrar". Hmmm... interessante. E o mercado do Antônio Marinho, lá em Chapadinha? Se ele estiver prestes a quebrar o Estado deve ir ajudá-lo? Se ele quebrar faltará itens para a construção civil na cidade. "Não, Braga. É diferente. Se os bancos quebrarem quem sofrerá será o correntista". E por que o Estado não deixa o banco quebrar e ressarce os correntistas? Ou melhor, sem intermediários, por que o governo dos EUA não custeou as casas para as famílias estadunidenses por um preço mais baixo? Custaria menos de 700 bilhões, mas os liberais, inclusive os republicanos, criticariam os "gastos desenfreados do governo" (a propósito, quanto já foi gasto na guerra do Iraque?).


O Estado deve proteger a sociedade. Se é correto o governo Bush salvar os bancos com dinheiro do contribuinte estadunidense pagando o preço de face em título podres, é um problema mais deles do que nosso, mas a sociedade precisa de um Estado forte.

Consequência dessa crise? O Brasil sofrerá menos agora do que sofreria há alguns anos, Obama torna-se ainda mais favorito nas eleições presidenciais dos EUA e força imperialista do Tio Sam pode diminuir mais ainda.

18.9.08

E agora primeiro-ministro?


E agora? O primeiro-ministro, o tucano Nelson Jobim, afirmou categoricamente em reunião com o presidente da República que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) possuiria maletas que faziam grampos e, portanto, o suposto grampo nos telefones do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes (PSDB-MT), advogado-geral da União nos tempos que Efeagacê bebia vinhos no Palácio da Alvorada, teria de fato acontecido e seria de autoria da própria Abin.

Com base nesta mentira, digo... digo... afirmação o presidente Lula decidiu afastar a cúpula da Abin. Agora, laudo da Polícia Federal afirma que as maletas da Abin não podem fazer escutas telefônicas em linhas digitais, como as que são utilizadas no Senado Federal e no STF.

Se o presidente não determinar a volta do delegado Paulo Lacerda ao comando da Abin vai parecer que seu afastamento teve outra motivação.

Outra. Depois dessa, não dá pra o primeiro-ministro Nelson Jobim e o general Jorge Armando Félix continuarem compondo o mesmo governo. O presidente deveria exonerar o ministro que mentiu pra ele, mas duvido que Lula tenha coragem de tirar um dos mais ilustres membros tucanos do seu governo.


Foto: Agência Brasil

17.9.08

Embolado

Queridos leitores,

Desde a operação Satiagraha tem sido difícil escrever alguma coisa aqui. As coisas andam fazendo pouco sentido nesta República tupiniquim.

Só hoje consegui comprar a revista CartaCapital desta semana. Lerei a matéria principal, a resposta de José Dirceu e comentarei. Esta eu faço questão de comentar.

16.9.08

O mito da tributação elevada no Brasil

O tema relativo ao peso dos impostos, taxas e contribuições no Brasil permanece ainda sendo tratado na superfície. A identificação de que a carga tributária supera 35% do PIB (Produto Interno Bruto) é um simples registro, insuficiente, por si só, para permitir comparações adequadas com outros países. Ou seja, mencionar que o Brasil possui carga tributária de país rico, embora se situe no bloco das nações de renda intermediária, ajuda pouco, quando não confunde o entendimento a respeito das especificidades nacionais. Elas dificultam análises comparativas internacionais e exigem maior investigação.

Por causa disso, cabem, pelo menos, duas observações principais que terminam por desconstruir o mito da tributação elevada no Brasil.
Em primeiro lugar, a observação de que os impostos, taxas e contribuições incidem regressivamente sobre os brasileiros. Como o país mantém uma péssima repartição da renda e riqueza, há segmentos sociais que praticamente não sentem o peso da tributação, ao contrário de outros submetidos ao fardo muito expressivo da arrecadação fiscal.

Os ricos brasileiros quase não pagam impostos, taxas e contribuições.
Os 10% mais ricos, que concentram três quartos de toda a riqueza do país, estão praticamente imunizados contra o vírus da tributação, seja pela falta de impostos que incidam direta e especialmente sobre eles -como o tributo sobre grandes fortunas-, seja porque contam com assessorias sofisticadas para encontrar brechas legais para planejar ganhos quase ausentes de impostos, taxas e contribuições.

Já os pobres não têm escapatória, pois estão condenados a compartilhar suas reduzidas rendas com o financiamento do Estado brasileiro. Isso porque a tributação brasileira é pesadamente indireta, ou seja, arrecada a maior parte em impostos sobre produtos e serviços -portanto, pesa mais para quem ganha menos.

Além disso, há uma tributação direta, sobre renda e bens, muito "tímida" em termos de progressividade. O Imposto de Renda, que, nos EUA, tem cinco faixas e alíquotas de até 40% e, na França, 12 faixas com até 57%, no Brasil tem apenas duas, com alíquota máxima de 27,5%. Aqui, impostos sobre patrimônio, como IPTU ou ITR, nem progressividade têm.

As habitações dos mais pobres, por exemplo, pagam, proporcionalmente à renda, mais tributos em geral do que aqueles que residem nas mansões, enquanto os grandes proprietários de terra convivem com impostos reduzidos e decrescentes.Aqueles com renda acima de R$ 3.900 contribuem apenas com 23%.No entanto, quem vive com renda média mensal de R$ 73 transfere um terço para a receita tributária.

Em síntese, a pobreza no Brasil não implica somente a insuficiência de renda para sobreviver, mas também a condição de pagar mais impostos, taxas e contribuições.
Em segundo lugar, a observação de que a carga tributária corresponde à capacidade efetiva de gasto da administração pública brasileiro, conforme comparações internacionais indicam ser. No Brasil, a cada R$ 3 arrecadados pela tributação, somente R$ 1 termina sendo alocado livremente pelos governantes.

Isso porque, uma vez arrecadado, configurando a carga tributária bruta, há a quase imediata devolução a determinados segmentos sociais na forma de subsídios, isenções, transferências sociais e pagamento dos juros do endividamento público.

Noutras palavras, R$ 2 de cada R$ 3 arrecadados só passeiam pela esfera pública antes de retornar imediata e diretamente aos ricos (recebimento de juros da dívida), às empresas (subsídios e incentivos) e aos beneficiários de aposentadorias e pensões.
Assim, o uso da carga tributária bruta no Brasil se transforma num indicador pouco eficaz para aferir o peso real da tributação.

Talvez o mais adequado possa ser análises sobre a carga tributária líquida, que é aquela que, de fato, indica a magnitude efetiva dos impostos, taxas e contribuições relativamente ao tamanho da renda dos brasileiros, pois é com essa quantia que os governantes conduzem (bem ou mal) o conjunto das políticas públicas.

Nesse sentido, a tributação elevada é um mito no Brasil. A carga tributária líquida permanece estabilizada em 12% do PIB já faz tempo. O que tem aumentado mesmo são impostos, taxas e contribuições que, uma vez arrecadados, são imediatamente devolvidos, o que impede de serem considerados efetivamente como peso da tributação elevada.




Marcio Pochmann,
economista, professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), é presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Foi secretário do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo (gestão Marta Suplicy)

Artigo publicado na coluna Tendências/Debates do jornal Folha de S.Paulo, edição de 14/09/2008.

15.9.08

Viúva de Paulo Freire escreve carta de repúdio à Veja

Na edição de 20 de agosto a revista Veja publicou a reportagem O que estão ensinando a ele? De autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira, ela foi baseada em pesquisa sobre qualidade do ensino no Brasil. Lá pelas tantas há o seguinte trecho:

"Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado".

Curiosamente, entre os especialistas consultados está o filósofo Roberto Romano, professor da Unicamp. Ele é o autor de um artigo publicado na Folha, em 1990, cujo título é Ceausescu no Ibirapuera. Sem citar o Paulo Freire, ele fala do Paulo Freire. É uma tática de agredir sem assumir. Na época Paulo, era secretário de Educação da prefeita Luiza Erundina.

Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte carta de repúdio:

"Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE -- e um dos maiores de toda a história da humanidade --, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico.  Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.

Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.

A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.

Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do “filósofo” e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.

Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido – na qual esta política de distribuição da renda se baseou - que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela. Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.

Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu “Norte” e “Bíblia”, esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.

Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire".

Kassab o quê?

13.9.08

Brasil e Bolívia

Assim como a seleção brasileira (do Dunga) empatou com a seleção boliviana, a direita conservadora brasileira não destoa da direita conservadora dos nossos vizinhos.

A tentativa de golpe de Estado contra o governo do presidente da Bolívia Evo Morales tem a mesma gênese da tentativa de golpe com o presidente venezuelano Hugo Chávez em 2002, a tentativa de golpe branco contra o presidente Lula em 2005 e a golpe militar de 1964 contra o governo do presidente João Goulart.

Na Bolívia o líder oligarca Jorge Chávez não esconde o ódio racista: "Se precisar, vai ter sangue. É preciso conter o comunismo e derrubar o governo deste índio infeliz", declarou. A insurgência contra a representação popular legítima e a tentativa de manutenção do poder sempre nas mãos das mesmas elites caracteriza a direita latino-americana. Ou a frase de Jorge Chávez é muito distante dos gritos da UDN chamando Jango de de comunista subversivo? Ou é muito diferente dos insultos do PFL que prometia dar uma surra no presidente Lula acusando o tal mensalão?

A crise boliviana é grave e merece a atenção da comunidade latino-americana. Se o golpe (mais uma vez com o apoio dos EUA) for bem sucedido todos os governos populares do continente passam a correr perigo. A não ser no Brasil. Aqui a direita não precisa derrubar o presidente para governar.

11.9.08

Justiça bloqueia fundo de Daniel Dantas

A Justiça de São Paulo, não os tribunais superiores, onde Dantas tem "um trânsito ferrado".

Foi determinado o bloqueio de um fundo de investimento de R$ 535,8 milhões que pertence não só a Dantas, mas também a sua irmã Verônica Dantas, a sua esposa Maria Alice, a Noberto Aguiar Tomaz e ao teste de ferro... digo... digo... ao presidente do Opportunity Dório Ferman.

Vocês sabem quem é este Dório Ferman? É um senhor que, segundo o TSE, financiou as campanhas do ex-secretário-geral do PSDB Márcio Fortes (homônimo do ministro das Cidades), do deputado Raul Jungmann (PPS-PE), ministro de Efeagacê e membro da CPI dos Grampos, e do senhor Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), presidente da CPI citada.

Isto tudo só pelo caixa 1.

Tudo isto é muito normal neste terra tupiniquim.

Aprendendo a errar de novo


Março de 2006



Setembro de 2006


Fotos: Eduarddo Knapp/Folha Imagem,
J. F. Diório / Agência Estado

Duas para quem ainda leva o STF a sério

STF veta acesso a CPI a dados da Satiagraha (Folha Online)

STF libera 9 integrantes da "tropa de choque" do PCC (Uol)

Vai tarde

Protógenes falou

" Dá um pouco de tristeza de ver algumas posições sem muita clareza e sem muita explicação para o que se pretende. Mas, por outro lado, são atitudes que cada vea mais me enchem de vontade de persistir no trabalho de combate a corrupção"

"O próprio órgão de imprensa que deu o furo de reportagem não demonstrou o áudio. Cadê o áudio? Só aparece uma transcrição? Cadê o áudio? E envolve duas pessoas importantes da República, o presidente do STF e o senador Demóstenes Torres. Como que lança o nome de duas pessoas dessa forma e não aparecem as provas?"

Inversão

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou ontem projeto que regulamenta as escutas telefônicas e prevê penas mais duras para quem as pratica ilegalmente.

Por que? Porque desde a operação Satiagraha (que prendeu Daniel Dantas) o país só discute a forma de se fazer investigação e não os investigados, as denúncias. É como se os senhores senadores estivessem estupefatos. "Céus, como conseguiram pegar o Daniel Dantas? Será que agora qualquer pessoa pode ser presa?"

Ora, por que o Senado da República não se mobilizou para votar um projeto endurecendo a pena contra evasão de divisas, lavagem de dinheiro, tentativa de suborno a delegado federal?

O mesmo Senado, vale lembrar, no qual se diz que cerca de 2o senadores fariam parte de uma suposta bancada Dantas. Bancada esta que, SUPOSTAMENTE, contaria com os senadores Heráclito Fortes (DEM-PI) e Demóstenes Torres (DEM-GO). Demóstenes, caro leitor, é aquele do suposto grampo num telefonema entre ele e Gilmar Mendes (PSDB-MT) que nunca apareceu a gravação, só a transcrição na Veja. Na Veja, querido leitor. Veja, se você não se lembra, é aquela revista das contas secretas de Lula no exterior, dos dólares vindos de Cuba em caixas de whisky, do boimate, de Ibsen Pinheiro (PMDB-RS)...

E tudo isso é muito normal nesta terra tupiniquim. Só nesta terra tupiniquim, mesmo.

Meirelles, acompanhe Dunga, por favor

E com vocês o espetáculo do crescimento: 6,1% de crescimento do PIB

E com vocês o absurdo dos juros: 13,75%

No mesmo dia que o IBGE divulgou o bom crescimento da economia brasileira o Banco Central, liderado pelo banqueiro ex-tucano Henrique Meirelles, anunciou aumento de 0,75% na taxa Selic.

A justificativa é aquela: trazer a inflação para o centro da meta. Já está na hora de acabar essa história. O combate a inflação não pode se dar apenas pela taxa básica de juros, que ao ser aumentada aumenta os gastos do governo.

Inflação não deve ser combatida com radicalismo fiscal, mas sim com equilíbrio. Deve ser combatida com aumento na produção.

E o senhor Meirelles continua segurando o Brasil.

8.9.08

Protógenes falará

Segundo publicado no chamado "Blog do Protógenes Queiroz", ocorrerá no próximo dia 10, às 9h, um fórum de debates com o tema: Corrupção no Brasil.

O evento será realizado na Câmara Municipal de Goiânia e contará com a presença do próprio, Protógenes Queiroz.

Detalhe: dia 10 é uma quarta-feira, dia de aula.

Não, não estou

"O Lula e o povo brasileiro devem estar contentes", afirma Dunga (Uol)

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Não. E continuarei torcendo contra a seleção do João Piada/CBF/Maicon/Josué...


Detalhe: entrem na matéria e percebam a palavra relacionada à matéria no final da página.

Pra quem leva o neoliberalismo a sério



"Estado Mínimo! A não ser quando é pra salvar a minha empresa..."

7.9.08

O Termômetro

Qualquer empreendimento pode dar certo...ou errado! A lucidez, a prospecção, a perspicácia, o planejamento, o marketing, etc, etc se apresentam como fatores de sucesso.....ou insucesso. Se todos acreditam que um determinado empreendimento vai dar lucro, nada mais lógico do que ser sócio do mesmo. Compre um pedaço do mesmo, seja um dos donos, um sócio, um acionista. Isso só é válido quando o dono do empreendimento permite, ou seja, quando ele abre o capital da empresa, ou seja, forma uma S.A – Sociedade Anônima.

Quando se compra R$ 1000 em ações de uma empresa e a mesma tem um lucro anual de 10%, o comprador das ações ficou mais rico na mesma proporção.  E quando uma ação está sendo vendida com um lucro de 15% e a empresa só teve um lucro de 10%? Pura especulação!

O valor de uma ação deve sempre acompanhar a valorização dos ativos de uma empresa. Acontece que quem atua no mercado de capitais planeja sempre ganhar dinheiro independente do lucro ou da valorização dos ativos de uma empresa. Ele é capaz de mentir, de falsear, de especular, em causa própria.

Como as ações negociadas em qualquer Bolsa de Valores, umas sobem e outras descem, o comportamento de uma Bolsa de Valores tende a ser flutuante.

É temeroso, assim, uma alta desenfreada dos índices da Bolsa se isso não reflete a realidade da economia, tanto a nacional, quanto a mundial nos tempos da globalização. Quando isso acontece o dinheiro aplicado “vira pó”  ou a sua aplicação “micou”, na linguagem dos entendidos.

Não é por outra razão que quando a cotação do petróleo no mercado internacional sofre uma queda, vislumbrando um lucro menor para as empresas petrolíferas, que as ações da Petrobrás seguem o mesmo caminho. Petróleo para a Petrobrás e aço para a Vale,seguem a mesma trajetória.

Não precisa ir muito longe: a crise atual da economia americana, cuja gênese é o setor imobiliário, foi o resultado de quê? O valor os ativos (os imóveis) estavam sendo negociados e também dados e recebidos em garantia por um preço que não refletia a realidade.

Países emergentes são dependentes do que acontece na economia mundial. Somos dependentes e estamos atrelados. Os índices da Bovespa refletem isto: são os mesmos aplicadores que estão em São Paulo, em Tokio, em Nova York  ou em Londres. Assim o Índice Bovespa passa a ser um termômetro, não só da nossa economia, mas da economia mundial.


Newton Braga,
Professor de Economia do Instituto de Educação Superior de Brasília

Horário Eleitoral CQC

6.9.08

Economia e Saúde

Imagine duas pessoas doentes que consultam um mesmo médico. A primeira é portadora de uma doença ainda não identificada;  a outra, com uma significativa acuidade do médico tem o seu diagnóstico dado na mesma hora. Sem dúvida que a doença identificada tem cura a curto prazo. A outra precisa de uma análise mais acurada.

Simbolicamente, a segunda “pessoa”  é o Brasil; a primeira é um outro país qualquer que vê a sua economia desfalecida, cambaleante.

A pessoa Brasil tem uma compleição física que se pode acreditar na sua rápida recuperação. É como se fosse um resfriado, que vem, completa um ciclo,  e vai embora. Doença virótica!

Apesar da sua virulência, a doença não atingiu o sistema nervoso central.

Sem estardalhaço, a doença chamada inflação, quando diagnosticada como sendo resultante do excesso de demanda, quando comparada à oferta, ela é facilmente curável. Esse descompasso pode ser resolvido seguindo dois caminhos: reduzindo-se a demanda, se o problema for estrutural, ou aumentando-se a oferta de bens, se conjuntural.

Os pessimistas que me perdoem, mas, como dizia o conceituado jornal Financial Time, o FED, o Banco Central Americano tem que estar atento à condução da política monetária do Brasil.

A propósito, há menos de uma década os investidores estrangeiros estavam sempre propensos a levar de volta o seu capital quando ocorria alguma turbulência na economia mundial e isso se refletia no Brasil. Atualmente, estamos vivenciando uma situação exatamente oposta: com uma reserva internacional da ordem de US$ 205 bilhões, aplicadas em diferentes tipos  de haveres monetários, junto a agentes financeiros internacionais, é o Brasil que está retirando o seu dinheiro dos países onde a economia não está apresentando uma boa saúde.

Quem diria.........


Newton Braga,
Professor de Economia do Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB)

A 28 dias da eleição, nova rodada DataFolha

Salvador

Salvador é a capital com a eleição municipal mais embolada. Ali qualquer um dos quatro primeiros colocados nas pesquisas pode ser eleito. Vamos aos números:

O deputado neto de ACM continua liderando a disputa. Oscilou positivamente dentro da margem de erro de 26% para 28% das intenções de voto.

O prefeito candidato a reeleição, João Henrique (PMDB), subiu consistentemente de 17% para 21% pontos percentuais neste DataFolha.

O ex-prefeito ex-carlista Antônio Imbassahy (PSDB) caiu bem. Desceu de 24% para 18%.

O deputado Walter Pinheiro (PT) subiu de cabalísticos 13% para 16% das intenções de voto soteropolitanas para o 1º turno e já está a cinco pontos percentuais da vice-liderança.

Repito: qualquer um pode ser eleito.



Porto Alegre

José Fogaça (PMDB) -agosto 31%, agora 34%
Maria do Rosário (PT) - agosto 20%, agora 17%
Manuela D'ávila (PCdoB)- agosto 19%, agora 17%

Fogaça sobe no 1º turno e venceria no 2º sem grandes dificuldades.



Recife

João da Costa (PT), o ilustríssimo ... candidato do prefeito, continua crescendo e já tem o dobro de intenções de voto do segundo colocado, o ex-governador Mendonça Filho (DEM). Cadoca
(PSC) e Raul (PMDB), tecnicamente empatados, não metem medo em ninguém. 

Eleição caminhando pra ser decidida no 1º turno.



Belo Horizonte

O candidato do prefeito Fernando Pimentel (PT) e do governador Aécio Neves (PSDB) (qual o nome dele mesmo?) lidera com ampla vantagem e deve ganhar no 1º turno também.



Rio de Janeiro

Este comentário eu deixo pro Reinaldo Azevedo:

"Claro, claro, tudo pode mudar, mas... Considerando-se a trajetória de cada candidato, será difícil tirar a eleição de Eduardo Paes (PMDB) à Prefeitura do Rio. Há dois meses, ele tinha 9%. Está agora com 25%. O "bispo" Marcelo Crivella (PRB) caiu de 26% para 21%. Jandira Feghali, a comunista do Brasil, foi de 17% para 12%. Tudo está a indicar um segundo turno entre o Paes e Crivella.

E, se for assim, a balança é extremamente favorável ao candidato do PMDB: venceria o adversário do PRB por 50% a 35%. No segundo turno, as coisas se complicam bem para o bispo: ele perderia feio até para Jandira: 37% a 48%."



São Paulo

O ex-governador tucano Geraldo Alckmin (PSDB)... hahahahah.... caiu... hahahaha... e o prefeito Gilberto Kassab (DEM)... hahahaha já está tecnicamente empatado.

Desculpe, cara leitor. Não consigo não rir. Alckmin, que assumiu o governo de São Paulo depois da morte do saudoso governador Mário Covas, foi reeleito, é verdade, mas depois disso foi candidato à presidência da República por pura teimosia e teve o vexame de ter menos votos no 2º turno do que tivera no 1º. Agora, disputando a prefeitura paulistana, ele pode nem correr o risco de repetir o vexame. Afinal, caminha lentamente para estar fora do 2º turno, se é que haverá 2º turno.

Mantido o ritmo, aguardem em 2010 uma candidatura de Alckmin a deputado. Talvez estadual. Hahahahaha

Marta, é bom lembrar, continua bem a frente voando em céu de brigadeiro.

5.9.08

Aeroportuários contra privatização

Na íntegra:

"Guarulhos, 05 de Setembro de 2008


Companheiro Presidente,


Temos lido matérias nos jornais dando conta de que já está encaminhado o futuro da Infraero. E que, até mesmo, o companheiro Presidente teria mandado “vender” os aeroportos do Galeão/Tom Jobim e Campinas/Viracopos, na última segunda-feira, 01/09, durante audiência com os ministros Nélson Jobim e Dilma Roussef e outras autoridades do setor aéreo, entre elas Solange Vieira, diretora presidente da Anac, e Sérgio Gaudenzi, da Infraero.


Todos sabemos que o ministro Jobim e a senhora Solange Vieira são favoráveis à privatização de alguns aeroportos, hoje, administrados pela Infraero. Sabemos, ainda, que o seu aliado governador Sérgio Cabral vem fazendo campanha pela privatização do Galeão. Aliás, no mesmo dia em que se realizava a citada audiência, Cabral encontrava-se em Londres e, durante reunião no Comitê Olímpico Internacional/COI, denominou o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro como “rodoviária” ...


Também, em sintonia com o “já está encaminhado o futuro da Infraero”, tomamos conhecimento da formação da empresa A-PORT, com a participação brasileira da Camargo Corrêa, do grupo suiço Unique e do chileno IDC, os dois últimos com experiência na administração aeroportuária.


Companheiro Presidente, apesar de todas essas evidências os aeroportuários não acreditam que já foi tomada a decisão de privatizar - ou seja lá o que for - a Infraero.


Tomamos a precaução de consultar a nossa Central Única dos Trabalhadores/CUT e ouvimos da parte de dirigentes responsáveis, como Artur Henrique e José Lopez Feijoó, que a Central marchará ao lado dos aeroportuários na defesa da Infraero como empresa pública que administra 67 aeroportos, 80 unidades de apoio à navegação aérea e 32 terminais de logística de carga.


E de toda essa enorme estrutura, companheiro Presidente, apenas aeroportos são viáveis financeiramente. O que é apurado neles mantém os outros 55 e as demais unidades. No último balanço a empresa apresentou um lucro, antes das obras nos aeroportos com recursos próprios, de R$ 261,2 milhões. Como se vê, a Infraero é uma empresa viável, com 35 anos de experiência.


Também é verdade, companheiro Presidente, que precisamos modernizar toda a infraestrutura aeroportuária para melhor servir ao Brasil do futuro que vem sendo construído nos últimos anos sob a sua batuta.


Mas, insistimos, não é possível que o companheiro Lula tenha decidido passar os aeroportos rentáveis - e que viabilizam toda a estrutura aeroportuária - para a iniciativa privada. Afinal, nós, aeroportuários, ainda não fomos ouvidos pelo Presidente!


Sim, companheiro Presidente, estamos à espera de uma audiência para lembrar os seus compromissos com a nossa categoria. Desde de 1989 marchamos ao seu lado para chegar à Presidência, apesar de, naquela época, a Infraero ser uma repartição militar.


Enfrentamos a repressão, mas nunca deixamos de lutar para levá-lo ao principal cargo da República. Eleito, reconhecemos os avanços, inclusive aqueles concedidos à nossa categoria.


Na eleição para o seu segundo mandato, junto com mais de 60 milhões de brasileiros, demos nossos votos para o candidato que criticava as privatizações e defendia a empresa e o patrimônio públicos!Votamos, também, no candidato forjado no movimento sindical.


Companheiro Presidente, na certeza de um encontro, muito em breve, para relatar o ponto de vista da categoria em relação à Infraero, enviamos um fraternal abraço dos aeroportuários.


Francisco Lemos,

Presidente do Sindicato Nacional dos Aeroportuários"

4.9.08

O poder moderador em ação


Se esta fosse um democracia o presidente do STF, Gilmar Mendes, AGU de FHC já estaria com seu processo de impeachment quase aprovado.

Onde já se viu um presidente de Judiciário impor limite temporal para o Legislativo legislar?!

O Senado grampeia

Do blog da Cristiana Lobo:

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  Quem telefona para o número central do Senado (61 - 3311.4141) é atendido por um sistema eletrônico que pede o gabinete ou o setor com o qual você deseja falar. Você responde e, ao transferir a ligação para aquele ramal, a gravação informa: “para sua segurança, a partir deste instante, sua ligação está sendo gravada”.

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Então o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) ligou para Gilmar Mendes. Este não pôde atender. Pouco depois a secretária de Mendes retorna a ligação, para um telefone fixo no gabinete de Demóstenes? Talvez. Se sim a ligação foi gravada pelo Senado.

E pra onde vão estas gravações? Quem tem o controle delas? Quem poderia pegar uma gravação dessas e passar para a revista Veja dizendo que é da Abin? Quem poderia subornar alguém com um milhão de dólares para conseguir uma gravação dessas?

3.9.08

PSDB dando as cartas

O presidente Lula tirou o dr. Paulo Lacerda da direção-geral da Polícia Federal e colocou na Abin. Agora o "afastou temporariamente" da direção-geral da Abin. Por que? Porque a revista Veja, a mesma que disse que Lula tinha contas secretas no exterior, falou que a Abin grampeou o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, AGU na era FHC.

Então Lula dá credibilidade à revista Veja? Lula, então, acredita ter contas secretas no exterior? Lula acredita que sua campanha foi financiada por dolares que vieram de Cuba em caixas de whisky? Lula acredita no "boimate"?

Não, Lula é pragmático. Não quer a direita conservadora tentando derrubá-lo. Por isso deixa ela governar com ele. Ela não precisa mais derrubá-lo. O PSDB tem três cargos importantes hoje. A co-presidência da República, com José Serra, o homem do compromisso, o Ministério da Defesa, com Nelson Jobim, e o comando do poder moderador, ocupado pelo presidente do STF, ministro Gilmar Mendes.

Eles, na verdade, "afastaram temporariamente" o dr. Paulo Lacerda da Abin e colocaram no comando da agência um (ex-)empregado de Daniel Dantas, suspeito de fazer o suposto grampo no telefone de Gilmar Mendes.

Enquanto isso o presidente suja suas mãos com petróleo do campo de Jubarte.

2.9.08

E eu quero é que esse canto torto feito faca corte a carne de vocês

Daniel Dantas dá as cartas


Quando o Brasil recebeu o tal "investment grade" o presidente Lula disse que tínhamos virado um país sério. Uma ova. Não é sério um país que leva a revista Veja a sério.

Sua excelência afastou "temporariamente" o dr. Paulo Lacerda da direção-geral da Abin porque a agência teria grampeado o telefone do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, Advogado-Geral da União nos tempos que Efeagacê bebia vinhos no Palácio da Alvorada.

Quais os indícios? Uma matéria da revista Veja. Quais as provas da matéria? Nenhuma! Zero! Nada! O máximo que a revista tem é, segundo a própria revista, a palavra de um suposto agente da Abin. E se a revista tivesse dito que uma fonte a lhe confidenciou em off que o autor do grampo foi o Braga? E se ela dissesse que foi o "Boimate"? Se ela dissesse que foi o gerente do banco no qual o presidente Lula teria uma conta secreta no exterior? E se ele dissesse que foi o Sousa, garçon que sempre me atende no "Piauí"?

A revista Veja não é séria. Quem acredita na revista Veja não é sério.

Esta não é a primeira vez que a Veja tenta derrubar Paulo Lacerda. Na mesma matéria fajuta que acusou o alto escalão do governo, inclusive o presidente Lula, de ter contas secretas no exterior a revista incluiu o nome de Paulo Lacerda. Depois descobriu-se que tudo não passava de uma armação de Daniel Dantas.



Blog do Braga na boca do povo

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, ao qual a Abin é subordinada, general Jorge Armando Félix comprou a teoria do Blog do Braga: Tem o dedo de Daniel Dantas nesta história.

O presidente Lula preferiu obedecer o presidente STF Gilmar Mendes, aquele que deu dois habeas corpus para Daniel Dantas em 48 horas, e afastar Paulo Lacerda, um homem que liderou a Polícia Federal durante todo o primeiro mandato de Lula, no qual a PF fez mais de 300 operações prendendo gente graúda. Será que um homem que tenta subornar um delegado da Polícia Federal com um milhão de dólares não é mais suspeito?

E se Daniel Dantas tiver pago um milhão de dólares para um agente da Abin fazer o suposto grampo e desmoralizar Paulo Lacerda?


O que Brizola faria?

O cidadão Leonel de Moura Brizola nunca chegou à presidência desta República. É uma pena. Se um presidente do STF, que fora AGU do governo FHC, exigisse dele uma reunião e, a portas fechadas, pedisse a cabeça de uma pessoa das mais sérias e eficientes do governo baseado numa matéria da revista Veja ou da Globo sem nenhuma prova. Brizola riria.

Hoje, com Protógenes Queiroz afastado das investigações da operação Satiagraha e fazendo um "curso de aperfeiçoamente" e Paulo Lacerda "temporariamente" afastado da Abin, quem ri é Daniel Dantas.



Insisto

Confio mais em Paulo Lacerda do que em Gilmar Mendes e Demóstenes Torres (DEM-GO) juntos. Não está provado sequer que o grampo de fato existiu.

Esta história fede a plano Cohen.

E a propósito, não existe "fórmula Hargreaves" neste caso. O ministro Henrique Hargreaves foi acusado e pediu ao então presidente Itamar Franco para ser demitido. Afastado, o ministro provou sua inocência e retornou ao cargo. Paulo Lacerda não foi afastado porque pediu, mas sim porque Gilmar Mendes, AGU do governo FHC e libertador de Daniel Dantas, mandou e Lula obedeceu.