27.5.08

Casamento serve pra quê mesmo?

Democracia Interna

Encerra-se a primeira etapa de uma era histórica na juventude combativa do Partido dos Trabalhadores. Após este proveitoso I Congresso, irá borbulhar nos bares freqüentados por petistas e listas de e-mails várias discussões relevantes, as quais podemos citar:

  • Unificação da dita “esquerda do PT” em face do campo “Construindo um Novo Brasil”;
  • Decisão de não exigir do partido 3% do fundo partidário para JPT, bem como a autonomia que a juventude terá;
  • A mudança de votos de muitos companheiros que votaram nos candidatos da chapa “Socialistas” no 1º turno, e migraram seus votos para a companheira Severine no 2º turno;
  • Balanço político do I Congresso

Em fim, são calorosos e intensos os debates que nos ocuparão daqui para frente. Mais não é sobre nenhum destes que proponho a reflexão e sim, no que transforma o Partido dos Trabalhadores num partido de massa e diferenciado e um dos nossos maiores orgulho: a Democracia Interna.

Observa-se que a democracia interna e as disputas eleitorais dentro do partido cada vez mais acirradas tiveram como conseqüência um movimento de filiação imensamente maior comparado proporcionalmente aos primeiros 10 anos do Partido.

Diante deste fato que surgiu a histórica frase: “O Petismo é maior do que o PT”, em virtude de muitos companheiros não serem filiados ao partido e consequentemente não participavam das decisões partidárias, entretanto sempre defendia o partido e em 02 e 02 anos pegavam suas bandeiras e iam para as ruas se dizendo petistas.

Para aprofundar o debate, irei trazer a tona um fato que me deixou perplexo neste I Congresso. No momento da votação das propostas divergentes sobre o eixo “O Brasil que queremos”, mais especificamente sobre o “fora Hélio Costa”, após as defesas, o plenário dividiu-se em dois grandes grupos cada um gritando suas palavras de Ordem. Fato é que no meio da gritaria, tinha um companheiro da chapa “Construindo um novo Brasil” no meio dos “Socialistas” gritando “fora Hélio Costa”, quando de repente verificou que o seu grupo defendia o oposto. Não pestanejou, correu para o lado oposto e mudou o grito!

Este fato nos traz algumas indagações: Este militante mudou de idéia apenas com as palavras de ordem? Não; Este companheiro é “Maria vai com as outras”? Também creio que não. O grande problema está em nossa cada vez mais latente falta de formação política e a forma centralizada ou de cima para baixo em que muitas de nossas correntes vêm atuando.

E o que isto tudo tem haver com a tão louvada democracia interna? Conforme citado acima o partido está sofrendo uma acirrada disputa interna e uma busca incessante de hegemonia. Com o intuito de ganhar a qualquer custo, várias correntes do partido realizam filiação em massa tanto no partido como na corrente. Não existe mais aquele período de escolha e busca de identidade com algumas das tendências.

Com um número cada vez maior de delegados, e muitos deles só em época de eleição interna, fica cada vez mais difícil manter qualificada a militância petista para enfrentar diariamente os ataques da elite da mídia golpista.

Antes que me compreendam mal, em hipótese alguma defendo o fim ou qualquer mudança em um de nossos mais belos filhos: a democracia interna, o que proponho é uma maior responsabilidade por parte de nossas tendências e o acompanhamento periódico com os seus militantes. Por fim, ESCOLA NACIONAL DE FORMAÇÃO POLÍTICA JÁ!!!

Jonatas Moreth

23.5.08

Um Brasileiro


Homem de baixa estatura, o senador Jefferson Peres (PDT-AM) era um gigante político. Um Brasileiro com "B" maiúsculo.

Parecia difícil que alguém ainda conciliar política e retidão moral, mas ele o fazia. E se tivesse que deixar uma das duas de lado deixaria a política.

Era, sem dúvidas, um senador equilibrado, mas não deixava de falar firme para defender aquilo no que acreditava.

Covas, Teotônio, Ulysses, Josaphat, agora Jefferson Peres. Perdemos grandes referências na vida pública brasileira e não estamos repondo com nomes a altura.




21.5.08

Viva Chico




"Cotidiano"
Composição: Chico Buarque

A moral de Álvaro Dias


Depois de assistir aos depoimentos de ontem na CPI dos Cartões fiquei com a certeza de que nada faz sentido.

(Parabéns hein, Braga. Descobriu isso agora)

O assessor tucano André Eduardo da Silva Fernandes (foto) não é um sujeito de quem eu compraria um carro usado. Pontos importantes do que ele disse simplesmente não são críveis.

Ele quis falar em depoimento fechado algo que, segundo ele, não era de interesse direto da CPI, mas podia ajudar de alguma forma. Seria uma acusação que ele não tem como provar? Ora, se é algo que não se sustenta em público não pode ser usado numa Comissão Parlamentar de INQUÉRITO.

José Aparecido Nunes Pires bancou o bobinho. Teria mandado a planilha com o banco de dados que foram o tal dossiê por engano. Pouco crível.

Porém, o mais incrível é a moral que o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) tem com a imprensa.

Na época da criação da CPI, Dias foi a grande indicação do PSDB. O especialista em cartões corporativos e tal. Naquela época o tal email com os tais dados já havia sido mandado para o seu assessor, que já tinha noticiado ao chefe. Estava tudo preparado. "Vamos bater na tecla que estes petralhas estão usando o Estado para nos coagir". E este o discurso do senador José Agripino Maia (DEM-RN) (na foto ao lado de Álvaro Dias) naquela infeliz pergunta à ministra Dilma Rousseff.

Qual seria a atitude mais correta de Álvaro Dias ao ter conhecimento do suposto dossiê? Subir à tribuna do Senado Federal e denunciar. "Estão tentando nos coagir. Olha aqui a prova", poderia bravar.

Já que ele queria jogar na imprensa, que colocasse seu belo rosto na capa da "Veja", desse uma grande entrevista pro Zé Graça e contribuísse para uma reportagem contundente daquelas que só a Veja faz. Mas não. Vazou para a revista nas sombras. Como se não tivesse sido ele, como se tivesse sido coisa do governo para, aí sim, coagir publicamente a oposição.

Enquanto Álvaro Dias não depor na CPI as coisas não serão devidamente esclarecidas.






fotos: Agência Senado, Agência Senado e José Cruz/ABr

20.5.08

Viva a CPMF

Eu amo a CPMF. Ela é linda. O "P" deveria ser de permanente.

Mudem o que quiserem mudar. O imposto de renda, o ICMS, o IPTU... Só deixem a minha CPMF em paz.

A CPMF não poderia ter sido assassinada. Uma vez sepultada deve ser ressuscitada.

Ela é fiscalizatória. Tem uma alíquota de míseros 0,38% e dá uma receita do caramba pra União.

A propósito: Quero ver arranjarem verba para a emenda 29 sem trazerem a CPMF de volta.

19.5.08

Marcha à ré na economia

No início dos anos 70, eu começava a minha vida profissional trabalhando como engenheiro agrônomo na região de Irecê, na Bahia. Lembro-me até hoje que uma recomendação do meu superior era que evitasse relacionamento de qualquer natureza com o pessoal do Sindicato, aqueles “subversivos”. Também pudera: em pleno regime militar, tínhamos o cerceamento das nossas liberdades. Recém saído da Universidade, ainda fervilhava na cabeça de todos nós as discussões sobre Marx, Lênin, comunismo, socialismo, esquerda, direita, etc.

Na época, essa ”proibição” de conversar com os sindicalistas, não era justificável, mas era compreensível.

Com o desenrolar dos acontecimentos, vivenciamos a abertura democrática e passou a não ser pecado defender certas idéias. Aliás, as idéias dos mitos de outrora passaram a ser apenas referência para nós. Ser chamado de comunista ou de socialista já não era mais pejorativo. Leninismo, marxismo, bolchevismo são expressões que caíram em desuso.

No entanto, um comentarista da rádio CBN, Arnaldo Jaburu, insiste em dizer que os sindicalistas, leninistas e bolchevistas no governo só pensam em concentrar tudo em suas mãos, que o Brasil vai mal e o governo atual deu marcha à ré em quase tudo o que o FHC fez.

Engana-se o comentarista: ele repete quatro vezes na sua fala que a economia mundial está favorável e o Brasil não se aproveitou dessa oportunidade. Falácia, pura falácia! A economia mundial sofreu alguns tropeços e a do Brasil não foi a reboque. Sabem a razão? É que em 2002 tínhamos apenas US$ 15 bi como reservas internacionais e agora estamos com US$ 196 bi.

Diz mais ainda que a inflação está subindo porque ela é derivada da demanda, causada pelos altos preços dos alimentos e devido ao alto custo do Estado, que não gera superávit para financiar nossas empresas privadas. Diz também que o governo não consegue aumentar a quantidade de alimentos para a população.

Coitado: mais uma vez a produção de grãos bateu recorde em 2007. Consultem os dados do IBGE.

É um misto de leviandade, impropriedade e desconhecimento premeditado.

Em todo o mundo está ocorrendo aumento da inflação, devido ao aumento de preço dos alimentos, porque as pessoas estão consumindo mais. Ainda bem!

Superávit das contas públicas para financiar empresas privadas.... é desconhecer economia!

Segundo o comentarista, só um por cento do orçamento pode ser usado em investimento, pois 99% é usado para pagar os marajás (bem... aqui ele lembrou o Collor!) e ao mesmo tempo diz que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) é virtual.

Temos que avisar para esse tal Arnaldo que mais de R$ 500 bilhões do PAC é essencialmente investimento e que das obras previstas no seu primeiro ano 62% estão em andamento, 23% estão em processo de licitação e o restante está na fase de projeto ou em processo de licenciamento.

O que ele quer dizer com a expressão “andar de marcha à ré”? Seria menos pessoas passando fome, seria pessoas das classes D e E migrando para a classe C, seria ter credibilidade internacional, ter programas sociais elogiados pelos órgãos internacionais, ter US$ 196 bi de reservas, ter conseguido o investiment grade , ter obtido recorde na produção de alimentos, ter o dólar cotado a R$ 1,67 , não ter uma taxa SELIC de 45% ao ano como em 2001 ou ter uma relação dívida/PIB de 41% ao invés de 52% como em 2002?

Ao contrário, todos os índices que medem a evolução de uma economia estão a nosso favor, além do que crescemos 5,4% em 2007 em relação a 2006.

É neste cenário de crescimento da economia que as empresas ganham mais, fazem mais publicidade, com o que as empresas de comunicação obtêm um maior faturamento, com o que pagam os salários dos comentaristas.


Newton Braga,

Professor de Economia do Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB)