28.1.08

Efeagacê falou

Pouca coisa útil foi dita ontem no programa "Canal Livre", da TV Bandeirantes, que entrevistou o ex-presidente Efeagacê.

O que merece ser ressaltado é o que o Príncipe dos Sociólogos vive martelando e eu também (Opa, algo em comum entre nós dois): PT e PSDB são farinha do mesmo saco ideológico. O PT foi quem virou social-democrata? Foram os dois partidos que viraram "menos esquerdistas" e se encontraram na chamada "centro-esquerda", um tipo de centro pragmático com raízes teóricas nos pensadores marxistas.

Por que então, diabos, eles não são aliados? Elementar, meu caro leitor, disputa pelo poder, como disse Efeagacê, e radicalismo de setores radicais do PT. Poderia ser diferente? Poderia. Bastava um partido ter a grandiosidade de chamar o outro para conversar e aparar as arestas e um dos dois aceitar não ser a estrela da aliança, afinal um teria que ser o cabeça e outro o vice, por espírito público.

Isto vai acontecer? Não. Por que? Porque os dois querem o poder. Estão errados? Bem, para os seus projetos políticos não. Vamos completar 16 anos sendo presididos por eles (sempre reféns do PMDB e do centrão) e ninguém mais consegue se colocar como alternativa de poder.

E assim caminha a humanidade.

A CRISE E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Se a locomotiva perde o rumo, o que será dos vagões que a seguem?

A grande preocupação da economia mundial é o desfecho da crise por que passa a economia americana. Apoiada no fabuloso de PIB superior a US$ 14 trilhões, grande importadora de produtos de todo o mundo, consumidora de 30% do petróleo mundial, qualquer vento mais forte que a castigue significa que os efeitos se farão repercutir nas diversas economias.

Quando um país comprador de produtos está mais rico, certamente que os outros países venderão mais para ele; para isso terá que aumentar o tamanho das suas fábricas e vão contratar mais funcionários, vão adquirir mais matéria prima, vão produzir mais e gerar mais renda. De forma contrária, se o comprador dos mesmos produtos está mais pobre, todos os efeitos listados acima ocorrerão de forma inversa.

A economia chinesa é a grande fornecedora de produtos para os Estados Unidos. Com isso, sofrerá um impacto muito forte.

O Brasil já teve os Estados Unidos como comprador de 25% de tudo que vendíamos para o exterior. Com a diversificação dos mercados, 19% das exportações brasileiras tem como destino o mercado americano. Assim como a China, sofreremos, ainda que numa dimensão menor.

De qualquer forma, grande parte do mundo atua como simples expectadores, protegendo-se, mas sem o poder de debelar a crise.

A extensão de tais perdas vai depender da extensão da crise da economia americana. Viu-se a ponta do iceberg, ele está ameaçando aparecer de corpo inteiro, mas não se conhece o seu tamanho.

Outro efeito negativo se refere à fuga de capitais que acontece nessas situações. Com isso, as economias vêem aumentada a sua vulnerabilidade, principalmente aquelas que não detêm uma grande quantidade de reservas internacionais. O Brasil dispõe hoje de aproximadamente US$ 185 bilhões. Sem dúvida uma situação muito confortável.

Parece, também, que os economistas e os bancos centrais aprenderam muito com asa crises anteriores. O pacote de medidas agora anunciado pelo FED pode fazer com que a locomotiva não descarrilhe, seus passageiros desembarquem felizes e nós, simples expectadores, possamos suspirar aliviados.

Newton Braga,
Professor de economia do Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB)

23.1.08

Pobre dicionário

Nesta semana, o Canal Brasil exibiu o clássico filme “Jango”, de Silvio Tendler. Nele, percebe-se que as forças progressistas defendiam o voto do analfabeto, mas não a erradicação do analfabetismo. O voto do analfabeto era parte das reformas de base; as outras diziam respeito à propriedade dos meios de produção e à intervenção do Estado na economia. São poucas as referências a transformações sociais diretas: saúde, moradia, água e saneamento, transporte público, educação. A falha não era de Jango, mas da visão importada pela esquerda brasileira, segundo a qual o progresso era efeito direto da economia, e a emancipação do povo e o atendimento das necessidades dos pobres eram conseqüência do crescimento econômico.

Até Lula chegar ao poder, as reformas defendidas pela esquerda eram as mesmas: controlar o sistema financeiro, opor-se a todo tipo de privatização e ampliar a intervenção do Estado na economia, combater o FMI e o Plano Real, distribuir terra, mesmo que produtiva, e defender o fim de programas como a Bolsa-Escola, chamados de política compensatória.

Mas quando assumiu o governo, a esquerda deu uma guinada: adotou integralmente a política econômica do governo Fernando Henrique e desvirtuou a Bolsa-Escola, transformado-a em programa puramente assistencial, com o nome de Bolsa Família. O discurso tornou-se conservador, e passou a defender políticas compensatórias como carro-chefe e símbolo do discurso progressista. Trocou revolução por generosidade.

Abandonou as bandeiras anteriores e não adotou novas. Continuou sem perceber que a verdadeira revolução possível e necessária está na garantia de acesso de todos à escola de máxima qualidade. A revolução não está mais em garantir ao operário a propriedade do capital do patrão, mas sim em assegurar que o filho do operário estude na mesma escola que o filho do patrão.

Além de estar presa ao discurso economicista, nossa esquerda considera esse sonho utópico, impossível. Ela prefere os pequenos gestos políticos e econômicos às decisões fortes, com impacto direto na realidade social. Nos anos 60, garantir voto ao analfabeto era um ato politicamente progressista; mas a erradicação do analfabetismo seria um gesto socialmente emancipador. Hoje, em vez de escola com qualidade para todos, uma política transformadora e emancipadora, prefere-se a política da generosidade, enquanto o crescimento econômico não chega a todos.

A esquerda já foi abolicionista, desenvolvimentista, socialista, comunista, reformista, nacionalista e internacionalista, mas nunca se assumiu educacionista, como venho propondo. Jamais viu a educação como vetor da transformação social. Palavras como educacionismo e educacionista nem sequer constam dos dicionários.

A realidade socioeconômica de hoje exige a adoção destes termos: educacionismo, para definir o progresso e a transformação social com base em uma revolução na educação que assegure a máxima qualidade, para todos; e educacionista, para definir aqueles que defendem a necessidade de uma revolução social pelo educacionismo.

Educador é o especialista em educação que usa seu conhecimento para formar e transmitir conhecimento; educacionista é o militante político que luta para que todos os habitantes do País tenham educadores competentes em escolas com a máxima qualidade.

O desenvolvimentismo e o socialismo de hoje consistem no educacionismo: assegurar a mesma chance para todos, por meio de uma revolução educacional no País. Esse é o caminho possível.

Mas faltam os educacionistas. Faltam os cidadãos, como foram os abolicionistas, capazes de se unir, independentes de sigla partidária, para defender que a revolução é necessária, possível, e que o caminho é a escola igual para todos. Mas como criar uma consciência educacionista, quando o educacionismo nem está nos dicionários?
Talvez a culpa seja dos pobres dicionários, e não dos líderes sem imaginação que, há 50 anos, preferem defender o voto dos analfabetos a defender a erradicação do analfabetismo.

Cristovam Buarque,
Ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB), ex-governador do Distrito Federal e senador da República pelo PDT

Sobre reforma política

Bom texto sobre o tema

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Previsões a posteriori

É comum alguns comentaristas se manifestarem dizendo que ouviu o mercado, que o mercado está de bom/mau humor, etc. etc. Afinal, o que é o mercado a que eles se referem?

Na acepção da palavra, mercado significa um grupo de consumidores, um grupo de vendedores, uma mercadoria (bem ou serviço) e uma moeda. Entre eles são exercidas as funções de oferta e demanda e acontecem as transações. Mas existe um mercado financeiro: alguns demandando dinheiro, outros oferecendo (aplicando) dinheiro. Certamente que esses comentaristas estão ouvindo este segmento de mercado formado por pessoas que aplicando o seu dinheiro, ganham juros (aplicadores) e pessoas (ou entidades) que aceitam esse dinheiro, comprando por um preço, e aplicam por outro preço, obtendo assim o spread bancário.

É tão complexo este mercado que os tomadores passam algumas vezes a aplicadores do dinheiro. Os bancos se tornam aplicadores de dinheiro e o Tesouro Nacional assume o papel de tomador.

É esse mercado que está sendo ouvido.

Semanalmente, o Banco Central do Brasil ouve os diversos componentes do mercado e colhe as suas expectativas e os compila num documento chamado Relatório de Mercado onde constam as previsões sobre o desempenho da economia. É lógico supor que cada um dos componentes do mercado vai explicitar as suas expectativas de forma a que o Banco Central (o governo) tome algumas decisões que lhe sejam favoráveis.

Se analisarmos o ano de 2007, veremos o seguinte: em 22 de abril, o mercado previa um crescimento do PIB em cerca de 4,4%; eu já dizia que tal índice se situaria em torno de 5%; em agosto, o mercado subiria sua expectativa para 4,5% e eu mantinha em torno de 5%; em setembro o mercado insistia em 4,5% , passando no mês de dezembro para 4,7%; neste blog, no artigo intitulado “o PIB, a PNAD e os pessimistas” eu já previa o erro dos “experts” e avançava na minha projeção, que seria superior a 5%. Achismo? Não, realismo. O investimento tinha aumentado, a demanda interna também, os juros se tornaram atrativos para o consumo e todos os ingredientes juntos fizeram com que a economia crescesse 5,7% no último trimestre, do que resultará um crescimento superior a 5%, tão logo o IBGE proceda as suas medições. O mais interessante é que no período de 14 a 28/12 a previsão do mercado para o crescimento do PIB saltou de 4,7 para 5,19%. Prever dessa forma é fácil!

A quem interessa fazer projeções irreais? A que se devem os “erros”? Certamente que não é incompetência, já que todos reconhecem o alto nível de conhecimento dos assessores e consultores que são comumente ouvidos.

O importante é que, ouvindo ou não o “mercado”, batemos vários recordes em 2007, com a venda de automóveis sendo 30,7% superior ao do ano passado, recorde na produção de grãos, recorde nas exportações, recorde na geração de emprego, recorde no fluxo de capitais externos... e o que mais?

Bem, acima de tudo os brasileiros estão acreditando mais na sua economia e festejaram o maior e melhor Natal da década. Graças a Deus!

Newton Braga,
Professor de economia do Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB)

Apagão no Blog do Braga

O Maranhão é uma tão encantadora que a gente até esquece de atualizar o blog.

Nada de tão importante anda acontecendo mesmo. Dia desses acordei e comecei a assistir um programa desses que cuida da vida dos outros e faz propaganda de uma câmera barata e de péssima qualidade. O curioso é que fiquei envolvido na discussão dia: Quem será a sucessora de Gisele? Desculpe a intimidade, mas quem assiste Olga Bongiovanni não precisa nem falar o sobrenome dos famosos (sic), eles são todos de casa.

Enfim, o ano ainda não começou e o blog vai ficando mais por conta dos colaboradores.





Dica do blog: Visitem o Maranhão.

15.1.08

PHA servindo à nação

Finalmente o site Conversa Afiada fez algo louvável do ponto de vista do interesse público. Seu mandatário, o jornalista Paulo Henrique Amorim, o maior nome da imprensa chapa branca brasileira, resolveu utilizar-se da sua empresa, a "PHA Comunicação e Serviços" para demonstrar o favorecimento que há a alguns empresários no Brasil, sobretudo a Daniel Dantas.


Para saber mais clique aqui.

Viva a TV Brasil

O Fórum Nacional pela Democratização dos Meios de Comunicação pretende fazer um ato público em defesa da TV pública brasileira e formentar a construção de uma frente parlamentar para o mesmo fim.

O Blog do Braga deixa clara sua posição: Somos inteiramente favoráveis à criação e manutenção da TV Brasil. Os canais privados de televisão no Brasil cumprem o seu triste papel de buscar, a qualquer custo, audiência, mesmo que para isso tenham que apresentar programações de baixa qualidade de conteúdo e apelativas, salvas as honrosas exceções. A TV Brasil, se pública mesmo, focará sempre em mostrar a diversidade cultural da nação brasileira, auxiliar a integração das distantes regiões do país, ser um veículo a serviço da educação, do bom debate e, acima de tudo, da sociedade brasileira e, nunca, um veículo usado para favorecimento político de quem quer que seja. Os nomes que hoje dirigem a TV Brasil têm carreiras reconhecidas como exemplares, inclusive por políticos das mais diferentes matizes ideológicas e não jogariam suas biografias no lixo em nome de um projeto de uma "TV Lula", como querem dizer aqueles que são favorecidos pelos canais privados.

10.1.08

Quadros e reféns liberados

Não tenho escrevido muito aqui, mas há duas que merecem destaque nestes últimos dias.

A polícia conseguiu encontrar "Daniel Ocean" tupiniquim com os quadros que haviam sido roubados do Museu de Arte de São Paulo (MASP). Os quadros, é bom dizer, estavam intáquitos e já foram devolvidos ao museu.

Outro fato interessante foi a libertação de dois reféns que estavam nas mãos da FARC (Forças Armadas Revolucionária da Colômbia). É incrível que nenhum veículo de comunicação dê destaque à atuação decisiva do presidente venezuelano Hugo Chávez. Imagine se a libertação fosse obra do presidente George W. Bush ou do nosso ex-presidente Efeagacê. Eles seriam exaltados como grandes líderes.

E ainda há quem duvide que a imprensa brasileira é de direita.

5.1.08

Blog muda de sede

Queridos leitores,

Os poucos post neste blog se devem à sua mudança de sede. Temporariamente a matriz estará em Chapadinha, mas com nossos colaboradores ainda espalhados pelo Brasil.

De qualquer forma poucas coisas vêem merecendo algo comentário. "O governo subiu imposto". E você esperava o que? Que o governo fosse assistir a R$ 40 bilhões de reais saírem voando pela janela e não recuperar receita?Tá certo em aumentar. Principalmente a Contribuição Sobre Lucro Líquido (CSLL). Aumentar imposto sobre os astronômicos lucros dos lucros é sempre bem-vindo, ainda mais vindo de um governo que quase nunca mostra coragem para tomar uma atitude dessas.

Além disso ainda podia falar sobre a entrevista de José Dirceu à revista Piauí, mas juro que não entendi. Não consigo nem acreditar que ele falou essas besteiras. Assim como a entrevista do ex-presidente Efeagacê à mesma revista esta é inacreditável. Vale a pena ler.