Ainda sobre privatizações


Ri sozinho quando avistei esta placa no Metrô de Brasília.

Eu quero conservar meu metrô. O governador violador de painel José Arruda é que não quer conservá-lo sendo meu.

Depois de nós, contribuintes brasilienses, pagarmos milhões em impostos para a construção do Metrô o que o governo quer fazer? Privatizá-lo. Colocá-lo nas mãos da iniciativa privada para ela lucrar em cima da necessidade de quem? De nós, contribuintes brasilienses.

Não é que a iniciativa privada não possa ter metrôs, trens-balas, rodovias. Deve ter sim. É só ir lá e construir, ora bolas.

Os neoliberais brasileiros não querem o "Estado mínimo". Eles querem um Estado servindo a eles, e só a eles.

O Estado deve ser presente, sim senhor. A serviço da sociedade e priorizando aqueles que mais precisam dele, os mais necessitados.

Por isto o Estado não deve ser reduzido ao máximo, pelo contrário, deve também crescer onde for necessário. E a área de transportes é emblemática.

Falou-se incessantemente em crise aérea neste últimos 12 meses, mas menos de 10% dos brasileiros utilizam-se do sistema aéreo. Muito mais grave é o apagão terrestre.

O trabalhador brasileiro sofre nas grandes cidades com a situação caótica do transporte urbano com ônibus velhos, em baixa quantidade, sem condições de utilização por deficientes, sujos, sem manutenção, atrasados, que muitas vezes quebram no meio do caminho e com passagens absurdamente caras. Por que tudo isso? Por causa deste capitalismo selvagem. Porque toda empresa pensa como a TAM: Nada substitui o lucro. O objetivo é nenhum, senão a otimização dos lucros. Custe o que custar.

O prefácio do livro "Privatização das Telecomunicações" (Editora Notrya\ 1993) de Gaspar Vianna foi escrito por Barbosa Lima Sobrinho e lá ele diz:

“O que distingue as duas empresas (privada e estatal) é o objetivo que as separa. Para que se funda uma empresa comercial? Qual seu objetivo essencial, senão a obtenção do lucro máximo que possa conquistar? (...) (A empresa comercial) Poderia valer-se de todos os processos para chegar a esse resultado, contornando os obstáculos da legislação em vigor. Nem teria que dar satisfações a quem quer que fosse, livre da vigilância de um noticiário que não chega a interessar ao grande público. (...)

Já a empresa estatal é como se trabalhasse por detrás de uma vitrine, sob severa vigilância da própria imprensa. (...) Veja-se o destino, por exemplo, da Petrobrás. Parece até que dispõe de espaço cativo na imprensa a serviço da benemerência das empresas privadas. Quando, na verdade, sua principal finalidade não é o lucro, mas o serviço do povo. Se os seus déficits podem ser compensados pela utilidade social, não há motivos para censuras ou para desprestígio. Como acontece com uma empresa ferroviária que estende suas linhas a lugares pouco habitados, que poderão proporcionar possibilidades futuras de lucro, trabalhando pelo progresso de regiões, que possam trazer benefícios e vantagens mais adiante."

Barbosa Lima Sobrinho era simplesmente brilhante e expõe com extrema sabedoria os maiores motivos para se combater o neoliberalismo. Assim o sendo, o Estado não deve deixar o transporte urbano só nas mãos da iniciativa privada. Pegue-se o exemplo do Distrito Federal. Somos reféns de homens como Valmir Amaral e Wagner Canhedo.

Se o caminho não é a estatização das empresas privadas do setor, e acredito que não seja mesmo, devem-se, no mínimo, serem criadas viações estatais que não se preocupem com o lucro. Que trabalhem com o compromisso de servir à sociedade com ônibus que permitam a utilização do serviço por deficientes, que tenham passagens mais baratas, suficientes para manter a empresa, mas menores do que aquelas que se propõem a lucrar.

A idéia de aumentar o Estado parece ser coisa de comunista, mas não é. O transporte público (e lá é público mesmo) em Washington, capital do país mais capitalista que pode haver, é estatal.

Em linhas editoriais o Blog do Braga defende a estatização do transporte urbano em defesa dos interesses dos trabalhadores, e não dos grandes empresários.

Obs: Todas as fotos deste post foram tiradas em Brasília.


update 10 de outubro, 15:54: "75% dos paulistanos deixariam carro em casa"