9.2.07

Economia ao Alcance de Todos

Aquecimento global (e da economia brasileira)

O grande dilema dos governantes é satisfazer as demandas dos diversos segmentos da sociedade. Ontem (dia 06/02/2007) o dólar alcançou o patamar de R$ 2,08/dólar. Certamente é uma cotação baixíssima, o que afeta diretamente a renda dos exportadores; ainda bem que a cotação das nossas mercadorias no exterior está alta, o que ainda é compensatório. Num cenário bastante realista não se pode prever reação substancial da taxa de câmbio porque as exportações estão com um bom desempenho em 2007 e já se prevê que as questões relacionadas ao aquecimento do planeta vão fazer o mundo repensar a sua agressão ao meio ambiente e, tudo leva a crer, abre-se um tremendo espaço para o nosso etanol e bio-diesel.

A se confirmar essa tendência, mais dólares aumentarão o fluxo dessa moeda para o Brasil, o que tornará a taxa de câmbio ainda mais baixa. Qual a solução? Os produtores/exportadores querem juros baixos e taxas de câmbio mais altas; os produtores não exportadores desejam juros mais baixos; os economistas e comentaristas já discutem a necessidade de aumentar as importações de forma a diminuir a oferta de dólares. A FIESP é contra as importações, para evitar a concorrência com a produção interna. O certo é que as nossas reservas cambiais, aquela quantidade de dólares depositada no Banco Central, já ultrapassaram a casa do US$ 90 bilhões.

Parecem que todos estão discutindo num cenário muito positivo para o Brasil. É bom lembrar que nos idos de 2002 o Brasil tinha apenas US$ 15 bilhões de dólares de reserva cambial, a dívida externa ultrapassava os US$ 200 bilhões e a taxa de juros (a SELIC) era de 25% ao ano e os cavaleiros do apocalipse achavam que esse país não tinha jeito.


Newton Braga,
Professor de economia do Instituto de Ensino Superior de Brasília (IESB)

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