3.2.07

Economia ao alcance de todos

Economia ao alcance de todos

Sem a pretensão de ensinar Economia, começo hoje a discutir ou a colocar minhas opiniões sobre os fatos econômicos, principalmente o caso Brasil. Muito acostumado a tratar do assunto em sala de aula, aceitei o desafio do meu filho de trazer o assunto em uma linguagem mais branda. .

Assim como hoje em dia se discute o “Direito de rua”; da mesma forma poderá existir uma “economia do nosso dia-a-dia”, como estamos acostumados a ver nos diversos noticiários.

Sem mais delongas falemos sobre já famoso PAC – Plano de Aceleração do Crescimento. O que é um Plano? Um elenco de objetivos aonde se quer chegar, para o que se conta com um montante de recursos, públicos ou privados, priorizando setores dinâmicos, capazes de promover ou acelerar o crescimento da economia. Nesse sentido, o PAC não é completo. (Aliás, nenhum Plano é completo). Como os recursos são sempre limitados, só se pode fazer aquilo que é condizente com o volume de recursos disponíveis.

Um Plano que prevê o crescimento da economia de um país tem que nascer de uma decisão política e também tem que ter apoio político, de todos aqueles que tem poderes para tanto. Vem aí o caso dos governadores. Eles estão certos? Sim. Existe um problema de repartição tributária? Sim. Mas... vamos e venhamos: independente do PAC essa questão tem que ser discutida. Colocar como condição para aprovar o PAC é p’ra lá de insensatez!!!

O PAC e a imprensa
Tantos comentários bons e tantos descalabros! Outro dia na CBN estava sendo entrevistado um professor de economia da PUC Rio. A pergunta era: e a limitação para os reajustes dos funcionários públicos é uma coisa boa ou ruim? Ele responde: “se for sobre o salário de cada categoria é péssimo, mas se for sobre os gastos totais com o funcionalismo é ótimo”. Quero dizer com isso que antes de responder à pergunta ele deveria se inteirar do assunto. De qualquer forma, como a decisão é sobre o volume total de gastos com pessoal, (mesmo eu sendo funcionário público), é ótimo, o que frustraria o comentarista, o qual eu identifico um cavaleiro do apocalipse.


Acertos e contradições
Quando se compara a última decisão do COPOM sobre o comportamento da taxa de juros, alguns mal informados podem supor uma contradição entre crescimento da economia e a reduzida queda da taxa de juros. Convido todos a ler a Ata do COPOM. Lá está a explicação. Chama a atenção dos economistas o comportamento dos diversos componentes do PIB no ano de 2006 e particularmente do último trimestre. Numa brutal simplificação, se só existisse os componentes Consumo e Investimento, e como o consumo cresceu exageradamente não tendo acontecido o mesmo com o investimento, com uma redução mais significativa da taxa de juros a tendência seria uma aceleração do consumo que não poderia ser atendido com o atual volume de produção da economia. Só tem uma saída: aumenta-se o Investimento e contenha-se o consumo.
O crescimento da economia depende diretamente da sua capacidade de ampliar o volume de investimento. Por isso, o PAC, privilegiando o Investimento, pressupõe uma elevação da taxa de crescimento da Economia. De quanto? 5%? Ninguém sabe, mas, sem dúvida, um desempenho melhor do que o do passado.
Não existe contradição, entre o papel desempenhado pelo COPOM e o PAC, como alguns comentaristas da Rede Globo quer nos fazer acreditar. E se o Banco Central fosse autônomo? O que diriam os neoliberais?

O PT e as privatizações
Recentemente, o governo decidiu adiar a licitação sobre a privatização de trechos de rodovias no Brasil. Como o interesse social deve sempre prevalecer sobre os interesses individuais, o governo deveria adiar três, quatro ou mais vezes, desde que se esteja preservando o direito do cidadão e não do empreiteiro.


Newton Braga,
Professor de economia do Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB)

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