22.10.06

Arlete solta o verbo


Em entrevista ao blog a deputada distrital Arlete Sampaio (PT-DF) desabafou. Reclamou de aliados, defendeu a reforma política e uma refundação do Partido dos Trabalhadores.

Blog do Braga: Deputada, Vossa Excelência aparecia nas pesquisas com pouco mais de 10% das intenções de votos e o candidato José Arruda com mais de 60%. Quando abriram as urnas o resultado foi diferente. Como a srª explica isso?
Arlete: Eu acredito que estas pesquisas são hoje mais um instrumento nefasto do poder econômico. Muitas pessoas que não queriam o (Joaquim) Roriz, a (Maria) Abadia votaram no Arruda porque as pesquisas fizeram elas pensar que a gente não tinha chance.

BB: Um membro da sua coligação chegou a dizer que um instituto de pesquisa havia oferecido a ele uma proposta para colocar a candidatura de vocês mais a frente nas pesquisas se vocês pagassem mais "por fora". A srª confirma esse fato?
Arlete: Ele me disse a mesma coisa que disse a você.

BB: Já tem muita gente pensando nas eleições de 2010. A srª pensa em ser candidata daqui a quatro anos?
Arlete: Agora eu só penso em ajudar a reeleger o Lula no próximo domingo e depois em trabalhar num processo interno pelo qual o PT precisa passar. E se for pra ter que ficar pedindo dinheiro não vou ser mais candidata não. Só se aprovarem a reforma política.

BB: E quais os pontos da reforma política que a srª defende?
Arlete: A fidelidade partidária, a votação em listas fechadas, o financimento público de campanhas...

BB: O voto distrital?
Arlete: Não, de jeito nenhum.

BB: A srª falou em um processo interno dentro do PT. Muita gente fala em uma refundação.
Arlete: O nome não importa. Tem gente que diz que é uma refundação, outros dizem que é só um processo interno natural. O partido mudou muito com o tempo. O PT tem que tirar do partidos essas pessoas que erraram tanto e voltar para suas raízes programáticas.

BB: O governador eleito José Arruda fez campanhas nos últimos quatro enquanto o grupo de esquerda aqui no DF só se uniu no último momento possível com o deputado Agnelo Queiroz desistindo da candidatura dele e lhe apoiando. Muita gente acredita que ele na verdade deveria ter sido o candidato a governador no seu lugar e concorrendo ao senado ele teve mais votos do que a senhora. Hoje a srª não acha que foi um erro?
Arlete: O primeiro erro foi o PT ficar refém de uma candidatura do (Geraldo) Magela que era esperada neste últimos quatro anos e não se concretizou. Eu fui a única pré-candidata que consegui unir o partido fazendo com que todos os outros pré-candidatos desistissem de concorrer ao governo.
Quanto ao Agnelo ele também errou. Eu disse a ele que ele não conseguiria ser candidato se não contruísse a candidatura dele por dentro do PT. Ele conversou com vários partidos e deixou o PT de fora.
Você viu a entrevista do Roriz ao Correio Braziliense (entrevista na qual Roriz diz que Agnelo o procurou pedindo apoio para ser candidato a governador)?

BB: Mas o que o Roriz diz...
Arlete: Mas isso foi verdade. Também teve a questão da crise. Depois de tudo aquilo que nosso partido passou não tinha como a gente apoiar um candidato que quando perguntado sobre tudo aquilo dizia que não era problema dele e só do PT.
Ele teve mais voto do que eu, mas também teve mais voto do que o Lula aqui no DF também. Se for por isso ele devia ter sido candidato a presidente.

BB: A srª acha que houve corpo mole de alguns aliados com a sua candidatura?
Arlete: Claramente. O próprio Agnelo (Queiroz) descolou a candidatura dele da minha em certo momento da campanha. E tinha gente dentro do PT que tinha interesse em que eu não fosse eleita.

BB: Que interesse?
Arlete: Interesse em ser o candidato a governador daqui a quatro anos. E também gente que sabe que eu não ia lotear o governo. Política pra mim não é pra isso.

BB: A srª falou da postura do Agnelo. A srª acha que a histórica aliança entre PT e PCdoB está fragilizada?
Arlete: Não, pelo contrário, está mais forte do que nunca. Mas os dois partidos vão ter que discurtir algumas coisas. E não foi só o Agnelo não. O PSB também não fez nossa campanha. Nós ajudamos o próprio (Rodrigo) Rollemberg e o Rogério Ulysses com tempo de TV e tudo mais e eles não fizeram campanha pra gente. Mas houveram candidatos a deputado que fizeram que eu sei.

BB: Para finalizar. A srª falou da crise pela qual o PT passou e mesmo com toda a crise o partido conseguiu ser o partido mais votado na eleição para deputados federais, antes tinha 3 governadores e já elegeu 4 no 1º turno, pode eleger mais um ou até dois no 2º turno e está quase para reeleger o presidente da república. Como a srª acha que o PT coseguiu isso?
Arlete: O PT é um partido com muita vida, muito enraizado nos movimentos sociais e, principalmente, tem um militância muito guerreira.

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