13.7.06

Não houve mensalão


É necessária muita convicção para dizer isto depois de toda a campanha que foi feita defendendo esta invenção criada pela mente de um ladrão. Mas defendo meu ponto de vista com fatos e não apenas com minha ideologia.

Primeiro é importante deixar claro o que é mensalão. Defino como compra de votos de deputados, independentemente da quantia paga e de o pagamento ter sido ser mensal ou não.

Bem, nesse conceito houve apenas três acusados: José Dirceu (PT/SP), Sandro Mabel (PL/GO) e Pedro Henry (PP/MT). O primeiro seria o chefe do esquema e os outros dois seriam os distribuidores do dinheiro nas suas respectivas bancadas.

Dirceu foi vítima de uma cassação política em decorrência dos inimigos que acumulou nos anos de carreira política, por ter sido o principal responsável pela eleição de um "da Silva" para presidente, por ter sido o homem forte do governo, por toda a expectativa que se criou pela sua cassação, mas provar sua culpa que é bom ninguém provou.

Quanto a Sandro Mabel e Pedro Henry não houve dúvidas. Foram absolvidos já no conselho de ética por falta de provas.

E os outros acusados que foram absolvidos no plenário? Todos foram acusados de caixa dois e não venda de votos. Salvo as poucas exceções, como José Mentor (PT-SP), deveriam ter sido punidos com a perda do mandato e dos direitos políticos.

Moral da história: José Dirceu foi o chefe de um esquema que só tinha ele. Ninguém mais comprou voto, ninguém passou o dinheiro, ninguém vendeu o voto.

Mas vamos considerar que estes acusados de caixa dois teriam, na verdade, vendido seu voto ao PT. Pois bem, em um universo de 513 deputados o PT foi o partido que elegeu a maior bancada em 2002: 92 deputados. Toda a coligação que apoiou a candidatura do presidente Lula elegeu por volta de 120. Como é necessário maioria na Câmara e em algumas votações precisa-se do apoio de dois terços dos parlamentares, a compra de votos não seria de 20 deputados, teria de ser de centenas. E por que seria comprado o voto do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) que era o presidente da casa e, portanto não votava? Por que seria comprado o voto do deputado Professor Luizinho (PT-SP) que era o líder da bancada? Por que o PT teria que comprar voto de sete deputados petistas?

Para ajudar a tese do mensalão vamos supor que a compra de votos tenha sido de centena. Por que projetos de interesse do governo não foram aprovados? O projeto de reeleição para presidentes da Câmara e do Senado, por exemplo. Por que se discutiu a reforma da previdência com todos os 27 governadores, depois se deliberou nas duas casas do congresso para ser aprovada? Quem tem congresso comprado simplesmente bota lá e aprova.

Alguém deve perguntar: E como explicar o troca-troca dos deputados que eram de partidos da oposição indo para partidos da base de apoio do governo? No dia 22 de setembro de 2003, a cientista política Lúcia Hippolito, uma das mulheres que mais batem no governo Lula, declarou na rádio CBN que o crescimento dos partidos da base do governo era natural como em qualquer outro governo. E nem precisa ser cientista político para entender que é muito vantagioso pra um deputado apoiar o governo. Indicações para cargos, mais facilidade na liberação de verbas para a sua base eleitoral, etc.

Houve irregularidades com pessoas de vários partidos, inclusive do PT, e a lição que esta crise política deixou é a de que a ética não tem filiação partidária. Num partido do tamanho do PT é claro que existem pessoas desonestas também, assim como existem pessoas honestas no PFL (podem acreditar, hão de existir algumas).

Mas peraí, se o mensalão não existiu por que toda essa crise, toda essa campanha anti-PT e anti-Lula? Ora, dizer que esta crise política foi fruto da acusação do mensalão é como dizer que a primeira guerra mundial foi motivada pelo assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando. Foi apenas o estopim.

A verdade é que quando Lula foi eleito a direita pensou que ele ia quebrar o Brasil e depois eles voltariam como salvadores da pátria, mas de repente o governo do operário deu certo, muito mais do que o anterior. Como conseqüência, Lula vinha bem nas pesquisas já em 2005 e eles viram que não seriam apenas quatro, mas sim oito anos de um ex-metalúrgico na presidência. Para evitar a reeleição só uma crise econômica ou algo que atingisse a figura de Lula. Daí nasceu toda essa crise. Alguém acredita que ACM (PFL-BA), Álvaro Dias (PSDB-PR), Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), Jorge Bornhausen (PFL-SC) e companhia estão interessados em investigar corrupção? Eles querem evitar a permanência de Lula no Palácio do Planalto, mas parece que não deu certo. O homem continua na frente das pesquisas e o nervosismo deles é explícito.

Outro fato importante a ser ressaltado, para evitar mal-entendido, é que nessa confusão toda nenhum petista foi acusado de enriquecimento ilícito. Não houve desvio de dinheiro público, não roubaram. Se houve erros, e realmente houve, não foi para encher o próprio bolso, mas sim para chegar ao poder e mudar o Brasil.

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